Entrevistas do Presidente da AJORB

Entrevista para Caren  (aluna de faculdade do Rio Grande do Sul em 13-10-2.000)

Caren:

Em Porto Alegre existem restrições no mercado de jornais comunitários...

ECS:

 Acho que as restrições, que possam existir nos jornais de bairro, são, em grande parte, porque a Legislação Trabalhista a que está sujeito um pequeno jornal de bairro é a mesma que regem o relacionamento dos grandes veículos com seus empregados.

Em São Paulo já existe o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais de Bairro, o qual pode fazer acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Acho que não é bom principalmente para os profissionais, que o mesmo piso salarial pago pela Zero Hora aí em Porto Alegre, O Globo no Rio, o Estado de S. Paulo em São Paulo seja o mesmo que é obrigado a pagar um pequeno jornal de bairro.

Nos acordos para elevação do piso salarial, inclusive um dos argumentos, utilizados pelos grandes veículos, é de que o piso salarial não pode ser aumentado porque os pequenos jornais não poderiam pagar. Acho que teria que haver acordo em separado.

Caren:

A maioria dos jornais de bairro é clandestina, não possui registro no cartório de registros especiais, existe o problema do amadorismo, enquanto muitos jornais atuam na clandestinidade.

ECS:

Em princípio lógico, de fato e não burocrático e cartorário, nenhum jornal que imprima nele o nome, o endereço e o nome do diretor não deveria ser considerado clandestino.

Mesmo porque os jornais nos Estados Unidos não são registrados em cartório por decisão da Suprema Corte, se não me engano, no começo do século.

É que um jornalista se recusou a registrar seu jornal, alegando que isto lhe tiraria a liberdade.

Por isso foi condenado e preso, mas a decisão final foi a de que o jornalista tinha razão e hoje os jornais lá não são obrigados a se registrar em cartório.

De qualquer forma, nos estamos no Brasil e o registro de jornal é obrigatório e isto não tira a liberdade de ninguém.

São os seguintes registros:  

1) Como qualquer empresa, deve se registrar no CGC (CNPJ) no Ministério da Fazenda;

2) Em cartório, exigência da Lei de Imprensa, exatamente para que, em caso do jornalista infringir algum artigo da Lei de Imprensa, o Judiciário tenha elementos para qualificar quem é o responsável pela publicação;

 4) No INPI para garantir seu direito de uso exclusivo do nome (este último facultativo).

3) Na prefeitura, para emitir nota fiscal de serviço. Porém, como os jornais estão imunes (isto é isentos) de impostos (menos de imposto de renda) por força de dispositivo constitucional, muitos deixam de registrar na Prefeitura e no Estado, por omissão da fiscalização e/ou dos jornais porque é registro apenas burocrático.

Algumas prefeituras já isentam jornais de inscrição, inclusive por lei.

Quanto ao aspecto amadorista do jornal, surge porque, em princípio, quase todos os proprietários de jornais, quando o fundam, fazem por princípio altamente comunitário.

Preocupados com um problema ou muitos problemas de seu bairro, resolvem editar um jornal para reivindicar melhorias para seu bairro.

Depois de um ou dois números é que ele descobre que é "empresário".

Aí então é que vai precisar agir profissionalmente, mas isso é demorado, principalmente nos últimos tempos em que as pequenas e médias empresas foram muito castigadas no País.

E o jornal de bairro, além de ser pequena ou média empresa, também tem, como principais anunciantes, as pequenas e médias empresas em geral.

Caren:

As grandes verbas publicitárias geralmente não são direcionadas para esta mídia, por opção das agências de publicidade...

ECS:

O problema é que o sistema de remuneração das agências de publicidade é cobrar de seu cliente 20% de comissão sobre o valor do anúncio que for veiculado.

 Evidentemente que para a agência é muito mais prático colocar esse anúncio em grande jornal ou rede de televisão, que são conhecidos; lhe dá pouco trabalho e os veículos são organizados técnica e burocraticamente.

Porém, se ela resolvesse fazer anúncio em jornais de bairro o seu trabalho seria aumentado, teria que aumentar o número de empregados, explicar ao cliente quais são veículos, enfim para ela não compensa economicamente.

Os anúncios, que temos para jornais de bairro, via agência, são sempre por imposição do cliente, dificilmente por iniciativa da agência.

Para facilitar o trabalho das agências, quando o próprio cliente exige publicação em jornais de bairro em São Paulo, nós adotamos uma prática que já existe há muito tempo nos Estados Unidos.

Os anúncios são feitos por intermédio da AJORB.

É que para as agências é muito mais fácil negociar anúncio, distribuir arte, fazer faturamento, etc. somente através da AJORB e não diretamente com uma centena de jornais de bairro.

Caren: 

Os jornais de bairro em  São Paulo são atualmente um mercado profissional para os jornalistas, principalmente aqueles que saem da faculdade e encontram nos grandes jornais um mercado saturado?

ECS: Os jornais de bairro, sem dúvida, ampliam o mercado de trabalho do jornalista profissional.

Não só como assalariado, mas também com a perspectiva e possibilidade do jornalista fundar também um jornal no seu próprio bairro.

Em princípio, cada bairro deveria ter um ou mais jornal circulando, informando e defendendo sua comunidade.

São Paulo tem cerca de 150 jornais de bairro, o que não chega a 10% do número de bairros aqui existentes.

 

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