Entrevistas do Presidente da AJORB

 

17-10-2.001 -  João Vito Vasconcelos Cinquepalmi (Umesp)

Sr. Egydio,

Muito obrigado por haver enviado suas entrevistas. Há apenas duas questões que eu gostaria de colocar.

Grato,

 

João Vito: 1- Vc disse que o jornal de bairro serve para dar as notícias locais que não são cobertas pelos garndes jornais. No entanto, em São Paulo, as pessoas moram em um bairro, estudam em outro, trabalham em outro. Muitos não conhecem o vizinho. Vc não acha que a notícia restritamente local deixou de ter importância na grande cidade?

ECS: Acho que a expressão "morador do bairro" deveria ter no mínimo dois significados. Há pessoas que residem no bairro e o utilizam como dormitório; outras há, porém, que moram no bairro e se envolvem e se interessam pela vida comunitária e há ainda os que não moram  no bairro (não dormem no bairro) mas se envolvem com a comunidade. 

Quando falo de morador do bairro, no sentido de leitor de jornal de bairro, me refiro aos dois últimos: os que moram ou não no bairro, mas se envolvem com a vida comunitária de seu bairro. 

Exemplo é o Armandinho do Bixiga, que era totalmente envolvido com o Bixiga, fundou ali inclusive um museu, não morava no bairro,  já fazia anos antes de suas morte.

 

João Vito: 2- Observa-se uma queda na qualidade dos jornais de bairro em São Paulo na última década.  Os jornais de bairro das décadas de 60 e 70 eram muito importantes. Por que vc acha que isso aconteceu? Vc acredita que o fato de o plano real ter diminuido o poder dos pequenos e médios empresários, pricipais anunciantes de jornais de bairro, pode ter influenciado nessa mudança? Qual seria a solução para se passar por essa fase?

ECS: Acho que você tem razão, antigamente havia mais preocupação com o texto, reportagens e menos com a  qualidade gráfica e com a  aparência do jornal. 

Parece-me que houve evolução na tentativa dos jornais (não só de bairro) de imitar as revistas e a televisão, talvez por exigência do público. E, com isso, está havendo descuido da principal característica do jornal que é o texto escrito. 

Eu pessoalmente, embora tenha oficina própria, que pode imprimir meu jornal (Jornal da Bela Vista) a cores tenho evitado, por que entendo que - como o  cinema que era mais característico quando mudo - os jornais cumpririam mais sua função se continuassem a ser impresso em preto e branco.

Como os jornais a cores têm custo maior, acho que está havendo desvio de verba da redação para investimento em qualidade gráfica. Acho que a solução virá quando todos, leitores, anunciantes e editores, entenderem claramente que jornal é jornal, revista é revista e TV é TV. A solução seria os jornais se conscientizarem de que devem aperfeiçoar suas características e nunca tentar imitar outros meios de comunicação.

 

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