Entrevistas do Presidente da AJORB

 

 A Mateus Bueno do curso de jornalismo da FIAM, em 27-05-2003.

 

Caro Egydio Coelho da Silva, meu nome é Mateus Bueno e escrevo para o periódico Novo Momento, jornal laboratório dos alunos do curso de jornalismo da FIAM. Conforme o combinado hoje à tarde, via telefone, seguem abaixo as perguntas:

 

MB: Assim como na grande mídia, os jornais de bairro estão sofrendo com esta crise? Estão em dificuldades?

ECS: Acho que todo Brasil está em dificuldade: trabalhadores desempregados, empresários e assalariados trabalhando mais e ganhando menos e paradoxalmente até o governo nas três esferas, municipal, estadual e federal, também arrecada menos. 

 Logo, os jornais de bairro, que proporcionalmente recebe menos publicidade oficial do que a grande mídia, também encontram dificuldades.

 

MB: Quais as maiores dificuldades atualmente para os jornais de bairro?

ECS: Os jornais de bairro vivem quase que exclusivamente de publicidade de pequenas e médias  empresas. E estas, em dificuldade financeira entendem, que investimento em publicidade não é prioritário. E, quando o empresário é mais consciente e sabe que sem publicidade é pior, continua com a sua publicidade, mas, em face da queda geral dos negócios, pode ficar inadimplente com o jornal. 

Aí, o proprietário do jornal - se desespera - e recorre aos bancos para pagar a gráfica. Então ele entra em um beco sem saída e coloca em risco a sobrevivência de sua empresa, pois, os juros bancários são proibitivos.

 

MB: O número de anúncios diminuiu muito nos últimos tempos?

ECS: Houve sim retração no mercado. Mas, como o gerenciamento dos jornais é mais ágil, normalmente se dedica mais tempo e investimento à venda de publicidade e acaba equilibrando, mas, infelizmente, aumenta o índice de inadimplência.

 

MB: Existem alternativas viáveis para sair da crise? 

ECS: Temos orientado os proprietários de jornais de bairro, que evitem recorrer a empréstimos bancários. É preferível se desfazer de algum bem patrimonial, mas não recorrer a financiamento com juros altos. Como dizia Amador Aguiar, fundador do Bradesco: "Fazer negócio com banco não é um bom negócio". A AJORB, para auxiliar jornais de bairro filiados, tem trocado títulos a juros de poupança, mas é pouca ajuda ainda.

Por outro lado, já  se vislumbra alguma saída. Apesar do desaquecimento da economia, a esperança de queda do valor do dólar (o maior custo de impressão é o papel e chapas cotados em dólar) poderá baixar os custos. Há também esperança de que o governo Lula da Silva torne mais realidade as promessas de apoio às pequenas empresas e médias empresas, que são a maioria dos anunciantes de jornais de bairro.

 

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