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*Desde 1.971*

Jornais e revistas de

Bairro de S. Paulo

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Presidente: Egydio Coelho da Silva

Entrevistas com o Presidente da AJORB em 16 de abril de 2005

 Conforme conversamos por telefone, estou lhe enviando em anexo as perguntas referente a matéria sobre os jornais de bairro para o site da UniFIAMFAAM. Caso queira, você pode enviar alguma foto para ser colocada no mesmo site. Agradeço sua atenção. Agurado o seu retorno. Atenciosamente, Livia Brasil

 Lívia Brasil

 

Nome completo, formação, cargo e área que atua.

Egydio Coelho da Silva, curso superior em jornalismo (FAAP), presidente da Ajorb-Associa ção dos jornais de Bairro de São Paulo, diretor de jornal de bairro e diretor de jornal do Interior de São Paulo e Minas Gerais.

 

1 – Quais as vantagens que os jornais e revistas de bairro trouxeram para o mercado de trabalho jornalístico?

ECS: Existem cerca de 200 jornais de bairro em São Paulo. A maioria são pequenas e médias empresa. E, estatisticamente, as pequenas e médias empresas geram mais emprego do que as grandes. E é onde muitos jornalistas se iniciaam na profissão.
Mas infelizmente a falta de regulamentação de estágio e a falta de acordo trabalhista entre sindicatos (hoje os acordos feitos com jornais como Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo devem ser cumpridos por pequenos jornais de bairro, praticamente familiares), marginalizam os estudantes e os recém formados e impedem que isso aconteça mais intensamente. Assim mesmo, são responsáveis pelo sucesso de grande parte de jornalistas, que militam na imprensa de âmbito estadual e nacional.

 

2 – Você acredita que a tendência da mídia impressa é cada vez mais se segmentar? Assim como os jornais de bairro que falam com um público específico?

ECS: No caso de jornais de bairro, entendo que todas as noticias deve m ser divulgadas. Sejam muncipais, estaduais, nacionais ou mundiais, pois, um bairro não é uma ilha isolada. Portanto, todos os acontecimentos despertam interesse do leitor. Apenas o assunto deve abordado sempre tendo em vista a editoria do jornal. Exemplo, a morte do papa. Um jornalista deve não só noticiar o fato, mas também ouvir a opinião do pároco local.

 

3 – Há quem diga que jornal de bairro não passa de um folhetim do comércio local. Isso é verdade?

ECS: Há um preconceito contra os jornais de bairro e a sua pergunta carrega esse preconceito.

As pessoas confundem um ou outro jornal (se é que se pode chamar de jornal), seriam mais órgãos de divulgação praticamente de anúncios, com jornal tradicional que circula nos bairros.

Evidentemente, que os jornais de bairro hoje sentem o reflexo do empobrecimento nacional, que afetou a todos, inclusive e, principalmente, as pequenas e médias empresas, que é a maioria dos anunciantes dos jornais de bairro. Logo, o comerciante empobrecido quer preço baixo para anunciar; conseqüentemente mais espaço é destinado a anúncio, Mas, a receita do jornal cai e sua qualidade também. Aí falta dinheiro para investir no aumento de páginas, que conteriam mais matérias não publicitárias.

Mas, existe reclamação errônea sobre a desvantagem para o leitor de muitos anúncios nos jornais de bairro. Não podemos esquecer que anúncio em jornal também em informação importante. Tanto isto é verdade que existe um veículo em São Paulo, vendido em banca com preço bem mais alto do que jornal diário, que só veicula anúncio.

Quem não quer ver anúncio é só virar a página.

Diferente de anúncios em rádio, TV e cinema que ocupam nosso tempo e não temos opção senão ouvir ou ver anúncio.

 

4 – Quais os tipos de matéria que devem ter em um jornal de bairro?

ECS: Acho que devem ser reivindicativas para melhoria da qualidade de vida no bairro. Cobrando sempre serviço das autoridades. Acho que essa é a principal função de um jornal de bairro.

 

5 – Deve prestar serviços à comunidade ou ter matérias de assuntos gerais?
ECS: As notícias mais próximas do leitor sempre lhe interessam. Evidentemente que um veículo bem estruturado deve conter todas as matérias relacionadas com serviço e também todos os assuntos, que digam respeito ao bairro.

6 – Qual a responsabilidade de um jornalista que escreve para um jornal de bairro com essa comunidade?

ECS.: Entendo que a função da imprensa não é só informar, mas formar a opinião pública sobre o que é melhor para seu bairro.

O jornalista forma a opinião pública e político atende o que a opinião publica exige. Portanto, quando o eleitor vota mal, de certa forma, a culpa é dos formadores de opinião pública.

Se uma comunidade não souber o que é melhor para ela, a responsabilidade é do jornal de seu bairro, que não está na vanguarda.

Em princípio, a ética do jornalista se resume em dois artigos: noticiar tudo que sabe e expressar tudo o que pensa. Este é seu principal compromisso com o leitor e com a sua consciência.

 

7 – O jornalista que escreve nesse tipo de mídia deve necessariamente ser morador do bairro?
ECS: Morar no bairro não quer dizer que se esteja envolvido com a comunidade.

Eu mesmo moro no bairro das Perdizes, sou diretor do jornal Voz da Terra em Assis-SP, que fundei há 42 anos, do Jornal da Bela Vista, no Bixiga, há 29 anos e ainda edito há oito anos jornal em Monte Verde-MG. E escrevo em todos eles e bastante.
Estou totalmente envolvido com a população de Assis, com a população do Bixiga e também com os interesses da população de Monte Verde, onde sou até presidente da Associação Comercial de Monte Verde.

Mas tenho pouco conhecimento do bairro das Perdizes e praticamente pouco participo de sua vida comunitária. 

 

8 – O crescimento do jornal de bairro se deve em razão de sua circulação gratuita?

ECS: De fato, na época em vivemos, o jornal de bairro chega às mãos de quem não pode ou não tem costume de ler jornal, portanto, cria o hábito da leitura, o que é bom para fortalecer toda a mídia impressa.

 

9 – O bairro tem participação nas pautas? Qual o envolvimento da comunidade com a revista?

ECS: O envolvimento da população é muito forte com o jornal do bairro, pois, está próximo dele e o leitor se comunica o tempo todo com a direção e com os funcionários do jornal. Portanto, influem e muito na elaboração das pautas.

 

10 – Como caracterizar o público alvo do bairro? Houve alguma pesquisa antes?

ECS: Eu nunca fiz pesquisa.

Sei que certa vez se fez pesquisa no bairro do Bixiga e o Jornal da Bela Vista ficou em primeiro lugar em credibilidade comparado com todos os veículos.

O motivo é simples: o jornal local pode até ter deficiências, mas ele está próximo de onde os fatos acontecem e, se noticiar alguma inverdade, é cobrado imediatamente por todos até com certa agressividade.

11 – Qual o retorno dos moradores? Quais as formas de feed back que vocês recebem?

ECS: Nosso feed back é amplo. O leitor até nos cumprimenta mais alegre quando a edição do jornal é de seu agrado.

12 – Por se tratar de uma distribuição gratuita, qual o retorno financeiro? Como ele se faz suficiente para manter a revista em circulação?

ECS: O grande problema financeiro dos jornais de bairro é que sua receita somente vem de anúncios.

O custo com papel nos jornais diários, pelo menos, é coberto com a venda de assinaturas e exemplares avulsos. Os jornais de bairro não têm esta receita e isto os enfraquece. 
Acho que o sucesso dos jornais de bairro se deve à própria necessidade de todas as comunidades sejam pequenas ou grandes terem seu veículo de comunicação, à sua credibiliade e por não haver desperdício de verba publicitária, gasta com leitores que não seriam possíveis clientes dos anunciantes.

 

 

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“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

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Máximas sobre liberdade de imprensa e livre manifestação do pensamento:

 

*“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

 

* “A imprensa, numa vigorosa prestação de serviço, será a memória da cidadania contra o corporativismo de interesses menores, quer no Executivo, Legislativo e Judiciário” (Carlos Alberto Di Franco).

 

“Que o bem da liberdade segue imediatamente os bens da vida e da integridade física, demonstra-se facilmente, pois, a liberdade foi sempre constantemente um dos mais altos fins dos esforços e das aspirações humanas” (Adriano de Cupis).

 

* “Libertas omnibus rebus favorabilior est” ( “Em todos os casos a liberdade é mais favorável”), Brocardo Romano.

 

* “ A imprensa é um dos meios mais importantes de crítica e controle público permanente” (Konrad Hesse)

 

* “A imprensa livre é o olhar onipotente do povo” (Karl Marx).

 

* “A imprensa livre é o espelho intelectual no qual o povo se vê e a visão a si mesmo é a primeira condição da sabedoria” (Karl Marx).

 

“Nossa Constituição Federal (1988) protege, de maneira veemente, o direito de informar, o direito de se informar e o direito de ser informado” (Oduvaldo Donnini, autor do livro “Imprensa livre, dano moral e dano à imagem...pág.206)

 

* “A medida que a comunicação se torna maior e melhor, fica claro que a intolerância é a verdadeira pequenez do homem”, Spielberg

 

* "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras" (o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos-ONU, 10-12-1.948).


"Creio na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade".

Rui Barbosa

 

"Infringem a  ética:

o juiz que não julga, 

o promotor que  não denuncia, 

o advogado que não defende, 

o jornalista que não noticia o que sabe ou 

não escreve o que pensa".

Medeiros de Abreu

 

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la".  Voltaire

 

Indenização, em dinheiro, por dano moral somente indeniza a moral de quem não tem moral.

Medeiros de Abreu

 

 

 

Os incisos do artigo 5o. da Constituição abaixo só não garantem a liberdade de imprensa, porque foram "esquecidos" pelos que julgam ações contra a liberdade de imprensa:

 

* "IV - É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato";

 

* "V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo...";

 

* "IX - É livre a atividade...de comunicação, independentemente de censura e licença";

 

* "XIV - É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".