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*Desde 1.971*

Jornais e revistas de

Bairro de S. Paulo

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Presidente: Egydio Coelho da Silva

Entrevistas com o Presidente da AJORB em 14 de outubro de 2005

Estudante: Marcelo Jucá, Email: marcelohmj@terra.com.br

 

Marcelo:  Qual o primeiro jornal de bairro de São Paulo? Como surgiu?

Egydio: O primeiro jornal de bairro foi "O Braz", cuja primeira edição circulou em 1.º de setembro de 1895. Era editado pelo Cel. Albino Soares Bairão.

Marcelo:  Como surgiu?

Egydio: Não tenho essa pesquisa, mas de supor que, como quase todos os jornais de bairro, surgiu do idealismo de seu diretor em divulgar e buscar melhorias para o seu bairro.
Marcelo:  Qual a função de um jornal de bairro?
Egydio: A função do jornal é se comunicar com sua comunidade; informando tudo que se passa no bairro, opinar sobre os caminhos a seguir para melhor qualidade de vida dos moradores e apoiar, divulgando todos os fatos que tenham este objetivo.
Marcelo:  O que atrai o leitor?

Egydio: Quando me fazem esta pergunta, eu me lembro sempre de uma peça teatral de Pedro Bloch, intitulada “Morre um gato na China”. Esse título mostra o desinteresse das pessoas sobre um gato que morreu na China. Se o gato morresse no Brasil, o interesse seria um pouco maior, mas pouco interesse haveria. Mas se um gato morre no seu bairro, na sua rua e, por fim, na sua casa aí o interesse seria enorme. Um dos fatores, talvez o mais forte, que atrai o leitor é a notícia se referir a fato bem próximo do leitor. E as pessoas não vivem no País, no Estado, na Cidade, as pessoas vivem no seu respectivo bairro.
Marcelo:  O jornal de bairro já teve uma "época de ouro"?

Egydio: O jornal de bairro é uma pequena ou média empresa. Como a economia brasileira está de “breque de mão puxado” já faz décadas, entendo que todas as empresas e o Brasil já tiveram sua época de ouro. Agora ainda é época de vacas magras e esqueléticas. Mas o fato de estarem os jornais circulando regularmente mostra que são fortes. Que eu saiba não tem havido fechamento de jornal tradicional de bairro. O único foi o Jornal da Lapa, cujos problemas advieram pela tentativa de monopolizar a imprensa de bairro e deu um passo maior que a perna.
Marcelo:  Alguma época passou por uma crise?

Egydio: Temos tido ataques aos jornais de bairro. No governo de Erundina, houve uma decisão das regionais fazer seu respectivo jornal, inclusive pressionando fornecedores a fazer anúncio no jornal oficial; de Marta Suplicy houve a tentativa de exigir que somente os jornais “simpáticos” ao administrador regional recebessem publicidade. Hoje ainda existe uma tendência dos grandes jornais fazer suplementos regionais, numa tentativa também de monopolizar a imprensa, inclusive a de bairro. Mas não conseguem fazer jornal que se comunique efetivamente com a comunidade, como fazem os jornais de bairro.
Marcelo:  Teve algum papel relevante na época da ditadura?

Egydio: Como os jornais de bairro são distribuídos em regiões, felizmente os militares não se preocuparam conosco, pois, entendiam que isto não afetava a “segurança nacional”. Isto possibilitou a que déssemos espaço para alguns censurados na grande imprensa, entre eles Chacrinha e Chico Buarque de Holanda, pelos quais fomos procurados e demos espaço para que escrevem matéria e artigos nos jornais de bairro.

Marcelo:  E hoje? O papel do jornal de bairro mudou?
Egydio: Acho que os jornais de bairro não mudaram muito, apenas a parte gráfica se aperfeiçoou mais e também se abre mais espaços para assuntos gerais, pois, nenhum bairro é uma ilha.

Marcelo:  Quantos jornais circulam hoje na cidade?

Egydio: Acredito que sejam de 150 a 200 jornais de bairro em São Paulo.
Marcelo:  Em média, qual a tiragem desses jornais?

Egydio: é difícil afirmar, porque o IVC não aceita filiação de veículos distribuídos gratuitamente. Há jornais que declaram tiragem de até 50.000 exemplares, mas é tiragem declarada, que não há como provar.

Todavia, ainda que os jornais de bairro tivessem em média 5.000 exemplares chegaria a casa de um milhão de exemplares circulando em São Paulo. Isto equivaleria a cinco ou mais vezes o que todos os jornais da chamada grande imprensa distribuem na cidade de São Paulo. Por isso, já se disse que o “Jornal de bairro é a outra grande imprensa”.

 

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“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

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Máximas sobre liberdade de imprensa e livre manifestação do pensamento:

 

*“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

 

* “A imprensa, numa vigorosa prestação de serviço, será a memória da cidadania contra o corporativismo de interesses menores, quer no Executivo, Legislativo e Judiciário” (Carlos Alberto Di Franco).

 

“Que o bem da liberdade segue imediatamente os bens da vida e da integridade física, demonstra-se facilmente, pois, a liberdade foi sempre constantemente um dos mais altos fins dos esforços e das aspirações humanas” (Adriano de Cupis).

 

* “Libertas omnibus rebus favorabilior est” ( “Em todos os casos a liberdade é mais favorável”), Brocardo Romano.

 

* “ A imprensa é um dos meios mais importantes de crítica e controle público permanente” (Konrad Hesse)

 

* “A imprensa livre é o olhar onipotente do povo” (Karl Marx).

 

* “A imprensa livre é o espelho intelectual no qual o povo se vê e a visão a si mesmo é a primeira condição da sabedoria” (Karl Marx).

 

“Nossa Constituição Federal (1988) protege, de maneira veemente, o direito de informar, o direito de se informar e o direito de ser informado” (Oduvaldo Donnini, autor do livro “Imprensa livre, dano moral e dano à imagem...pág.206)

 

* “A medida que a comunicação se torna maior e melhor, fica claro que a intolerância é a verdadeira pequenez do homem”, Spielberg

 

* "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras" (o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos-ONU, 10-12-1.948).


"Creio na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade".

Rui Barbosa

 

"Infringem a  ética:

o juiz que não julga, 

o promotor que  não denuncia, 

o advogado que não defende, 

o jornalista que não noticia o que sabe ou 

não escreve o que pensa".

Medeiros de Abreu

 

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la".  Voltaire

 

Indenização, em dinheiro, por dano moral somente indeniza a moral de quem não tem moral.

Medeiros de Abreu

 

 

 

Os incisos do artigo 5o. da Constituição abaixo só não garantem a liberdade de imprensa, porque foram "esquecidos" pelos que julgam ações contra a liberdade de imprensa:

 

* "IV - É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato";

 

* "V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo...";

 

* "IX - É livre a atividade...de comunicação, independentemente de censura e licença";

 

* "XIV - É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".