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*Desde 1.971*

Jornais e revistas de

Bairro de S. Paulo

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Email: Fale com o presidente da Ajorb  /SITE: http://www.ajorb.com.br/  - CGC:051.750.958/0001-30 - Fundada em 28/abril/1.971
Presidente: Egydio Coelho da Silva

 Entrevista com o Presidente da AJORB em 16 de março de 2008
Entrevista com o Presidente da AJORB
Nome: Rodrigo Delfim
Cidade: São Paulo. Estado: SP. País: Brasil.
 

Boa tarde Sr. Egydio,

Sou Rodrigo Delfim, estudante de Jornalismo da PUC-SP. Nos falamos por telefone esta semana.

 Estou fazendo uma matéria para o Contraponto, jornal-laboratório da universidade, sobre jornais de bairro: sua atuação, como se mantêm financeiramente, origem, dificuldades, relação com a grande imprensa e com os políticos locais. E também sobre o trabalho da Ajorb, presidida pelo senhor, nesse campo.

Conforme combinamos, seguem abaixo as perguntas a serem respondidas por email mesmo.

Desde já agradeço pela atenção e aguardo seu retorno.
 

Quantos jornais circulam hoje na cidade de São Paulo e quantos deles estão filiados à Ajorb?

Egydio Coelho da Silva: Estima-se em cerca de 200. Filiados à Ajorb são 61.

 Rodrigo Delfim: Quais as maiores dificuldades que esses jornais enfrentam?

ECS: A maior dificuldade dos jornais de bairro ainda é angariar publicidade. Nos bairros, que tradicionalmente já possuem jornais de bairro circulando há bastante tempo, é mais fácil, porque o empresário e a população já estão acostumados a anunciar em algum jornal do bairro.

 RD: Como a Ajorb se mantêm financeiramente?

ECS: A Ajorb tem duas fontes de receita:
a) recebe 5% do valor líquido da publicidade, que ela própria angaria para os seus filiados;

b) trimestralidade, que cobra dos filiados (R$30,00), que querem ter disponibilizados na internet, no site da Ajorb, os dados e links de seu jornal.

 RD: Como e em que a Ajorb auxilia os jornais de bairro que estão a ela filiados?

ECS:

a) A Ajorb mantêm um Fórum via email e disponível na Internet, onde são trocadas mensagens sobre os problemas relacionados com os jornais de bairro;

b) Quando há algum problema entre diretores de jornais de bairro, principalmente entre os que circulam na mesma região, procura-se gerenciar essa crise e achar solução nos termos de nosso código de ética;

c) Empenha-se em angariar publicidade para os jornais filiados;

d) Promove reunião com os filiados regularmente na busca de aperfeiçoamento, orientação jurídica, administrativa, de marketing, etc;
 RD: Existe algum tipo de preconceito em relação aos jornais de bairro?

 ECS: Sim, como também há contra os jornais do interior. A maior parte dos grandes jornalistas, que se destacam na imprensa em geral iniciaram sua carreira em jornais do interior ou jornal de bairro da Capital. Porém, dificilmente constam isso em sua biografia. Neste ponto, a Ajorb precisa fazer melhor trabalho para mostrar ao contrário, que o jornalista de bairro escreve muito mais verdade do que os da grande imprensa, porque estamos próximos às fontes e aos acontecimentos. Por isso que as pesquisas mostram que os veículos regionais têm mais credibilidade do que a grande imprensa exatamente porque estão praticamente em contacto permanente com suas fontes.

Você acha que há moradores de certos bairros da cidade que são mais ou menos receptivos às notícias da região, de seu bairro?

ECS: Nos bairros, onde tradicionalmente e há bastante tempo, há jornais de bairro, circulando regularmente, os moradores lêem mais e fazem publicidade nesses jornais.

RD: Há diferença entre o papel desempenhado pelo jornal de bairro hoje em relação a outros tempos, como a ditadura militar?

ECS: Os jornais de bairro foram menos molestados e censurados pelos militares porque sua penetração é regional. Os militares estavam preocupados com os grandes veículos que os ameaçavam no curto prazo.
Mas a longo e médio prazo, os jornais regionais, de bairro e do interior, ajudavam a formar a opinião pública contra a ditadura; inclusive porque tínhamos de certa forma mais liberdade.
Quando o Chacrinha, por exemplo, foi afastado de seus programas durante o regime militar, fomos procurados por sua assessoria de imprensa que nos enviava artigos seus e eu os publicava regularmente em meu Jornal da Bela Vista. Em 1.976, dei destaque com foto e notícia da perseguição que se iniciou contra Chico Buarque de Holanda.

RD: O jornal de bairro, dado o grande alcance que em geral possui, pode ser também considerado uma outra "grande imprensa"?

 ECS: Em tiragem, pode-se afirmar isso: se os 200 jornais de bairro tivessem apenas em média 10 mil exemplares cada um, já estariam sendo distribuídos 2 milhões de exemplares em São Paulo.
Talvez por isso, que, num seminário promovido pelo Sesc, o título era: “Jornais de bairro, a outra grande imprensa”.  
Embora as notícias e opiniões nos jornais de bairro dificilmente tenham repercussão fora de sua comunidade, mas no todo formamos opinião pública silenciosa, que se torna até surpreendente quando as urnas eleitorais são abertas.

RD:  Você acha que há desinteresse de certos profissionais da mídia e estudantes de jornalismo por considerar o jornal de bairro uma "mídia menor" e que, teoricamente, não renderia o mesmo prestígio que poderia ser alcançado em jornais da chamada grande imprensa?

ECS: Os profissionais da área infelizmente também são influenciados pelo preconceito.
Acho que a luta contra preconceito é difícil e demanda tempo. Assim tem sido com pessoas e segmentos sociais, como os negros, as mulheres, etc.
Talvez haja alguma falha nossa, da Ajorb, pois acho que deveríamos intensificar um trabalho para mostrar que os jornais de bairro não são mídia melhor, nem pior do que a chamada grande imprensa. Trata-se de uma mídia diferente e especializada, daí não ser fácil julgá-la.

RD: Estamos em 2008, ano eleitoral. Você já teve noticia de políticos que conseguem (ou conseguiram) utilizar, em benefício próprio, certos jornais de bairro?

ECS: Eu não tenho essa preocupação. Apenas fico com pena dos políticos que optam por essa prática.

Werneck Sodré, em seu livro História da Imprensa no Brasil, afirma que os políticos demoraram a descobrir que é melhor ter a simpatia da imprensa do que fazer jornal. Acho que eles, quando editam jornais, perdem tempo e dinheiro e, conseqüentemente, na maioria dos casos, também perdem a eleição. Veículo de político não tem credibilidade nas críticas e nos elogios, logo deixam de ser órgão de comunicação de massa.
Porém, criticar um jornal por apoiar um político, nem sempre é válido. Não é bom, nem ético quando o jornal é o único no bairro. Porém, quando existem outros veículos, pode ser uma opção do jornal.
Nos EUA, por exemplo, os jornais assumem abertamente a defesa de uma candidatura, inclusive presidencial, acreditando que lutam pelo melhor para seu País. O mesmo pode-se dizer de um jornal de bairro, que pode estar acreditando que determinado político, se eleito, ajudará o seu bairro.

 

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“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

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Máximas sobre liberdade de imprensa e livre manifestação do pensamento:

 

*“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

 

* “A imprensa, numa vigorosa prestação de serviço, será a memória da cidadania contra o corporativismo de interesses menores, quer no Executivo, Legislativo e Judiciário” (Carlos Alberto Di Franco).

 

“Que o bem da liberdade segue imediatamente os bens da vida e da integridade física, demonstra-se facilmente, pois, a liberdade foi sempre constantemente um dos mais altos fins dos esforços e das aspirações humanas” (Adriano de Cupis).

 

* “Libertas omnibus rebus favorabilior est” ( “Em todos os casos a liberdade é mais favorável”), Brocardo Romano.

 

* “ A imprensa é um dos meios mais importantes de crítica e controle público permanente” (Konrad Hesse)

 

* “A imprensa livre é o olhar onipotente do povo” (Karl Marx).

 

* “A imprensa livre é o espelho intelectual no qual o povo se vê e a visão a si mesmo é a primeira condição da sabedoria” (Karl Marx).

 

“Nossa Constituição Federal (1988) protege, de maneira veemente, o direito de informar, o direito de se informar e o direito de ser informado” (Oduvaldo Donnini, autor do livro “Imprensa livre, dano moral e dano à imagem...pág.206)

 

* “A medida que a comunicação se torna maior e melhor, fica claro que a intolerância é a verdadeira pequenez do homem”, Spielberg

 

* "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras" (o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos-ONU, 10-12-1.948).


"Creio na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade".

Rui Barbosa

 

"Infringem a  ética:

o juiz que não julga, 

o promotor que  não denuncia, 

o advogado que não defende, 

o jornalista que não noticia o que sabe ou 

não escreve o que pensa".

Zuel Antônio Costela

 

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la".  Voltaire

 

Indenização, em dinheiro, por dano moral somente indeniza a moral de quem não tem moral.

Medeiros de Abreu

 

 

 

Os incisos do artigo 5o. da Constituição abaixo só não garantem a liberdade de imprensa, porque foram "esquecidos" pelos que julgam ações contra a liberdade de imprensa:

 

* "IV - É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato";

 

* "V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo...";

 

* "IX - É livre a atividade...de comunicação, independentemente de censura e licença";

 

* "XIV - É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".