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FORUM DE IMPRENSA NA
INTERNET
Coordenador:
Egydio
Coelho da Silva
(Em elaboração
iniciada em 05-01-2001)
FÓRUM JORNAIS
DE BAIRRO EM 02 DE SETEMBRO DE 2.005
De: Paulo
Tomasini - Jornal Floresta - Porto Alegre, RGS .
Cidade:
Porto Alegre - Estado: RS - País: Brasil
Para: Fórum jornais
de bairro
Caro Egydio e amigos dos jornais de bairro do Brasil.
Quero inicialmente cumprimentar a todos e levantar um assunto para análise de
todos.
Sou editor do Jornal Floresta, jornal de bairro de Porto Alegre, que circula
em seis bairros da capital gaúcha. Somos pequenos, como empresa, mas por
outro lado temos grandes aspirações. Hoje Fazemos um jornal comprometido com
a comunidade, abrindo espaços de divulgação, sendo um canal de comunicação
dos moradores.
Para nossa surpresa, no último dia 5 de agosto, uma grande rede de
comunicação, de nosso estado, encabeçada por um jornal de circulação
nacional, lançou cadernos de bairro. Além de oferecer anúncios com valores
inferiores, e tendo e vista seu proposito unicamente comercial, copiam pautas
e utilizam de meios talvez não muito éticos.
Tudo bem que o mercado é livre, e a concorrencia pode fazer o que quiser,
caso contrário não teriamos duas farmácias, uma de frente para a outra.
Qual o caminho? Unir forças com outros jornais de bairro e lançar projetos
comuns? Apelar para a comunidade e principalmente anunciantes para o propósito
da grande rede? Ser diferente e inovar, talvez tenha que ser o caminho.
Gostaria de saber a
opinião de amigos de todo o país. Obrigado. Paulo Tomasini - Jornal Floresta
- Porto Alegre, RGS .
Caro Paulo:
Nas oportunidades, em que tive
de me manifestar sobre esse assunto, inclusive em debate na TV – Assembléia
aqui em São Paulo, me posicionei contra os veículos de circulação estadual
que tentam fazer cadernos de bairro.
Não foi só na defesa dos
jornais de bairro, mas do próprio jornal que tenta monopolizar a imprensa e
do leitor que perderá em qualidade de informação.
O monopólio na imprensa não interessa nem a quem monopoliza a médio e longo
prazo: dão passo maior que a perna e acabam gastando mais do que ganham.
Aqui, em São Paulo, o
jornal “O Estado de São Paulo” me parece perdido com seu caderno regional, um
tablóide de 8 páginas, sem conteúdo, que perde feio, até em apresentação,
para o menor jornal de bairro de São Paulo.
Mas o pior é que a sua redação não consegue se comunicar com o bairro, pois,
escreve "sobre
o bairro e não para os moradores do bairro",
como fazem os verdadeiros jornais comunitários, já que estes
"alienígenas" não têm como se envolver emocionalmente com a
comunidade. E a verdadeira comunicação se dá pela emoção.
Enfraquecem os jornais de
bairro, que poderiam se transformar em parceiros, seja por preparar mão de
obra para os veículos maiores, seja por imprimir seus jornais na gráfica do
veículo de âmbito estadual ou comprar deles serviços: noticiário nacional e
internacional, notícias femininas, infantil, etc.
Acrescente que desgastam
sua própria imagem, porque fazem um jornalismo bem menor em redação
comunitária e mesmo graficamente do que os jornais de bairro.
Mas, a maior vítima dessa
tentativa de monopólio da imprensa, é o leitor do bairro, que, em vez de ter
um ou mais jornais realmente envolvidos com a comunidade, acabam recebendo
informações, que pouco tratam dos problemas realmente comunitários.
Entendo inclusive que, na
defesa do interesse do leitor, os jornais de bairro, deveriam estudar uma
forma de denunciar esses veículos junto ao CADE, Conselho Administrativo de
Defesa Econômica ( faleconosco@cade.gov.br
) órgão federal que combate o monopólio em todos os segmentos
econômicos no País, ao qual está sendo enviada esta mensagem, mas com certeza
não teremos retorno. Abçs. e obrigado pela sua participação e
informações trazidas a este Fórum. Egydio Coelho da Silva
FÓRUM JORNAIS DE
BAIRRO EM 28 DE OUTUBRO DE 2.005
De: Tito Lívio Bernardi
Cidade: São
Paulo - Estado: SP - País: Brasil
Para: Fórum jornais
de bairro
Veja isso, Egydio: “Vem aí a Rede Bom Dia de jornais”
Eduardo Ribeiro
Com a discrição possível, para um
movimento dessa natureza e dessa magnitude, o ex-repórter esportivo da Rede
Globo e próspero empresário J. Hawilla, dono da Traffic e da TV Tem
(afiliadas Globo em São José do Rio Preto, Bauru, Sorocaba e Itapetininga), começa
a construir um pequeno império na mídia regional de São Paulo, a Rede Bom Dia
de jornais. Para cuidar do negócio ele foi buscar para a área comercial um
executivo oriundo do Grupo Estado, Marcos Nogueira de Sá, e para a área
editorial Matinas Suzuki, inquieto profissional que gosta de novos desafios,
como foi primeiro na Folha de S.Paulo, depois no UOL, mais a seguir na Abril
e, por fim, no iG, onde continua a dar expediente, porém com data marcada
para sair. Matinas sempre mostrou sensibilidade para o que se poderia chamar
de novos vôos, como esse que se apresenta agora, com J. Hawilla, de montar
uma rede inédita de jornais regionais, sob uma única bandeira, que se somará
a uma poderosa rede de televisão e, quiçá, a uma terceira rede de rádios.
A empresa gaba-se de ser o maior e mais importante grupo de comunicação
impressa e Internet do Interior do Estado de São Paulo, mercado que detém 18%
do PIB nacional e uma renda per capita de US$ 9.800, segundo dados da
Fundação Seade e do IBGE.
Fora ela, há o Grupo Tribuna, de Santos, com jornais e emissoras de rádio e
tevê, todos centralizados na Baixada Santista, e praticamente mais nenhum
grupo de expressão estadual, digamos assim. Há, é claro, forças respeitáveis
como o Diário do Grande ABC, o Cruzeiro do Sul, o Diário da Região, o Cidade
de Bauru, o Jornal de Jundiaí, entre outros, mas nenhum deles tem penetração
ou negócios reluzentes fora de suas fronteiras locais. Tentativas como as que
fizeram Folha de S.Paulo e Gazeta Mercantil, por exemplo, de tentar conquistar
o mercado do interior com edições regionais não vingaram, como todos sabemos
(ou quase todos).
O projeto é de Hawilla, porém, não fala. Matinas Suzuki está no exterior.
Marcos Nogueira de Sá diz que ainda está em negociações, que não conhece todo
o projeto e por essas razões não pode e nem tem autorização para falar. Os
jornais têm o título de Bom Dia, mais o nome da cidade, e o primeiro já
circula em São José do Rio Preto há cerca de dois meses, conforme já
divulgado por este J&Cia. Os próximos serão Bom Dia Bauru, cujo
lançamento está previsto para 20/11, Bom Dia Sorocaba, em 27/11, e Bom Dia
Jundiaí, em data ainda não revelada.
Bauru – q Em Bauru, nas últimas duas semanas o novo diário provocou pelo
menos dez baixas confirmadas na concorrência (oito no Jornal da Cidade e dois
na Folha da Região, da vizinha Araçatuba). O editor-chefe é Márcio ABC
(Márcio Antonio Blanco Cava), que, entre outras funções, foi editor do
extinto Diário de Bauru e atualmente é comentarista da TV Tem (retransmissora
da Rede Globo) local. Até parque gráfico Hawilla teria comprado para dar
suporte à operação.
Sorocaba - Em Sorocaba, no principal jornal da cidade, o Cruzeiro do Sul,
ninguém ainda se desligou para ir para o Bom Dia Sorocaba, mas a fonte de
J&Cia informou que houve algumas sondagens e que o novo diário teria
provocado quatro desfalques na assessoria de imprensa da Prefeitura.
Concretamente, o processo em Sorocaba está sendo comandado por Djalma Luiz
Benetti, o Dedê, ex-editor chefe do próprio Cruzeiro do Sul, e por Renato
Monteiro, ex-assessor de imprensa de Caldini Crespo, candidato derrotado na
última eleição para prefeito. Dedê desconversa e diz que só quem fala pelo
jornal é Matinas Suzuki. Este, pelo que apurou J&Cia, fica ainda um
período no iG, como consultor (por volta de três meses), mas já está
totalmente envolvido com a operação Bom Dia.
Jundiaí – Em Jundiaí, por fim, o processo parece não estar tão adiantado
quanto nas outras praças e as informações são escassas. Sabe-se que será o
quarto jornal da série, mas não há informações precisas sobre equipe,
cronograma etc. Quanto à impressão do jornal, especula-se que seria montado
maquinário na cidade. Uma outra versão que J&Cia apurou tem mais
consistência: tanto a edição de Jundiaí quanto a de Sorocaba rodariam no
parque gráfico da Folha de S.Paulo em Alphaville, que está a menos de 100 km
das duas cidades, junto a vias de acesso rápido (rodovias Castello Branco,
Anhangüera e Bandeirantes), o que facilitaria a remessa e a distribuição.
A área de cobertura das emissoras da TV Tem, que pertence a J.Hawilla, no
Interior (as sedes são em São José do Rio Preto, Bauru, Sorocaba, que também
cobre Jundiaí, e Itapetininga) coincide com a dos novos jornais. Além disso,
uma lista de domínios de Internet registrados com a titulação
bomdia...com.br, em nome da Folha de Rio Preto, que edita o Bom Dia São José
do Rio Preto, abrange, certamente não por acaso, nomes de cidades importantes
que estão na área de cobertura da TV Tem.
Estão nela, além das já citadas, Andradina, Araçatuba, Assis, Botucatu,
Catanduva, Itapetininga, Jaú, Marília, Ourinhos e Votuporanga, além dos
óbvios folhaderiopreto.com.br e frp.com.br e um insólito bomdiasp.com.Br (estaria aí o futuro Bom Dia São Paulo?).
Caro Tito:
Como diz o jornalista Fernão
Lara Mesquita:
"O resto do mundo é mero aprendiz do Brasil em matéria de concentração
da propriedade da mídia".
Parece-me imperdoável
a omissão da ANJ, das Adjoris (Associações estaduais de jornais do interior e
da Abrarj) em denunciar ao CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica ( faleconosco@cade.gov.br ) órgão federal que combate
o monopólio em todos os segmentos econômicos no País, como já tive oportunidade
de fazer. Eu tenho feito denúncia, mas infelizmente não tenho tido resposta.
Mas, pelo menos, estou com a consciência tranqüila porque estou fazendo a
minha parte.
Entendo que o monopólio de
imprensa não interessa à economia do País, nem aos salariados, nem ao Governo
e políticos, que ficam reféns do monopolista. Muito menos aos leitores por
motivos óbvios.
Acho que nem mesmo a quem monopoliza, que dá um passo maior que a perna e
poderá ver, a médio ou longo prazo, seu império ruir, por ser gigante de
perna de barro, que normalmente vive de verbais governamentais. Grato pela
colaboração. Egydio Coelho da Silva.
FÓRUM JORNAIS DE
BAIRRO EM 30 DE OUTUBRO DE 2.005
De: Maurício Lima
Cidade: São
Paulo - Estado: SP - País: Brasil
Para: Fórum jornais
de bairro
No sistema capitalista, os fracos sucumbem. Quando um esperto, que
praticamente saiu do nada e hoje é um poderoso empresário, enxerga espaço,
para expandir seus negócios o que há de mal.
Certamente a concentração de empresas, de mídia ou qualquer outra atividade,
só é possível, graças à incompetência dos empresários locais. É a minha
opinião. Maurício Lima
Prezado Maurício:
Muitas pessoas pensam como você. Porém,
entendo que precisamos aperfeiçoar o sistema capitalista que estimula a livre
iniciativa, porém, quando não há regra nenhuma entramos pelo capitalismo
selvagem.
A principal característica do capitalismo
selvagem é o monopólio em qualquer setor da atividade econômica. Veja que até
nos Estados Unidos, onde a liberdade econômica é até ampla demais, há limites
para o monopólio. Recentemente, vimos Bill Gates tendo que se explicar à
Justiça americana sobre o monopólio de programa de computador.
A imprensa nos EUA é muito monopolizada, mas no Brasil é bem pior, porque lá
ela não vive de verba governamental.
Aqui é diferente. Os monopolistas vivem de verba governamental e, por isso,
submetem os políticos e governantes aos seus interesses e pouco se preocupam
com a sociedade, que precisa ser bem informada e com diversidade de opinião.
No caso da TV tem, parece-me que ela é uma
coligada da Rede Globo. O motivo desta parceria não conheço. Sei apenas que essas
parcerias, muitas vezes de fachada, normalmente visam evasão fiscal, pois, a
empresa maior paga menos impostos, porque apresenta menos lucro.
Ou, então, uma dá prejuízo e a outra lucro, com finalidade de alguém levar
vantagem em detrimento dos acionistas de uma das empresas.
Acho que deveria haver uma CPI sobre o assunto. Mas que político ou Governo
têm força para enfrentar os detentores das redes monopolistas dos meios de
comunicação no Brasil?
Entendo também que ninguém hoje tem o
monopólio da competência. Existe sim oportunismo e esperteza, como você mesmo
diz.
Grato pela sua participação neste Fórum de imprensa.
Vamos continuar a discutir o assunto, pois,
hoje apenas 37% do povo brasileiro acredita na democracia.
Um dos motivos não seria o monopólio da imprensa
que deixa o povo desinformado e, dessa forma, o eleitor não consegue escolher
corretamente seus representantes?
Abçs. a todos os participantes. Egydio Coelho
da Silva
Fim
das mensagens sobre monopólio da imprensa
Veja mensagens anteriores sobre o monopólio
na imprensa no Brasil
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"O resto do mundo é mero aprendiz do Brasil em matéria de concentração
da propriedade da mídia”. Jornalista Fernão Lara Mesquita.
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