FÓRUM DE IMPRENSA: JANEIRO DE 2.002 A JUNHO DE 2.002

 

FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002

DIPLOMA DE JORNALISTA

SÉRGIO BARBOSA

SÃO PAULO-SP

Prezado egydio:

reconheço que, a discussão sobre a exigência do diploma para jornalista exercer a profissão tem muitas adversidades, porém, fica sempre a mesma pergunta: E AS OUTRAS ÁREAS, tais como: administração, ciências sociais e até mesmo DIREITO???

assim, seria importante levantar a discussão para outras atividades que exigem o DIPLOMA, sem falar que os advogados ainda tem o registro avaliados e madiados pela OAB.

abraços,

sérgio barbosa

 

Sérgio, grato pela participação. 

Acho que realmente você está certo, quando, com perguntas socráticas, mostra o absurdo da extinção de toda uma estrutura de um segmento social, que está subordinado à regulamentação da profissão de jornalista. 

São as escolas, que investiram capital para ensinar jornalismo, são professores, são os próprios profissionais, que também investiram tempo e dinheiro para poder exercer uma profissão reconhecida e, de repetente, vêem seus direitos deixarem de existir. 

Hoje, qualquer pessoa pode chegar a uma Delegacia do Trabalho e receber carimbo em um documento afirmando que o interessado é jornalista, sem prova nenhuma de que tenha algum preparo ou condições para o exercício da profissão. 

Pelo menos é o que eu entendo que agora está acontecendo. Gostaria que os participantes deste Fórum me informassem se estou errado na minha interpretação.

Essa decisão judicial, que acabou com a regulamentação da profissão de jornalista, é, para mim, semelhante à própria legislação arbitrária no regime militar, que regulamentou a profissão em 1.969.  Houve um radicalismo a favor dos formados em faculdade. Agora, é outro radicalismo. Tanto que naquela época o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo se posicionou contra e hoje da mesma forma se posiciona contra essa decisão judicial.

Um erro não deveria justificar o outro. O bom senso exige que haja um aperfeiçoamento da legislação e não a sua extinção.

Portanto, é também, no meu entender, a mesma arbitrariedade, que praticamente deixou de reconhecer a Lei de Imprensa. 

E a intenção do legislador, que aprovou a Lei de Imprensa, era a de estimular a liberdade de imprensa com responsabilidade, e a de que tudo, que ocorresse na imprensa, deveria se reger por essa Lei. E deveria e poderia ser aperfeiçoada, mas não ignorada. 

Parece urgente que se discuta o dispositivo constitucional de que os poderes são independentes, mas harmônicos entre si, respeitando a intenção de cada um.

Egydio Coelho da Silva

 

FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002

MARCOS LOCK

SÃO PAULO-SP

 

Sr. Egydio,

Comunico que o meu trabalho, que se chamou "Mídia de Bairro em São Paulo - Gestão, Organização e Papel Atual" foi aprovado com distinção na pós-graduação da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Agradeço mais uma vez a colaboração e as informações prestadas para que pudéssemos obter este resultado.

Aproveito a oportunidade para desejar ao sr. e à sua equipe profissional, e também aos seus familiares, um 2002 com todos os votos de sucesso pessoal, espiritual e profissional.

Em algum momento, passo para tomar um café e mostrar o trabalho. Estou em entendimento com a Editora Senac para publicar o que estou chamando de uma atualização do livro publicado pela Emplasa, em 1985 e 1986, sobre os jornais de bairro de São Paulo.

Marcos,

Parabéns pelo trabalho e ficarei muito contente se você publicar esse livro, pois, seu trabalho sobre jornais de bairro sempre foi de muita seriedade e de qualidade.

Abraços.

Egydio

 

FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002

GÍLSON DE BARROS

MATO GROSSO

 

Estamos implantando em Mato Grosso o jornal eletronico BEDELHO hospedado no site  www.bedelho.jor.br  Apesar de tão pequeno e modesto, queremos estabelecer contato com os confrades que compõem a Imprensa Livre do Brasil, trocando idéias e informações, que garantam a evolução e a dignidade do jornalismo brasileiro, atualmente bastante aviltado e humilhado pelo mercantilismo e pela covardia. Muito obrigado, o

GILSON DE BARROS

Obs. Caso V.Sa. não queira receber mais nossos comunicados, favor enviar um e-mail para   gilsondb@terra.com.br

 

FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002

CILEA LIMA, advogada

BOTUCATU-SP  

(texto repassado)

 

"CLONE

Mylton Severiano*
O mais legítimo sentido do título da atual novela global de Glória Perez configurou-se dia 15 de janeiro de 2002 e capítulos seguintes. Os atores nos propiciaram momentos sublimes da história universal da empulhação.
A seqüência constituiu aquilo que os marketeiros chamam de merchandising: propaganda disfarçada. Nos intervalos, comerciais com Roseana. Na novela, os atores se esmerando em dizer quão maravilhoso é o Maranhão. Que céu, que natureza, que povo, que tudo. Nada se iguala. Crianças brincando, lavadeiras sorridentes. Bumba-meu-boi. Só alegria! Tudo pago com dinheiro do povo maranhense, o mais pobre do Brasil conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Outro dia, encontrei colega do ramo da televisão. Vamos chamá-lo de Rei. A mídia ainda não falava em Roseana. Ainda não a haviam enfiado nas pesquisas "estimuladas". Mas entre os que trabalham com jornalismo e atividades afins já se especulava sobre qual mágica as elites aprontariam em 2002 para abater o velho freguês do PT. Alguém na roda lembrou Roseana: "É mulher, é bonita, não é queimada..."
O Rei me chamou de lado e contou. Faz uns dois anos, ele esteve em São Luís com equipe de tv gravando Roseana, para programa do PFL. O diretor de cena sugeriu: "Governadora, que tal sairmos do gabinete? É ambiente frio, artificial."
Da janela do palácio, mostrou a multidão de maranhenses passando na rua: "A senhora podia ficar lá no meio do povo..." Roseana cortou rente: "No meio do povo?"
Fez muxoxo de nojo, como quem diz "aquilo fede". E gravou no gabinete perfumado, no "bem-bom" do ar refrigerado. O diretor ficou de, mais tarde, esquentar a cena, providenciando o povo ao fundo, por meio de truque eletrônico. Povo virtual.
Assim que surgiu o "fenômeno Roseana", em milhões de cabeças brasileiras veio a comparação com o "fenômeno Collor". Alguns paralelos:- ricos e bonitos - filhos de oligarcas- formados em Estados miseráveis onde as elites cevam a perpetuação do poder na miséria do povo - família detentora do monopólio da comunicação regional, dominando principais jornais, rádios e tvs, principalmente as afiliadas estaduais da Rede Globo - lançamento do "fenômeno" com apoio de profissionais da propaganda, tal como se vende qualquer "novo" produto - leniência, complacência, estímulo, cumplicidade e apoio da mídia gorda - capa da Veja abrindo caminho (Collor: caçador de marajás; Roseana: o fenômeno) - apoio da Rede Globo
O clã Sarney vem governando há quase 40 anos o Maranhão. Pense num país desgraçado. Suazilândia. Em quesitos como mortalidade infantil, analfabetismo e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), estão parelhos Sarneylândia e Suazilândia. Pela gordura dos cachorros se conhece o dono.
Conversei com dois colegas jornalistas maranhenses, o jovem ábio Lopes e o veterano Chico Vianna, este também médico. Faz gosto sentir a indignação com que reagem à estratégia ora tentada para transformar a olicarcazinha em estadista. Alguns tópicos da conversa telefônica com os dois:
- O governo Roseana bancou a produção da seqüência da novela em terras maranhenses, deslocamento e hospedagem para 20 pessoas, fora imagens aéreas.
- Roseana, diz Fábio, não se sustenta num debate, "é despreparada". Incapaz por exemplo de se manifestar sobre a Alca.
- Em sete anos de governo, Roseana não construiu sequer uma sala de  aula, não ampliou o sistema de saúde pública em sequer um leito; "a saúde está um caos", diz Chico.
- Imprensa, rádio e tv vivem em "promiscuidade" com o governo e as elites, esquema que vem sendo montado há anos: "Cercaram a moita", diz Chico, que garante: "Noventa por cento dos colegas que cobrem a Assembléia estão na folha."
- A "amizade" dos Sarney com a Globo segue o "é dando que se recebe", lembram-se? Dois exemplos:
1. A Secretaria da Educação diz que não é necessário construir escola, graças ao miraculoso ensino à distância. Ao custo de R$ 114 milhões, a Fundação Roberto Marinho implantou lá o tal ensino. "Se o IBGE fizer um estudo, dá todo o Maranhão com segundo grau. Mas cada fita tem 15 minutos, para aulas de uma hora, o resto do tempo o aluno fica flanando. Tem professor de História em sala de Matemática. É uma esculhambação", diz Chico. "E o Brasil não sabe." Chico fez as contas, superestimando custos, apurou no máximo R$ 58 milhões. Ou seja, lucro de R$ 56 milhões para o "doutor Roberto".
2. Dos R$ 10 milhões de verba para o Campeonato Sul-Americano de Vôlei, foram R$ 8 milhões para o evento. E R$ 2 milhões para divulgação Onde? Na Globo, que pertence à família da candidata a estadista.
Chico falou mais de meia hora ao telefone. Diz que, com mais tempo, tem muito mais a relatar. O caso dos aviões, das estradas... Tal como na ascensão de Collor, parece que a mídia gorda não está a fim de mostrar nada. Treze anos atrás, o "doutor Roberto" disse que apoiava Collor porque era o mais "moderno". Agora começa a apoiar Roseana, a clone. Deve ser tão moderna quanto foi o Collor.

Puxa vida. Vão ser modernos assim no quinto dos infernos.
*Mylton Severiano é jornalista.

 

Cilea,

Grato pela sua colaboração ao Fórum de Imprensa.

Há tempos atrás, os chamados merchandising, incluídos nos textos das novelas (veículo utilizado por ator, o personagem abrindo conta em banco, com destaque para a marca do carro e nome do banco, etc), eram considerados propaganda subliminal e proibidos, não sei se por lei ou pela ética. Pois, induzem  o telespectador a decidir por um produto ou serviço sem pensar. Porém, como denuncia o articulista, quando é dinheiro do povo, utilizado para convencer subliminalmente o próprio povo, sem lhe dar o direito de pensar, é, sem dúvida, um desserviço do meio de comunicação.

Daí sua imoralidade ou necessidade de regulamentação no interesse do consumidor e do eleitor. 

Quando um pequeno jornal do interior ou comunitário publica alguma propaganda comercial e não escreve no início que é "Informe publicitário" dizem que é picaretagem.

Quando são as grandes redes de TV, mesmo que seja propaganda subliminal, é considerado  merchandising.

Egydio Coelho

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 02 DE FEVEREIRO DE 2.002

DIPLOMA DE JORNALISTA

Didymo Borges

Recife

 

A propósito do posicionamento do Fórum da Imprensa  concordando com a decisão  judicial que autoriza o registro profissional de jornalista a pessoas sem o curso superior de jornalismo nas Delegacias Regionais do Trabalho, tenho a manifestar minha satisfação pelo clarividente  posicionamento manifestado no site. Permitir  o registro apenas aos portadores de diploma cria um corporativismo que repugna à prática democrática.

Suponhamos um editor  da  página de Ciência & Tecnologia  de um jornal. O que seria importante para o desempenho da sua função : o conhecimento de jornalismo ou sua formação científica e tecnológica ? 

Certamente a editoria de uma seção que trata de ciência e tecnologia exite do editor, antes de tudo ,formação  técnica e científica na área de ciências exatas.  Como a página de Economia exige, para o bom desempenho da editoria ,o conhecimento de Ciências Econômicas. 

Afinal, para o exercício da editoria do caderno de informática de um jornal seria necessário tão somente a condição de diplomado em jornalismo ou a formação técnica em softs hardware ? Assim, afigura-se como corporativista e, conseqüentemente,  como reprovável a exigência do diploma de  jornalismo para o exercício da profissão como redator, editor ou repórter num jornal. 

É contra a essência democrática que deve pautar a atuação dos órgãos de mídia  que haja qualquer restrição à ampla liberdade de expressão sem a camisa-de-força  corporativista  da exigência do diploma.  

O jornalismo é uma profissão diferenciada que não comporta o protecionismo corporativista  da  limitação da inscrição profissional a um determinado tipo de formação acadêmica.  

Assim, a decisão judicial de permitir a inscrição como jornalista profissional a qualquer cidadão, que exerça a profissão de jornalista num órgão de mídia merece regozijo em nome das instituições democráticas.

Didymo Borges

Recife

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 05 DE FEVEREIRO DE 2.002

DIPLOMA DE JORNALISTA

Maurício Lima

Lamentavelmente não concordo, nem uma virgula com a sua posição (Didmo Borges).

Se nosso país e nosso governo fossem sérios, deveriam antes de mais nada através do Ministério da Educação, alertar milhares, quiçá milhões de jovens que todo ano prestam vestibular para o curso de jornalismo, alias um dos mais procurado por eles. 

Ora porque um jornalista não pode escrever sobre informática, basta apenas ele fazer uma pós-graduação sobre o assunto. Vemos muito engenheiro em cargo de diretor financeiro, inclusive de grandes bancos, mas todos tem pós-graduação na GV ou em economia. 

Durante quatro anos paguei um curso superior para meu filho, que hoje é jornalista diplomado e atua na área. Que tal acabarmos a exigência para médicos (de médico e louco todo brasileiro tem um pouco), advogados, economistas e outras. Porque só os jornalistas. 

Maurício Lima

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 05 DE FEVEREIRO DE 2.002

DIPLOMA DE JORNALISTA 

Sérgio Barbosa

Adamantina-sp

Prezado Egydio:

Mais uma vez faço uso deste espaço democrático para expor a minha posição contra a liminar "vigente" sobre a exigência do diploma em nível superior para jornalistas.

entendo que, a discussão deveria se pautar em níveis de iguladade para outras áreas também, quem disse/determinou que eu, como BACHAREL EM COMUNICAÇÃO SOCIAL não posso desenvolver docência em história?? em ciências sociais?? pedagogia??assim, entendo que, pode-se pensar em várias alternativas para o impasse, mas, como sempre, a legislação brasileira mais atrapalha do que ajuda neste momento, quando poderia abrir um debate amplo, geral e irrestrito sobre algumas profissões do mercado.

não podemos cair no senso comum disto ou daquilo, menosprezando os quatro longos anos do curso de comunicação social, haja vista, que antes de ser jornalista, o profissional é um comunicador e tal formação não terá em jornais de esquina, muito menos na chamada grande imprensa.

 abraços provincianos,

 Sérgio Barbosa

Adamantina-sp

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 05 DE FEVEREIRO DE 2.002

Dirce Helena

 

Como professorinha do interior, indignada, volto novamente ao Fórum de Imprensa. De tudo que eu li no texto "O Clone", (já estou acostumada a ler e ouvir barbaridades) o que mais me irritou foi saber que Roseana não construiu sequer um sala de aula nesse tempo todo. 

Então eu pensei: O Fórum é aberto às pessoas; portanto...mas depois analisei melhor. 

Ninguém escreveria de graça tal disparate.E sabe porque fiquei na dúvida? Porque ela sempre me passou a imagem que o texto do jornalista Mylton Severiano "mostrou".

Esse texto não deveria ser publicado em outros meios de comunicação? 

Quantas pessoas não pensam como eu pensava até antes de fazer essa leitura? 

A verdade não pode ser mostrada as claras???Ou no caminho são encontradas muitas pedras que dificultam esse tipo de procedimento??? 

 Dirce Helena

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 08 DE FEVEREIRO DE 2.002

Sérgio Barbosa

Adamantina-sp

 

Somos jornalistas e temos uma profissão: em defesa da sociedade brasileira

As sociedades contemporâneas, cada vez mais complexas, exigem o conhecimento de assuntos de interesse público que circulam em toda as áreas, da Medicina à Antropologia, da Engenharia ao Direito, da Biotecnologia à História. É preciso saber, no calor da hora, de temas, fatos e versões que ocorrem tanto em tais áreas quanto nas ruas. Para isso, existe um profissional, envolvido diariamente com o seu fazer, que busca informações, as apura, faz entrevistas, contextualiza, registra e edita, para que mais gente, em todas as áreas e em todos os cantos, possa tomar conhecimento e melhor se situar frente à realidade. A este profissional se chama jornalista.

Em escala pública e dimensão planetária, em períodos extremamente curtos (dia, hora, minuto – tal como é o andar diário da humanidade), e em linguagem acessível à população e não hermética, há profissionais que se empenham para esta reconstrução do mundo. A este profissional se chama jornalista.

Sem este profissional, não há jornalismo. Para a informação jornalística é preciso qualidade, são necessários pressupostos éticos, conhecimentos técnicos e tecnológicos – da tevê ao rádio, da internet à revista, do jornal ao planejamento gráfico. Em todas estas coberturas e atividades e para todos estes suportes tecnológicos, é preciso cuidado na apuração, rigor na exatidão, obediência a preceitos éticos, qualidade na produção estética, cuidado e precisão nas conseqüências da forma de divulgação.

Há um profissional que se preocupa com isso. A ele se chama jornalista.

A informação com tais características, produzida por jornalistas, permite à sociedade maior liberdade, além de mais e melhor opção de escolha. Permite melhor escolha e decisão nos caminhos a seguir.

Depois de 60 anos de regulamentação profissional e 80 de luta pela formação superior em Jornalismo, há agora a clara ameaça do fim de quaisquer exigências para o exercício da profissão.

O ataque contemporâneo do neoliberalismo à profissão jornalística é mais um ataque às liberdades sociais e às profissões em particular. Com isso, amplia-se o campo das desregulamentações em geral e aumentam as barreiras à construção qualificada e lúcida de um mundo mais democrático, visível e justo.

O ataque ao jornalismo é também um desrespeito à sociedade, que diminui sua amplitude de escolha, diminui o espaço de liberdade e de confronto de opiniões. Há claros prejuízos à ética profissional e amplia-se o controle sobre quem entra nas redações – do interesse particularizado expresso na contratação de apadrinhados políticos e ideológicos ao aviltamento profissional e salarial, por meio de contrato de pessoas que nada têm a ver com a formação específica na área.

Hoje, já existe liberdade garantida para quem quiser expor sua opinião, como entrevistado ou articulista de uma determinada área. Com a desregulamentação, contudo, perde-se as raízes da vinculação do jornalismo ao interesse público, razão de sua consolidação como profissão nos últimos 60 anos. Com isso, além da própria categoria profissional ter redução de empregos, desprestígio em seu reconhecimento público, a própria sociedade, no conjunto, perde a referência qualitativa dos acontecimentos do dia-a-dia, essenciais para a liberdade de escolha do dia seguinte.

O ataque à  regulamentação em Jornalismo atinge profissionais e estudantes, desrespeita as identidades de cada área – e nisso desrespeita também as demais -, e fere frontalmente a sociedade em seu direito de ter informação apurada por profissionais, com qualidade técnica e ética, bases para a visibilidade pública dos fatos, debates, versões e opiniões contemporâneas. É um ataque, portanto, ao próprio futuro do país e da sociedade brasileira.

  FENAJ– Federação Nacional dos Jornalistas

  

FÓRUM DA IMPRENSA – 27 DE FEVEREIRO DE 2.002 (fee)

 

Revistas e jornais terão representação nacional

Proprietários de revistas e jornais de todo o Brasil estiveram reunidos no último dia 17 de fevereiro, em São Paulo, com a finalidade de fundar a Associação Brasileira de Jornais e Revistas – ABRARJ.

Após a aprovação dos estatutos, foi eleita a diretoria para o próximo biênio que será presidida pelo professor Valter Estevam Junior, proprietários do Jornal Diário das Cidades de São Bernardo do Campo – São Paulo.

A Associação Brasileira de Revistas e Jornais – ABRARJ, com sede e foro em São Paulo, capital, a rua Beneficiência Portuguesa n. 44 – conjunto 404  é uma sociedade civil de grau superior, constituida por prazo indeterminado, objetivando a coordenação, proteção e representação das categorias econômicas pertencentes ao ramo da indústria editora de revistas e jornais, tendo como território todo o Brasil.

A Abrarj tem como objetivo congregar em torno de interesses comuns, as editoras de revistas e jornais  promovendo maior aproximação, cooperação e solidariedade, defendendo e representando os seus interesses e prerrogativas perante autoridades estaduais, nacionais e internacionais, pugnando pelo crescente prestígio dos associados.

“Vamos promover a defesa dos preceitos da democracia e da livre iniciativa, da liberdade de expressão, pensamento e de informação, assim como do direito das revistas e jornais ao livre  exercício de suas atividades, respeitadas pelas garantias que a Constituição e as Leis lhes conferem”, explicou Estevam que também já foi presidente da ADJORI - Associação de Jornais do Interior do Estado de São Paulo.

 Diretoria Executiva

Presidente: Valter Estevam Junior – Jornal Diário das Cidades – São Bernardo do Campo – SP,

Vice-Presidente: Antonio Claret Guerra -  Jornal MG Turismo – Belo Horizonte - MG

Vice-Presidente Governamental: José Antonio de Oliveira – Jornal da Cidade – Pindamonhangaba - SP

Vice-Presidente Comercial: João Carlos Rabello – Diz Aí - Rio de Janeiro – RJ

Vice-Presidente Jornais:  Tulio Moreira- Jornal Correio de Notícias – Canoas -  RS

Vice-Presidente Revistas: Carlos Aguiar – Big Amazônia – Manaus - AM

Vice-Presidente Jurídico: Ademar Gomes – Revista da Acrimesp – S.Paulo - SP

Vice-Presidente Cultural: Itamar Gurgel - Revista Orla - ES

Vice-Presidente de Marketing: Ricardo J.H. Guerra – Revista Turis News Recife - PE

Secretário Geral: Alberto Talauskas – Jornal de Peruibe – Peruibe - SP

Diretor Tesoureiro: Waldir Martinez – Metropolitano em Notícias – S.Paulo - SP

Conselho Administrativo

Superintendente:  Marco Antonio Viezzer – Nova Época – Canela - RS

Secretário: Homero Luis P. de Souza – Revista Merc News – Santo André - SP

Conselho Fiscal:

Presidente: Faustino Borges Munhoz – Liberal Chuí -  Santo Vitória do Palmar - RS

Secretário: Antonio Luis Schiavo Junior – Jornal de Campos do Jordão – Campos do Jordão - SP

Membro: Mauricio Antonio do Nascimento – Ótimo – Canoinhas - SC

Membro: Augusto Cezar  Casseb – Folha de Rio Preto – S.J. do Rio Preto - SP

Membro : Carlos Baladas – Jornal Ponto Final – Santo André

Conselho de Ética:

Presidente: Egydio Coelho da Silva – Jornal da Bela Vista – São Paulo - SP

Secretário: Fausto Picarelli Neto – Em Foco – Jarinú - SP

Vogal: Ronaldo Cortes – JBA – S.Paulo - SP

Conselho de Diretores Regionais

Presidente: Wagner Barbosa – Revista Expressão Regional – Limeira - SP

 

Diretor Regional de S.Paulo

Fernando de Carvalho – Jornal As Cidades – Charqueada – SP;

José Correa da Silva – Jornal da Baixada – Bertioga – SP.

 

Mais informações:  Waldir Martinez – Tel. (11) 6979-9765  – e-mail: metropolitanored@vertex.com.br

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 20 DE FEVEREIRO DE 2.002

DIPLOMA DE JORNALISTA 

Sérgio Barbosa

Adamantina-sp

 

Carta do Sindicato paulista sobre Diploma enviada aos Coordenadores de Jornalismo


 São Paulo, 22 de Fevereiro de 2002
 Caro(a) Coordenador(a)  de Jornalismo
 Tendo em vista o grande número de pedidos da Carta de Autorização Provisória pelos recém-formados aqui no setor de Registro no Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo, venho através desta, solicitar que passem para os recém-formados as seguintes informações:
1a.  Para os jornalistas recém-formados obterem o registro de jornalista junto à D.R.T., exige-se o diploma, e este só é concedido no prazo de 6 a 12 meses.
2a.  Para que o recém-formado possa trabalhar como autônomo ou contratado por alguma empresa, o Sindicato dos Jornalistas emite a Carta de Autorização Provisória somente para efeito de contratação (até que saia o diploma/registro)
Obs.: O requerente não poderá assinar matérias até que saia o registro.
3a.  Para esta autorização, é necessário que o recém-formado apresente o Certificado de Colação de Grau no curso de Graduação de Jornalismo ou de Comunicação Social  Habilitação Jornalismo e uma cópia autenticada.
 4a. - No prazo de 3 a 5 dias a carta ficará pronta.
 Sem mais, agradeço a atenção.
 CORFEP (Comissão de Registro e Fiscalização do Exercício Profissional)
 http://www.jornalistasdaweb.com.br
 Para assinar : jornalistasdaweb-subscribe@yahoogroups.com
Para cancelar : jornalistasdaweb-unsubscribe@yahoogroups.com
 Administradores da lista: admin@jornalistasdaweb.com.br

 

FÓRUM DA IMPRENSA –28 DE FEVEREIRO-2.002

Paulo Nunes de Abreu, jornalista

São paulo-SP

 

Caro Egydio,

Acho muito estranho a omissão da mídia com relação à verdadeira tragédia, que é o desemprego no Brasil (17% de desempregados). 

Pouco se noticia sobre os serviços bancários eletrônicos e na internet, que reduzem, de um dia para outro, centenas de empregos. 

Agora, a marca chocolate Garoto está sendo comprada pela Nestlé, o que vai gerar mais de 2.500 desempregados e pouca notícia está saindo sobre isso. 

Acrescente-se que a Garoto era empresa nacional, que, com certeza, não remetia lucro para o exterior em dólares. 

Seria importante noticiar muito e discutir esse acontecimento, já que se trata de dois importantes problemas nacionais: desemprego e escassez de dólares.

Paulo Nunes - São Paulo - Capital

 

FÓRUM DA IMPRENSA –01 DE MARÇO DE 2.002

Regina Villela

 

Caro Egydio, mesmo sendo jornalista atuante há 20 anos, deixei de acreditar nas utopias de nossa profissão. Peço que retire meu nome da lista de emails.

Obrigada

Regina Villela

 

Regina,

É pena que você não queira participar deste Fórum. Há uma expressão que diz: pelo dedo se conhece o gigante. 

Nessas poucas palavras escritas, você demonstra ter muitas idéias e convicções, que poderiam ajudar a dar até um caminho mais certo ao Fórum de Imprensa.

Retirei seu email de minha lista. Se mudar de idéia, favor retornar.

Abraços.

Egydio

 

FÓRUM DA IMPRENSA –01 DE MARÇO DE 2.002

Regina Villela

 

Valeu, meu amigo. Espero que profissionais quixotescos como vcs persistam. Sempre. Não há vitória sem luta. Eu é que estou cansada. Desculpe.

Um forte abraço,

Regina

 

FÓRUM DA IMPRENSA –06 DE MARÇO DE 2.002 

Walter Monacci

São Paulo-SP


Notícias do Superior Tribunal de Justiça

06/03/2002 -

STJ mantém indenização por dano moral para Chico Buarque e Marieta Severo

 

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que concedeu indenização por dano moral no valor de 500 salários mínimos ao cantor Chico Buarque de Hollanda e igual quantia à atriz Marieta Severo. Os dois artistas moveram ação contra a Bloch Editores S/A, por veicular reportagens nas revistas Manchete e Amiga alegando que o suposto pivô da separação do casal em 1997, após 30 anos de união, teria sido a cantora Daniela Mercury.
Segundo a defesa de Chico Buarque e Marieta Severo, “as aludidas divulgações empreendidas pelas revistas feriram de forma odiosa e mesquinha, a privacidade, intimidade e a imagem dos autores, gerando, para ambos, um dano moral”. As capas da revistas com as reportagens também foram estampadas nas telas da TV Manchete.
A reportagem da revista Manchete, pertencente ao grupo Bloch Editores S/A, relata fatos considerados mentirosos pela defesa de Marieta Severo e Chico Buarque, tais como a afirmação de que o cantor teria mantido um caso com a cantora Daniela Mercury. 

Além disso, faz menção a uma suposta movimentada vida amorosa do cantor ao afirmar que “a quantidade de mulheres de Chico é um absurdo”.
Os artistas obtiveram decisão favorável inicialmente na 19ª Vara Cível da Comarca do Rio de Janeiro. O juiz estabeleceu a indenização por danos morais no valor de 250 salários mínimos para cada um dos artistas. Posteriormente, a defesa de Chico Buarque e Marieta Severo recorreu da sentença à Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, onde conseguiram a reforma da sentença que aumentou para 500 salários mínimos a indenização para cada um. Para o desembargador Humberto Perri, relator do caso, ficou comprovado o dano moral “exaustivamente justificado pela atitude despropositada em que a imagem dos autores como personalidades do mundo artístico ficou extremamente atingida em razão da maldosa publicidade de uma separação conjugal”.
Inconformado, o grupo Bloch Editores recorreu ao STJ com agravo de instrumento. O ministro relator do recurso, Barros Monteiro, ao negar provimento ao agravo afirmou que “o colegiado de origem decidiu todas as questões relevantes postas para apreciação e julgamento, embora não da forma almejada pela agravante, inexistindo qualquer vício a ser sanado”.

Dr. Walter,

Grato pela colaboração, enviando para o Fórum de Imprensa essa decisão muito triste por, no mínimo, três motivos:

1) Institui a co-autoria, que os militares não conseguiram impor nem por ato institucional, porque na ocasião a imprensa, como um todo, se posicionou contra, por criar a auto-censura, a pior de todas as censuras;

2) Embora exija mais responsabilidade de quem escreve, não tem por objetivo preservar a liberdade de imprensa, que, como a Justiça, é uma instituição, que também precisa ser preservada e estimulada;

3) E por fim, o fato do autor ser Chico Buarque de Holanda, figura histórica, que lutou quase sozinho, com muito talento a favor da liberdade de pensamento e de que me orgulho de ter publicado matéria a seu favor em 1.976, num período em que a grande imprensa lhe negava espaço. E hoje ele, de certa forma, é duplamente vítima, ao ser obrigado a se valer de uma legislação ou de sua interpretação, que contraria seus princípios, que em nada colabora para o aperfeiçoamento da democracia e das instituições no Brasil. 

Todos sabemos que o que gera o crime é a impunidade e não a pena alta e, às vezes, até a pena de morte aplicada às  empresas,  principalmente as pequenas e médias, com indenizações desproporcionais, que, além de instituir a auto-censura, pode levar ao fechamento de editoras, que geram emprego. 

A mim, me parece muito estranho que as pessoas, que necessitam de liberdade para exercer a sua profissão, comecem a aceitar pacificamente que decisões, que visam concertar desvios da imprensa, estejam a criar um mal maior: destruir um dos alicerces da democracia. 

Se negarem ao Promotor o direito de acusar, ao advogado o direito de defender, ao Juiz o direito de julgar e ao jornalista o direito de expressar o que pensa, suas respectivas instituições começarão a ruir.

Como disse Jacintho Ferreira da Silva Jr. (OAB-33.511-SP) Presidente Prudente-SP, em colaboração para este Fórum de Imprensa, citando Eduardo Couture:

"Tem fé no DIREITO, como o melhor instrumento para a convivência humana; na JUSTIÇA, como destino normal do DIREITO; na PAZ, como substitutivo bondoso da JUSTIÇA; e, sobretudo, na LIBERDADE, sem a qual não há DIREITO, nem JUSTIÇA, nem PAZ."  

Egydio Coelho da Silva

FÓRUM DA IMPRENSA –09 DE MARÇO DE 2.002 

Sérgio Barbosa

São Paulo-SP

 

Câmara aprova novas regras para meios de comunicação

A Câmara dos Deputados aprovou dia 26 de fevereiro, em segundo turno, por 402 votos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de nº 203/95, que altera as regras sobre propriedade dos meios de comunicação no Brasil.

No primeiro turno, realizado dia 11 de dezembro, 406 deputados votaram favoravelmente à proposta, que precisava de, no mínimo, 308 votos (três quintos da Casa) em cada uma das sessões para ser aprovada.

A PEC seguirá nos próximos dias para o Senado, onde também será apreciada em dois turnos. O relator da proposta, deputado Henrique Alves (PMDN/RN), espera que a votação no Senado seja concluída até o final de abril.

A proposta abre a possibilidade de pessoas jurídicas participarem da composição acionária das empresas. Hoje, apenas pessoas físicas têm esse direito, o que tem limitado a capacidade de investimento do setor. O novo texto também estabelece uma abertura controlada do mercado para o capital estrangeiro, que poderá deter até 30% de participação nas empresas nacionais.

Outra mudança introduzida pela proposta é o controle da produção editorial e da programação dos veículos por brasileiros natos. Essa medida vai permitir que o país dê maior dinamismo ao mercado sem colocar em risco os valores nacionais.

Fruto de uma ampla discussão na Câmara dos Deputados e da colaboração de representantes dos mais variados segmentos da sociedade, a proposta em discussão representa um avanço significativo para o setor.

(Colaboração - CDN – Cia. de Notícias Andrew Greenlees, andrew@cdn.com.br, João Leiva Filho, joaoleiva@cdn.com.br).

 

Sérgio,

Obrigado pela sua colaboração.

É pena, que o Congresso deixe passar a oportunidade de acrescentar emenda a essa Lei, que limite o monopólio dos meios de comunicação. O ideal seria que houvesse veículos de âmbito nacional, de âmbito estadual e municipal e que não fosse permitido às mesmas empresas monopolizarem os três; nem quem detém controle de rede de televisão, ser proprietária de redes de rádios e de jornais.

Acrescente-se que as redes de televisão vivem hoje quase que exclusivamente de verba publicitária federal. Será que é esse lucro que irá atrair investimento estrangeiro?

Egydio Coelho da Silva

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 10 DE MARÇO DE 2.002 (fee)

Nome: Dirce

Cidade: Interior de S. Paulo

Para: fórum de imprensa

 

Não sei como me dirigir à Regina Villela, mas se puder, transmita-lhe esse recadinho:

Regina, não se vive sem utopias, sem sonhos, sem divagações; isso aprendi nos meus anos de "professorinha do interior". O que nos impulsiona nos momentos mais difíceis são exatamente "eles", como viver sem sonhar?.

Comecei trabalhar com 18 anos. Completo esse ano 36 de magistério e nem por isso deixei a utopia de lado. Fui professora de crianças, jovens, adultos, trabalhei na coordenação, direção,supervisão de estágio e hoje trabalho como Diretora do Departamento de Ensino Fundamental da minha cidade. Na apresentação do meu trabalho com todos os que fazem parte da Educação eu iniciei mais ou menos assim: "Não deixem a utopia de lado quando for realizar o seu trabalho. Não se esqueçam, nós trabalhamos com  crianças"...

                                                    Regina, um abraço.

                                                                                        Dirce

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 10 DE MARÇO DE 2.002 

Nome: José Nélson

Cidade: S. Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

Caro Egidio:

parece que o cansaço tomou conta de todos nós. Cansados de tanto ver os políticos roubarem, cansados de não ver o bom senso,cansados de pobres de espírito  nos rondando acabamos assim cansados.

Jose Nelson

 

FÓRUM DA IMPRENSA –10 DE MARÇO DE 2.002 

Nome: Rudi

Cidade: PRESIDENTE PRUDENTE-SP

Para: Fórum de imprensa

 

O grande circo e os palhaços somos nós.
 Big Brother e Casa dos artistas mostram que estamos chegando no fim do poço
na ignorancia televisiva.
 A saída da participante Helena do Big Brhtoher e seu recado para mãe de
Alessandra dizendo que eles fazem o que a produção, colocou a gota dágua que
faltava para encher o copo.
 A reação do pseudo-jornalista pedro Bial foi de total constrangimento.. ou
podemos dizer que o soneto ficou pior que o concerto.
 Corre pela net que daqueles participantes. sergio, helena e andre, já
haviam trabalhado na globo, que Andre já conhecia Vanessa de longa data.
 Desconhecidos.. Bo agora a casa dos artistas.. outra armação pior. Esse
Silvio Santos, midas, rouba programas estrangeiros e consegue ganhar
dinheiro a rodo em nossoa país onde a lei o proteje. leia-se Show do Milhão,
Qual é musica e agora, Casa dos Artistas.
 O que falta para a televisão brasileira?

Rudi,

Grato pela sua participação. Apesar de concordar com a crítica ao baixo nível de alguns programas de TV, os quais nunca vejo, pois - por defeito meu - adota a filosofia de "não vi não gostei".

Mas acho que devemos respeitar a instituição de que o bom programa é aquele que têm audiência, porque devemos respeitar a idéia de que o povo é inteligente e escolhe o que lhe causa emoção. 

O ideal seria fortalecer outros tipos de TV, como as fundações e mesmo religiosas, que têm, teoricamente, outras fontes de sustentação econômica, que não a publicidade comercial, e, por isso, poderiam apresentar programas, que não se preocupassem exclusivamente com a audiência, mas sim com a qualidade da mensagem.

Se há programas de baixo nível, que buscam audiência, também temos de reconhecer que uma novela, como o Clone, consegue ser de vanguarda e ter conteúdo e, ao mesmo tempo, se comunicar com a massa. O baixo nível, muitas vezes, é falta de talento.

A papel de vanguarda deveria caber ao teatro e as TVs culturais - o que me parece - não está acontecendo como deveria e o papel de comunicação de massa , portanto, reforçando valores já consagrados deveria caber a TV comercial. Entendo que nenhuma TV deve ser censurada ou criticada por tentar ampliar sua audiência, pois não devemos ter a pretensão de julgar a capacidade de julgamento do povo. Afinal: "Voz populi, vox dei" (acho que é assim que se escreve), a voz do povo é a voz de Deus. 

Gostaria de ver a opinião de outros participantes.

Egydio Coelho


FÓRUM DA IMPRENSA – 10 DE MARÇO DE 2.002 

Nome: Walter Monacci - advogado

Cidade: São Paulo-SP

Para: Fórum de imprensa

 

Caro Sr. Egydio,
Infelizmente, por grande quantidade de trabalho, não tenho o tempo que gostaria de ter para participar mais ativamente do Fórum de Imprensa.
De qualquer forma, em face da inegável importância da discussão de idéias e da troca de informações, não deixo de, assim que recebo uma notícia sobre uma decisão judicial que envolva as questões que aqui tratamos, enviá-la para o senhor.
Achei interessante a vossa abordagem da última decisão que lhe passei, com relação ao fato do Chico Buarque se fazer valer de uma legislação que contrariaria os seus princípios democráticos.
Um fato curioso acontece com relação aos jovens e o seu idealismo.
Muitos deles enquanto jovens eram idealistas, profundamente socialistas.
Depois, ao começarem a acumular patrimônio, já começam a ver as coisas de outra forma, vêem o quanto trabalharam e já passam a achar que a distribuição ou divisão pregada pelo socialismo não é bem assim ...
Dentro dos próprios partidos políticos de linhas socialistas acontece isto...
Quanto à reparabilidade do dano moral pelas empresas jornalísticas, como procurei expor no início deste Fórum, decorre do nosso ordenamento jurídico.
Não estão errados os julgadores, portanto, quando atribuem aos órgãos de comunicação a responsabilidade civil pela reparação por danos morais.
Pela sua tese, que conheço, o senhor entende que seria mais adequado, em suma, que o dano fosse reparado através da obrigatoriedade de abertura de espaço, no mesmo meio de comunicação, para a resposta.
O senhor entende, outrossim, que a obrigatoriedade da reparação não passasse da pessoa (física) do próprio autor da matéria, ou seja, do repórter ou do jornalista, e não da empresa de comunicação.
Entretanto, a solidariedade das empresas, neste caso, decorre da lei que, portanto, teria que ser modificada.
Como observei anteriormente, veja o caso das empresas comerciais.
Se um funcionário de uma loja ou de um hotel resolve, sabe-se lá porque, falar um pouco mais alto com um cliente, processa-se a loja ou o hotel.
Se um mecânico de uma concessionária de veículos faz um serviço incorreto ou inadequado em um automóvel, processa-se a concessionária e assim por diante.
E, Sr. Egydio, o que é pior.  As pessoas estão entrando com ações de reparação de danos morais por qualquer coisa, está um absurdo.
A Justiça, principalmente os Julgadores mais conscientes é que vêm procurando coibir injustas indenizações e, quando cabíveis, fixá-las com cautela,  moderação e equilíbrio das partes e situações, felizmente.
Abraços,
WALTER

Dr. Walter,

Grato pela participação, trazendo sempre luz jurídica neste fórum, cuja maioria pouco entende de leis.

 Sobre Chico Buarque, não consigo ver nele defeitos, pois, se me perguntassem que personalidade mais admiro responderia sem pestanejar que é Chico Buarque, pelo sua posição política, pelo seu talento de usar a arte na defesa de seus ideais, sem cair no panfletário. Acho que ele é vítima também das Leis e interpretações judiciais em vigor.

Não tenho como discutir assuntos jurídicos, pois, não sou advogado. 

Mas, entendo que a Justiça - se se preocupasse com a importância da livre manifestação de pensamento e com o direito das pessoas se informar - acharia alguma "brecha" nas leis para tomar decisões, que estimulassem a liberdade de imprensa e penalizassem somente uma minoria, que abusa desse direito. Sem criar a auto-censura, sem julgar todos os jornalistas semi-capazes de seus atos e sem colocar o dinheiro como um valor, que paga todos os outros valores morais e sentimentais. E teria condições de fazer com que um assunto que começou na imprensa, terminasse na imprensa e não no silêncio dos tribunais. Isto sim, interessa ao público leitor.

Abraços e grato.

Egydio Coelho

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 12 DE MARÇO DE 2.002 

 Nome: Didymo Borges

Cidade: Recife

Para: Fórum de imprensa

 A nota da Federação Nacional de Jornalistas contra a desregulamentação da profissão de jornalista  ( Forum, 08/02/02) está eivada de equívocos.  Chega ao final a exagerar: "É um ataque, portanto, ao próprio futuro da sociedade brasileira"!

 Lutar pela manutenção da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista só se entende como mera reação  corporativista. Tal exigência fere frontalmente os princípios de liberdade de expressão garantidos em sede constitucional.  Trata-se de uma profissão diferenciada cujo exercício não pode ficar condicionado aos interesses mercantilistas dos que mantém cursos de jornalismo. O jornalismo é uma profissão de quem a exerce e não de quem tem um diploma acadêmico de jornalista. Mesmo por que se trata de profissão eminentemente vocacional e um diploma não garante que o portador esteja vocacionado para o exercício da profissão de jornalista. Exigir diploma para o exercício da profissão de jornalista é o mesmo que exigir diploma de Belas Artes para quem exerce a profissão de pintor. Para pintar aquarelas é necessário, antes de tudo, vocação, sensibilidade artística que um diploma não garante ao portador.

Lutar pela manutenção do privilégio corporativista é um desserviço aos maiores interesses da democracia. A decisão judicial que permite o registro profissional de jornalista independentemente do diploma atende aos interesses maiores da nacionalidade na medida em que atende aos magnos interesses  da nossa democracia.

Didymo Borges

Didymo,

Grato pela participação. 

Sinto-me à vontade para ser a favor e contra curso superior de jornalismo. 

Eu já exercia a profissão de jornalista há quase 10 anos, já registrado no MT, quando decidi cursar jornalismo. Prestei vestibular na USP - Faculdade de Comunicações e fui reprovado em redação. Eu que já era jornalista há 10 anos e havia ganho um concurso de contos, promovido pela USP de Assis-SP em 1.962. 

Daí se ver o subjetivismo que é julgar redação. Não desisti e cursei a FAAP, concluindo o curso em 1.973.

Vi adolescentes de talento iniciarem em meu jornal em Assis, como Renato Sant `Anna e Luiz Marcos Barrero (para citar dois nomes de talentos conhecidos e atuantes na imprensa paulistana), que - se na época - houvesse obrigatoriedade de diploma, talvez nunca viessem a ser jornalistas.

No entanto, entendo que deve ser garantido algum direito exclusivo a quem tiver curso superior de jornalismo, como exercer cargo de editor, por exemplo. Pois, me parece de interesse da sociedade, que os veículos de comunicação continuem a se aperfeiçoar tecnicamente e entendo que o instrumento para isso são as faculdades de jornalismo.

Abraços.

Egydio Coelho

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 12 DE MARÇO DE 2.002

Nome: Didymo Borges

Cidade: Recife

Para: Fórum de imprensa

 

A propósito da aprovação pela Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de número 203/95 no último dia 26.Fev.02 e que permite a participação de capital estrangeiro na posse de até 30% do  capital de empresas de comunicação brasileiras , é necessário analisar o mérito sob a ótica das circunstâncias históricas. Com o fim do conflito ideológico ocidente/oriente devido o desmoronamento do comunismo no leste europeu é possível que o capital estrangeiro atraído para atividades produtivas no Brasil não seja motivo de desconfianças e preconceito. Afinal o investidor estrangeiro tão somente busca no Brasil uma aplicação  mais rentável que em outros países alternativos. Não há por que rotulá-lo  de imperialista, dominador, e outros epítetos próprios do velho xenofobismo "demodé".  Assim sendo não há mais por que privar as empresas de comunicação de se capitalizarem com a participação de capital estrangeiro com até 30% do total. Ademais, a lei prevê a ressalva de que a linha editorial e de programação seja determinada por brasileiros natos. Por outro lado não há qualquer restrição  quanto a constituição de empresas de comunicação.  Afinal, quando ligamos o receptor de televisão de casa, podemos ver uma pletora de emissoras de TV estrangeiras, algumas delas com programação dublada como resultado da evolução das comunicações via satélite. Os jornais estrangeiros estão disponíveis na internet. A globalização dos meios de comunicação deve determinar mudanças dos velhos conceitos xenófobos.

É necessário considerar que a Constituição de 88 foi elaborada ainda sob a égide da Guerra Fria. Este projeto de  emenda constitucional que ainda será apreciado em dois turnos no Senado Federal  veio desfazer mais um vício da "constituição cidadã". de 1988.

Didymo Borges

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 13 DE MARÇO DE 2.002 

Nome: Obarco2@aol.com

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

Apenas para lembrar algumas palavras de Krishnamurti :
O que é "opinião" ? O que estão fazendo elas em nossa vida ?
Por que "damos valor" a alguma coisa ? A coisa não vale já por si mesma, pelo que ela é ? Por que "criamos valores" ou se fala em "diferenças de valores" ?
O que há é apenas fatos. E o fato é neutro. É o que é, não "briga por uma posição", não cria oposição.
O fato comentado, envolvendo Chico Buarque e a Editora Bloch é simplesmente triste. Não sou jornalista, mas acho que os jornalistas deveriam ter espírito científico. Em outras palavras, deveriam se ater ao fato. Um filósofo político, professor da USP, certa vez deu um curso na Fatec-SP, sobre "como ler um jornal", que tratava dos três tipos básicos de linguagem ( que na prática se mesclam ) : informativa, expressiva e emotiva. Nesse foco de análise, pode-se perceber a intenção do autor : muitas vezes apenas pretende convencer o leitor sobre algo, não há premissas verdadeiras, apenas apelo expressivo e emotivo.
Desejo lembrar também que, mesmo diante de informações verdadeiras, a verdade foge facilmente, há ainda o problema da interpretação...

Grato pela participação. 

Infelizmente não concordo e acho que todas as notícias trazem em si alguma opinião de quem a escreve. Só fato de ser escrita ou selecionada para publicação já implica em uma opinião, como: "vejam que assunto interessante".

Como disse um personagem de Machado de Assis: "Peça-me para ser sincero, mas nunca imparcial".

Grato

Egydio Coelho

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 25 DE MARÇO DE 2.002 

Nome: Didymo Borges

Cidade: Recife

Para: Fórum de imprensa

 

Está escrito equivocadamente  no Forum (08/11/01): "Pagamento em dinheiro por dano moral não parece algo moral porque não se pode comprar a moral de alguém nem ninguém pode vender sua própria moral" .  Tal assertiva pode ser válida para danos morais resultantes de detratação na imprensa como veremos  adiante  mas em outros casos é , evidentemente, inválida. Por exemplo: um empregador que ofende moralmente um empregado como, para exemplificar, forjando uma justa causa por improbidade. O interessante é que a Justiça do Trabalho não é o forum  competente para o julgamento de um tal caso que deve ser ajuizado na justiça estadual. Mas o importante é considerar  que não há outra forma de compensação pelos danos morais provados pelo empregador senão a pena em pecúnia conluiada com outras penalidades tais como, se cabível, a reintegração ao trabalho da vítima.

 Vejamos como a compensação no caso de ofensa pela imprensa pode ser compensada sem a pena em pecúnia: "Acredito que o jornal deveria ceder o direito de resposta amplo a quem foi acusado injustamente no mesmo espaço e até obrigado a pagar a publicação em outros veículos para realmente compensar a ofensa moral com uma reparação  moral". Esta parece uma colocação judiciosa fazendo com que " se o assunto começou na imprensa deve terminar na imprensa e não no silêncio dos tribunais".

Mas as colocações do Forum  termina por puxar a sardinha  para os jornalistas num parecer eminentemente corporativista quando especula sobre como deve ser elaborado o direito de resposta do ofendido: "Talvez com a exigëncia da matéria em resposta  ser  obrigatoriamente escrita por jornalista profissional , pois para nos defendermos nos tribunais precisamos de advogado". 

Aqui há um equívoco crucial: Nos tribunais o cidadão precisa ter conhecimento dos fatos processuais e das leis, da jurisprudência e da processualística .  Se ele não é advogado precisará de um patrono que o represente perante a justiça. No caso da matéria em resposta é necessário tão somente o conhecimento factual que o interessado, melhor do que qualquer jornalista, tem. 

Quando a Justiça, acertadamente, permite o registro profissional de jornalista independentemente de certificado de conclusão do curso de jornalista, não há por que retornar aos velhos chavãos corporativistas para botar a imprensa brasileira na camisa-de-força de reservar o mercado de trabalho aos diplomados em jornalismo. 

Isto é fazer o jogo dos donos de faculdades de jornalismo e de comunicação social  em detrimento da nossa incipiente democracia.

Didymo Borges

Dydimo,

Grato pela participação. Concordo com a maioria de suas idéias. Mas entendo que mesmo em outras áreas que não a imprensa - entendo que valor moral não pode ser pago em dinheiro. Pois, além de subjetivo, sempre cria efeitos colaterais terríveis e pode fazer surgir a corrupção no judiciário, o que é grave já que pode afetar a instituição. 

Há outras formas de penalizar o infrator. Não podemos perder de vista que é a impunidade e não pena alta ou esdrúxula que inibe a infração.

Abraços.

Egydio Coelho

 

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 16 DE ABRIL DE 2.002 

Nome: Sérgio Barbosa

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

Fórum dos Cursos de Jornalismo

Documento Final

Reunidos no Fórum dos Cursos de Jornalismo, realizado na Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero, em São Paulo, dias 29, 30 e 31 de março de 2002, jornalistas, estudantes e professores de jornalismo analisaram e debateram as principais questões que envolvem a formação acadêmica e o exercício profissional do jornalismo no Brasil, organizadas nos seguintes grupos de trabalho: 1 – Capital estrangeiro e oligopolização da mídia; 2 – Valores e princípios da prática jornalística; 3 – Democratização das comunicações; 4 – Formação do jornalista e regulamentação da profissão; 5 – Sistemas de avaliação dos cursos de jornalismo.

O debate aprofundado dessas questões – após a palestra do professor Octávio Ianni, sobre “Globalização e Mídia” – proporcionou aos participantes a identificação mais precisa dos inúmeros problemas que impedem o desenvolvimento do jornalismo como instrumento do conjunto do povo brasileiro para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, justa e que promova a igualdade e o bem estar de todos. Nesse sentido, queremos afirmar o seguinte:

· A entrada do capital estrangeiro na propriedade dos meios de comunicação de massa representa uma grande ameaça à nossa cultura, às raízes culturais da Nação e à nossa identidade, além de favorecer uma concentração ainda maior dos veículos e dos conteúdos nas mãos de alguns poucos grupos políticos e econômicos.

·        A oligopolização da imprensa torna a concorrência desleal de tal forma a absorver as empresas locais, com a constante eliminação de postos de trabalho e a geração de desemprego estrutural.

·        A concentração da mídia representa uma ameaça direta à insipiente democracia brasileira e à limitada liberdade de expressão, na medida em que tende a eliminar ainda mais os espaços de manifestação de importantes segmentos da sociedade brasileira.

·        O exercício pleno do jornalismo só pode se dar numa sociedade que assegure o direito de todos à informação, consignado na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

·        A padronização e a pasteurização impostas pela comunicação de massas elimina as diferenças culturais e regionais, empobrece a riqueza da diversidade e violenta o pensamento e a criatividade divergentes.

·        É preciso resgatar os valores e princípios que sempre foram a razão de ser do jornalista. É preciso reapropriar-se da nossa profissão, e sobretudo resgatar o aspecto humanista daquilo que fazemos, seu caráter ético e questionador, sua responsabilidade social, sua indignação, seus laços com a verdade e a cidadania, a preocupação com os direitos humanos e com as minorias e os marginalizados, sua criatividade e autenticidade.

·        É preciso combater as censuras políticas e econômicas que atuam de forma disfarçada nos meios de comunicação e a auto-censura, estimulada desde os cursos de jornalismo e largamente praticada dentro das empresas jornalísticas.

·        É preciso fortalecer todos os espaços e meios alternativos de comunicação, especialmente os veículos comunitários e que expressam os movimentos sociais excluídos e marginalizados pelos grupos de comunicação, mas, ao mesmo tempo, é preciso lutar para a construção de um sistema de comunicação que expresse realmente os interesses de todos os segmentos e classes sociais.

·        A democratização da mídia passa necessariamente pelo acesso de todos ao ensino público e gratuito, pelo aumento da escolaridade e por uma formação superior comprometida com as populações marginalizadas, com o desenvolvimento social e com a formação do senso crítico em todas as áreas do conhecimento, e especialmente no jornalismo.

·        A exigência de diploma para o exercício do jornalismo não apenas legitima a categoria no reconhecimento social e legal, confere dignidade para a profissão, mas sobretudo assegura maior controle social da prática jornalística e reduz o campo de manobra dos interesses econômicos na área.

·        O exercício da profissão não é redutível a um adestramento técnico oferecido pelas empresas jornalísticas, pois só o ambiente universitário proporciona a possibilidade de reflexão e uma formação sólida que articula teoria e prática. E o papel da universidade não se reduz à capacitação profissional: estende-se a formar cidadãos críticos, agentes de transformação social, não podendo, portanto, ficar à mercê da lógica do mercado.

·        A avaliação dos cursos de jornalismo deve ser permanente e necessária e não se esgota nos instrumentos oficiais; deve ser discutida pelos segmentos de cada curso, de forma a não se tornar um mero atendimento de exigências administrativas, mas que assegurem a variedade de percepções que a formação graduada em jornalismo possa ter.

·        Os participantes do Fórum dos Cursos de Jornalismo sugerem a criação de uma comissão que estude a viabilidade de uma avaliação articulada entre escolas de jornalismo.

  Esses pontos – um resumo das discussões realizadas neste Fórum – sintetizam as nossas preocupações com o quadro atual do jornalismo brasileiro, mas também o estabelecimento de referências importantes para uma atuação coletiva concreta tanto na formação como na prática jornalística. A consolidação dessas referências já está em marcha, o primeiro passo foi dado, agora compete a todos nós assumirmos o compromisso de que a luta não termina aqui – ela está apenas começando.

  Fórum dos Cursos de Jornalismo

São Paulo, 31 de março de 2002.  

FÓRUM DA IMPRENSA – 17 DE ABRIL DE 2.002 

Nome: Andrea Lucília Pereira

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

Pra quem ainda acha que o dinheiro indeniza valores morais, salvo nos EUA, onde a filosofia ainda é que o dinheiro compra e compensa tudo.

 

  ENSINAMENTO CHINÊS -  DINHEIRO
Ele pode comprar uma casa, mas não um lar.
Ele pode comprar uma cama, mas não o sono.
Ele pode comprar um relógio, mas não o tempo.
Ele pode comprar um livro, mas não o conhecimento.
Ele pode comprar um título, mas não o respeito.
Ele pode comprar um médico, mas não a saúde.
Ele pode comprar um sangue, mas não a vida.
Ele pode comprar o sexo, mas não o amor

FÓRUM DA IMPRENSA – 09 DE MAIO DE 2.002 

Presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo preocupa-se com  a liberdade de imprensa

Walter Feldman (à esquerda), presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, na audiência com Egydio Coelho, presidente da AJORB.

Egydio Coelho da Silva, presidente da AJORB, levou ao conhecimento do presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, Walter Feldman, a preocupação dos jornalistas, com o cerceamento à liberdade de imprensa imposta pelo Judiciário, na interpretação das leis, que deveriam garantir a liberdade de imprensa.

Egydio contou que hoje há uma tendência de se impor pesadas indenizações por danos morais aos jornais, o que, ás vezes, inviabiliza a sua sobrevivência, principalmente quando se trata de pequenas e médias empresas jornalísticas.

"E o pior: o efeito colateral disso", argumentou Egydio, "leva a auto-censura em todos os meios de comunicação, que é a pior de todas as censuras, cujo maior prejudicado é o público leitor, ouvinte ou telespectador".

Walter Feldman disse que há tempos já se preocupava com o assunto, tanto que a Assembléia Legislativa, mantém em seu canal de televisão a cabo (13) um programa sobre a imprensa, denominado de Quarto Poder.

E, em fase dessa colocação, Walter Feldman convidou o presidente da AJORB para participar de um debate nesse canal na próxima quinta-feira, dia 16 de maio, para discutir esse o problema. 

Walter, que é candidato a deputado federal nas próximas eleições, disse que no Congresso Nacional terá mais possibilidade de trabalhar para que a liberdade de imprensa volte a existir em todos os meios de comunicação e no Brasil inteiro.

Segundo o Florestan Fernandes Jr., diretor do Depto. de Comunicação da Assembléia 

Legislativa, deverão participar do debate, além do presidente da AJORB, o presidente da Abrarj - Associação Brasileira de Revistas e Jornais, Valter Estevam, a deputada Edir Salles (PL), o deputado Vanderley Siraque (PT)  e um jurista. O programa deverá ir ao ar no próximo dia 23 de maio

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 22 DE MAIO DE 2.002 

Nome: Walter Monacci, advogado

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

STJ isenta sócio de editora de pagar danos morais por publicação de reportagem caluniosa
Fonte: Superior Tribunal de Justiça
21/05/2002

 

A responsabilidade civil pela publicação de matéria jornalística é do autor do texto e da pessoa jurídica que explora o veículo de comunicação. A decisão da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça favoreceu o empresário José Newton Dalla Bona, um dos sócios da Editora Par, proprietária da revista Panorama, com circulação mensal no Estado do Paraná. Em virtude de uma reportagem divulgada em julho de 1992, a editora e a jornalista Luciane Viegas foram condenados, solidariamente, ao pagamento de indenização por danos morais ao então candidato à prefeitura de Curitiba, Tony Garcia. A matéria, veiculada durante o início da campanha eleitoral daquele ano, teria vinculado a imagem do candidato ao escândalo PC Farias.

Em outubro de 1992, Tony Garcia entrou com ação de indenização contra a Editora Par e seu diretor, José Newton Dalla Bona. De acordo com alegações de Garcia, a revista teria tentado “deliberadamente” vincular sua imagem pública com a “notória corrupção” com a qual se envolvera PC Farias, aproveitando-se de um momento nacional onde as atenções estavam voltadas para a campanha eleitoral.

A reportagem, considerada ofensiva à reputação de Carcia, afirma, entre outras coisas, que “vincular o nome do empresário Paulo César Farias a qualquer político representa, no mínimo, a certeza da derrota nas urnas, quando se trata de eleição. É por isso, talvez, que o candidato à prefeitura de Curitiba pelo Movimento Cidadania, Tony Garcia, não gosta nem de ouvir comentar sobre seu amigo PC, que chegou até a alugar seu escritório em São Paulo”.

A Justiça paranaense considerou a publicação ofensiva e caluniosa, condenando a editora e seu diretor ao pagamento de indenização pelos danos morais, arbitrada em 300 salários mínimos vigentes na época dos fatos, corrigidos monetariamente e acrescidos de juros. Os réus recorreram da decisão e admitiu-se recurso especial para que o STJ examinasse a possibilidade de o diretor da empresa ser responsabilizado ou não pela divulgação da matéria.

Conforme esclareceu o relator do recurso, ministro Ruy Rosado de Aguiar, a Segunda Seção do STJ firmou entendimento segundo o qual “são civilmente responsáveis pelo ressarcimento do dano, decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário do veículo de divulgação”.

No caso em questão, a proprietária da revista que divulgou a notícia é a Editora Par Ltda. e quem assinou a matéria foi a jornalista Luciane Viegas. Logo, dessa relação processual não participa o segundo réu, José Newton Dalla Bona, que seria apenas um dos sócios da pessoa jurídica proprietária da revista. “Essa vinculação somente poderia ser feita no caso de ser desconsiderada a pessoa jurídica, o que de nenhum modo se configurou na hipótese”, afirmou o ministro.

Ao reconhecer a chamada ilegitimidade passiva do diretor da empresa, o relator determinou que as custas processuais deverão ser pagas pelo autor da ação, Tony Garcia, que também arcará com os honorários do advogado de José Newton, fixados em 10% do valor da condenação.

Processo: Resp 336.783

Dr. Walter,

Grato pela colaboração. 

Pelo jeito, estamos voltando à Idade Média, quando não só o devedor era condenado a pagar uma dívida como também seus parentes. 

Agora, não só é responsável pela infração o autor do escrito, que,  se supõe, são pessoas absolutamente capazes para responder pelos seus atos, mas também a empresa, que também é "vítima" do direito constitucional, que o jornalista teria de expor seu próprio pensamento. 

E pior ainda: querem estender a responsabilidade a todos os sócios da empresa. E se for sociedade anônima, todos os acionistas devem responder? Aí, então o jornalista passa a ser censurado pelo próprio jornalista, pelo editor, pelo diretor e pelos sócios da empresa.  Auto-censura ampla e irrestrita.

Do jeito que anda a indústria das indenizações e do enriquecimento ilícito, tudo é possível. Acho que o maior prejudicado, a médio e longo prazo, é o Poder Judiciário, que está sendo afetado como instituição.

Abraços.

Egydio Coelho da Silva

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 22 DE MAIO DE 2.002 

Nome: Egydio Coelho da Silva

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

 

Livro ajuda no entendimento da legislação em vigor, 

que restringe a liberdade de  imprensa ("Leis da mordaça")

 

Oduvaldo Donnini e Rogério Ferraz Donnini lançam livro com o título "Imprensa livre, dano moral dano à imagem e sua quantificação à luz do novo Código Civil". 

 

"Trata-se, sem dúvida, de um manual útil a todos os profissionais de
direito e de inestimável contribuição à literatura jurídica nacional, pelas
reflexões técnicas nele contidas e pela competência e cultura de seus autores", diz
no prefácio da obra,  a professora Maria Helena Diniz, titular de Direito Civil da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). 

Acrescenta que "não só pela atualidade do tema, mas também pela seriedade de seus autores"  a obra é um  trabalho primoroso, com estilo próprio e os autores demonstram domínio sobre o assunto. 

Destaca também que " nessa obra, após tecerem considerações interessantes sobre a imprensa  e seu desenvolvimento histórico, os autores ressaltam a importância do direito de informar e do de ser informado, dando ênfase à liberdade de expressão e manifestação de pensamento e à liberdade de imprensa, sem, contudo, olvidarem da questão da censura e da questão dos conflitos entre direitos da personalidade"

Salientam, ainda, a questão da responsabilidade civil do jornalista
e da imprensa por veiculação de informação falsa, por ofensa à honra, à
imagem-retrato ou imagem-atributo de alguém, que geram indenização por
dano moral e patrimonial, apontando critérios para o difícil problema de sua
quantificação.
Importante é esta obra não só pela riqueza de seu conteúdo, mas também
pela personalidade de seus autores, revelada pelos rumos que deram em suas
vidas. Oduvaldo Donnini, além de ser advogado, economista, administrador
de empresas, jornalista e editor, criou a Faculdade de Engenharia de Barretos
(SP), fundou e presidiu a Associazione Stampa Italiana in Brasi/e e a
Associação dos Advogados de Pinheiros. Foi professor universitário, na
qualidade de titular de Sociologia Urbana e de Economia na Faculdade de

Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Foi presidente do
Sindicato dos Editores de Revistas e Jornais de Bairro de São Paulo (1990-
1994). É membro da Federação lnteramericana de Advogados, sediada em
Washington e é diretor - 2.0 secretário - da Distrital Pinheiros da Associação
Comercial de São Paulo. Tem participado de convenções internacionais do,
Rotary Club, de universidades e de jornais de bairro, em vários países. É
cidadão paulistano por decreto da Câmara Municipal de São Paulo de 4/4/
1982 e foi agraciado com a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho do
Tribunal Superior do Trabalho em 9/8/2001. Rogério Ferraz Donnini, por
sua vez, é mestre em direito e ingressou, por meio de concurso, na docência
da PUC/SP, onde leciona, nos cursos de graduação e especialização, Teoria
Geral do Direito Privado, Direito Civil e Direito das Relações de Consumo,
sendo nos cursos de pós-graduação, professor assistente de Direito Civil
Constitucional, sob a responsabilidade do Prof. Dr. Rui Geraldo Camargo
Viana. É, ainda, Coordenador do Exame de Ordem da OAB/SP, na área de
Direito Civil, e professor de Direito do Consumidor na Escola Superior de
Advocacia da OAB/SP e do Centro de Extensão Universitária. É autor do
excelente livro A Revisão dos Contratos no Código Civil e no Código de
Defesa do Consumidor, São Paulo, Saraiva, 2001 e dos artigos: A Constituição
Federal e a concepção social do contrato in Temas Atuais de Direito Civil
na Constituição Federal, sob a coordenação de Rui Geraldo Camargo Viana
e Rosa Maria Andrade Nery, São Paulo, RT, 2000 e A linguagem e a aplicação
do Código de Defesa do Consumidor, in Atualidades Jurídicas n.o 2 (Coor-
denação M. H. Diniz), São Paulo, Saraiva, 2000 e ainda de vários artigos
publicados na Revista de Direito do Consumidor e Revista de Processo, da
Editora Revista dos Tribunais.
Quem quiser adquirir o livro deve se dirigir à: Editora Método - Rua Bento Freitas, 162 -c/ 1.201. Telefone: (11) 3361-4788. Email: metodo@wm.com.br 

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 23 DE MAIO DE 2.002 

Nome: Didymo Borges

Cidade: Recife-PE

Para: Fórum de imprensa

 

O país inteiro já está acostumado a ver a grade de programação das grandes redes nacionais de televisão no horário nobre que abre espaço para as retransmissoras apenas para veicular anúncios. 

No horário dito "nobre" por ser o de maior teleaudiência, entre 18:00 hs e 22:00hs, todos telespectadores assistem a grade de programação gerada no eixo Rio/São Paulo.  O restante do país fica limitado a ter inserido por vezes no telejornal deste período  breves notícias acerca apenas de fatos acontecidos nos maiores centros urbanos brasileiros. 

Assim sendo, merece destaque o projeto de lei em tramitação no Senado Federal que obriga às retransmissoras a reservar pelo menos  30% do tempo no horário nobre para veiculação de programação local.  Isto significa que das quatro horas do chamado " horário nobre"  uma hora e meia será destinada à programação local e regional.

Desnecessário é ressaltar quanto isto trará em benefício dos interesses sociais, políticos e culturais regionais neste país de tanta diversidade mantido uno pela língua e pela cultura ibérica herdada dos colonizadores portugueses. 

Contrários a este projeto talvez só se manifestarão os donos das redes nacionais de televisão que perderão o faturamento da publicidade divulgada em âmbito nacional.  

Para a grande maioria do povo  a programação local e regional será de grande valia para  a preservação da cultura, discussão dos interesesses sócio-econômicos regionais, dos temas comunitários, etc. proporcionando empregos diretos de grande importância para estas comunidades.

Didymo Borges

 

Didymo,

Grato pela sua participação. 

A sua preocupação com a falta de  noticiário regional na TV vem confirmar que o monopólio da imprensa pouco informa a todos. 

Sabemos que deveriam ser fortalecidos os veículos de comunicação regionais, que estão mais próximos dos fatos que acontecem. 

A distância, fica difícil e caro cobrir os acontecimentos. 

Entendo - como muitos - que deveria haver duas ou três TVs de âmbito nacional, duas ou três TVs de âmbito estadual e duas ou três de âmbito municipal. 

Só assim, teríamos cobertura de acontecimentos regionais, sem aumentar ainda mais o monopólio da imprensa, que depende de verba governamental e, por isso, não tem liberdade suficiente para transmitir notícias confiáveis, apesar do idealismo de seus diretores e de seus profissionais. 

Entendo que o fator econômico - por mais idealistas que as pessoas sejam - acaba determinando a editoria da emissora.

Abraços.

Egydio Coelho da Silva

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 23 DE MAIO DE 2.002 

Nome: José Fernando Cordeiro

Cidade: Rio de Janeiro

Para: Fórum de imprensa

 

Egydio Coelho da Silva
Agradeço o envio dos e-mails dando conta dos assuntos discutidos no Fórum de
Imprensa. Meus cumprimentos por sua coordenação e pela oportunidade e
conveniência dos temas. Confirmo que desejo continuar a receber os e-mails.
Antecipadamente, grato.
José Fernando Cordeiro

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 25 DE MAIO DE 2.002 

Nome:Sérgio Barbosa    

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

UOL, Folha e outras empresas de mídia são censurados pela Justiça

Em São Paulo O UOL, a Folha, os principais jornais, emissoras de televisão, rádio e provedores de Internet do país estão sob censura judicial.
Eles foram proibidos pela Justiça de São Paulo de divulgar notícia relativa a processo administrativo disciplinar contra o juiz Renato Mahana Khamis. A ordem foi dada pela desembargadora Zélia Maria Antunes.
A ação foi movida pelo próprio juiz. Ele entrou com medida cautelar contra todos os jornais, rádios, emissoras de televisão e provedores, para impedir que fosse divulgada qualquer notícia sobre um processo disciplinar que corre contra ele.
O juiz Pedro Paulo Maillet Preuss, da 4ª Vara de Pinheiros, não concedeu a liminar e determinou o desmembramento do processo para cada réu. O juiz Renato Khamis recorreu, então, ao Tribunal de Justiça de São Paulo, e obteve a liminar da desembargadora Zélia Antunes.
UOL e Folha foram intimados a não divulgar ou publicar qualquer informação relativa ao processo contra o juiz.
Como ação cautelar e recurso correm sob segredo de Justiça, nenhum outro detalhe sobre o caso pode ser divulgado até o final dos processos.

 

Sérgio, grato pela sua colaboração.

Como se vê, as decisões judiciais só se preocupam em corrigir possíveis erros da imprensa em geral com penas, que só privam os leitores de saber o que acontece, que só freiam a liberdade de expressão, de informação e de opinar.

As penas deveriam haver sim, mas sempre com a finalidade impedir o abuso da liberdade imprensa, mas o assunto que iniciou na imprensa deveria acabar na imprensa, para que o leitor saiba o que se passa no Brasil e nunca terminar no silêncio dos tribunais. A censura prévia, como o caso acima, é a pior de todos, pois, ao povo é negado saber até o início da notícia.

Abraços.

Egydio Coelho da Silva

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 25 DE MAIO DE 2.002 

Nome:Sérgio Barbosa    

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa


COMUNICADO DO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Neste momento, o Brasil inteiro está sob censura. Não é censura militar ou
policial. É censura judicial. Desde quinta-feira [23/5], todos os jornais,
rádios, televisões e provedores de Internet estão proibidos de publicar
qualquer notícia referente ao caso envolvendo um juiz do TRT de São Paulo.
A decisão foi tomada pela desembargadora do Tribunal de Justiça de São
Paulo, Zélia Marina Antunes Alves, que concedeu liminar favorável. Antes, um juiz de primeira instância havia recusado a proibição.
A Folha de S.Paulo e o Correio Braziliense conseguiram noticiar esta violência. O provedor UOL, que ontem divulgou a informação, foi obrigado a  retirá-la da rede. 

É possível que outros veículos do país tenham driblado
a censura judicial.
Voltamos à estaca zero em matéria de liberdade de informação, 34 anos
depois do AI-5 e talvez pela primeira vez no mundo democrático somos testemunhas
e vítimas desta inédita decisão da Justiça. A mesma Justiça instituída para garantir todos os direitos e liberdades.
O Observatório da Imprensa conclama todos os jornalistas brasileiros a recusar a mordaça judicial. E noticiar a violência contra a cidadania, as instituições e o regime. Nas véspera de uma eleição presidencial não se
pode colocar a imprensa sob controle nem suspeitar do seu senso de responsabilidade. Sob qualquer pretexto. (a) Alberto Dines, Editor-Responsável.

FÓRUM DA IMPRENSA – 03 DE JUNHO DE 2.002 

Nome:Sérgio Barbosa    

Cidade: São Paulo

Para: Fórum de imprensa

 

O boletim em defesa do Jornalismo e da sociedade brasileira é distribuído pela Fenaj e pelos Sindicatos estaduais. Esta edição contou com a colaboração do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Agradecemos a colaboração dos colegas e aguardamos sua manifestação ( diretoriaexecutiva@sjsp.org.br ).

SE NÃO EXISTISSE O DIPLOMA,
EU NÃO CONSEGUIRIA SER JORNALISTA

*Cleinaldo Simões
A minha carreira profissional, por mais medíocre que seja, só existe por causa da exigência do diploma para o exercício da atividade. Orgulhosamente filho de carpinteiro e de merendeira de escola pública, desgostei meu velho quando optei pelo jornalismo, quando pare ele eu deveria ser militar, pois afinal era quem mandava e desmandava por aqui no final dos anos setenta.
Bacharelado pela Faculdade de Comunicação de Santos, as primeiras
oportunidades surgiram por lá mesmo, em pequenos mas interessantes jornais pelas experiências proporcionadas. Integrei a primeira turma do Curso de Extensão de Jornalismo da Editora Abril, de 1984. Pedi e recebi apoio do Waldimas Galvão, do Alberto Dines. Fui encher o saco do Boris Casoy. Enfrentei teste a mando do Adilson Laranjeira. Fiz cobertura de incêndio e tentei vender as informações para o Cidade de Santos, já extinto.
Fiz tudo isso porque tinha um diploma, e não porque tivesse tanta cara de pau assim. Não me barraram nas portas porque eu tinha um diploma. Esta é a verdade. Por que garoto pobre não é respeitado mesmo. Para alguns, isto pode ser desimportante, diante das argumentações sobre a "má qualidade" do ensino. Desculpe gente, já passei dos quarenta anos e já posso desobrigar-me de ser politicamente correto em algumas coisas. Trombo diariamente com profissionais de "n" outras profissões e, valha-me Deus, como tem coisa ruim por aí. Não importa as supostas razões ideológicas dos militares para exigirem o diploma. Isto é uma deslavada mentira.
A categoria lutava por isso, as escolas tinham interesse nisso. Foi a partir dessa medida que os sindicatos ganharam força e representatividade, culminadas pela greve de 79. As escolas passaram a ser respeitadas. E os estudantes ainda ganharam a pecha de serem vermes vermelhos. Enfim, o diploma é fator de igualdade social. Qualquer um pode ser jornalista, desde que respeite as regras do jogo. Quem não quiser, que se contente em ser colaborador.
Quem contratar, que arque com as conseqüências legais.
Um abraço a todos,
* Cleinaldo Simões, 41 anos, jornalista assessor de imprensa, trabalhou em O Praia Grande, São Vicente Jornal, Jornal Ondas, Cidade de Santos, Agência Folha, ADS Assessoria de Comunicação, Jornal da Tarde, Gabinete de Comunicação, Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo, IR Comunicação, Voice Comunicação, Hill and Knowlton, entre outros. É titular de assessoria que leva o seu nome.

O FUTURO DA COMUNICAÇÃO NO BRASIL
* Wilame Lima Silva Júnior
Alguma vez, você já parou e pensou que é um ser social e que tem todo o direito de ter uma informação clara, honesta e verdadeira? Se nunca fez isso, deveria começar agora mesmo. Você sabia, também, que uma certa juíza chamada Carla Abrantkoski Rister quer te privar desse direito garantido pela constituição federal.
A juíza Carla Rister quer acabar com a obrigatoriedade do diploma de jornalista, ou seja, qualquer pessoa, mesmo que não seja graduada, teria o direito de obter o registro de jornalista e passaria a escrever em revistas, jornais e redações.
A juíza só não pensou em uma coisa: a partir do momento em que qualquer pessoa não preparada possa exercer a profissão de jornalista, a qualidade da informação cai drasticamente. Uma pessoa graduada em comunicação social, especificamente em jornalismo, tem em seu currículo escolar disciplinas como ética, que impedem o jornalista, por exemplo, de divulgar informações sem antes apurar a veracidade das mesmas. Outras disciplinas, como redação jornalística, ajudam o futuro profissional a adequar o texto à diferentes públicos e, assim, facilitar a leitura.
Esses foram apenas alguns exemplos. Existiriam conseqüências mais devastadoras caso o diploma seja abolido. Sabemos que o Brasil é dominado por uma camada de pessoas inescrupulosas. Caso qualquer pessoa possa trabalhar em uma redação de jornal, veríamos parentes, amigos pessoais, devedores de favores etc de políticos e outros, que publicariam apenas notícias que favorecessem apenas a estas pessoas, ocultando a verdade. Se considerarmos ainda que no Brasil a maioria das empresas de comunicação pertencem a políticos e famílias tradicionais (amigas desses políticos), o problema se torna ainda mais grave.
Mas você deve estar pensando: caso o diploma seja realmente abolido, talvez a imprensa brasileira melhorasse, já que o povo poderia expor seus problemas. Mas aí surgem outras questões: desde quando o povo tem oportunidade de reclamar sobre seus problemas em rede nacional, estadual ou municipal? Será que os donos dos jornais, os políticos e as grandes famílias dominadoras, gostariam de assistir ao povo reclamando sobre seus problemas, e, conseqüentemente, revelando a má administração daqueles que deveriam proteger os direitos do povo?
A decisão da juíza se apóia no artigo 5° da Constituição Federal, que diz que todo cidadão tem direito à livre expressão. Mas, logo depois, a constituição defende a liberdade de informação jornalística, e mais ainda,  diz que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”

Ora, se a própria constituição garante o direito do cidadão de ter uma informação clara e verdadeira, garante o direito à informação jornalística e garante que o jornalista trabalhe sem qualquer restrição, como pode a juíza ferir estes três direitos dos brasileiros? Seria ela uma má juíza (já que ignorou a lei)? Queria ela causar estardalhaço? Queria ela defender os interesses do povo (o que seria muito difícil, já que o povo tem o direito de ser informado)? Ou será que existe um interesse maior por trás de tudo isso? Essa é uma pergunta que infelizmente ainda não pode ser respondida.
Partindo ainda do princípio utilizado pela juíza, de que o povo tem o direito de escrever em redações pelo simples fato de que todos tem o direito de se exprimir, poderíamos também extinguir o diploma de direito, já que todos têm direito à defesa, e o diploma de medicina, já que todos têm direito à saúde, assim como o diploma de engenharia civil, já que muitas pessoas são capazes de construir suas próprias casas, o diploma de pedagogo, já que muitas pessoas são autodidatas, o diploma de psicólogo, já que existem pessoas que ajudam a outras através de simples conversas. 

Enfim, baseando-se nos argumentos da juíza Carla, várias carreiras poderiam ser extintas. Mais ainda, será que a juíza pensou que vivemos num país de profundas desigualdades e que uma decisão como essa poderia colocar pessoas inescrupulosas para repassar informações para milhares de brasileiros? Será que a juíza pensou em quantas pessoas perderão seus empregos dada a disponibilidade de mão-de-obra barata e desqualificada?
A imprensa é um veículo poderoso que pode tanto levantar quanto destruir carreiras. Uma informação não verdadeira pode trazer sérios problemas à vida de um cidadão caso seja publicada. Pessoas não preparadas poderiam ignorar a ética jornalística e seguir exemplos de pseudo-jornalistas, como Ratinho e João Kleber. Será que é isso que a juíza deseja para o futuro da comunicação brasileira: a multiplicação de jornais sensacionalistas que publicam qualquer coisa só para ganhar dinheiro e fama rapidamente?
Enfim, infelizmente o Brasil não é como nós sonhamos, se o diploma de jornalista deixar de ser obrigatório, a dominação, o sensacionalismo, a falta de ética e a degradação da imprensa brasileira serão multiplicados. Esperamos que todos, inclusive a meritíssima juíza Carla Rister, reflitam sobre as profundas conseqüências que a falta de profissionais graduados nas redações causará. Eu, como estudante de jornalismo, espero não assistir à imprensa brasileira se tornar o circo que a política já se tornou.
* Wilame Lima Silva Júnior, estudante de jornalismo Universidade Federal de Sergipe.

FÓRUM DA IMPRENSA – 10 DE JUNHO -2.002

SÉRGIO BARBOSA

SÃO PAULO-SP

ALVOS FÁCEIS
Caso Tim Lopes evidencia desproteção de repórteres

"Nem quando cobri guerra me senti tão vulnerável", afirma ex-colega do jornalista da Globo que hoje vive escondida dos traficantes
CARLA MENEGHINI E RODRIGO DIONISIO
DA REPORTAGEM LOCAL

"HÁ DUAS semanas, perguntei a ele como tinha coragem de fazer essas matérias investigativas apesar de todo o risco, e ele respondeu: eu gosto muito do que faço." É assim que o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, Nacif Elias Hidd, conta seu último encontro com o repórter Arcanjo Lopes, 51, conhecido como Tim Lopes, da TV Globo, que desapareceu domingo passado, quando fazia uma reportagem na favela Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte do Rio). Partindo de uma denúncia de moradores da favela, o jornalista investigava um baile funk onde haveria consumo de drogas e sexo explícito envolvendo adolescentes.
No dia seguinte ao desaparecimento, uma equipe de policiais encontrou cinzas, um dente e pedaços de uma mandíbula de um corpo carbonizado no alto da favela, que foram encaminhados para análise. Até o encerramento desta edição, não havia confirmação se é do jornalista.
Desproteção O desaparecimento de Tim Lopes não é um caso isolado. A jornalista Cristina Guimarães, ex-companheira de trabalho de Lopes na TV Globo, vive escondida há mais de seis meses devido às ameaças que diz ter sofrido em retaliação a uma reportagem investigativa que realizou na favela da Rocinha, no Rio. "Continuo fugindo, não tenho paz", disse Cristina à reportagem na última terça-feira. "A gente faz essas reportagens na cara e na coragem. Ele foi lá no morro sozinho, acompanhado apenas por um motorista. Eu ia só com um motoqueiro. Nem quando cobri guerra me senti tão vulnerável. A gente tem liberdade de imprensa, mas ninguém protege a gente. Para o Tim provavelmente vai restar virar nome de sala lá na Globo." Em outubro do ano passado, um jornalista da emissora ficou durante 48 horas sequestrado, pois traficantes queriam saber dele os nomes dos responsáveis pela série de três reportagens "Feira de Drogas", exibida no "Jornal Nacional", sobre a venda de entorpecentes a céu aberto na favela da Rocinha (zona sul do Rio). A série, de autoria de Cristina Guimarães e de mais três profissionais, entre eles Lopes, recebeu o Prêmio Esso Especial de Telejornalismo em 2001. Cristina diz ter recebido ameaças e sido perseguida diversas vezes e, após saber desse sequestro por uma nota publicada no TV Folha, deixou a emissora carioca e passou a viver escondida. Ela afirma estar esperando o resultado de dois processos movidos contra a TV Globo, um para receber seus direitos trabalhistas e outro por danos morais. Quanto ao ocorrido com Lopes, afirma que um fato assim já devia ser esperado. Segundo Cristina, tanto as ameaças que sofreu quanto o desaparecimento de Lopes têm ligação com as atividades do Comando Vermelho no Rio. "Tenho medo que ele possa ter sido torturado e dado o nome das pessoas que participaram das reportagens. Ele não teria como dizer onde podem me encontrar, mas há outras pessoas envolvidas." O diretor da Central Globo de Comunicação, Luiz Erlanger, afirma que a emissora adota "regras rígidas" de segurança. "Tim Lopes foi à favela duas vezes antes, sem câmera, para fazer um reconhecimento e mantinha o motorista em contato num ponto determinado", diz. Segundo ele, outros procedimentos visando a segurança dos repórteres que fazem esse tipo de reportagem são adotados. "Mas não revelamos por razões óbvias". Para Erlanger, "seria uma precipitação pensar em mudanças nos procedimentos antes da conclusão do caso".
Protestos O desaparecimento de Lopes mobilizou diversas entidades, tais como a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), o Sindicato dos Jornalistas do Rio e a ONG Repórteres Sem Fronteiras.

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 11 DE JUNHO -2.002

Campanha Eleitoral

ACRIMESP QUER CONTER E ANISTIAR

PROCESSOS CONTRA JORNAIS REGIONAIS

Em palestra proferida aos proprietários de jornais regionais, na sede da Acrimesp – Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo, o presidente da entidade, Ademar Gomes e diretor jurídico da ABRARJ - Associação Brasileira de Revistas e Jornais, informou que está encaminhando proposta de projeto à Câmara Federal, por intermédio do Deputado Estadual Campos Machado, PTB-SP, reivindicando anistia aos 1.068 processos que tramitam atualmente na Justiça, contra jornais regionais, por contrariar dispositivos da lei eleitoral. Gomes explica que, segundo o artigo 54 da Lei Eleitoral, a publicação de anúncios pagos de candidatos nos jornais “não pode exceder o tamanho de um oitavo de página de jornal padrão, e de um quarto de página de revista ou tablóide”. Para o advogado, muitas vezes esse espaço “é excedido involuntariamente pelos jornais, ou mesmo pela necessidade de ganho, uma vez que esse é um período que pode oferecer alguns ganhos extras às empresas jornalísticas, que passam o resto do ano tentanto sobreviver, já que não recebem qualquer apoio ou investimento publicitário oficial”.

Ademar ressalta, também, que “já se consolidou uma verdadeira indústria de indenizações contra os pequenos jornais regionais, que na grande maioria das vezes não possuem condições de se defender adequadamente. Nesses casos, a lei tem sido bastante injusta e a ganância dos que querem ter lucros às custas dos processos é muito grande”.

Ademar Gomes explica que, em pesquisa realizada pela Entidade, ficou constatado aumento de 80% do número de processos por injúria e difamação contra os pequenos e médios jornais regionais do Estado, no período em que antecedeu a campanha eleitoral de 2000. Para o presidente da Acrimesp, esse crescimento se deve, principalmente, “pelo abuso da boa fé dos jornais por maus políticos, para atender a seus interesses nem sempre muito dignos. São candidatos que se aproveitam de espaços democraticamente cedidos pela imprensa, utilizando-os para difamar e injuriar. Mas, após as eleições, esses maus políticos passam, desaparecem, e resta, aos jornais, a seus proprietários, editores e jornalistas, o ônus e a responsabilidade pela publicação”.

Esses são os principais motivos que levaram a Acrimesp, segundo Gomes, a pedir anistia aos processos, “pois fica claro que os jornais acabam como vítimas dos políticos e réus da Justiça. É uma situação absurda contrária ao direito moral. Os jornais não podem arcar com essa situação”.

Paralelamente, o Diretor Jurídico da ABRARJ, Ademar Gomes recomenda aos jornais que “nunca é demais critério e atenção ao material a ser publicado. É preciso ter sempre presente, também, que todos têm direito à resposta. Essa, inclusive, é uma maneira saudável de se evitar processos, já que o direito à defesa é constitucional”. O presidente da Acrimesp diz, também, que “a mesma atenção deve ser dada a matérias pagas e inserções publicitárias. Muitas vezes é preferível perder um cliente, um anunciante, do que enfrentar um tribunal e os custos que isso acarreta”.

Ademar Gomes enfatiza que o País está vivendo “um momento importante para a consolidação de nosso Estado Democrático” e que as eleições deste ano, “quando iremos eleger presidente, senadores e deputados, é mais um passo importante nesse sentido. Ao mesmo tempo, entretanto, é um momento em que os pequenos e médios jornais regionais do Estado devem se precaver com mais atenção, já que nem todos os candidatos deverão manter o mínimo de compostura, dignidade e respeito que se exige e espera de um político sério e honesto”.

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 18 DE JUNHO -2.002

 

De: Paulo Bacellar, coordenador Moderador de Guerreiros anticorruptos

Sâo Paulo-SP?

...Mais concretamente, no plano econômico, não digo que o deboche dos neoliberais possa continuar sob um governo de Esquerda; digo é que cada pequeno passo terá que ser dado com cautela. 

Arrancar às mãos dos ricos os meios de produção? 

Nem pensar nisso. Mas pode valer a pena esta única exceção: desapropriar-se a Globo, transformá-la em cooperativa, oferecê-la aos seus trabalhadores... com o Roberto Marinho incluído. Sem expulsões (erro grande que se cometeu no Portugal de 1974/75), sem retaliações e com todo o respeito possível.
 Mas, mesmo que uma melhor análise da correlação de forças nos mostrasse ser impossível cooperativizar a Rede Globo, restavam milhares de tarefas essenciais não só capazes de justificar um governo de Esquerda e fazer o povo não se arrepender de o ter escolhido.

 

Paulo, 

Obrigado pela sua participação. Embora radical, entendo que sua posição só vem confirmar que alguma coisa precisa ser feita em termos de legislação para regulamentar os meios de comunicação no Brasil. O melhor seria o fortalecimento de veículos regionais, que comprariam programas, noticiários de agências de âmbito nacional ou mundial e assim todos acabavam lucrando e o povo é quem mais ganharia com mais oferta de empregos e mais informações. 

O monopólio não é bom para ninguém; acho que nem mesmo para quem monopoliza, porque a empresa fica muito grande e até o controle sobre ela mesmo fica difícil e pode facilmente ir à falência, com prejuízo enorme para todos.

Abraços.

Egydio Coelho da Silva

FÓRUM DA IMPRENSA – 20 DE JUNHO -2.002

Matéria publicada no jornal VOZ DA TERRA - ASSIS-SP - BRASIL

 

Juiz rejeita queixa-crime contra vereador

O juiz de Direito, João Battaus Neto, com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei 5.250/67, rejeitou queixa-crime feita pelo vice-prefeito José Camilo Gava Neto contra o vereador Márcio Aparecido Martins. Gava alega que o vereador o havia caluniado através de matéria jornalística publicada na imprensa assisense, no dia 9 de outubro de 2001. A calúnia, segundo Camilo Gava, consistiu no fato de Márcio ter afirmado a prática de um "estelionato político". Isso aconteceu quando Camilo Gava deixou o PSDB e se filiou ao PV.
Na visão do juiz, a questão envolve a discussão sobre o tema extremamente polêmico da fidelidade partidária. "Se de um lado é direito do cidadão alterar sua filiação partidária de acordo com sua formação ideológica, de outro, a conduta indica certa instabilidade, que alguns preferem condenar. Ao querelado, vereador nesta cidade, dentro do seu direito de crítica, pareceu condenável a atitude do querelante, atual vice-prefeito do município", diz o juiz. Ele afirma ainda que a expressão utilizada - "estelionato eleitoral" - embora esteja revestida de algum conteúdo ofensivo, não chega ao ponto de exorbitar os limites do direito de crítica, às vezes ácido, próprios do campo político. "Ora, como bem anotou o patrono do querelado, sob a ótica de seu constituinte, a expressão significa apenas que a conduta do querelante era dotada de 'deslealdade, esperteza, falta de respeito e desconsideração'", afirma o juiz. "Não se vislumbra má-fé, vontade deliberada de ofender sem propósito", completa.
Encerrando, o juiz diz que "ademais, referida expressão não raro vem sendo utilizada no cenário nacional para traduzir o sentimento de adversários políticos em hipóteses de mesmo jaez".

 

É até estranho que se esteja discutindo o direito de pensar e de expressar de um vereador, que foi eleito pelo povo e hoje praticamente tem muito poucos poderes. 

Se ele não tiver liberdade de falar pelo menos o que pensa, como fica o direito do povo a saber o que ele pensa e o de seus eleitores, que o teriam como representante? A

Justiça deveria se preocupar com o direito de resposta a quem é prejudicado e ofendido por notícias e opiniões e nunca perder tempo em proibir as pessoas de pensar.

Egydio Coelho

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 20 DE JUNHO -2.002

A MELHOR PROFISSÃO DO MUNDO

Por Gabriel García Márquez

 

"Há uns cinqüenta anos não estavam na moda escolas de jornalismo. Aprendia-se nas redações, nas oficinas, no botequim do outro lado da rua, nas noitadas de sexta-feira. O jornal todo era uma fábrica que formava e informava sem equívocos e gerava opinião num ambiente de participação no qual a moral era conservada em seu lugar."

"Não haviam sido instituídas as reuniões de pauta, mas às cinco da tarde, sem convocação oficial, todo mundo fazia uma pausa para descansar das tensões do dia e confluía num lugar qualquer da redação para tomar café. Era uma tertúlia aberta em que se discutiam a quente os temas de cada seção e se davam os toques finais na edição do dia seguinte. Os que não aprendiam naquelas cátedras ambulantes e apaixonadas de vinte e quatro horas diárias, ou os que se aborreciam de tanto falar da mesma coisa, era porque queriam ou acreditavam ser jornalistas, mas na realidade não o eram."

"O jornal cabia então em três grandes seções: notícias, crônicas e reportagens, e notas editoriais. A seção mais delicada e de grande prestígio era a editorial. O cargo mais desvalido era o de repórter, que tinha ao mesmo tempo a conotação de aprendiz e de ajudante de pedreiro. O tempo e a profissão mesma demonstraram que o sistema nervoso do jornalismo circula na realidade em sentido contrário. Dou fé: aos 19 anos, sendo o pior dos estudantes de direito, comecei minha carreira como redator de notas editoriais e fui subindo pouco a pouco e com muito trabalho pelos degraus das diferentes seções, até o nível máximo de repórter raso.

A prática da profissão, ela própria, impunha a necessidade de se formar uma base cultural, e o ambiente de trabalho se encarregava de incentivar essa formação. A leitura era um vício profissional. Os autodidatas costumam ser ávidos e rápidos, e os daquele tempo o fomos de sobra para seguir abrindo caminho na vida para a melhor profissão do mundo - como nós a chamávamos. Alberto Lleras Camargo, que foi sempre jornalista e duas vezes presidente da Colômbia, não tinha sequer o curso secundário.

A criação posterior de escolas de jornalismo foi uma reação escolástica contra o fato consumado de que o ofício carecia de respaldo acadêmico. Agora as escolas existem não apenas para a imprensa escrita como para todos os meios inventados e por inventar. Mas em sua expansão varreram até o nome humilde que o ofício teve desde suas origens no século XV, e que agora não é mais jornalismo, mas Ciências da Comunicação ou Comunicação Social.

O resultado não é, em geral, alentador. Os jovens que saem desiludidos das escolas, com a vida pela frente, parecem desvinculados da realidade e de seus problemas vitais, e um afã de protagonismo prima sobre a vocação e as aptidões naturais. E em especial sobre as duas condições mais importantes: a criatividade e a prática.

Em sua maioria, os formados chegam com deficiências flagrantes, têm graves problemas de gramática e ortografia, e dificuldades para uma compreensão reflexiva dos textos. Alguns se gabam de poder ler de trás para frente um documento secreto no gabinete de um ministro, de gravar diálogos fortuitos sem prevenir o interlocutor, ou de usar como notícia uma conversa que de antemão se combinara confidencial.

O mais grave é que tais atentados contra a ética obedecem a uma noção intrépida da profissão, assumida conscientemente e orgulhosamente fundada na sacralização do furo a qualquer preço e acima de tudo. Seus autores não se comovem com a premissa de que a melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor. Alguns, conscientes de suas deficiências, sentem-se fraudados pela faculdade onde estudaram e não lhes treme a voz quando culpam seus professores por não lhes terem inculcado as virtudes que agora lhes são requeridas, especialmente a curiosidade pela vida.

É certo que tais críticas valem para a educação geral, pervertida pela massificação de escolas que seguem a linha viciada do informativo ao invés do formativo. Mas no caso específico do jornalismo parece que, além disso, a profissão não conseguiu evoluir com a mesma velocidade que seus instrumentos e os jornalistas se extraviaram no labirinto de uma tecnologia disparada sem controle em direção ao futuro.

Quer dizer: as empresas empenharam-se a fundo na concorrência feroz da modernização material e deixaram para depois a formação de sua infantaria e os mecanismos de participação que no passado fortaleciam o espírito profissional. As redações são laboratórios assépticos para navegantes solitários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante.

Não é fácil aceitar que o esplendor tecnológico e a vertigem das comunicações, que tanto desejávamos em nossos tempos, tenham servido para antecipar e agravar a agonia cotidiana do horário de fechamento.

Os principiantes queixam-se de que os editores lhes concedem três horas para uma tarefa que na hora da verdade é impossível em menos de seis, que lhes encomendam material para duas colunas e na hora da verdade lhes concedem apenas meia coluna, e no pânico do fechamento ninguém tem tempo nem ânimo para lhes explicar por que, e menos ainda para lhes dizer uma palavra de consolo.

"Nem sequer nos repreendem", diz um repórter novato ansioso por ter comunicação direta com seus chefes. Nada: o editor, que antes era um paizão sábio e compassivo, mal tem forças e tempo para sobreviver ele mesmo ao cativeiro da tecnologia.

A pressa e a restrição de espaço, creio, minimizaram a reportagem, que sempre tivemos na conta de gênero mais brilhante, mas que é também o que requer mais tempo, mais investigação, mais reflexão e um domínio certeiro da arte de escrever. É, na realidade, a reconstituição minuciosa e verídica do fato. Quer dizer: a notícia completa, tal como sucedeu na realidade, para que o leitor a conheça como se tivesse estado no local dos acontecimentos."

"O gravador é culpado pela glorificação viciosa da entrevista. O rádio e a televisão, por sua própria natureza, converteram-na em gênero supremo, mas também a imprensa escrita parece compartilhar a idéia equivocada de que a voz da verdade não é tanto a do jornalista que viu como a do entrevistado que declarou. Para muitos redatores de jornais, a transcrição é a prova de fogo: confundem o som das palavras, tropeçam na semântica, naufragam na ortografia e morrem de enfarte com a sintaxe.

Talvez a solução seja voltar ao velho bloco de anotações, para que o jornalista vá editando com sua inteligência à medida que escuta, e restitua o gravador a sua categoria verdadeira, que é a de testemunho inquestionável. De todo modo, é um consolo supor que muitas das transgressões da ética, e outras tantas que aviltam e envergonham o jornalismo de hoje, nem sempre se devem à imoralidade, mas igualmente à falta de domínio do ofício.

Talvez a desgraça das faculdades de Comunicação Social seja ensinar muitas coisas úteis para a profissão, porém muito pouco da profissão propriamente dita. Claro que devem persistir em seus programas humanísticos, embora menos ambiciosos e peremptórios, para ajudar a constituir a base cultural que os alunos não trazem do curso secundário.

Entretanto, toda a formação deve se sustentar em três vigas mestras: a prioridade das aptidões e das vocações, a certeza de que a investigação não é uma especialidade dentro da profissão, mas que todo jornalismo deve ser investigativo por definição, e a consciência de que a ética não é uma condição ocasional, e sim que deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro.

O objetivo final deveria ser o retorno ao sistema primário de ensino em oficinas práticas formadas por pequenos grupos, com um aproveitamento crítico das experiências históricas, e em seu marco original de serviço público. Quer dizer: resgatar para a aprendizagem o espírito de tertúlia das cinco da tarde.

Um grupo de jornalistas independentes estamos tratando de fazê-lo, em Cartagena de Indias, para toda a América Latina, com um sistema de oficinas experimentais e itinerantes que leva o nome nada modesto de Fundação do Novo Jornalismo Ibero-Americano. É uma experiência piloto com jornalistas novos para trabalhar em alguma especialidade - reportagem, edição, entrevistas de rádio e televisão e tantas outras - sob a direção de um veterano da profissão."

"A mídia faria bem em apoiar essa operação de resgate. Seja em suas redações, seja com cenários construídos intencionalmente, como os simuladores aéreos que reproduzem todos os incidentes de vôo, para que os estudantes aprendam a lidar com desastres antes que os encontrem de verdade atravessados em seu caminho. Porque o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade.

Quem não sofreu essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida, não pode imaginá-la. Quem não viveu a palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo do furo, a demolição moral do fracasso, não pode sequer conceber o que são. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderia persistir numa profissão tão incompreensível e voraz, cuja obra termina depois de cada notícia, como se fora para sempre, mas que não concede um instante de paz enquanto não torna a começar com mais ardor do que nunca no minuto seguinte."

(Publicado no Observatório da Imprensa. Agradecemos a Luís Antônio Nikão Duarte, da Agência Jornal do Brasil, o envio do texto original do discurso de García Márquez.)

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 19 DE SETEMBRO DE 2.002

 

Sem comentários!!!


Toda a confusão começou porque um aluno do curso de Jornalismo do
IELUSC (Joinville),

que teria escrito um e-mail ao Cacau Menezes criticando a posição
dele, que defende a

não obrigatoriedade do diploma (graduação) para exercer a pofissão
de jornalista.

Este e-mail circulou na lista de Discussão que estes alunos mantém,
para discutir questões polêmicas.

Vejam o ABSURDO!!!!

Segue... com os devidos comentários, o e-mail que Cacau mandou p/ o
estudante Maurício.

Escreveu: Data: Thu, 20 Dec 2001 17:27:28

De: "Redacao Diario Catarinense"

<mailto:redacao@diario.com.br> redacao@diario.com.br

Para:  <mailto:mauriciodelucca@yahoo.com.br>
mauriciodelucca@yahoo.com.br

Assunto: cacau menezes

"Seu babaca, eu defendo, como a justiça brasileira, a não
obrigatoriedade do diploma

porque consegui ser, mesmo sem ter perdido meu tempo com esses
bandos de otários,

o colunista mais lido de Santa Catarina.

E também o jornalista mais bem pago do Estado.

E isso, os recalcados não aceitam.

Sabe aquele velho ditado, seu otário: os cães ladram e a caravana
passa?

Voce precisa estudar. Eu tive o dom.

E estou vivendo muito bem, com reconhecimento e com dignidade.

Sem porra nenhuma desse ilusório diploma.

O que vale é a competencia, seu burro.

Meu carrinho é um Audi TT. Comprei com o meu trabalho.

Minhas férias todo ano são na Europa e EUA.

E o seu, qual é o seu carro e o seu currículo seu bunda mole.

Aliás, quem é você, além de ser meu leitor?

Vai estudar, vai, você precisa estudar e de religião, pra tentar
salvar sua alma.

Em tempo: espero que você faça o curso bem longe de Florianópolis,
uma cidade

que não suporta mais carregar essas malas.

Voce vai precisar estudar muito para ser alguém com tanta inveja no
coração.

Mas tem salvação. Jesus cura.

Reze bastante, peça por você, seu bundão. Bundão e frustrado..

Quero ver você ficar um dia sem me ler, seu mané. Voce deve ser
leitor é do Moacir Benvenutti.

E quando entrar na faculdade, vai saber, de fato, o que é um
colunista, que tipo de assunto o leitor de

uma coluna procura.

Eu sou mesmo muito ruim. Só tenho 92% de preferência.

E isso, inclusive ai na sua cidade, cara pálida.

Feliz Natal, bundao, futura estrela do jornalismo. Formado aonde,
mesmo?

Cacau Menezes."

Agora me digam como a RBS permite que um ignorante desses trabalhe
p/ eles?

Vai ver são todos iguais....... a escória de Santa Catarina e Rio
Grande do Sul...

não está na hora de nós leitores e telespectadoresde tal empresa de
comunicação

exigirmos melhor nível de informação e de profissionais?!?!

Divulguem para o maior número de pessoas...

Prof. Dr. Mário Steindel

Depto de Microbiologia e Parasitologia

CCB - Universidade Federal de Santa Catarina

88040-900 Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

E-mail:  <mailto:ccb1mst@ccb.ufsc.br> ccb1mst@ccb.ufsc.br

 

FÓRUM DA IMPRENSA – 21 DE OUTUBRO DE 2.002

 

ERRO MÉDICO: Faculdades no Tribunal
 

   Não é o diabo que é ruim; é o inferno que não presta.
O Brasil precisa muito de bons e competentes médicos. O que não é lá nenhuma novidade. Por consequência, os charlatães estão dispensados e livres para infestarem outra freguesia. Observe, leitor, com que gostosura ( ou impostura? )  e com que sorriso  cínico os repórteres da grande imprensa (Rede Globo na dianteira)  exibem quando da divulgação de erros médicos.   Fazem a notícia com a mesma alegria dos  nazistas quando entregavam um judeu à gestapo. Anunciam a coisa numa alegria incontida, mesclando  delação e  sarcasmo, como se a matéria fosse um avião que estivesse caindo ou uma mulher pudica flagrada nos braços de um  padre franciscano.
    Não há tatú e nem chefia  de divulgação que faça com que a grande imprensa toque no assunto com seriedade, humildade e objetividade; e  não se vê nenhuma preocupação em buscar,  na essência, entender o problema  para melhor apontar os caminhos, as  soluções, as alternativas. Querem por querem impor a cultura da punição e do enlameamento da dignidade profissional.  É muito rasteiro e oco achar que, por sensacionalismo  para vender notícia, está se ajudando a sociedade, o médico, o doente ou a justiça.  Pelo contrário, da forma que a coisa chega ao grande público, o mérito da imprensa/TV é confundir, aterrorizar e destruir grande oportunidades de correção de rumo. Mesmo porque, as estatísticas provam, com números honestos, que erro médico é,  ainda,  raridade na praça brasileira; tendendo aumentar e lesar, se não for contido. O que existe são grandes interesses envolvidos, e mancomunados, na busca do dinheiro fácil, nas costas dos esculápios. Na verdade, o que se consegue, com tais hipocrisias e falácias, é afastar os doentes dos bons médicos e/ou hospitais e jogá-los nas garras dos  charlatães e mercenários, ávidos de notoriedade, plenos de promessas vãs e sem nenhum compromisso com a ciência séria e resolutiva. Em outras palavras, o que constatamos é que os grandes canais de comunicação estão prejudicando muito, como sempre, os mais pobres, os mais desassistidos e desinformados. Já se viu a grande imprensa convocar, em horário nobre, as verdadeiras autoridades médicas para a discussão serena e límpida da problemática na saúde verde-amarela? A boca no trombone, com as veias ingurgitadas da imprensa sensacionalista, está levando o exército do bom-senso em marcha-ré,  criando dificuldades e pânico, prenunciando a perda da guerra para a safadagem, com enriquecimento ilícito de setores interessados na fritura da medicina brasileira. E isto é muito sério e desalentador. E precisa ser denunciado.
     Tocamos, aqui, na primeira grande  ferida da  indústria de escândalos do erro médico no Brasil: o excesso de faculdades de medicina, colocando milhares de médicos no mercado, sem o mínimo preparo e sem a mínima necessidade. As outras aberrações serão posteriormente discutidas. A certeza que se tem é que faculdade, no Brasil, é curral/paróquia eleitoral de soberbos  espertinhos tupiniquins.   Nem as autoridades federais do setor sabem quantas faculdades e de quantos médicos o país necessita. Sem muita adivinhação, dá para colocar, também sem bravata, que metade das faculdades e das vagas deveriam ser extinguidas, sem nenhum prejuízo quantitativo. E com muito ganho  qualitativo. Todo país democrático, e  comprometido com o bem estar social,  precisa de médicos bem formados, éticos e competentes. E é isto que as faculdades  não estão conseguindo fazer. Está passando da hora de nossos poderes maiores interessarem pelo assunto e ajudar a nação na formação sólida de  profissionais e colocando mais recursos para minorar o sofrimento do povo. Antes de falar em erro médico é urgente que se coloquem as faculdades no tribunal e, PRINCIPALMENTE na cadeia, seus fundadores/agiotas.
 

               Renzo Sansoni, Médico, Uberlândia/MG.

FÓRUM DA IMPRENSA – 23 DE OUTUBRO DE 2.002

De:  Armando Coelho Neto

No ar, antes de mergulhar

 

Quem poderia imaginar que dois vereadores – um do PT e outro do PSDB – pudessem organizar uma reunião unitária às vésperas da eleição?

Pois é isso que vai acontecer sábado, dia 26, às 14 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo.

Carlos Neder ( PT ) e Ricardo Montoro ( PSDB ) são autores de um Projeto que dota o Poder Local ( Câmara e Prefeitura ) de meios legais para concessão de funcionamento de rádios comunitárias na cidade.

O projeto de lei 145/ 00 tramita na Cãmara há um ano e meio e já foi aprovado, por unanimidade, pelas quatro Comissões de praxe. Agora só falta a votação em Plenário.

Emissoras comunitárias, entidades de coordenação do Movimento de Radcom, rádios web, estudantes de comunicação, Sindicato dos Jornalistas, Diretores de Distritos de Saúde, gente que coordena o PSF – Programa Saúde da Família, professores e alunos das 120 escolas municipais que já passaram pelo curso "Educomunicação pelas Ondas do Rádio ", grupos de hip hop, músicos com Cds de selos independentes, todo esse povo já sabe onde vai se encontrar no dia 26.

E tem mais: o cantor e compositor Lobão, histórico defensor das rádios comunitárias, já confirmou presença e o advogado, jornalista e presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal , Armando Coelho Neto, lançará o seu livro "Rádio Comunitária Não é Crime" com uma tarde de autógrafos.

Maiores informações : www.obore.com ou pelo telefone 3214 3766

São Paulo, 18 de outubro/2002

FÓRUM DA IMPRENSA – 23 DE OUTUBRO DE 2.002

RODRIGO UCHÔA


Repórteres Sem Fronteiras colocam país em 54º entre 139

Brasil é o pior país do Mercosul em liberdade de imprensa, diz ONG

RODRIGO UCHÔA
DA REDAÇÃO

O Brasil é o pior país do Mercosul no que se refere à liberdade de imprensa. No mundo, a Coréia do Norte leva essa triste "liderança". Esses dados constam do primeiro levantamento mundial da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que tem sede em Paris, sobre liberdade de imprensa.
O Brasil ocupa um sofrível 54º lugar, atrás dos integrantes e dos associados do bloco regional -Uruguai (21), Chile (24), Paraguai (32), Argentina (42) e Bolívia (48). À frente, como os que mais respeitam o princípio, um grupo composto por Finlândia, Holanda, Islândia e Noruega.
Entre os 20 piores, apenas um das Américas: Cuba (134º).
"O ranking é uma fotografia comparativa do momento. Os sul-americanos não estão em geral bem posicionados, mas a situação pode mudar para melhor com algumas poucas ações objetivas", disse à Folha o argentino Jean-Louis Buchet, representante do RSF na América do Sul. "Esperamos melhoras em 2003."
O ranking elenca 139 países e foi elaborado a partir de um formulário com 50 questões sobre a existência de assassinatos ou prisões de jornalistas por causa de suas atividades, censura, pressões, monopólios estatais e legislação draconiana. As perguntas foram feitas a jornalistas, pesquisadores e juristas de cada país.
Com base nessas 50 questões, foi dada uma nota indo de 0 (maior liberdade) a 100 (maior desrespeito). A Coréia do Norte fez jus à fama de país de regime mais fechado do planeta e alcançou 97,50 pontos, seguida de perto pela China, que teve 97.
"O trabalho levou em conta também os informes anuais que o RSF faz já há algum tempo", acrescentou Buchet.
Os EUA ficaram em 17º lugar, atrás inclusive da Costa Rica (15º), principalmente por causa da prisão de jornalistas que se negaram a revelar suas fontes perante a Justiça e por causa das limitações impostas à atividade jornalística após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
A Venezuela fica em 77º lugar, só sendo superada na América do Sul pela Colômbia (114º).
Semana passada, a organização fez uma carta aberta aos presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra pedindo que o próximo ocupante do Planalto tome providências para "combater a impunidade desfrutada por aqueles que matam jornalistas" por motivos políticos ou não.

FÓRUM DA IMPRENSA – 24 DE OUTUBRO DE 2.002

Sérgio Barbosa - São Paulo

Muda a direção do 'Correio Braziliense'

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O jornalista Paulo Cabral de Araújo divulgou ontem a decisão de renunciar aos cargos de presidente do Grupo Associados e do jornal "Correio Braziliense".
Sua saída será formalizada na próxima semana. Com Cabral, também deixará o jornal o diretor de redação Ricardo Noblat, que há oito anos ocupa o cargo. A decisão de Cabral foi motivada por "moção de censura" enviada a ele na terça, com críticas à sua gestão.
No final, a moção levou a assinatura de 13 dos 19 condôminos que compõem os Associados, conglomerado de jornais fundado por Assis Chateaubriand. Dois grupos moveram-se contra Paulo Cabral: cinco condôminos de Minas Gerais e oito aliados do jornalista Ary Cunha (incluindo ele).
Os mineiros vêm criticando a condução das negociações entre os Associados e Gilberto Chateaubriand, filho do fundador do grupo, que move na Justiça processo contra o condomínio. Quer indenização de R$ 160 milhões. Em abril, Paulo Cabral obteve um acordo que previa o pagamento parcelado desse valor. Em contrapartida, os Associados obteriam o desbloqueio judicial que atinge os bens dos 12 jornais do grupo.
Os aliados de Cunha ficaram contrariados com a decisão de Cabral de destituí-lo da vice-presidência do "Correio Braziliense". Isso ocorreria nesta semana. Na campanha eleitoral do DF, os dois se desentenderam publicamente.
Cunha participou do programa de TV do governador Joaquim Roriz (PMDB) para fazer acusações contra o próprio jornal, que segundo ele estaria fazendo oposição ao governo do DF. Cabral negou. Cunha assumirá os dois cargos hoje ocupados por Cabral.
Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral, um oficial de Justiça acompanhou o fechamento da edição de hoje do jornal.
A medida foi solicitada pela coligação que apóia Roriz para evitar a publicação de fitas com conversas do governador com deputado eleito Pedro Passos (PSD), acusado de grilagem de terra pública. A publicação foi proibida

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01) Pede-se aos participantes respeito e tolerância pelo direito de expressão de pensamento de cada um, tendo como filosofia o pensamento de Voltaire: "Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la".

02) O objetivo primordial desde fórum é trocar informações, idéias e opiniões sobre assunto, que diz respeito à imprensa em geral, visando nova legislação e filosofia que ampliem a liberdade de imprensa.

03) As opiniões e discussão dos assuntos serão sempre no campo das idéias e nunca pessoal;

04) Deve-se evitar a utilização deste fórum para marketing comercial ou político.

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FIM DO TEXTO DO FORUM

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Se você não mais quiser receber este tipo de mensagem ou a estiver recebendo em duplicata, favor avisar que tirarei seu nome da minha lista de endereço eletrônico.

 Grato.

Egydio Coelho da Silva, coordenador do Fórum de Imprensa

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