FÓRUM DE IMPRENSA: JANEIRO DE 2.002 A JUNHO DE 2.002
FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002
DIPLOMA DE JORNALISTA
SÉRGIO BARBOSA
SÃO PAULO-SP
Prezado egydio:
reconheço que, a discussão sobre a exigência do diploma para jornalista exercer a profissão tem muitas adversidades, porém, fica sempre a mesma pergunta: E AS OUTRAS ÁREAS, tais como: administração, ciências sociais e até mesmo DIREITO???
assim, seria importante levantar a discussão para outras atividades que exigem o DIPLOMA, sem falar que os advogados ainda tem o registro avaliados e madiados pela OAB.
abraços,
sérgio barbosa
Sérgio, grato pela participação.
Acho que realmente você está certo, quando, com perguntas socráticas, mostra o absurdo da extinção de toda uma estrutura de um segmento social, que está subordinado à regulamentação da profissão de jornalista.
São as escolas, que investiram capital para ensinar jornalismo, são professores, são os próprios profissionais, que também investiram tempo e dinheiro para poder exercer uma profissão reconhecida e, de repetente, vêem seus direitos deixarem de existir.
Hoje, qualquer pessoa pode chegar a uma Delegacia do Trabalho e receber carimbo em um documento afirmando que o interessado é jornalista, sem prova nenhuma de que tenha algum preparo ou condições para o exercício da profissão.
Pelo menos é o que eu entendo que agora está acontecendo. Gostaria que os participantes deste Fórum me informassem se estou errado na minha interpretação.
Essa decisão judicial, que acabou com a regulamentação da profissão de jornalista, é, para mim, semelhante à própria legislação arbitrária no regime militar, que regulamentou a profissão em 1.969. Houve um radicalismo a favor dos formados em faculdade. Agora, é outro radicalismo. Tanto que naquela época o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo se posicionou contra e hoje da mesma forma se posiciona contra essa decisão judicial.
Um erro não deveria justificar o outro. O bom senso exige que haja um aperfeiçoamento da legislação e não a sua extinção.
Portanto, é também, no meu entender, a mesma arbitrariedade, que praticamente deixou de reconhecer a Lei de Imprensa.
E a intenção do legislador, que aprovou a Lei de Imprensa, era a de estimular a liberdade de imprensa com responsabilidade, e a de que tudo, que ocorresse na imprensa, deveria se reger por essa Lei. E deveria e poderia ser aperfeiçoada, mas não ignorada.
Parece urgente que se discuta o dispositivo constitucional de que os poderes são independentes, mas harmônicos entre si, respeitando a intenção de cada um.
Egydio Coelho da Silva
FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002
MARCOS LOCK
SÃO PAULO-SP
Sr. Egydio,
Comunico que o meu trabalho, que se chamou "Mídia de Bairro em São Paulo - Gestão, Organização e Papel Atual" foi aprovado com distinção na pós-graduação da Escola de Comunicações e Artes da USP.
Agradeço mais uma vez a colaboração e as informações prestadas para que pudéssemos obter este resultado.
Aproveito a oportunidade para desejar ao sr. e à sua equipe profissional, e também aos seus familiares, um 2002 com todos os votos de sucesso pessoal, espiritual e profissional.
Em algum momento, passo para tomar um café e mostrar o trabalho. Estou em entendimento com a Editora Senac para publicar o que estou chamando de uma atualização do livro publicado pela Emplasa, em 1985 e 1986, sobre os jornais de bairro de São Paulo.
Marcos,
Parabéns pelo trabalho e ficarei muito contente se você publicar esse livro, pois, seu trabalho sobre jornais de bairro sempre foi de muita seriedade e de qualidade.
Abraços.
Egydio
FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002
GÍLSON DE BARROS
MATO GROSSO
Estamos implantando em Mato Grosso o jornal eletronico BEDELHO hospedado no site www.bedelho.jor.br Apesar de tão pequeno e modesto, queremos estabelecer contato com os confrades que compõem a Imprensa Livre do Brasil, trocando idéias e informações, que garantam a evolução e a dignidade do jornalismo brasileiro, atualmente bastante aviltado e humilhado pelo mercantilismo e pela covardia. Muito obrigado, o
GILSON DE BARROS
Obs. Caso V.Sa. não queira receber mais nossos comunicados, favor enviar um e-mail para gilsondb@terra.com.br
FÓRUM DA IMPRENSA –5 DE JANEIRO-2.002
CILEA LIMA, advogada
BOTUCATU-SP
(texto repassado)
"CLONE
Mylton Severiano*
O mais legítimo sentido do título da atual novela global de
Glória Perez configurou-se dia 15 de janeiro de 2002 e capítulos seguintes. Os
atores nos propiciaram momentos sublimes da história universal da empulhação.
A seqüência constituiu aquilo que os marketeiros chamam de
merchandising: propaganda disfarçada. Nos intervalos, comerciais com Roseana.
Na novela, os atores se esmerando em dizer quão maravilhoso é o Maranhão. Que
céu, que natureza, que povo, que tudo. Nada se iguala. Crianças brincando,
lavadeiras sorridentes. Bumba-meu-boi. Só alegria! Tudo pago com dinheiro do
povo maranhense, o mais pobre do Brasil conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística).
Outro dia, encontrei colega do ramo da televisão. Vamos chamá-lo
de Rei. A mídia ainda não falava em Roseana. Ainda não a haviam enfiado nas
pesquisas "estimuladas". Mas entre os que trabalham com jornalismo e
atividades afins já se especulava sobre qual mágica as elites aprontariam em
2002 para abater o velho freguês do PT. Alguém na roda lembrou Roseana: "É
mulher, é bonita, não é queimada..."
O Rei me chamou de lado e contou. Faz uns dois anos,
ele esteve em São Luís com equipe de tv gravando Roseana, para programa do
PFL. O diretor de cena sugeriu: "Governadora, que tal sairmos do gabinete?
É ambiente frio, artificial."
Da janela do palácio, mostrou a multidão de maranhenses passando na rua:
"A senhora podia ficar lá no meio do povo..." Roseana cortou rente:
"No meio do povo?"
Fez muxoxo de nojo, como quem diz "aquilo
fede". E gravou no gabinete perfumado, no "bem-bom" do ar
refrigerado. O diretor ficou de, mais tarde, esquentar a cena, providenciando o
povo ao fundo, por meio de truque eletrônico. Povo virtual.
Assim que surgiu o "fenômeno Roseana", em
milhões de cabeças brasileiras veio a comparação com o "fenômeno
Collor". Alguns paralelos:- ricos e bonitos - filhos de oligarcas- formados em Estados miseráveis onde as elites cevam a perpetuação do poder
na miséria do povo - família detentora do monopólio da comunicação regional, dominando
principais jornais, rádios e tvs, principalmente as afiliadas estaduais da Rede
Globo - lançamento do "fenômeno" com apoio de profissionais da propaganda,
tal como se vende qualquer "novo" produto - leniência, complacência, estímulo, cumplicidade e apoio da mídia gorda
- capa da Veja abrindo caminho (Collor: caçador de marajás; Roseana: o fenômeno)
- apoio da Rede Globo
O clã Sarney vem governando há quase 40 anos o Maranhão.
Pense num país desgraçado. Suazilândia. Em quesitos como mortalidade
infantil, analfabetismo e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), estão
parelhos Sarneylândia e Suazilândia. Pela gordura dos cachorros se conhece o
dono.
Conversei com dois colegas jornalistas maranhenses, o
jovem ábio Lopes e o veterano Chico Vianna, este também médico. Faz
gosto sentir a indignação com que reagem à estratégia ora tentada para
transformar a olicarcazinha em estadista. Alguns tópicos da conversa telefônica
com os dois:
- O governo Roseana bancou a produção da seqüência da novela em terras
maranhenses, deslocamento e hospedagem para 20 pessoas, fora imagens aéreas.
- Roseana, diz Fábio, não se sustenta num debate, "é despreparada".
Incapaz por exemplo de se manifestar sobre a Alca.
- Em sete anos de governo, Roseana não construiu sequer uma sala de aula,
não ampliou o sistema de saúde pública em sequer um leito; "a saúde está
um caos", diz Chico.
- Imprensa, rádio e tv vivem em "promiscuidade" com o governo e as
elites, esquema que vem sendo montado há anos: "Cercaram a moita",
diz Chico, que garante: "Noventa por cento dos colegas que cobrem a Assembléia
estão na folha."
- A "amizade" dos Sarney com a Globo segue o "é dando que se
recebe", lembram-se? Dois exemplos:
1. A Secretaria da Educação diz que não é necessário
construir escola, graças ao miraculoso ensino à distância. Ao custo de R$ 114
milhões, a Fundação Roberto Marinho implantou lá o tal ensino. "Se o
IBGE fizer um estudo, dá todo o Maranhão com segundo grau. Mas cada fita tem
15 minutos, para aulas de uma hora, o resto do tempo o aluno fica flanando.
Tem professor de História em sala de Matemática. É uma esculhambação",
diz Chico. "E o Brasil não sabe." Chico fez as contas, superestimando custos,
apurou no máximo R$ 58 milhões. Ou seja, lucro de R$ 56 milhões para o
"doutor Roberto".
2. Dos R$ 10 milhões de verba para o Campeonato
Sul-Americano de Vôlei, foram R$ 8 milhões para o evento. E R$ 2 milhões para
divulgação Onde? Na Globo, que pertence à família da candidata a
estadista.
Chico falou mais de meia hora ao telefone. Diz que, com
mais tempo, tem muito mais a relatar. O caso dos aviões, das estradas... Tal
como na ascensão de Collor, parece que a mídia gorda não está a fim de
mostrar nada. Treze anos atrás, o "doutor Roberto" disse que apoiava
Collor porque era o mais "moderno". Agora começa a apoiar Roseana, a
clone. Deve ser tão moderna quanto foi o Collor.
Puxa vida. Vão ser modernos assim no quinto dos
infernos.
*Mylton Severiano é jornalista.
Cilea,
Grato pela sua colaboração ao Fórum de Imprensa.
Há tempos atrás, os chamados merchandising, incluídos nos textos das novelas (veículo utilizado por ator, o personagem abrindo conta em banco, com destaque para a marca do carro e nome do banco, etc), eram considerados propaganda subliminal e proibidos, não sei se por lei ou pela ética. Pois, induzem o telespectador a decidir por um produto ou serviço sem pensar. Porém, como denuncia o articulista, quando é dinheiro do povo, utilizado para convencer subliminalmente o próprio povo, sem lhe dar o direito de pensar, é, sem dúvida, um desserviço do meio de comunicação.
Daí sua imoralidade ou necessidade de regulamentação no interesse do consumidor e do eleitor.
Quando um pequeno jornal do interior ou comunitário publica alguma propaganda comercial e não escreve no início que é "Informe publicitário" dizem que é picaretagem.
Quando são as grandes redes de TV, mesmo que seja propaganda subliminal, é considerado merchandising.
Egydio Coelho
FÓRUM DA IMPRENSA – 02 DE FEVEREIRO DE 2.002
DIPLOMA DE JORNALISTA
Didymo Borges
Recife
A propósito do posicionamento do Fórum da Imprensa concordando com a decisão judicial que autoriza o registro profissional de jornalista a pessoas sem o curso superior de jornalismo nas Delegacias Regionais do Trabalho, tenho a manifestar minha satisfação pelo clarividente posicionamento manifestado no site. Permitir o registro apenas aos portadores de diploma cria um corporativismo que repugna à prática democrática.
Suponhamos um editor da página de Ciência & Tecnologia de um jornal. O que seria importante para o desempenho da sua função : o conhecimento de jornalismo ou sua formação científica e tecnológica ?
Certamente a editoria de uma seção que trata de ciência e tecnologia exite do editor, antes de tudo ,formação técnica e científica na área de ciências exatas. Como a página de Economia exige, para o bom desempenho da editoria ,o conhecimento de Ciências Econômicas.
Afinal, para o exercício da editoria do caderno de informática de um jornal seria necessário tão somente a condição de diplomado em jornalismo ou a formação técnica em softs e hardware ? Assim, afigura-se como corporativista e, conseqüentemente, como reprovável a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão como redator, editor ou repórter num jornal.
É contra a essência democrática que deve pautar a atuação dos órgãos de mídia que haja qualquer restrição à ampla liberdade de expressão sem a camisa-de-força corporativista da exigência do diploma.
O jornalismo é uma profissão diferenciada que não comporta o protecionismo corporativista da limitação da inscrição profissional a um determinado tipo de formação acadêmica.
Assim, a decisão judicial de permitir a inscrição como jornalista profissional a qualquer cidadão, que exerça a profissão de jornalista num órgão de mídia merece regozijo em nome das instituições democráticas.
Didymo Borges
Recife
FÓRUM DA IMPRENSA – 05 DE FEVEREIRO DE 2.002
DIPLOMA DE JORNALISTA
Maurício
Lima
Lamentavelmente não concordo, nem uma virgula com a sua posição (Didmo Borges).
Se nosso país e nosso governo fossem sérios, deveriam antes de mais nada através do Ministério da Educação, alertar milhares, quiçá milhões de jovens que todo ano prestam vestibular para o curso de jornalismo, alias um dos mais procurado por eles.
Ora porque um jornalista não pode escrever sobre informática, basta apenas ele fazer uma pós-graduação sobre o assunto. Vemos muito engenheiro em cargo de diretor financeiro, inclusive de grandes bancos, mas todos tem pós-graduação na GV ou em economia.
Durante quatro anos paguei um curso superior para meu filho, que hoje é jornalista diplomado e atua na área. Que tal acabarmos a exigência para médicos (de médico e louco todo brasileiro tem um pouco), advogados, economistas e outras. Porque só os jornalistas.
Maurício Lima
FÓRUM DA IMPRENSA – 05 DE FEVEREIRO DE 2.002
DIPLOMA DE JORNALISTA
Sérgio Barbosa
Adamantina-sp
Prezado Egydio:
Mais uma vez faço uso deste espaço democrático para expor a minha posição contra a liminar "vigente" sobre a exigência do diploma em nível superior para jornalistas.
entendo que, a discussão deveria se pautar em níveis de iguladade para outras áreas também, quem disse/determinou que eu, como BACHAREL EM COMUNICAÇÃO SOCIAL não posso desenvolver docência em história?? em ciências sociais?? pedagogia??assim, entendo que, pode-se pensar em várias alternativas para o impasse, mas, como sempre, a legislação brasileira mais atrapalha do que ajuda neste momento, quando poderia abrir um debate amplo, geral e irrestrito sobre algumas profissões do mercado.
não podemos cair no senso comum disto ou daquilo, menosprezando os quatro longos anos do curso de comunicação social, haja vista, que antes de ser jornalista, o profissional é um comunicador e tal formação não terá em jornais de esquina, muito menos na chamada grande imprensa.
abraços provincianos,
Sérgio Barbosa
Adamantina-sp
FÓRUM DA IMPRENSA – 05 DE FEVEREIRO DE 2.002
Dirce Helena
Como professorinha do interior, indignada, volto novamente ao Fórum de Imprensa. De tudo que eu li no texto "O Clone", (já estou acostumada a ler e ouvir barbaridades) o que mais me irritou foi saber que Roseana não construiu sequer um sala de aula nesse tempo todo.
Então eu pensei: O Fórum é aberto às pessoas; portanto...mas depois analisei melhor.
Ninguém escreveria de graça tal disparate.E sabe porque fiquei na dúvida? Porque ela sempre me passou a imagem que o texto do jornalista Mylton Severiano "mostrou".
Esse texto não deveria ser publicado em outros meios de comunicação?
Quantas pessoas não pensam como eu pensava até antes de fazer essa leitura?
A verdade não pode ser mostrada as claras???Ou no caminho são encontradas muitas pedras que dificultam esse tipo de procedimento???
Dirce Helena
FÓRUM DA IMPRENSA – 08 DE FEVEREIRO DE 2.002
Sérgio Barbosa
Adamantina-sp
Somos
jornalistas e temos uma profissão:
As
sociedades contemporâneas, cada vez mais complexas, exigem o conhecimento de
assuntos de interesse público que circulam em toda as áreas, da Medicina à
Antropologia, da Engenharia ao Direito, da Biotecnologia à História. É
preciso saber, no calor da hora, de temas, fatos e versões que ocorrem tanto em
tais áreas quanto nas ruas. Para isso, existe um profissional, envolvido
diariamente com o seu fazer, que busca informações, as apura, faz entrevistas,
contextualiza, registra e edita, para que mais gente, em todas as áreas e em
todos os cantos, possa tomar conhecimento e melhor se situar frente à
realidade. A este profissional se chama jornalista.
Em escala pública e dimensão planetária, em períodos extremamente curtos (dia, hora, minuto – tal como é o andar diário da humanidade), e em linguagem acessível à população e não hermética, há profissionais que se empenham para esta reconstrução do mundo. A este profissional se chama jornalista.
Sem este profissional, não há jornalismo. Para a informação jornalística é preciso qualidade, são necessários pressupostos éticos, conhecimentos técnicos e tecnológicos – da tevê ao rádio, da internet à revista, do jornal ao planejamento gráfico. Em todas estas coberturas e atividades e para todos estes suportes tecnológicos, é preciso cuidado na apuração, rigor na exatidão, obediência a preceitos éticos, qualidade na produção estética, cuidado e precisão nas conseqüências da forma de divulgação.
Há
um profissional que se preocupa com isso. A ele se chama jornalista.
A
informação com tais características, produzida por jornalistas, permite à
sociedade maior liberdade, além de mais e melhor opção de escolha. Permite
melhor escolha e decisão nos caminhos a seguir.
Depois
de 60 anos de regulamentação profissional e 80 de luta pela formação
superior em Jornalismo, há agora a clara ameaça do fim de quaisquer
exigências para o exercício da profissão.
O
ataque contemporâneo do neoliberalismo à profissão jornalística é mais um
ataque às liberdades sociais e às profissões em particular. Com isso,
amplia-se o campo das desregulamentações em geral e aumentam as barreiras à
construção qualificada e lúcida de um mundo mais democrático, visível e
justo.
O
ataque ao jornalismo é também um desrespeito à sociedade, que diminui sua
amplitude de escolha, diminui o espaço de liberdade e de confronto de
opiniões. Há claros prejuízos à ética profissional e amplia-se o controle
sobre quem entra nas redações – do interesse particularizado expresso na
contratação de apadrinhados políticos e ideológicos ao aviltamento
profissional e salarial, por meio de contrato de pessoas que nada têm a ver com
a formação específica na área.
Hoje,
já existe liberdade garantida para quem quiser expor sua opinião, como
entrevistado ou articulista de uma determinada área. Com a desregulamentação,
contudo, perde-se as raízes da vinculação do jornalismo ao interesse
público, razão de sua consolidação como profissão nos últimos 60 anos. Com
isso, além da própria categoria profissional ter redução de empregos,
desprestígio em seu reconhecimento público, a própria sociedade, no conjunto,
perde a referência qualitativa dos acontecimentos do dia-a-dia, essenciais para
a liberdade de escolha do dia seguinte.
O
ataque à regulamentação em
Jornalismo atinge profissionais e estudantes, desrespeita as identidades de cada
área – e nisso desrespeita também as demais -, e fere frontalmente a
sociedade em seu direito de ter informação apurada por profissionais, com
qualidade técnica e ética, bases para a visibilidade pública dos fatos,
debates, versões e opiniões contemporâneas. É um ataque, portanto, ao
próprio futuro do país e da sociedade brasileira.
FÓRUM DA IMPRENSA – 27 DE FEVEREIRO DE 2.002 (fee)
Revistas
e jornais terão representação nacional
Após
a aprovação dos estatutos, foi eleita a diretoria para o próximo biênio
que será presidida pelo professor Valter Estevam Junior, proprietários do
Jornal Diário das Cidades de São Bernardo do Campo – São Paulo.
A
Associação Brasileira de Revistas e Jornais – ABRARJ, com sede e foro em
São Paulo, capital, a rua Beneficiência Portuguesa n. 44 – conjunto 404
é uma sociedade civil de grau superior, constituida por prazo
indeterminado, objetivando a coordenação, proteção e representação das
categorias econômicas pertencentes ao ramo da indústria editora de revistas
e jornais, tendo como território todo o Brasil.
A
Abrarj tem como objetivo congregar em torno de interesses comuns, as editoras
de revistas e jornais promovendo
maior aproximação, cooperação e solidariedade, defendendo e representando
os seus interesses e prerrogativas perante autoridades estaduais, nacionais e
internacionais, pugnando pelo crescente prestígio dos associados.
“Vamos
promover a defesa dos preceitos da democracia e da livre iniciativa, da
liberdade de expressão, pensamento e de informação, assim como do direito
das revistas e jornais ao livre exercício
de suas atividades, respeitadas pelas garantias que a Constituição e as Leis
lhes conferem”, explicou Estevam que também já foi presidente da ADJORI -
Associação de Jornais do Interior do Estado de São Paulo.
Presidente:
Valter Estevam Junior – Jornal Diário das Cidades – São Bernardo do
Campo – SP,
Vice-Presidente:
Antonio Claret Guerra - Jornal MG
Turismo – Belo Horizonte - MG
Vice-Presidente
Governamental: José Antonio de Oliveira – Jornal da Cidade –
Pindamonhangaba - SP
Vice-Presidente
Comercial: João Carlos Rabello – Diz Aí - Rio de Janeiro – RJ
Vice-Presidente
Jornais: Tulio Moreira- Jornal
Correio de Notícias – Canoas - RS
Vice-Presidente
Revistas: Carlos Aguiar – Big Amazônia – Manaus - AM
Vice-Presidente
Jurídico: Ademar Gomes – Revista da Acrimesp – S.Paulo - SP
Vice-Presidente
Cultural: Itamar Gurgel - Revista Orla - ES
Vice-Presidente
de Marketing: Ricardo J.H. Guerra – Revista Turis News Recife - PE
Secretário
Geral: Alberto Talauskas – Jornal de Peruibe – Peruibe - SP
Diretor
Tesoureiro: Waldir Martinez – Metropolitano em Notícias – S.Paulo - SP
Conselho
Administrativo
Superintendente:
Marco Antonio Viezzer – Nova Época – Canela - RS
Secretário:
Homero Luis P. de Souza – Revista Merc News – Santo André - SP
Conselho
Fiscal:
Presidente:
Faustino Borges Munhoz – Liberal Chuí -
Santo Vitória do Palmar - RS
Secretário:
Antonio Luis Schiavo Junior – Jornal de Campos do Jordão – Campos do
Jordão - SP
Membro:
Mauricio Antonio do Nascimento – Ótimo – Canoinhas - SC
Membro:
Augusto Cezar Casseb – Folha de
Rio Preto – S.J. do Rio Preto - SP
Membro
: Carlos Baladas – Jornal Ponto Final – Santo André
Conselho
de Ética:
Presidente:
Egydio Coelho da Silva – Jornal da Bela Vista – São Paulo - SP
Secretário:
Fausto Picarelli Neto – Em Foco – Jarinú - SP
Vogal:
Ronaldo Cortes – JBA – S.Paulo - SP
Presidente:
Wagner Barbosa – Revista Expressão Regional – Limeira - SP
Diretor
Regional de S.Paulo
Fernando
de Carvalho – Jornal As Cidades – Charqueada – SP;
José
Correa da Silva – Jornal da Baixada – Bertioga – SP.
Mais
informações: Waldir Martinez
– Tel. (11) 6979-9765 –
e-mail: metropolitanored@vertex.com.br
FÓRUM DA IMPRENSA – 20 DE FEVEREIRO DE 2.002
DIPLOMA DE JORNALISTA
Sérgio Barbosa
Adamantina-sp
Carta do Sindicato paulista sobre Diploma enviada aos Coordenadores de Jornalismo
São Paulo, 22 de Fevereiro de 2002
Caro(a) Coordenador(a) de Jornalismo
Tendo em vista o grande número de pedidos da Carta de Autorização
Provisória pelos recém-formados aqui no setor de Registro no Sindicato dos
Jornalistas no Estado de São Paulo, venho através desta, solicitar que passem
para os recém-formados as seguintes informações:
1a. Para os jornalistas recém-formados obterem o registro de jornalista
junto à D.R.T., exige-se o diploma, e este só é concedido no prazo de 6 a 12
meses.
2a. Para que o recém-formado possa trabalhar como autônomo ou contratado
por alguma empresa, o Sindicato dos Jornalistas emite a Carta de Autorização
Provisória somente para efeito de contratação (até que saia o
diploma/registro)
Obs.: O requerente não poderá assinar matérias até que saia o registro.
3a. Para esta autorização, é necessário que o recém-formado apresente
o Certificado de Colação de Grau no curso de Graduação de Jornalismo ou de
Comunicação Social Habilitação Jornalismo e uma cópia autenticada.
4a. - No prazo de 3 a 5 dias a carta ficará pronta.
Sem mais, agradeço a atenção.
CORFEP (Comissão de Registro e Fiscalização do Exercício Profissional)
http://www.jornalistasdaweb.com.br
Para assinar : jornalistasdaweb-subscribe@yahoogroups.com
Para cancelar : jornalistasdaweb-unsubscribe@yahoogroups.com
Administradores da lista: admin@jornalistasdaweb.com.br
FÓRUM
DA IMPRENSA –28 DE FEVEREIRO-2.002
Paulo Nunes de Abreu, jornalista
São paulo-SP
Caro Egydio,
Acho muito estranho a omissão da mídia com relação à verdadeira tragédia, que é o desemprego no Brasil (17% de desempregados).
Pouco se noticia sobre os serviços bancários eletrônicos e na internet, que reduzem, de um dia para outro, centenas de empregos.
Agora, a marca chocolate Garoto está sendo comprada pela Nestlé, o que vai gerar mais de 2.500 desempregados e pouca notícia está saindo sobre isso.
Acrescente-se que a Garoto era empresa nacional, que, com certeza, não remetia lucro para o exterior em dólares.
Seria importante noticiar muito e discutir esse acontecimento, já que se trata de dois importantes problemas nacionais: desemprego e escassez de dólares.
Paulo Nunes - São Paulo - Capital
FÓRUM DA IMPRENSA –01 DE MARÇO DE 2.002
Caro Egydio, mesmo sendo jornalista atuante há 20 anos, deixei de acreditar nas utopias de nossa profissão. Peço que retire meu nome da lista de emails.
Obrigada
Regina Villela
Regina,
É pena que você não queira participar deste Fórum. Há uma expressão que diz: pelo dedo se conhece o gigante.
Nessas poucas palavras escritas, você demonstra ter muitas idéias e convicções, que poderiam ajudar a dar até um caminho mais certo ao Fórum de Imprensa.
Retirei seu email de minha lista. Se mudar de idéia, favor retornar.
Abraços.
Egydio
FÓRUM DA IMPRENSA –01 DE MARÇO DE 2.002
Regina Villela
Valeu, meu amigo. Espero que profissionais quixotescos como vcs persistam. Sempre. Não há vitória sem luta. Eu é que estou cansada. Desculpe.
Um forte abraço,
Regina
FÓRUM DA IMPRENSA –06 DE MARÇO DE 2.002
Walter Monacci
São Paulo-SP
Notícias do Superior Tribunal de Justiça
06/03/2002 -
STJ mantém indenização por dano moral para Chico Buarque e Marieta Severo
A
Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve decisão do Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro, que concedeu indenização por dano moral no valor
de 500 salários mínimos ao cantor Chico Buarque de Hollanda e igual quantia à
atriz Marieta Severo. Os dois artistas moveram ação contra a Bloch Editores
S/A, por veicular reportagens nas revistas Manchete e Amiga alegando que o
suposto pivô da separação do casal em 1997, após 30 anos de união, teria
sido a cantora Daniela Mercury.
Segundo a defesa de Chico Buarque e Marieta Severo, “as aludidas divulgações
empreendidas pelas revistas feriram de forma odiosa e mesquinha, a privacidade,
intimidade e a imagem dos autores, gerando, para ambos, um dano moral”. As
capas da revistas com as reportagens também foram estampadas nas telas da TV
Manchete.
A reportagem da revista Manchete, pertencente ao grupo Bloch Editores S/A,
relata fatos considerados mentirosos pela defesa de Marieta Severo e Chico
Buarque, tais como a afirmação de que o cantor teria mantido um caso com a
cantora Daniela Mercury.
Além
disso, faz menção a uma suposta movimentada vida amorosa do cantor ao afirmar
que “a quantidade de mulheres de Chico é um absurdo”.
Os artistas obtiveram decisão favorável inicialmente na 19ª Vara Cível da
Comarca do Rio de Janeiro. O juiz estabeleceu a indenização por danos morais
no valor de 250 salários mínimos para cada um dos artistas. Posteriormente, a
defesa de Chico Buarque e Marieta Severo recorreu da sentença à Terceira Câmara
Cível do Tribunal de Justiça do Estado, onde conseguiram a reforma da sentença
que aumentou para 500 salários mínimos a indenização para cada um. Para o
desembargador Humberto Perri, relator do caso, ficou comprovado o dano moral
“exaustivamente justificado pela atitude despropositada em que a imagem dos
autores como personalidades do mundo artístico ficou extremamente atingida em
razão da maldosa publicidade de uma separação conjugal”.
Inconformado, o grupo Bloch Editores recorreu ao STJ com agravo de instrumento.
O ministro relator do recurso, Barros Monteiro, ao negar provimento ao agravo
afirmou que “o colegiado de origem decidiu todas as questões relevantes
postas para apreciação e julgamento, embora não da forma almejada pela
agravante, inexistindo qualquer vício a ser sanado”.
Dr. Walter,
Grato pela colaboração, enviando para o Fórum de Imprensa essa decisão muito triste por, no mínimo, três motivos:
1) Institui a co-autoria, que os militares não conseguiram impor nem por ato institucional, porque na ocasião a imprensa, como um todo, se posicionou contra, por criar a auto-censura, a pior de todas as censuras;
2) Embora exija mais responsabilidade de quem escreve, não tem por objetivo preservar a liberdade de imprensa, que, como a Justiça, é uma instituição, que também precisa ser preservada e estimulada;
3) E por fim, o fato do autor ser Chico Buarque de Holanda, figura histórica, que lutou quase sozinho, com muito talento a favor da liberdade de pensamento e de que me orgulho de ter publicado matéria a seu favor em 1.976, num período em que a grande imprensa lhe negava espaço. E hoje ele, de certa forma, é duplamente vítima, ao ser obrigado a se valer de uma legislação ou de sua interpretação, que contraria seus princípios, que em nada colabora para o aperfeiçoamento da democracia e das instituições no Brasil.
Todos sabemos que o que gera o crime é a impunidade e não a pena alta e, às vezes, até a pena de morte aplicada às empresas, principalmente as pequenas e médias, com indenizações desproporcionais, que, além de instituir a auto-censura, pode levar ao fechamento de editoras, que geram emprego.
A mim, me parece muito estranho que as pessoas, que necessitam de liberdade para exercer a sua profissão, comecem a aceitar pacificamente que decisões, que visam concertar desvios da imprensa, estejam a criar um mal maior: destruir um dos alicerces da democracia.
Se negarem ao Promotor o direito de acusar, ao advogado o direito de defender, ao Juiz o direito de julgar e ao jornalista o direito de expressar o que pensa, suas respectivas instituições começarão a ruir.
Como
disse Jacintho
Ferreira da Silva Jr. (OAB-33.511-SP) Presidente Prudente-SP, em colaboração
para este Fórum de Imprensa, citando Eduardo
Couture:
"Tem
fé no DIREITO, como o melhor instrumento para a convivência humana; na JUSTIÇA, como
destino normal do DIREITO; na PAZ, como substitutivo bondoso da JUSTIÇA; e,
sobretudo, na LIBERDADE, sem a qual não há DIREITO, nem JUSTIÇA,
nem PAZ."
Egydio Coelho da Silva
FÓRUM DA IMPRENSA –09 DE MARÇO DE 2.002
Sérgio Barbosa
São Paulo-SP
Câmara aprova novas regras para meios de comunicação
A Câmara dos Deputados aprovou dia 26 de fevereiro, em segundo turno, por 402 votos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de nº 203/95, que altera as regras sobre propriedade dos meios de comunicação no Brasil.
No primeiro turno, realizado dia 11 de dezembro, 406 deputados votaram favoravelmente à proposta, que precisava de, no mínimo, 308 votos (três quintos da Casa) em cada uma das sessões para ser aprovada.
A PEC seguirá nos próximos dias para o Senado, onde também será apreciada em dois turnos. O relator da proposta, deputado Henrique Alves (PMDN/RN), espera que a votação no Senado seja concluída até o final de abril.
A proposta abre a possibilidade de pessoas jurídicas participarem da composição acionária das empresas. Hoje, apenas pessoas físicas têm esse direito, o que tem limitado a capacidade de investimento do setor. O novo texto também estabelece uma abertura controlada do mercado para o capital estrangeiro, que poderá deter até 30% de participação nas empresas nacionais.
Outra mudança introduzida pela proposta é o controle da produção editorial e da programação dos veículos por brasileiros natos. Essa medida vai permitir que o país dê maior dinamismo ao mercado sem colocar em risco os valores nacionais.
Fruto de uma ampla discussão na Câmara dos Deputados e da colaboração de representantes dos mais variados segmentos da sociedade, a proposta em discussão representa um avanço significativo para o setor.
(Colaboração - CDN – Cia. de Notícias Andrew Greenlees, andrew@cdn.com.br, João Leiva Filho, joaoleiva@cdn.com.br).
Sérgio,
Obrigado pela sua colaboração.
É pena, que o Congresso deixe passar a oportunidade de acrescentar emenda a essa Lei, que limite o monopólio dos meios de comunicação. O ideal seria que houvesse veículos de âmbito nacional, de âmbito estadual e municipal e que não fosse permitido às mesmas empresas monopolizarem os três; nem quem detém controle de rede de televisão, ser proprietária de redes de rádios e de jornais.
Acrescente-se que as redes de televisão vivem hoje quase que exclusivamente de verba publicitária federal. Será que é esse lucro que irá atrair investimento estrangeiro?
Egydio Coelho da Silva
FÓRUM DA IMPRENSA – 10 DE MARÇO DE 2.002 (fee)
Nome: Dirce
Cidade: Interior de S. Paulo
Para: fórum de imprensa
Não sei como me dirigir à Regina Villela, mas se puder, transmita-lhe esse recadinho:
Regina, não se vive sem utopias, sem sonhos, sem divagações; isso aprendi nos meus anos de "professorinha do interior". O que nos impulsiona nos momentos mais difíceis são exatamente "eles", como viver sem sonhar?.
Comecei trabalhar com 18 anos. Completo esse ano 36 de magistério e nem por isso deixei a utopia de lado. Fui professora de crianças, jovens, adultos, trabalhei na coordenação, direção,supervisão de estágio e hoje trabalho como Diretora do Departamento de Ensino Fundamental da minha cidade. Na apresentação do meu trabalho com todos os que fazem parte da Educação eu iniciei mais ou menos assim: "Não deixem a utopia de lado quando for realizar o seu trabalho. Não se esqueçam, nós trabalhamos com crianças"...
Regina, um abraço.
Dirce
FÓRUM DA IMPRENSA – 10 DE MARÇO DE 2.002
Nome: José Nélson
Cidade: S. Paulo
Para: Fórum de imprensa
Caro Egidio:
parece que o cansaço tomou conta de todos nós. Cansados de tanto ver os políticos roubarem, cansados de não ver o bom senso,cansados de pobres de espírito nos rondando acabamos assim cansados.
Jose Nelson
FÓRUM DA IMPRENSA –10 DE MARÇO DE 2.002
Nome: Rudi
Cidade: PRESIDENTE PRUDENTE-SP
Para: Fórum de imprensa
O
grande circo e os palhaços somos nós.
Big Brother e Casa dos artistas mostram que estamos chegando no fim do poço
na ignorancia televisiva.
A saída da participante Helena do Big Brhtoher e seu recado para mãe de
Alessandra dizendo que eles fazem o que a produção, colocou a gota dágua que
faltava para encher o copo.
A reação do pseudo-jornalista pedro Bial foi de total constrangimento..
ou
podemos dizer que o soneto ficou pior que o concerto.
Corre pela net que daqueles participantes. sergio, helena e andre, já
haviam trabalhado na globo, que Andre já conhecia Vanessa de longa data.
Desconhecidos.. Bo agora a casa dos artistas.. outra armação pior. Esse
Silvio Santos, midas, rouba programas estrangeiros e consegue ganhar
dinheiro a rodo em nossoa país onde a lei o proteje. leia-se Show do Milhão,
Qual é musica e agora, Casa dos Artistas.
O que falta para a televisão brasileira?
Rudi,
Grato pela sua participação. Apesar de concordar com a crítica ao baixo nível de alguns programas de TV, os quais nunca vejo, pois - por defeito meu - adota a filosofia de "não vi não gostei".
Mas acho que devemos respeitar a instituição de que o bom programa é aquele que têm audiência, porque devemos respeitar a idéia de que o povo é inteligente e escolhe o que lhe causa emoção.
O ideal seria fortalecer outros tipos de TV, como as fundações e mesmo religiosas, que têm, teoricamente, outras fontes de sustentação econômica, que não a publicidade comercial, e, por isso, poderiam apresentar programas, que não se preocupassem exclusivamente com a audiência, mas sim com a qualidade da mensagem.
Se há programas de baixo nível, que buscam audiência, também temos de reconhecer que uma novela, como o Clone, consegue ser de vanguarda e ter conteúdo e, ao mesmo tempo, se comunicar com a massa. O baixo nível, muitas vezes, é falta de talento.
A papel de vanguarda deveria caber ao teatro e as TVs culturais - o que me parece - não está acontecendo como deveria e o papel de comunicação de massa , portanto, reforçando valores já consagrados deveria caber a TV comercial. Entendo que nenhuma TV deve ser censurada ou criticada por tentar ampliar sua audiência, pois não devemos ter a pretensão de julgar a capacidade de julgamento do povo. Afinal: "Voz populi, vox dei" (acho que é assim que se escreve), a voz do povo é a voz de Deus.
Gostaria de ver a opinião de outros participantes.
Egydio Coelho
FÓRUM
DA IMPRENSA – 10 DE MARÇO DE 2.002
Nome: Walter Monacci - advogado
Cidade: São Paulo-SP
Para: Fórum de imprensa
Caro Sr. Egydio,
Infelizmente, por grande quantidade de trabalho, não tenho o tempo que gostaria
de ter para participar mais ativamente do Fórum de Imprensa.
De qualquer forma, em face da inegável importância da discussão de idéias e
da troca de informações, não deixo de, assim que recebo uma notícia sobre
uma decisão judicial que envolva as questões que aqui tratamos, enviá-la para
o senhor.
Achei interessante a vossa abordagem da última decisão que lhe passei, com
relação ao fato do Chico Buarque se fazer valer de uma legislação que
contrariaria os seus princípios democráticos.
Um fato curioso acontece com relação aos jovens e o seu idealismo.
Muitos deles enquanto jovens eram idealistas, profundamente socialistas.
Depois, ao começarem a acumular patrimônio, já começam a ver as coisas de
outra forma, vêem o quanto trabalharam e já passam a achar que a
distribuição ou divisão pregada pelo socialismo não é bem assim ...
Dentro dos próprios partidos políticos de linhas socialistas acontece isto...
Quanto à reparabilidade do dano moral pelas empresas jornalísticas, como
procurei expor no início deste Fórum, decorre do nosso ordenamento jurídico.
Não estão errados os julgadores, portanto, quando atribuem aos órgãos de
comunicação a responsabilidade civil pela reparação por danos morais.
Pela sua tese, que conheço, o senhor entende que seria mais adequado, em suma,
que o dano fosse reparado através da obrigatoriedade de abertura de espaço, no
mesmo meio de comunicação, para a resposta.
O senhor entende, outrossim, que a obrigatoriedade da reparação não passasse
da pessoa (física) do próprio autor da matéria, ou seja, do repórter ou do
jornalista, e não da empresa de comunicação.
Entretanto, a solidariedade das empresas, neste caso, decorre da lei que,
portanto, teria que ser modificada.
Como observei anteriormente, veja o caso das empresas comerciais.
Se um funcionário de uma loja ou de um hotel resolve, sabe-se lá porque, falar
um pouco mais alto com um cliente, processa-se a loja ou o hotel.
Se um mecânico de uma concessionária de veículos faz um serviço incorreto ou
inadequado em um automóvel, processa-se a concessionária e assim por diante.
E, Sr. Egydio, o que é pior. As pessoas estão entrando com ações de
reparação de danos morais por qualquer coisa, está um absurdo.
A Justiça, principalmente os Julgadores mais conscientes é que vêm procurando
coibir injustas indenizações e, quando cabíveis, fixá-las com cautela,
moderação e equilíbrio das partes e situações, felizmente.
Abraços,
WALTER
Dr. Walter,
Grato pela participação, trazendo sempre luz jurídica neste fórum, cuja maioria pouco entende de leis.
Sobre Chico Buarque, não consigo ver nele defeitos, pois, se me perguntassem que personalidade mais admiro responderia sem pestanejar que é Chico Buarque, pelo sua posição política, pelo seu talento de usar a arte na defesa de seus ideais, sem cair no panfletário. Acho que ele é vítima também das Leis e interpretações judiciais em vigor.
Não tenho como discutir assuntos jurídicos, pois, não sou advogado.
Mas, entendo que a Justiça - se se preocupasse com a importância da livre manifestação de pensamento e com o direito das pessoas se informar - acharia alguma "brecha" nas leis para tomar decisões, que estimulassem a liberdade de imprensa e penalizassem somente uma minoria, que abusa desse direito. Sem criar a auto-censura, sem julgar todos os jornalistas semi-capazes de seus atos e sem colocar o dinheiro como um valor, que paga todos os outros valores morais e sentimentais. E teria condições de fazer com que um assunto que começou na imprensa, terminasse na imprensa e não no silêncio dos tribunais. Isto sim, interessa ao público leitor.
Abraços e grato.
Egydio Coelho
FÓRUM DA IMPRENSA – 12 DE MARÇO DE 2.002
Nome: Didymo Borges
Cidade: Recife
Para: Fórum de imprensa
A nota da Federação Nacional de Jornalistas contra a desregulamentação da profissão de jornalista ( Forum, 08/02/02) está eivada de equívocos. Chega ao final a exagerar: "É um ataque, portanto, ao próprio futuro da sociedade brasileira"!
Lutar pela manutenção da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista só se entende como mera reação corporativista. Tal exigência fere frontalmente os princípios de liberdade de expressão garantidos em sede constitucional. Trata-se de uma profissão diferenciada cujo exercício não pode ficar condicionado aos interesses mercantilistas dos que mantém cursos de jornalismo. O jornalismo é uma profissão de quem a exerce e não de quem tem um diploma acadêmico de jornalista. Mesmo por que se trata de profissão eminentemente vocacional e um diploma não garante que o portador esteja vocacionado para o exercício da profissão de jornalista. Exigir diploma para o exercício da profissão de jornalista é o mesmo que exigir diploma de Belas Artes para quem exerce a profissão de pintor. Para pintar aquarelas é necessário, antes de tudo, vocação, sensibilidade artística que um diploma não garante ao portador.
Lutar pela manutenção do privilégio corporativista é um desserviço aos maiores interesses da democracia. A decisão judicial que permite o registro profissional de jornalista independentemente do diploma atende aos interesses maiores da nacionalidade na medida em que atende aos magnos interesses da nossa democracia.
Didymo Borges
Didymo,
Grato pela participação.
Sinto-me à vontade para ser a favor e contra curso superior de jornalismo.
Eu já exercia a profissão de jornalista há quase 10 anos, já registrado no MT, quando decidi cursar jornalismo. Prestei vestibular na USP - Faculdade de Comunicações e fui reprovado em redação. Eu que já era jornalista há 10 anos e havia ganho um concurso de contos, promovido pela USP de Assis-SP em 1.962.
Daí se ver o subjetivismo que é julgar redação. Não desisti e cursei a FAAP, concluindo o curso em 1.973.
Vi adolescentes de talento iniciarem em meu jornal em Assis, como Renato Sant `Anna e Luiz Marcos Barrero (para citar dois nomes de talentos conhecidos e atuantes na imprensa paulistana), que - se na época - houvesse obrigatoriedade de diploma, talvez nunca viessem a ser jornalistas.
No entanto, entendo que deve ser garantido algum direito exclusivo a quem tiver curso superior de jornalismo, como exercer cargo de editor, por exemplo. Pois, me parece de interesse da sociedade, que os veículos de comunicação continuem a se aperfeiçoar tecnicamente e entendo que o instrumento para isso são as faculdades de jornalismo.
Abraços.
Egydio Coelho
FÓRUM DA IMPRENSA – 12 DE MARÇO DE 2.002
Nome: Didymo Borges
Cidade: Recife
Para: Fórum de imprensa
A propósito da aprovação pela Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de número 203/95 no último dia 26.Fev.02 e que permite a participação de capital estrangeiro na posse de até 30% do capital de empresas de comunicação brasileiras , é necessário analisar o mérito sob a ótica das circunstâncias históricas. Com o fim do conflito ideológico ocidente/oriente devido o desmoronamento do comunismo no leste europeu é possível que o capital estrangeiro atraído para atividades produtivas no Brasil não seja motivo de desconfianças e preconceito. Afinal o investidor estrangeiro tão somente busca no Brasil uma aplicação mais rentável que em outros países alternativos. Não há por que rotulá-lo de imperialista, dominador, e outros epítetos próprios do velho xenofobismo "demodé". Assim sendo não há mais por que privar as empresas de comunicação de se capitalizarem com a participação de capital estrangeiro com até 30% do total. Ademais, a lei prevê a ressalva de que a linha editorial e de programação seja determinada por brasileiros natos. Por outro lado não há qualquer restrição quanto a constituição de empresas de comunicação. Afinal, quando ligamos o receptor de televisão de casa, podemos ver uma pletora de emissoras de TV estrangeiras, algumas delas com programação dublada como resultado da evolução das comunicações via satélite. Os jornais estrangeiros estão disponíveis na internet. A globalização dos meios de comunicação deve determinar mudanças dos velhos conceitos xenófobos.
É necessário considerar que a Constituição de 88 foi elaborada ainda sob a égide da Guerra Fria. Este projeto de emenda constitucional que ainda será apreciado em dois turnos no Senado Federal veio desfazer mais um vício da "constituição cidadã". de 1988.
Didymo Borges
FÓRUM DA IMPRENSA – 13 DE MARÇO DE 2.002
Nome: Obarco2@aol.com
Cidade: São Paulo
Para: Fórum de imprensa
Apenas para lembrar algumas palavras de Krishnamurti :
O que é "opinião" ? O que estão fazendo elas em nossa vida ?
Por que "damos valor" a alguma coisa ? A coisa não vale já por si
mesma, pelo que ela é ? Por que "criamos valores" ou se fala em
"diferenças de valores" ?
O que há é apenas fatos. E o fato é neutro. É o que é, não "briga por
uma posição", não cria oposição.
O fato comentado, envolvendo Chico Buarque e a Editora Bloch é simplesmente
triste. Não sou jornalista, mas acho que os jornalistas deveriam ter espírito
científico. Em outras palavras, deveriam se ater ao fato. Um filósofo político,
professor da USP, certa vez deu um curso na Fatec-SP, sobre "como ler um
jornal", que tratava dos três tipos básicos de linguagem ( que na prática
se mesclam ) : informativa, expressiva e emotiva. Nesse foco de análise,
pode-se perceber a intenção do autor : muitas vezes apenas pretende convencer
o leitor sobre algo, não há premissas verdadeiras, apenas apelo expressivo e
emotivo.
Desejo lembrar também que, mesmo diante de informações verdadeiras, a verdade
foge facilmente, há ainda o problema da interpretação...
Grato pela participação.
Infelizmente não concordo e acho que todas as notícias trazem em si alguma opinião de quem a escreve. Só fato de ser escrita ou selecionada para publicação já implica em uma opinião, como: "vejam que assunto interessante".
Como disse um personagem de Machado de Assis: "Peça-me para ser sincero, mas nunca imparcial".
Grato
Egydio Coelho
FÓRUM DA IMPRENSA – 25 DE MARÇO DE 2.002
Nome: Didymo Borges
Cidade: Recife
Para: Fórum de imprensa
Está escrito equivocadamente no Forum (08/11/01): "Pagamento em dinheiro por dano moral não parece algo moral porque não se pode comprar a moral de alguém nem ninguém pode vender sua própria moral" . Tal assertiva pode ser válida para danos morais resultantes de detratação na imprensa como veremos adiante mas em outros casos é , evidentemente, inválida. Por exemplo: um empregador que ofende moralmente um empregado como, para exemplificar, forjando uma justa causa por improbidade. O interessante é que a Justiça do Trabalho não é o forum competente para o julgamento de um tal caso que deve ser ajuizado na justiça estadual. Mas o importante é considerar que não há outra forma de compensação pelos danos morais provados pelo empregador senão a pena em pecúnia conluiada com outras penalidades tais como, se cabível, a reintegração ao trabalho da vítima.
Vejamos como a compensação no caso de ofensa pela imprensa pode ser compensada sem a pena em pecúnia: "Acredito que o jornal deveria ceder o direito de resposta amplo a quem foi acusado injustamente no mesmo espaço e até obrigado a pagar a publicação em outros veículos para realmente compensar a ofensa moral com uma reparação moral". Esta parece uma colocação judiciosa fazendo com que " se o assunto começou na imprensa deve terminar na imprensa e não no silêncio dos tribunais".
Mas as colocações do Forum termina por puxar a sardinha para os jornalistas num parecer eminentemente corporativista quando especula sobre como deve ser elaborado o direito de resposta do ofendido: "Talvez com a exigëncia da matéria em resposta ser obrigatoriamente escrita por jornalista profissional , pois para nos defendermos nos tribunais precisamos de advogado".