Biografia e autobiografia de gente sem importância           Egydio Coelho da Silva

Meu avô paterno

Meu avó paterno, chamava-se João Coelho da Silva, nome igual ao de meu pai, e minha avó, Ana Rosa Gonçalves Coelho da Silva. Devem ter nascido na década de 1.870. Não sei exatamente a data, em que meus avós chegaram ao Brasil. Acredito que tenha sido por volta de 1.890.

Sei apenas que a história de amor deles se iniciou no navio, onde se conheceram e o namoro e noivado duraram pouco, casando-se em seguida. Sei que meu avó tinha mais três irmãos, todos homens, oriundos da Ilha da Madeira. Geograficamente africanos, mas culturalmente portugueses.

(14/7/96 ( Monte Verde) das 8:30 às 9:17)

Na Ilha da Madeira, não teria ficado nenhum outro irmão apenas seus pais. Ao que me consta eram quatro irmãos, que vieram para o Brasil: João Coelho da Silva, Manoel Coelho da Silva, Aires Coelho da Silva e Augusto Coelho da Silva.

Um deles, Manoel Coelho da Silva, ao que parece mais “vivo”, não gostou do Brasil e resolveu emigrar para a Argentina. Mais tarde, também não gostou da Argentina e decidiu emigrar para os Estados Unidos. Como se vê, realmente era o mais “esperto” dos irmãos. Eu nunca tive contacto com esse tio-avô, nem com seus descendentes. Soube apenas há uns 15 anos atrás, que lá, nos Estados Unidos, ele trabalhava no ramo de plásticos.

 23/06/97 (Arq. E-AB) PÁG. 08

Um outro irmão, também meu tio-avô paterno, Aires Coelho da Silva, tinha um descendente, acho que era seu neto, Durval Coelho da Silva, que morava em Santo André. É o quarto dos irmãos, chamava-se Augusto Coelho da Silva e tinha descendentes, morando no bairro da Lapa em S. Paulo.

Meu avó tinha o mesmo nome de meu pai, João Coelho da Silva, (o certo seria meu pai ter sido batizado com o nome de João Coelho da Silva Filho e meu irmão mais velho com o nome de João Coelho da Silva Neto) 

Primeiramente, foi morar em Jundiaí, juntamente com a minha avó, Ana Rosa Gonçalves (Coelho da Silva), ainda solteiros.

Sei que, mais tarde, casados, resolveram mudar-se para Botucatu, ainda no final do século. O motivo da mudança seria porque meu avó sofria de reumatismo e Jundiaí era, na opinião deles na época, muito frio. Acho que a escolha não foi muito feliz, porque Botucatu, (na linguagem indígena significa “bons ares”) sempre foi uma cidade fria e, naquela época, com certeza mais ainda, pois está localizada a uma altitude aproximada de 800 metros.

Meu avó paterno, inicialmente foi colono, isto é, empregado na lavoura, na Fazenda Velha em Botucatu. Ali aprendeu a lidar com café e, mais tarde, veio para a cidade e foi trabalhar na Estrada de Ferro Sorocabana, também como meu avó materno, de operário braçal em serviço de conservação e implantação de trilhos. O serviço era pesado e duro, tanto que o apelido desses operários, era “tatu de linha”, porque viviam a fazer buraco para implantar dormentes. Era, provavelmente, o serviço mais ruím, o pior remunerado e de menor prestígio na hierarquia da Estrada de Ferro Sorocabana. Para ele e seus familiares, porém, não era assim. Sua admissão na Sorocabana representava mais "status", pois, era um emprego bem melhor do que ser colono de fazenda de café.

Lembro-me de comentários de meu pai, de que meu avó era muito trabalhador e honesto. Meu pai se orgulhava dele por isso e a mesma norma, meu pai fazia questão de seguir e procurava transmitir aos filhos.

Contava, por exemplo, que, na Fazenda Velha, ele desenvolvia tanto o seu serviço, que irritava seus colegas, que tinham que acompanhá-lo, para que o capataz não fizesse comparação e lhes chamasse a atenção.

No entanto, quando trabalhou na Ferrovia, o seu chefe de serviço

07/07/97 (Arq. E-AB) PÁG. 09

parece que “implicava” com ele, porque se queixava de dores reumáticas. Não convencia seu chefe de que era doença e não má-vontade na execução do serviço.

Ele, como acontecia com quase todos os portugueses, que chegavam ao Brasil, deveria ser bastante econômico e só gastavam dinheiro em coisas imprescindíveis e o restante guardavam. Mas mesmo assim era difícil fazer economia em pouco tempo, que levasse a poder adquirir propriedades. A chácara em Botucatu, onde me criei, foi adquirida com dinheiro de herança, que minha avó recebeu.  Sei que meu avô chegou a ver preço e tentar comprar mais terras na hoje Vila..... Mas não concluiu o negócio, porque morreu antes, quando tinha aproximadamente 35 anos de idade. 

E não morreu em Botucatu, mas sim em uma cidade, além de Botucatu, em Itatinga. 

Soube apenas que minha avó foi avisada de que ele estava passando muito mal e pediam que fosse urgente vê-lo pois poderia até morrer. Sua enfermidade era grave.

Viajou assustada para Itatinga, temendo que ele já houvesse morrido e que estivessem escondendo dela. E não deu outra. Ele já havia falecido e ela chegou em tempo de apenas ver o corpo, antes de ser enterrado no cemitério de Itatinga. 

Contaram os parentes, onde ele se hospedara a última vez, que estava com pressa de voltar a Botucatu. Pedira que o chamassem cedo. Quando bateram na porta, não ouviram resposta nenhuma.

Insistiram várias vezes, mas nada. Aí constataram que havia morrido de enfarto fulminante.

Minha avó providenciou o enterro em Itatinga e não pode avisar aos seus filhos, todos menores ainda, nem a seus parentes e amigos em Botucatu do falecimento do marido. 

Por isso, quando chegava o trem de passageiro a Botucatu, vindo de Itatinga e passava próximo à chácara antes de chegar à estação, todos corriam até beira da linha do trem para verificar se meus avós chegavam. 

No dia seguinte, infelizmente, quando o trem passou próximo à chácara, a uns mil metros antes de chegar à estação, já a viram sozinha no trem, acenando com um lenço preto. Era a indicação de que o marido morrera e já estava viúva.

22/07/97 (Arq. E-AB) PÁG. 10  

Minha avó e meus pais sempre nos transmitiram a informação de que o reumatismo, que o acompanhava há bastante tempo, seria o responsável pela sua morte prematura. Esta doença crônica teria deixado o seu coração fraco. Talvez fosse a interpretação da medicina na época.

 

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Meu avô paterno

João Coelho da Silva (1a. geração)

(Não tenho foto - se algum parente a tiver favor ceder)

Mãe e pai: nomes não pesquisados.

Esposa: Ana Rosa Gonçalves Coelho da Silva (1a. geração)

Foto em 1.939 com ais de 60 anos.

Marido;

 

 

Irmãos:

 João, Manoel, Aires e Augusto.  

Filhos:

Manoel, João, Antônio, José, Maria, Ana, Matilde e Marta.