Editora Ipê de jornais dos bairros 

(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra virtual de  Assis-SP e Voz da Terra virtual de Monte Verde-MG - Brasil

Diretor: Egydio Coelho da Silva

OPINIÃO

18 de novembro de 2015

 

Estudantes dão lição de cidadania

 

* Júlia de Medeiros

 

A reorganização das escolas, como vem sendo chamado o projeto, é contestada por alunos e professores por aumentar a distância entre residência dos alunos e a escola e pelos docentes pela falta de discussão do projeto com a sociedade. 

 

 

Atentados terroristas em Paris e Beirute; Mariana e região mineira sob lama; crise política que dificulta a saída do país da crise econômica e por fim escolas ocupadas por estudantes em São Paulo.
Em meio a tantos acontecimentos que mereciam comentários, o espaço desta vez é para os estudantes paulistas que estão dando lição de cidadania, ocupando escolas sem baderna, com objetivos definidos e com capacidade de organização surpreendente.
Já são 25 instituições de ensino envolvendo pelo menos 26 mil alunos, segundo a secretaria de Educação. O movimento é contra o projeto do governo estadual que prevê a divisão dos alunos em unidades por ciclos únicos (fundamental I e II e ensino médio). Com isso, até o próximo ano, 92 escolas deverão ser fechadas e 300 mil alunos remanejados.
A reorganização das escolas, como vem sendo chamado o projeto, é contestada por alunos e professores por aumentar a distância entre residência dos alunos e a escola e pelos docentes pela falta de discussão do projeto com a sociedade.
Desde 2013, brasileiros têm ganhado as ruas do país para protestar, carregando diversas bandeiras: redução da passagem de ônibus, repúdio à corrupção e outros mais polêmicos como o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a volta da Ditadura Militar.
A manifestação dos estudantes paulistas tem um diferencial importante: há objetividade e a organização real e não virtual. O movimento nasceu de uma necessidade específica dos manifestantes, que precisam de escolas mais perto de casa ou que simplesmente não querem ver fechada a instituição de ensino que frequentam em muitos casos desde pequenos.
A empolgação e o desejo de manifestar-se surgiu de uma necessidade real e não de uma empolgação virtual que muitas vezes desvirtua os manifestantes dos objetivos, como aproveitar do momento para pedir a volta dos militares.
A ação dos estudantes é uma demonstração clara que a Educação não vai bem em São Paulo e no país não por falta de capacidade dos alunos, mas por ausência de vontade política dos governos. Se canalizar todo esse potencial demonstrado pelos estudantes nas últimas semanas para o aprendizado, o Brasil facilmente deixará a lanterna dos rankings mundiais de educação e será finalmente uma Pátria Educadora.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

28 de julho de 2015

 

Apesar da crise, a economia tem jeito

 

* Júlia de Medeiros

 

 Como diz um velho ditado: na crise, enquanto, uns choram outros vendem lenços.
O dólar em alta desestimula as viagens externas, mas podem ser um incentivo para o turismo brasileiro.
Isso explica porque algumas
cidades turísticas estão lotadas nestas
férias de julho. 

 

Anúncios diários de demissões, além de aumentos de pre-ços de produtos essenciais e financiamento mais limitado por conta dos juros altos e da menor disponibilidade de crédito na praça, tornam a vida financeira do brasileiro mais difícil e ajudam a aumentar as especulações com re-lação ao futuro econômico e político do País.
A economia que parecia, no mínimo, estável até 2013 está em turbulência agravada pela crise política alimentada to-dos os dias pelas denúncias de corrupção.
Previsões pessimistas não faltam embora entre economistas e especialistas não exista um consenso sobre o tamanho e a dura-ção da turbulência.
Os mais pessimistas preveem dias difíceis até 2018. Os mais
otimistas dizem que o País deve enfrentar dificuldades até o
final do ano, mas a partir de 2016 a economia começa a dar
sinais de estabilidade e recuperação. A presidente Dilma, no en-tanto, ameaça afrouxar o ajuste fiscal temendo uma desacelera-ção econômica mais intensa e cedendo a pressões de parcela do PT. Quem não gosta disso é o mercado financeiro que prefere uma política fiscal rígida que atrai mais capital. Mas o que tem isso a ver com a economia?
Superávit é um resultado positivo das contas públicas entre gas-to e despesa. Se o governo gasta mais do que tem, é preciso
economizar para poder equilibrar as contas.
Economia significa menos gastos, menos benefícios, menos verbas para os programas sociais, menos investimentos e menos dinheiro circulando, essenciais para que a economia retome o fôlego e volte a crescer.
A economia também fica com o pé no freio enquanto as taxas de juros estão altas, medida para conter a inflação, que impe-dem o aumento do consumo e em especial os investimentos por parte das empresas que poderiam gerar emprego e renda.
Mas como diz um velho ditado: na crise, enquanto, uns choram outros vendem lenços, há indicadores positivos.
O dólar em alta desestimula as viagens externas, mas podem ser um incentivo para o turismo brasileiro. Isso pode explicar por-que algumas cidades turísticas estão lotadas nestas férias de ju-lho. A importação cai e as indústrias brasileiras teriam oportu-nidade de recuperar espaço no mercado.
Mas isso leva tempo e precisa de juros menores. As exportações brasileiras também podem crescer com o ganho de competitivi-dade. Avaliando os prós e contra, a situação é crítica, mas seria possível encontrar um equilíbrio se houvesse de fato interesse político.
O cenário, no entanto, é de disputa política em que o alvo prin-cipal é o poder mesmo que em detrimento do bem-estar dos brasileiros. Com a desculpa de combater a corrupção e passar o Brasil a limpo, pouca importância política se dá para um enten-dimento para recolocar a economia nos trilhos. Um impeach-ment de Dilma talvez sacie o desejo de tirar a presidente e o PT do poder, mas certamente será uma turbulência a mais na já conturbada economia brasileira.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

 

OPINIÃO

19 de fevereiro de 2015

 

Democracia acima de tudo

 

* Júlia de Medeiros

 

 Protestar contra má gestão, corrupção e qualquer outra coisa é legítimo.

O que não se pode perder de vista é que a democracia é uma conquista de muitos anos e não devemos colocá-la em risco por conta da contrariedade de alguns segmentos da sociedade.

 

Pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff é o slogan da moda nas últimas semanas, em especial depois que o professor da Escola Superior de Guerra Ives Gandra Martins deu seu parecer favorável à ação atendendo a um pedido de análise do caso feito por um funcionário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Convocados a sair às ruas para pedir o “Fora Dilma”, os brasileiros têm conhecimento da viabilidade ou não do impeachment e de suas consequências para o País?
Talvez, mas até 15 de março, data marcada para a manifestação em favor do impeachment nunca é demais falar sobre o assunto. Quem o defende tem como principal argumento que a omissão da presidente configura crime de responsabilidade.

Os mais veementes defensores da tese se apegam ao inciso V do artigo 85 da Constituição Federal, segundo o qual atentar contra a probidade da administração implica crime de responsabilidade. Se é assim. Serve para todo e qualquer caso, como o de corrupção nas obras do Metrô em São Paulo.

As autoridades estaduais, incluindo o governador, também se omitiram? Aliás, Geraldo Alckmin também pode ser acusado de omissão na crise da água ao deixar de adotar medidas para evitar o desabastecimento.
Os próprios autores e defensores do tal parecer diante das evidências da insustentabilidade do documento já recuaram.

Além disso, os líderes das manifestações não estão lembrando a população de que do ponto de vista político o impeachment encontra muitos entraves. Dilma não é Fernando Collor que não tinha por trás um partido com estrutura sólida. Olhando por esse ângulo, uma discussão de impeachment no Congresso será muito diferente da de Collor.
Há ainda outra questão. Com Dilma fora, o que acontecerá? Uma nova eleição, se o impeachment ocorrer em menos de dois anos? Assume Michel Temer, o vice? A oposição sabe que um novo embate nas urnas não impedirá o PT de ter um candidato e que derrotá-lo, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo partido nos últimos tempos, não será tarefa tão fácil.
Protestar contra má gestão, corrupção e qualquer outra coisa é legítimo numa democracia. O que não se pode perder de vista é que essa é uma conquista de muitos anos e que não devemos colocá-la em risco por conta da contrariedade de alguns segmentos da sociedade com os resultados das urnas nas últimas eleições.

As ações de protestos devem ser norteadas sempre pelo objetivo maior de preservar o processo democrático.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

OPINIÃO

25 de novembro de 2014

 

Passando o país a limpo

 

* Júlia de Medeiros

 

 Está na hora do povo repensar essa face corrupta, que traz muita vergonha não só para o brasileiro que não aceita propina e que não se corrompe nem mesmo em pequenas coisas, mas para o ser humano que acredita em um mundo melhor, mais honesto e igualitário.

 

Choveram manifestações de estarrecimento de cidadãos brasileiros quando o advogado do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, disse que não se faz obra pública no Brasil sem “acerto” e que quem nega isso “desconhece a história do país”. Segundo o advogado, “o empresário, se porventura faz alguma composição ilícita com político para pagar alguma coisa, se ele não fizer isso não tem obra”. “Pode pegar qualquer empreiteirinha e prefeitura do interior do país. Se não fizer acerto [com políticos], não coloca um paralelepípedo no chão”, disse.
Também causou polêmica o artigo do empresário tucano Ricardo Semler, publicado na Folha de São Paulo, que entre outras coisas disse: “Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito. Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula.”
Tanto a fala de um quanto a do outro tem conteúdo verdadeiro, o que não invalida o escândalo nem ameniza o tamanho e da gravidade da corrupção praticada nas entranhas da Petrobras e que pode chegar a mais de R$ 20 bilhões. A Polícia Federal e todas as instâncias envolvidas na investigação devem continuar seu trabalho para que corruptores e corruptos, executivos, empresários e políticos, sejam investigados e punidos.
Infelizmente, esse escândalo revela uma face da cultura brasileira ou do ser humano, uma vez que escândalos de corrupção já foram revelados em diversos países e partes do mundo, incluindo o Japão cujo povo é admirado por seu espírito de cidadania e civilidade. É uma face que poucos admitem, mas que está presente no dia a dia quando o cidadão passa na frente na fila do banco ou molha a mão do garçom para ter privilégios na festa de formatura do filho ou ainda quando precisa fechar um “negócio” para firma, sua ou do patrão, e encontra ali a possibilidade de levar “um a mais” e obter vantagens financeiras, mesmo que ilícitas.
Além dos prejuízos financeiros do escândalo da Petrobras para o país, do risco de haver autoridades importantes envolvidas, que precisam ser apurados doa a quem doer, o caso traz também a oportunidade de os brasileiros repensarem essa face corrupta e que traz muita vergonha não só para o brasileiro que não aceita propina e que não se corrompe nem mesmo em pequenas coisas, mas para o ser humano que acredita em um mundo melhor, mais honesto e igualitário.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

22 de agosto de 2014

 

Política pode ser como uma onda no mar

 

* Júlia de Medeiros

 

 Aécio Neves, candidato do PSDB, praticamente certo no segundo turno com a presidente Dilma Rousseff está ameaçado de perder o lugar para Marina Silva que, segundo as primeiras pesquisas, poderia já estar empatada com a candidata do PT se o segundo turno fosse hoje.

 

Só depois da morte do candidato do PSB à presidência da República é que muitos eleitores descobriram que ele era o merecedor do seu voto nas próximas eleições, muito embora sua vice tivesse até maior potencial de votos. 
Como não é mais possível elegê-lo, então, o voto vai em duplicata para sua substitua Marina Silva. Poucos sabem, no entanto, que a ideia de Marina nem era permanecer no partido do candidato à presidência da sua chapa e é bem provável que muitos ainda nem se deram conta de que a ex-senadora, assim como Eduardo Campos, pertenceu aos quadros do PT.
Eleição é assim. Os políticos levam meses, anos para alinhavar acordos, definir estratégias e compor chapas. Dessa forma constroem um cenário eleitoral com consequências lógicas, tão lógicas que as pesquisas costumam refletir as previsões. Dificilmente alguém conta com um fato como a queda do avião de Eduardo Campos que injeta nesse cenário um fator aparentemente não tão relevante, a comoção nacional, mas que na última hora pode definir o resultado da eleição.
E é isso o que estamos assistindo. Aécio Neves, candidato do PSDB, praticamente certo no segundo turno com a presidente Dilma Rousseff está ameaçado de perder o lugar para Marina Silva que, segundo as primeiras pesquisas, poderia já estar empatada com a candidata do PT se o segundo turno fosse hoje. Ainda é cedo, no entanto, para apostar numa previsão como essa indicada pelas pesquisas. Marina Silva entrou agora na disputa e há muitas contradições ao longo de sua carreira política que certamente vão ser expostas durante a campanha eleitoral.
É bem provável, no entanto, que boa parte do eleitorado nem vai perder tempo em tentar entender essas contradições ou sequer tomar conhecimento delas ainda mais se for pelo horário eleitoral gratuito na TV que começou igualzinho como sempre foi. O risco, no entanto, é que de os eleitores só descobrirem depois dos primeiros meses de governo do novo presidente que aquele era exatamente o candidato no qual não queriam ou não deveriam ter votado. Ninguém dá muita importância para a política no Brasil a não ser quando entra o fator comoção que como uma onda arrasta os eleitores para um lugar aonde ninguém sabe ao certo onde vai dar..
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

27 de julho de 2014

 

Coragem e comprometimento para mudar a saúde

 

* Júlia de Medeiros
 

 

 A questão vai muito além de edificação hospitalar e depende muito mais da disposição política para interferir num segmento em que a iniciativa privada e o corporativismo atuam com firmeza para assegurar seus interesses.

 

A crise financeira da Santa Casa de São Paulo, maior hospital filantrópico da América Latina, que levou a instituição, inaugurada em 1884, a interromper suas atividades pela segunda vez em toda a sua história, reflete a precariedade do sistema de saúde no país.
Expõe também o tamanho do problema que provávelmente será um dos principais debates dessa campanha eleitoral, tanto na esfera estadual quanto federal.
Só que essa discussão não tem nada a ver com o que se tentou disseminar antes da Copa do Mundo pelos que criticaram a construção de estádios e investimentos em obras de infraestrutura em detrimento dos recursos para a construção de mais hospitais.
A questão vai muito além de edificação hospitalar e depende muito mais da disposição política para interferir num segmento em que a iniciativa privada e o corporativismo atuam com firmeza para assegurar seus interesses.
A quem interessa que o sistema público de saúde funcione de forma precária sem condições de atender não apenas as pessoas sem recursos para pagar um plano de saúde, mas todo o cidadão que paga imposto e que tem direito ao atendimento com qualidade do setor público?
Quem ganha quando uma consulta médica só poderá ser realizada dentro de um prazo de um ou dois meses e o cidadão precisa de qualquer forma de um atendimento urgente?
Por que alguns políticos resolveram defender só agora durante a campanha eleitoral o programa Mais Médicos, que foi alvo de suas críticas e de profissionais da área da saúde que reclamaram dos salários pagos aos médicos cubanos e da dispensa o exame que reconhece o diploma dos profissionais?

Será que assim como para as outras perguntas a resposta é que há um interesse, que não o da população, por trás das políticas de saúde dos governos?
Essas são interrogações para as quais o eleitor deve buscar resposta quando seu candidato estiver falando sobre saúde durante as eleições. Recursos existem.

Nem é preciso deixar de investir em infraestrutura, como portos, aeroportos, mobilidade urbana, tão necessária para o desenvolvimento econômico do país. O que falta mesmo é coragem e compromisso dos políticos com o desafio de mexer em um setor em que atuam quem tem recursos para investir em Educação e em que é bem atendido quem tem dinheiro para pagar pelos serviços.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

 

OPINIÃO

27 de junho de 2014

 

Copa é aperitivo das eleições

* Júlia de Medeiros
 

 

 Problemas existiam e continuam existindo, como superfaturamento de obras, mas a hostilidade da oposição, receosa de que a Copa venha facilitar a reeleição da presidente Dilma , levaram ao exagero e a um alto nível de hostilidade na tentativa desqualificar o evento.

 

Não se concretizou o temor de que o Brasil fizesse feio e mostrasse para o mundo aeroportos ineficientes, estádios inacabados e despreparados para receber os jogos da Copa do Mundo e, pior, mobilidade urbana caótica sem transporte público capaz de levar os torcedores aos campos de futebol.

Ao contrário, o país registrou índice de atraso de voo abaixo da média internacional, os aeroportos foram elogiados pelos estrangeiros assim como os serviços de transportes públicos e a boa receptividade dos brasileiros.
Isso sem falar na contribuição do Campeonato para alavancar a economia que, embora ainda não em crise, apresenta problemas preocupantes como a desaceleração das contratações de trabalhadores e a ameaça do aumento da inflação.

Com todos esses aspectos positivos, além do elevado índice de gols, o evento poderá se tornar a Copa das Copas, como já vem sendo divulgado pela mídia.
Mas, então, o que aconteceu? Os estádios ficaram prontos num passe de mágica?

As obras dos aeroportos se tornaram eficientes da noite para o dia? O brasileiro no apagar das luzes se tornou um grande anfitrião?

Provavelmente, nada disso. Problemas existiam e continuam existindo, como superfaturamento de obras, mas a hostilidade da oposição, receosa de que o sucesso do evento venha facilitar a reeleição da presidente Dilma Rousseff e dos candidatos da situação, levaram ao exagero e a um alto nível de hostilidade na tentativa desqualificar o evento.
A julgar por essa forte campanha contra a Copa do Mundo encampada por segmentos da oposição de olho nas próximas eleições, dá para ter noção de como será a campanha eleitoral.

O viés político por traz do evento não se encerra com o Mundial. Ao contrário é com o fim do Campeonato que se inicia a campanha eleitoral que terá certamente nas redes sociais um dos principais embates.
A televisão pode ser ainda o canal mais popular de comunicação com o eleitor, mas é pelo Twitter, blogs e principalmente Facebook que a hostilidade deve ser mais forte.

A dificuldade do eleitor vai ser filtrar as informações verídicas e separá-las das fantasiosas, divulgadas por páginas e perfis criados justamente para confundir e desinformar o eleitor, como ocorreu na Copa do Mundo, evento no qual poucos apostavam no seu sucesso.

A campanha contra a Copa do Mundo foi só um aperitivo para a campanha eleitoral.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

30 de abril de 2014

 

Copa do mundo em ano de eleições

* Júlia de Medeiros
 

 

Usar um evento internacional para promover passeatas e manifestações ou qualquer outro tipo de agitação contra os governos é, no mínimo, oportunismo político, que só contribui para manchar ainda mais a imagem mundial do País.

 

Ano de Copa do Mundo, ainda por cima no Brasil, e de eleições, entre as quais para a presidência da República, dá muito pano para a manga.

Quando o país foi eleito sede do campeonato mundial de futebol, os brasileiros - pelo menos a maioria - fez festa e achou que o evento traria benefícios ao Brasil. Praticamente poucas semanas antes do grande evento, a Copa do Mundo não passa de um dos tantos assuntos que alimentam a pré-disputa eleitoral e que têm contribuído para denegrir a imagem internacional do Brasil que, aliás nunca foi lá grandes coisas.
O cidadão sempre sofreu com a precariedade do atendimento médico e com o mercantilismo da medicina no Brasil. Nos últimos meses, no entanto, em contra posição ao programa "Mais Médico", os investimentos em estádio de futebol foram eleitos os responsáveis pela calamitosa situação da saúde no Brasil, como se os recursos utilizados na construção das arenas esportivas fossem a solução para a questão.

Houve superfaturamento na construção dos estádios ou de alguns deles? Pode até ser. Se há denúncia tem de haver investigação.
Há na história do futebol brasileiro tantos indícios de falcatruas e de arranjos políticos e financeiros, envolvendo até mesmo resultados de campeonatos forjados, que tornam incompreensível o fato de as torcidas continuarem fiéis aos seus times e campeonatos e os torcedores, agora, encherem as mãos de pedra contra a Copa do Mundo.
A maior responsável pelos campeonatos é e sempre foi a Federação Internacional de Futebol (FIFA). Sua conduta foi colocada em dúvida inúmeras vezes. Sabendo disso, os brasileiros deveriam ter rechaçado a realização do campeonato no Brasil e repudiado a FIFA no momento da escolha do Brasil para sede do evento. Isso não aconteceu.
A indignação do eleitor com os frequentes casos de corrupção é legítima. São muitos os casos de denúncia de corrupção tanto no âmbito federal como em outras esferas de governo, como do Estado de São Paulo envolvendo autoridades e executivos de multinacionais na construção do Metrô. Isso sem citar as prefeituras pelo interior do país.

Usar, no entanto, um evento internacional para promover passeatas e manifestações ou qualquer outro tipo de agitação contra os governos é, no mínimo, oportunismo político, que só contribui para manchar ainda mais a imagem mundial do País.

Essa atitude é tão nociva quanto a de eleitores que se deixarem influenciar por uma possível vitória ou derrota do Brasil na Copa do Mundo na hora de votar nas próximas eleições. Votar em função do resultado da Copa é ignorância e falta de cidadania. Separar o joio do trigo num ano de eleições é o grande desafio para o eleitor.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

20 de março de 2014

 

Marchar para frente

* Júlia de Medeiros
 

 

Para vencer os problemas, que se enraizaram pós-ditadura militar e questões econômicas e sociais decorrentes do mundo contemporâneo, como a crise econômica internacional e o tráfico de drogas, o Brasil tem de andar para frente e buscar nas urnas a solução.

 

Iniciativas como a “Marcha da Família com Deus” colocam em risco a democracia brasileira e não apresentam propostas efetivas para solucionar os principais problemas do país, como a precariedade na saúde e na educação, os altos índices de violência, a concentração de renda e a escassez de investimentos em infraestrutura tão essenciais para o desenvolvimento econômico sustentável.
Imaginar um “golpe comunista” em andamento e defender a volta da ditadura militar a essa altura do campeonato representam um retrocesso sem cabimento.
Ditadura militar, de direita ou de esquerda, seja lá qual for, é um regime antidemocrático que proíbe a manifestação popular e restringe o poder de várias instâncias, como o legislativo e judiciário.
Bem ou mal, com denúncias de corrupção contra políticos de diversos partidos, em especial o do governo e dos principais da oposição, com conchavos políticos capazes de atrapalhar projetos de interesse da nação e movimentos marcados por excesso nos atos de policiais e de manifestantes e até por vítimas fatais, a democracia tem garantido aos brasileiros o direito de votar, escolher seus representantes nas esferas municipal, estadual e federal e de se manifestar inclusive saindo às ruas para protestar.
A volta dos militares ou de qualquer outro regime autoritário só colocaria o desenvolvimento brasileiro em marcha a ré.

Ativistas que defendem o período militar não devem ter vivido naquela época e também desconhecem a literatura econômica. Entre 1968 e 1973, período mais funesto do regime militar, as taxas de crescimento superavam os 10%, influenciado em especial pela forte expansão do comércio mundial e sua abertura comercial e financeira em relação ao exterior.
Porém, nessa mesma época se agravaram questões sociais que até hoje assolam o País, entre os quais o aumento da concentração de renda. O tal milagre econômico contribuiu para elevar a dependência do país em relação ao capital internacional.

Com a alta do petróleo, o financiamento para tornar viável o Brasil era feito por meio de empréstimos externos, via “petrodólares” direcionado às empresas de bens de capital em especial com o apoio estatal. Em consequência disso, os anos 80 foram de crise.
Para a economia brasileira, a ditadura militar significou ausência de políticas sociais, concentração de renda e riqueza, crise da dívida externa que desestabilizou economicamente o país. Isso sem falar em censuras, torturas, mortes e desaparecimentos, além de atos institucionais.
Para vencer esses problemas que se enraizaram pós-ditadura militar e outras questões econômicas e sociais decorrentes do mundo contemporâneo, como a crise econômica internacional e o tráfico de drogas, o Brasil tem de andar para frente e buscar nas urnas a solução.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

OPINIÃO

16 de fevereiro de 2014

 

Não à violência e sim à democracia

* Júlia de Medeiros
 

 

Manifestar-se é um direito democrático que deve ser respeitado.

O uso de máscaras por manifestantes arruaceiros assim como a violência contra o patrimônio púbico e privado e em especial contra os indivíduos é inadmissível.

 


Uma semana depois da morte do cinegrafista da Band Santiago Andrade, durante explosão de bomba em protesto no Rio de Janeiro, a imprensa de Ribeirão Preto publicou uma foto que circulou pela internet em que policiais militares apertavam o pescoço de uma adolescente, aluna de uma escola pública da cidade.
O excesso dos policiais foi uma resposta aos atos de vandalismo praticados por alunos contra os policiais. Essa é uma clara demonstração de que a morte do cinegrafista parece que não será suficiente para estancar a onda de violência que tem marcado manifestações e protestos em todo o país.
Isso, no entanto, não justifica legislações menos com o propósito de aplacar esses atos de violência e mais com a intenção de reprimir e infringir o direito democrático da população à realização de protestos e manifestações. Circularam nas redes sociais informações de que era de interesse político o aumento de tumulto e a violência nos protestos para justificar a criação de legislações que impedissem atos desse tipo programados para o período de Copa do Mundo.
O que se ouviu também durante as investigações da morte de Santiago foi uma vinculação de partidos políticos à explosão da bomba que matou o cinegrafista e também à suposta alienação de jovens contratados para provocar os tais tumultos e violências durante o protesto. Tudo, claro, desmentido por representantes dos partidos envolvidos e nada até agora provado. As suspeitas levantadas também parecem ter um cunho político.
O que parece correto é que manifestar-se é um direito democrático que deve ser respeitado. O uso de máscaras por manifestantes arruaceiros assim como a violência contra o patrimônio púbico e privado e em especial contra os indivíduos é inadmissível e deve ser contida por uma polícia civilizada e devidamente treinada e capacitada para essa função.
A legislação deve garantir todos esses direitos e qualquer movimento contrário a isso pode ser caracterizado como sabotagem política. Há uma linha tênue a ser respeitada por políticos e pela sociedade para que as conquistas obtidas a duras penas nesses pouco mais de 20 anos de democracia sejam mantidas.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

18 de janeiro de 2014

 

O que há por trás dos rolezinhos

* Júlia de Medeiros
 

 

Os “rolezinhos” seriam cópia do “flash mob”, ocorrido em dezembro no Brooklyn em Nova York.
Assim como aqui, nos Estados Unidos, foi definido como um encontro de adolescentes, convocado pelas redes sociais, realizado dentro de um shopping center e que acabou em confusão e confrontos com a polícia. Dezenas de incidentes parecidos teriam ocorridos em outras cidades americanas nos últimos anos.

 


Muita gente deve ter ouvido falar, mas é bem provável que poucos saibam do que se tratam os tais “rolezinhos”, que ganharam destaque nas mídias e passaram a dominar nas últimas semanas as rodas de conversas em especial de jovens, empresários e políticos.
Assim como as manifestações iniciadas em junho do ano passado, esses encontros, apelidados de “rolezinhos” e que chegam a reunir milhares de jovens na maioria negros e pardos moradores da periferia de São Paulo, devem ficar sem uma explicação única, mas vão e já começam a ser explorados com interesses políticos.
Os eventos, inicialmente organizados, por meio do Facebook por cantores de funk em resposta à aprovação de um projeto de lei que proibia bailes nas ruas da capital paulista, vetado pelo prefeito Fernando Haddad, causaram tumultos em shoppings.
Muitos comerciantes fecharam as portas em virtude dos atritos entre policiais e manifestantes. A onda culminou com dois importantes fatos registrados em janeiro: um deles foi a liminar na justiça obtida pelo shopping JK Iguatemi, um dos mais luxuosos da cidade, e mais quatro estabelecimentos do gênero, proibindo as manifestações em suas dependências, e o outro fator foi o uso de bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de balas de borracha pela Polícia Militar de SP contra os participantes do “rolezinho” no Shopping Itaquera, na zona leste da cidade.
Esses acontecimentos incitaram novos “rolezinhos” agendados pela Internet para as próximas semanas em São Paulo e em outras partes do país. Há entre os intelectuais e políticos os que juram ver nesses movimentos uma luta de classes em que pobres e negros da periferia paulistana reivindicam o direito de circular pelos shoppings e por áreas ocupadas pela elite paulistana, além do acesso é claro a tudo o que usufrui a classe média. Os menos politizados interpretam o fenômeno social como mais uma manifestação juvenil típica da nova era tecnológica onde é possível convocar uma multidão em pouco tempo sem sair de casa.
Há na Internet posts com fotos de jovens se apresentando e se exibindo para quem quiser conhecê-los para relacionamentos eventuais durante os tais “rolezinhos”.

Há ainda outra versão: os “rolezinhos” nada mais seriam do que uma cópia do “flash mob”, ocorrido em dezembro no Brooklyn em Nova York.
Assim como aqui, nos Estados Unidos, foi definido como um encontro de adolescentes, convocado pelas redes sociais, realizado dentro de um shopping center e que acabou em confusão e confrontos com a polícia. Dezenas de incidentes parecidos teriam ocorridos em outras cidades americanas nos últimos anos. O mais importante é que os jovens e a sociedade de forma geral não se iludam com tais “rolezinhos”.
Eles podem até ser uma forma de manifestação. Mas a verdadeira revolução social com a inserção dos excluídos da periferia só vai ocorrer quando todos tiverem o mesmo acesso à educação. As mudanças na sociedade passam necessariamente pela boa qualidade de ensino e educação para toda a população. Sem isso são apenas intenções facilmente manipuladas por políticos mal intencionados.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

22 de agosto de 2013

 

Educação só deu o primeiro passo

* Júlia de Medeiros

 

A possibilidade de reprovação em cinco das nove séries, além da
obrigatoriedade de provas bimestrais, lição de casa aos alunos e de notas ao
invés de conceitos vão ao encontro de reivindicações antigas não apenas de
professores, mas também de pais e responsáveis.

 

Finalmente a política de Educação em São Paulo contemplou os reclamos de
professores e pais desanimados há anos com o sistema educacional no
município. A progressão continuada que impedia a reprovação assim como a
ausência de regras disciplinares, como a advertência e a suspensão, tornavam
os educadores reféns de alunos desmotivados.
A possibilidade de reprovação em cinco das nove séries, além da
obrigatoriedade de provas bimestrais, lição de casa aos alunos e de notas ao
invés de conceitos vão ao encontro de reivindicações antigas não apenas de
professores, mas também de pais e responsáveis. Como salientou o secretário
municipal de Educação, César Callegari, não se trata de maior rigidez, mas
de organização.
Aliás, essa palavra, organização, é base da educação. Desde a pré-escola
esse conceito é a premissa das atividades realizadas com as crianças. Sem
rotina, organização e regras é difícil, muitas vezes impossível, transmitir
conhecimento e informação. A educação em São Paulo e no país nunca precisou tanto de organização.
O resultado disso pode ser observado nos dados da Prova Brasil de 2011,
segundo os quais 38% dos alunos do 5º ano na cidade de São Paulo não estavam plenamente alfabetizados. Há argumentos de especialistas que a repetência pode ser também um desestimulador para os alunos com maior dificuldade de aprendizagem. Não há como não concordar.
A educação depende de muitos outros fatores além da escola e da
organização do sistema. O aprendizado envolve a família, o meio ambiente, a
saúde, o emocional e tantas outras questões para as quais o Estado tem de
estar atento, contar com profissionais qualificados e com infraestrutura
para oferecer apoio a essas crianças. Isso sem falar na inclusão.
Quem precisa de uma escola inclusiva para seu filho já percebeu que
inclusão é utopia na maioria delas seja no setor público ou privado. Não é
suficiente, portanto, reestruturações de regras. É preciso também de um
olhar abrangente sobre a Educação e oferecer acolhimento às crianças com
dificuldades de aprendizagem, às famílias socialmente excluídas e em
especial oferecer condições dignas de trabalho, aperfeiçoamento e
treinamento dos profissionais. São Paulo deu apenas o primeiro passo em
direção à boa Educação.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

27 de junho de 2013

 

E agora José?

* Júlia de Medeiros
 

 

Foi um grande desabafo coletivo. A população parece ter cansado de assistir à impunidade de políticos corruptos enquanto a saúde agoniza na UTI e a educação ainda não paga aos professores os salários justos tão essenciais para garantir a qualidade do serviço.
Uma coisa, no entanto, é certa: a pressão popular funciona.

 

Muitos brasileiros devem estar se perguntando sobre como será o pós-protestos. A tarifa de transporte prosseguirá sem reajuste ou será zerada? Os corruptos serão enquadrados e punidos por crime hediondo? Um plebiscito irá decidir pela criação de uma Constituinte para a reforma política? E a classe média, em especial a nova, que há pouco tempo saiu da marginalidade do consumo, terá acesso a melhores serviços de saúde e educação?
Ninguém tem a resposta para essas questões, mesmo porque quem tem certeza do que queria a massa que saiu em ondas de protestos nas últimas semanas? Desde então circulam boatos contraditórios. De um lado, há os que dizem que o movimento serve a interesses da direita. Do outro há quem garanta nas mídias sociais que se trata de uma preparação dos petistas e esquerdistas para um golpe.
É provável que não seja nem uma coisa nem outra. O que parece mesmo é que houve um grande desabafo coletivo. A população parece ter cansado de assistir à impunidade de políticos corruptos enquanto a saúde agoniza na UTI e a educação ainda não paga aos professores os salários justos tão essenciais para garantir a qualidade do serviço. Isso sem falar no aumento das tarifas de transporte público que foi o estopim para amedrontar essa nova classe média assustada com o aumento do custo de vida nos últimos meses que pode ameaçar as conquistas dos últimos anos.
Alguns grupos políticos podem encontrar nesse contexto uma brecha para agir e tentar tirar algum proveito político do momento. Mas isso ainda não ficou claro. A presidenta Dilma Rousseff emparedou o Legislativo e o Judiciário fazendo propostas cuja viabilidade depende da ação de deputados, senadores, em especial os da oposição, e juízes. É provável que ninguém queira assumir perante a população a culpa pelo fracasso dos pactos propostos.
Uma coisa, no entanto, é certa: a pressão popular funciona. Agora, resta saber se o brasileiro tirou ou está tirando algum aprendizado e o que pretende fazer com isso daqui para frente.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

23 de maiol de 2013

 

Técnicas empresariais no combate à violência

 

* Júlia de Medeiros
 

 

É preciso lembrar ainda que sem mais treinamento de pessoal e combate à corrupção é bem provável que o bônus, como medida unilateral, não contribua muito para resolver o problema. 

 

 

É fácil entender porque as empresas oferecem comissões e extras os vendedores com melhores resultados no final do mês.

Mais estimulados, os empregados, certamente, vão se empenhar em aumentar as vendas para conquistar os extras oferecidos.

Mas é difícil aplicar a mesma lógica para compreender a política de bônus que o governo do estado de São Paulo pretende oferecer aos policiais com melhores resultados nos índices de criminalidade nas suas áreas.
Será que esse incentivo em geral bem sucedido na iniciativa privada pode dar resultados no setor público, ou melhor, na área da segurança?

Será que não se está reduzindo o problema da criminalidade a uma questão salarial? Não há dúvidas de que a má remuneração no setor policial. Também é certo que essa baixa remuneração é um fator de desestímulo não só para os policiais, mas para trabalhadores de qualquer setor.
Além do mais, há quem diga ainda que não vale se arriscar por tão pouco. Mas será que por R$ 10 mil a mais vale a pena colocar a vida em risco de morte?

Talvez dê para trabalhar melhor, se dedicar mais, mas também não há garantia de que os bandidos também não vão se dedicar mais e aperfeiçoar suas técnicas, além de aumentar a frieza diante das vítimas, como uma resposta ao policiamento mais ostensivo.
Dentro da própria polícia há quem aponte ainda outros problemas para essa medida: pode elevar a rivalidade entre os policiais, uma vez que serão premiados apenas os das áreas com melhores resultados, além de que os números podem ser alterados para atingir as metas.

É preciso lembrar ainda que sem mais treinamento de pessoal e combate à corrupção é bem provável que o bônus, como medida unilateral, não contribua muito para resolver o problema.
Aliás, é bom lembrar que até agora nada do que foi feito sequer conseguiu diminuir o número de arrastões aos restaurantes na cidade, que este ano já chega a 17, metade do que foi registrado ao longo de todo o ano passado. Se a inspiração na iniciativa privada der certo na segurança, pode servir de exemplo para melhorar os serviços públicos em todas as outras áreas.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

22 de abril de 2013

 

A saúde pede socorro

 

* Júlia de Medeiros
 

 

Nem quem paga um convênio médico em especial para fugir das filas e

das esperas por consultas no Sistema Único

de Saúde tem garantia de um atendimento rápido e eficiente.

 

 

O inverno se aproxima e a notícia recentemente divulgada pela mídia de que faltam vagas pediátricas nos hospitais deixa de pé o cabelo de qualquer pai ou mãe.

Em horários de picos, a espera para o atendimento gira em torno de duas horas. Se precisar de uma internação, o paciente pode ter de esperar mais de 24 horas ou mesmo dias. Não adianta pagar convênio porque a situação não é diferente nos hospitais particulares.
E é bom lembrar que estamos falando de São Paulo, o estado não só mais rico da nação, mas o que também conta com maior e mais moderno sistema hospitalar do país.

Por aí dá para imaginar a situação da saúde nas demais partes do Brasil. Se houver epidemia de gripe, como a de anos anteriores, é possível prever o caos. Se é que não dá já para chamar de caos recepções de hospitais lotados, pacientes irritados e longas esperas, situação já constatada por equipes de reportagens.
Há um agravante na pediatria, segundo os médicos. Essa é uma área da medicina que tem perdido estudantes para outras consideradas mais interessantes do ponto de vista financeiro. Os residentes têm dado prioridade a áreas, como a de imagens, em detrimento da pediatria. Esse pelo menos é o argumento muitas vezes usado nos hospitais quando há filas de espera por um pediatra.
Chama a atenção também na crise da saúde a situação dos hospitais particulares. Nem quem paga um convênio médico em especial para fugir das filas e das esperas por consultas no Sistema Único de Saúde tem garantia de um atendimento rápido e eficiente. A saúde nunca foi uma área com funcionamento modelo, mas ao que tudo indica está cada vez pior. Parece que vai repetir o que ocorreu com as escolas públicas, que, aliás, já lideraram o ranking das melhores do país.
O cidadão, que matriculou seu filho na rede privada para fugir da má qualidade das escolas públicas, briga agora por um ensino melhor no setor privado. Saúde e educação requerem infraestrutura e se o governo não for capaz de garantir qualidade no setor público, só o privado não dá conta. Acaba no que estamos vendo ocorrer nas duas áreas.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

23 de março de 2013

 

Desoneração sem demagogia

 

* Júlia de Medeiros
 

 

Se pensar menos nas eleições e mais nos cidadãos brasileiros e no desenvolvimento econômico do país, certamente os partidos políticos vão encontrar na

desoneração um bom caminho para o crescimento.

 

 

Depois da desoneração dos produtos da cesta básica, o governo acena com a perspectiva de reduzir os impostos incidentes sobre as tarifas dos transportes públicos.

Baratear os preços dos principais produtos e serviços utilizados pela população de menor renda é iniciativa muito bem-vinda desde que a intenção não faça apenas parte de uma estratégia para começar a adoçar a boca dos eleitores de olho nas próximas eleições.
O custo da cesta básica no município de São Paulo na penúltima semana de março havia recuado 0,81%, segundo o Procon. Foi a primeira queda no custo dos produtos básicos depois de anunciada a desoneração de impostos pelo governo federal, em 8 de março. Contrariando previsões iniciais de empresários e políticos da oposição, os preços cederam com a redução de impostos.
Essa é uma clara demonstração de que com menos carga tributária é possível, sim, conter a alta dos preços. Além disso, é um bom indicativo de que os planos do governo federal de reduzir as tarifas de transporte público podem ser bem sucedidos.

Para tanto, governos municipais, estaduais e federais têm de concordar em abrir mão de tributos para que a redução ocorra. A medida pode parecer demagoga e eleitoreira, mas para o cidadão, em especial para os de menor renda, faz muita diferença no bolso.
A desoneração tributária, no entanto, tem de ser iniciativa de longo prazo e ganhar sobrevida muito além das eleições. Ela é benéfica para a população e para o estímulo à produção, uma vez que a alta carga tributária sempre é apontada como uma das principais vilãs da desindustrialização, ao lado da valorização cambial que facilita as importações.
Se pensar menos nas eleições e mais nos cidadãos brasileiros e no desenvolvimento econômico do país certamente os partidos políticos, independentemente dos interesses particulares, vão encontrar na desoneração um bom caminho para o crescimento.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

22 de fevereiro de 2013

 

Ainda há muito para fazer e cobrar até 2014

 

* Júlia de Medeiros
 

 

Bate-boca entre petistas e peessedebistas é uma afronta aos que buscam neste momento atendimento de saúde e educação com qualidade e não encontram na maior parte da rede púbica e até privada do país.

 


 

Candidatos à presidência da República nas eleições de 2014 já subiram no palanque. Mas este debate político no momento pouco interessa. Há mais com que se preocupar.

A economia ainda não mostra sinais de estabilidade no longo prazo. Os riscos de desemprego nos próximos meses ainda são grandes se a economia global se complicar. Além disso, pairam no ar ameaças de queda do poder de compra do consumidor se houver uma disparada da inflação.
Isso sem falar na política cambial que ainda desfavorece os exportadores e nos imensos gargalos de infraestrutura e tributários que emperram o desenvolvimento industrial e inibem a competitividade das empresas.

Bate-boca entre petistas e peessedebistas, além do mais, é uma afronta aos que buscam neste momento atendimento de saúde e educação com qualidade e não encontram na maior parte da rede púbica e até privada do país.
Também não deve interessar aos que estão perdendo parentes e pessoas queridas na violência crescente das ruas. Ainda é cedo para troca de farpas e acusações entre lideranças importantes em especial entre ex-presidentes. Essa conversa dificilmente deve ter atraído atenções de eleitores.
Fernando Henrique Cardoso reclama da comparação que Lula e petistas insistem em fazer entre os governos do PT e do PSDB. Lula aproveitou as comemorações dos dez anos do partido no poder para lançar a reeleição da presidente Dilma Rousseff e responder às críticas contra o governo do PT feitas por Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves, principal nome do PSDB às eleições presidenciais de 2014.
E a quem interessa esse teatro? Só a eles mesmos e a políticos e correligionários que estão mais interessados em se manter ou conquistar o poder do que resolver efetivamente os problemas do país. A ampliação do programa Bolsa Família e a redução do custo da energia elétrica em especial para o setor produtivo são medidas a serem comemoradas. Mas achar que já é o bastante para lançar campanha para as próximas eleições é um grande equívoco. A população espera ainda muito mais realizações da situação e muito mais cobranças da oposição.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

22 de janeiro de 2013

 

Combater o consumo para se livrar das drogas

 

* Júlia de Medeiros
 

 

A expressão cansada no rosto da filha de pai viciado em drogas traduzia o dilema vivido por familiares de usuários em situação de risco diante da necessidade de tomar uma decisão para não apenas tirá-los da rua como para protegê-los da morte.

 



A internação compulsória do pai, usuário de crack, pela filha, no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) marcou o primeiro dia de plantão judicial que analisa casos de internações compulsórias de dependentes químicos em São Paulo.
A história da funcionária autônoma que dopou o pai para interná-lo sem seu consentimento suscitou mais uma vez o debate sobre a eficácia ou não da medida assim como as discussões sobre a descriminalização das drogas de forma geral.
A expressão cansada no rosto da filha traduzia o dilema vivido por familiares de usuários de drogas em situação de risco diante da necessidade de tomar uma decisão para não apenas tirá-los da rua como para protegê-los da morte.
"Ele já usa crack há dez anos, já foi internado voluntariamente duas vezes, mas quis sair. Não quero que ele morra", dizia a filha sobre o pai de 62 anos. É improvável que uma pessoa viciada em situação semelhante ao desse pai tomaria a decisão por conta própria de buscar um tratamento, em especial a internação.
Por outro lado, é evidente também que essa deva ser apenas uma medida em meio a uma série de ações para efetivamente livrar o indivíduo do vício. Além disso, deve ser consenso entre os especialistas que é preciso promover a melhoria das condições psicológicas e sócia econômicas do usuário.
Nem todo um aparato de medidas, no entanto, incluindo a polêmica internação compulsória, no entanto, será suficiente para resolver o problema das drogas se nada for feito para evitar o consumo. Com descriminalização ou sem, o comércio de drogas só existe porque há usuários. Curar os que já estão doentes é uma coisa, impedir que outros venham a ficar doentes é outra.
E é nisso que o governo deve concentrar esforços. As campanhas deveriam priorizar a conscientização das famílias sobre a importância de combater a droga dentro de casa antes que ela se instale. Além de conscientizar, é necessário informar e orientar pais e educadores sobre a melhor forma de evitar que seus filhos experimentem e façam uso de drogas, lícitas ou ilícitas. Para se livrar das drogas e de suas consequências sociais é preciso combater o consumo.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

12 de dezembro de 2012

 

O nocaute da corrupção é da sociedade

 

* Júlia de Medeiros
 

 

A verdade é que a sociedade brasileira está evoluindo, cobrando, fiscalizando mais e exigindo que as instituições em especial o judiciário cumpra com suas obrigações. O mérito pela maior descoberta de casos de corrupção e punição de corruptos é da sociedade.

 


Dois recentes episódios no cenário político brasileiro colocam na berlinda a discussão sobre corrupção no Brasil.
De um lado a Justiça condena os envolvidos no mensalão, comemorada pela sociedade como marco para a impunidade dos corrptos. Do outro a imprensa divulga um novo escândalo de corrupção envolvendo pessoas próximas ao alto escalão, deixando a opinião pública novamente estarrecida com a ousadia dos envolvidos.
Diante desses fatos circulam por aí duas principais teses sobre corrupção. Uma delas é a de que se sabe mais sobre a corrupção hoje e mais casos foram descobertos e punidos recentemente do que em governos anteriores. A outra é a de que o governo petista é mais corrupto do que os antecessores.
Não há dúvidas de que a primeira hipótese parece a mais verdadeira, embora isso não signifique que seja mérito do PT o combate à corrupção. Ao contrário, inibir a ação dos corruptos pode ser desinteressante para qualquer partido político, onde sempre há políticos bem e mau intencionados.

Os principais interessados no fim da corrupção são os contribuintes, ávidos por ver seus impostos revertidos em boa educação, saúde e segurança, entre outros serviços.
A recente discussão entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, sobre se há mais corrupção nos governos petistas do que nos do PSDB ou se há mais ou menos investigação agora do que no governo de FHC é inócua.
A verdade é que a sociedade brasileira está evoluindo, cobrando, fiscalizando mais e exigindo que as instituições em especial o judiciário cumpra com suas obrigações. O mérito pela maior descoberta de casos de corrupção e punição de corruptos é da sociedade, que ainda tem muito a fazer para tirar o país do rol das nações mais corruptas do mundo.
Mudar o sistema de financiamento de campanhas políticas, criar leis como a nova lei orgânica dos tribunais de conta de 1992, que deu, ao Poder Judiciário, prerrogativas novas, tais como a paralisação de obras, é o caminho a seguir. Isso sem falar no papel da imprensa em investigar e denunciar de forma isenta os casos de corrupção.
As discussões em torno da corrupção deverão se acirrar cada vez mais com a proximidade das eleições de 2014 para a presidência da República. Em meio à divulgação dos mais recentes casos de corrupção, políticos já aproveitaram o tema para anunciar suas candidaturas.

Outros aproveitam para reascender a oposição que nos últimos anos tem se mantido apagada. O importante é que a população continue atenta e não deixe que ninguém se aproprie de um mérito que é só seu.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

17 de novembro de 2012

 

São Paulo paga preço alto por falta de vontade política

 

* Júlia de Medeiros
 

 

A violência foi intensificada em virtude da transferência de um integrante do primeiro escalão da facção PCC para fora do Estado, não há dúvida de que há muita agilidade e organização dos bandidos.

 


A expansão da violência por todo o Estado, incluindo o interior de São Paulo, coloca em dúvida a capacidade das autoridades de conter a ação dos criminosos.

A parceria entre o governo federal e o estadual, anunciada recentemente, pode ser que tenha trazido algum alívio à população, mas não foi suficiente para inibir os ataques e os assassinatos.
Se conforme noticiou a mídia, a violência foi intensificada em virtude da transferência de um integrante do primeiro escalão da facção PCC para fora do Estado, não há dúvida de que há muita agilidade e organização dos bandidos e, pior do que isso, as autoridades parecem que terão pela frente mais dificuldades para contornar a situação do que se pode imaginar.
Uma das medidas anunciadas, a criação de uma agência de atuação integrada de inteligência para combater a criminalidade no estado, parece ser a mais eficaz para o enfrentamento da situação.

É bem possível que, se levada a sério, traga bons resultados. O problema é que a população não pode esperar e os resultados desse tipo de iniciativa devem vir, no mínimo, no médio prazo.

Essa era uma medida que já deveria ter sido adotada há anos quando São Paulo viveu a primeira onda de ataques de facções criminosas.

A expectativa da população era a de que desde então o governo já havia tomado alguma providência para tornar a polícia tão ou mais ágil que os criminosos se antecipando às ações programadas pelas facções.

Essa segunda onda mostrou que nada ou muito pouco foi feito. É bem provável que por razões políticas.
São Paulo, ou melhor, a população paga um preço caro pela ausência de uma resposta eficaz à primeira onda de ataques e principalmente à inexistência de uma cooperação mútua, como a recém anunciada, entre o governo federal e o estadual nos últimos anos e principalmente com a inexistência de um órgão capaz de identificar as ações dos criminosos antes da sua execução.
O governador Geraldo Alckmin disse, após a assinatura do termo de cooperação, que todas as medidas anunciadas já estavam em andamento. Antes tarde do que nunca, mas não dá para esperar que, do dia para noite, a violência estará contida.

A rápida resposta dos bandidos à transferência de um líder é demonstração clara de que as facções estão muito organizadas.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

26 de setembro de 2012

 

Ficha limpa pode estar suja

 * Júlia de Medeiros
 

 

É difícil acreditar que candidatos, que respondem a algum processo na Justiça ou que já foram condenados, pertençam a um grupo de injustiçados, bem intencionados, que pretendem não só provar sua inocência como também contribuir para o bem-estar do cidadão brasileiro.

 

A ira contra a corrupção não se justifica pelo fato de que roubar os cofres públicos é um crime contra a sociedade, mas pela falta de sorte de não ter um cargo político que permita enriquecer a custas do erário.

Talvez esse seja o pensamento de um número expressivo de candidatos à Câmara com problemas legais que almejam um cargo para “se dar bem”.
Segundo levantamento realizado pela Folha, 14% dos 1.227 candidatos a vereador na cidade de São Paulo respondem a processos na Justiça ou receberam ao menos uma condenação.

Crimes contra a administração, incluindo infrações como corrupção e peculato - desvio de dinheiro por pessoa com cargo público, furto ou roubo e estelionato são os crimes mais comuns, segundo o levantamento.
É difícil, na verdade impossível, acreditar que esses candidatos que respondem a algum processo na Justiça ou que já foram condenados pertençam a um grupo de injustiçados, bem intencionados, que pretendem não só provar sua inocência como também contribuir para o bem-estar do cidadão brasileiro e o desenvolvimento econômico, social e político do país.
É mais fácil acreditar que um sujeito que está sendo processado ou que já foi condenado por algum crime esteja na verdade cavando uma nova oportunidade de se dar bem. Se durante sua campanha eleitoral faz críticas à corrupção é bem provável que, como foi dito anteriormente, sua ira contra os corruptos esteja mais voltada à falta de oportunidade de se dar bem do que ao crime cometido contra a sociedade.
Mas em geral o eleitor não tem todas as informações para identificar os candidatos mal intencionados. E, pior, há muita gente que acredita que a corrupção é só uma questão de oportunidade que, se aparecer, pode até ser bem-vinda.
O mais provável, no entanto, é que as informações sobre a ficha criminal dos candidatos não cheguem ao eleitor em virtude das brechas previstas pela legislação. Muitos candidatos ficha suja podem ter a ficha limpa. É que a lei Ficha Lima não inclui todos os tipos de crimes que aparecem num levantamento de certidões com pendências e condenações na Justiça.
Por isso, muita gente fica de fora da lei Ficha Limpa e o eleitor fica sem saber todos os detalhes da ficha criminal de seu candidato.

Essa é mais uma razão para que o eleitor desconfie dos candidatos e vasculhem sua ficha criminal, a não ser que concordem com a tese de que a corrupção é só uma questão de oportunidade.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

21 de agosto de 2012

 

Mudança curricular só para começar

 

* Júlia de Medeiros
 

 

A iniciativa pode ser positiva, mas a experiência mostra que além do currículo, o bom rendimento do aluno depende ainda da formação dos professores, da infraestrutura oferecida pela instituição de ensino e da participação dos pais na vida escolar dos filhos.

 


O Ministério da Educação prepara um novo currículo do ensino médio em que as atuais 13 disciplinas sejam distribuídas em quatro áreas: ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática.

Essa medida foi anunciada depois que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade das redes pública e particular de todo o país, revelou desempenho pior nos anos finais do ensino fundamental.
A iniciativa pode ser positiva, mas a experiência mostra que além do currículo, o bom rendimento do aluno depende ainda da formação dos professores, da infraestrutura oferecida pela instituição de ensino e da participação dos pais na vida escolar dos filhos.
Segundo os últimos dados do Ideb, 78% dos municípios superaram as metas de desempenho dos alunos do 1º ao 5º ano. Mas do 6º ao 9º ano, apenas 62% dos municípios atingiram a meta.

A explicação é que a política educacional do governo federal prioriza as primeiras séries do ensino fundamental, responsabilidade dos municípios. Por outro lado, o ensino médio é o foco principal dos governos estaduais.
Essa estratégia faz com que as últimas séries do ensino fundamental fiquem de fora das prioridades dos governos federal, estadual e municipal. Agora, o governo busca uma forma de compensação.

A ideia de concentrar todas as matérias do currículo em quatro áreas já foi aplicada em algumas escolas com sucesso, como no Rio de Janeiro.
Instituições fluminenses que dividiram as disciplinas em áreas do conhecimento e delegaram aos professores a incumbência de ministrar aulas em mais de uma matéria tiveram melhor desempenho no Ideb. No ranking dos anos finais, o Rio subiu da sexta para a quarta colocação do Ideb.
Criar programas específicos para a segunda etapa do ensino fundamental e ensio médio pode ser uma alternativa, mas também é preciso lembrar que o Ceará, estado que mais avançou no Ideb, investiu na formação de professores.

Até um tempo atrás, a maioria dos professores de alguns municípios do Estado, como Mucambo, que teve as melhores notas, não tinha ensino superior. Esta situação já vem se modificando estimulada por um plano de carreiras.
O resultado do Ideb mostra ainda que escolas com os piores resultados se encontram em áreas em que as condições econômicas são desfavoráveis e onde há sérios problemas de desagregação familiar, o que se reflete diretamente no grau de participação dos pais na vida escolar dos filhos. Avançar na educação requer mudanças culturais na área da educação e não apenas um rearranjo curricular.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

26 de julho de 2012

 

Que venham as denúncias e os julgamentos

 

* Júlia de Medeiros
 

 

As pendências políticas e judiciais devem vir à tona neste momento para que a população possa avaliar melhor os candidatos e os fatos.
Dizem que o brasileiro tem memória curta, então, nada melhor do que o período eleitoral para refrescar a memória do eleitor antes de enfrentar as urnas.

 


Tentar evitar o julgamento agora do mensalão alegando que o momento eleitoral é inoportuno para isso pode mais prejudicar do que ajudar os partidos acusados de participar do esquema junto à opinião pública. Considerando a máxima de que quem não deve não teme, os inocentes podem até se beneficiar do julgamento se no meio do processo eleitoral a inocência se comprovar.
O julgamento decidirá o futuro de 38 réus, entre os quais toda a cúpula nacional do PT e o ex-ministro José Dirceu, um dos principais líderes do partido.
Comprovada a inocência, o PT poderá ser beneficiado nas urnas, mas se condenados os acusados, pode perder votos. Mas é assim que tem de ser num país democrático.
Aliás, pendências políticas e judiciais devem vir à tona neste momento para que a população possa avaliar melhor os candidatos e os fatos.
Dizem que o brasileiro tem memória curta, então, nada melhor do que o período eleitoral para refrescar a memória do eleitor antes de enfrentar as urnas.
Uma delas é a divulgação de documentos obtidos pelas autoridades brasileiras que mostram que um dos filhos do deputado Paulo Maluf movimentou pessoalmente recursos que teriam sido transferidos ilegalmente para a ilha de Jersey, um paraíso fiscal, durante sua gestão como prefeito de São Paulo.
A Prefeitura de São Paulo move uma ação na Justiça de Jersey contra as empresas que controlam esse dinheiro e pede repatriação de US$ 22 milhões dos US$ 175 milhões que a família Maluf teria depositado na ilha.

Se não há dinheiro, não houve remessa ilegal, então não tem sujeira para empurrar para debaixo do tapete.
Que venham julgamentos e todas as denúncias porque essa sem dúvida tem sido a melhor parte da democracia brasileira.
Ainda não foi possível erradicar a corrupção, nem punir todos os corruptos, mas trazer a tonas os crimes, expô-los a sociedade e ao julgamento da Justiça são conquistas importantes da democracia que certamente vão ajudar a aperfeiçoar o sistema político e contribuir para que o eleitor brasileiro erre cada vez menos na hora de votar.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

18 de junho de 2012

 

Vida noturna ameaçada

 * Júlia de Medeiros
 

 

A intenção dos bandidos parecer ser a de levantar de forma rápida algum dinheiro ou objetos de fácil barganha para fazer algum trocado.
Essa parece mais uma faceta do tráfico e do consumo de drogas. Os jovens roubam para poder pagar dívida de drogas ou saciar momentaneamente o vício.

 

A animada vida noturna de São Paulo, um dos principais cartões de visita da cidade, está ameaçada pelos arrastões que têm levado terror e medo aos proprietários, funcionários e clientes de bares e restaurantes de diversos bairros paulistanos, entre os quais Liberdade e Higienópolis.
Até agora, nenhuma medida efetiva parece suficiente para inibir os bandidos. Este ano, já foram mais de vinte arrastões.
As autoridades estaduais, incluindo o governador Geraldo Alckmin, prometem aumentar o efetivo policial nas ruas e informaram que já estão fazendo isso.
Os donos de estabelecimentos comerciais adotam medidas de segurança, como câmeras e contratação de empresas particulares para reforçar a vigilância.
Os clientes, por sua vez, saem de casa sem relógio, jóias, celulares ou qualquer outro equipamento eletrônico. Estão munidos apenas do cartão de crédito para pagar a conta na expectativa de que os ladrões desistam da empreitada diante de tão poucas possibilidades de furtos.
Nada disso, no entanto, parece ser a solução ideal para o problema. A maior parte dos ladrões é formada por jovens, alguns menores de idade.
A intenção dos bandidos parecer ser a de levantar de forma rápida algum dinheiro ou objetos de fácil barganha para fazer algum trocado.
Essa parece mais uma faceta do tráfico e do consumo de drogas. Os jovens roubam para poder pagar dívida de drogas ou saciar momentaneamente o vício.
Contra esse mal é evidente que todas as medidas citadas, tanto a do governo, como as de proprietários e clientes, são paliativas.
O problema só vai se resolver com o combate efetivo às drogas que começa na prevenção.
No curto prazo, pode até ser que o maior policiamento, proteção dos estabelecimentos e mudança de hábitos de clientes contribua para isso.
O fato é que a vida noturna de São Paulo está ameaçada e que até esse cartão postal da cidade o tráfico conseguiu arranhar.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

22 de maio de 2012

 

Mais educação, menos presidiários

 

* Júlia de Medeiros
 

 

A sensação é que quanto mais presídios forem construídos, mais unidades serão necessárias porque eles logo vão atingir a super lotação. Especialistas concordam que os acusados não contam com uma defesa adequada e aos condenados não são oferecidas penas alternativas.

 


O sistema penitenciário de São Paulo não dá mais conta de atender ao número de presidiários no Estado.
Últimos dados divulgados mostram que a população encarcerada aumentou 9.216 pessoas só este ano, quase que o mesmo registrado durante todo o ano passado quando o sistema recebeu mais 9.504 presos.
As autoridades dizem que estão construindo mais presídios para acompanhar esse crescimento e os especialistas criticam o encarceramento como solução, enquanto a população certamente fica indignada em saber que o governo para resolver o problema gasta muito dinheiro que poderia ser empregado na construção de escolas, creches e hospitais.
Desde 2001, quando Geraldo Alckmin, do PSDB, assumiu pela primeira vez, o total de presídios dobrou e a população do Estado cresceu 12%. Sete presídios foram inaugurados desde então, segundo publicou a Folha de São Paulo, e outros 16 estão em construção.
A sensação é que quanto mais presídios forem construídos, mais unidades serão necessárias porque eles logo vão atingir a super lotação. Especialistas concordam que os acusados não contam com uma defesa adequada e aos condenados não são oferecidas penas alternativas.
É fato que muitos crimes poderiam prever outro tipo de pena que não o encarceramento. É verdade também, como argumentam os especialistas, que muitas vezes o réu não recebe do Estado assistência à defesa.
Agora, para a maior parte da população, que é trabalhadora, paga os impostos e quer criar seus filhos numa cidade com menos violência e mais tranqüilidade, construir presídios e criar alternativas de penas, parece insuficiente.
Mesmo aos olhos dos mais simples e menos informados é evidente que somente com investimento em educação para formar escolas que ensinam de verdade e não escamoteiam o conhecimento e o saber, além do acesso à moradia e saúde de qualidade é que é possível reverter essa situação.
E assim certamente vamos chegar no dia em que ao invés de construir presídios, o governo vai investir em parques, áreas de lazer e locais de convívio comum para que todos possam desfrutar de uma sociedade tranqüila e pacífica.

Esse certamente é o melhor caminho para estancar o crescimento da população carcerária no Estado.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

22 de abril de 2012

 

Só mudar a legislação não combate impunidade

 

* Júlia de Medeiros
 

 

As primeiras medidas de reformas no Código Penal só reforçam a ideia de que tornar a legislação mais eficiente é um passo importante para reduzir a criminalidade e tornar o país menos violento.
Mas a impunidade e a ineficiência na aplicação das leis continuam sendo o grande desafio para juristas e legisladores.

 


Os juristas responsáveis por analisar a reforma da legislação no
Senado decidiram permitir no novo Código Penal a negociação entre quem
furtou um bem e a vítima.

A conciliação, se aprovada pelo Congresso Nacional, poderá ser feita durante a investigação policial ou durante o processo. A medida permitira que o bem seja devolvido ou o valor ressarcido.
Assim, será evitada a condenação do réu contribuindo para diminuir a
superlotação dos presídios.
A medida pode parecer mais uma benevolência no tratamento com
quem infringe as leis para boa parte da população de um país descrente na
Justiça e cansada da impunidade.

Por outro lado, medidas como essas se acompanhadas da aplicação efetiva da legislação de forma geral e do maior rigor com crimes hediondos pode contribuir para a construção de um sistema penitenciário mais justo e eficiente.
A superlotação dos presídios em nada tem contribuído para a punição dos infratores nem muito menos para a reabilitação dos que uma hora ou outra vão retornar à sociedade.

Além das condições sub-humanas às quais nem mesmo os piores bandidos devem ser submetidos sob pena de colocar em cheque a própria civilidade da sociedade, os condenados por pequenos furtos ou crimes menos graves não encontram na punição aplicada a oportunidade de se redimir e recomeçar a vida.

Por outro lado, tornar mais graves crimes então considerados não tão importantes, como a oferta de álcool para menores que poderá ser punido com um a dois anos de prisão, só terão eficiência se a legislação for cumprida e os infratores não encontrem brechas jurídicas para amenizar a penalidade. Além disso, é necessária uma infra-estrutura policial para que os crimes sejam fiscalizados e de fato combatidos.

As primeiras medidas de reformas no Código Penal só reforçam a ideia de que tornar a legislação mais eficiente é um passo importante para reduzir a criminalidade e tornar o país menos violento.

Mas a impunidade e a ineficiência na aplicação das leis continuam sendo o grande desafio para juristas e legisladores.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO

24 de março de 2012

 

A educação das contradições

 * Júlia de Medeiros
 

 

Os alunos da rede de ensino estadual com dificuldade de aprendizagem deixam de ter esse reforço.
Ao invés disso, eles passam a contar com mais um professor em sala de aula para ajudar no aprendizado.
O argumento das autoridades de educação é que era baixa a frequência dos alunos nas aulas extras.

 

Os alunos da rede de ensino estadual com dificuldade de aprendizagem, que assistiam cerca de três aulas extras semanais, deixam de ter esse reforço escolar por determinação da Secretaria da Educação. Ao invés disso, eles passam a contar com mais um professor em sala de aula para ajudar no aprendizado.
O argumento das autoridades de educação é que era baixa a frequência dos alunos nas aulas extras. Pode até ser, mas a decisão parece contraditória uma vez que o reforço escolar é um dos pilares dos sistemas de ciclos em que não há repetência em alguns deles.
O objetivo desse reforço dentro do sistema de ciclos é superar a defasagem sem que o aluno necessite refazer toda a série ou freqüentar a recuperação de fim de ano. A decisão só deverá alimentar as críticas contra esse modelo e a eliminação das repetências para os alunos que não conseguem aprender os conteúdos.
A direção da Associação Paulista de Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) diz que não há participação da categoria nessa decisão e que são contrários à medida. O atual governo parece querer investir na ideia lançada pelo ex-governador José Serra de manter um professor auxiliar na sala de aula.
A iniciativa até seria positiva. Porém, faltam à política de educação um comprometimento efetivo com o aprendizado e investimento não apenas em salas de aulas, que, segundo alguns, por falta delas é que as aulas de reforço estão sendo canceladas, como em recursos humanos.
No início deste ano, o governo teve de convocar até professores reprovados em seus concursos por falta de mão de obra. Só professores comprometidos com a missão de ensinar vão ter alunos imbuídos do desejo de aprender.
E isso só acontece quando os professores são bem remunerados e em encontram nas escolas e na coordenação pedagógica o apoio necessário para isso.
Nada adianta colocar mais um professor despreparado em sala de aula ou sem uma orientação bem definida de qual é seu papel e sua contribuição na recuperação da defasagem do aprendizado.
Essa clareza na política de educação, no entanto, só é possível quando há coerência para evitar medidas surpreendentes quase no meio do ano, como a de suspensão das aulas de reforço.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 27-02-2012

 

Saúde pública e religião

 * Júlia de Medeiros
 

 

Artigos publicados, em 2011, pela revista médica britânica The Lancet sobre “A saúde dos brasileiros”,  recomendam a ampliação dos gastos do governo na área da saúde e o aprimoramento da infraestrutura para reduzir a dependência de serviços privados.

 


A Saúde Pública será o tema da Campanha da Fraternidade deste ano. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi ousada em colocar esse assunto em discussão por dois motivos.
Um deles é porque é ano de eleições há consenso de que as iniciativas nas esferas federal, estadual, municipal deixam muito a desejar. O outro é que o avanço em algumas questões de saúde pública, como planejamento familiar e aborto, encontra não só na Igreja Católica como em outras religiões um forte obstáculo.
Ao lançar a Campanha da Fraternidade este ano, o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, avaliou, com razão, que a saúde pública no Brasil não vai bem. Mostrou preocupação com a decisão do governo de cortar cerca de R$ 5 bilhões da área de saúde.
A Igreja, no entanto, reconhece alguns avanços, como a redução da mortalidade infantil e o aumento da eficiência da vacinação e do tratamento da AIDS.
Esse posicionamento vai ao encontro de boa parte do conteúdo dos artigos publicados, em 2011, pela revista médica britânica The Lancet sobre “A saúde dos brasileiros”. O trabalho recomenda a ampliação dos gastos do governo na área da saúde e o aprimoramento da infraestrutura para reduzir a dependência de serviços privados, entre outras coisas.
Além disso, aponta resultados positivos na área, como a redução significativa da mortalidade causada pela doença de Chagas, esquistossomose, diarréia infantil, cólera e AIDS. Mas destaca um ponto importante: o número de abortos ilegais e a hipermedicalização dos partos comprometem a saúde das mães.
A preocupação com o assunto em especial na América do Sul, voltou à tona pela Revista Lancet em janeiro deste ano. O número de abortos clandestinos, segundo a publicação, cresceu 5%, sobre tudo em países em vias de desenvolvimento, entre 1995 e 2008.
Os abortos inseguros, que segundo a Organização Mundial de Saúde, são as interrupções de gravidez realizadas por um indivíduo sem as habilidades necessárias ou em ambientes que não esteja de acordo com padrões médicos mínimos – foram causa de 220 mortes por 100 mil procedimentos em 2008, 35 vezes mais do que abortos legais nos Estados Unidos e quase uma em cada sete mortes maternas.
Outro dado importante é que nesse período foram realizados 2,2 milhões mais abortos totalizando 43,8 milhões, refletindo, segundo os cientistas, o aumento da população mundial e ao uso menor de contraceptivos, em especial em países em desenvolvimento.
Será que a Igreja vai levar esses dados em consideração? Como já disse diversas vezes o médico Dráuzio Varella, o planejamento familiar e o combate à gravidez precoce esbarram em questões religiosas e políticas. Em pequenas cidades, onde a Igreja exerce grande influência, os políticos nem ousam distribuir preservativos nos postos de saúde com medo de contrariar a autoridade religiosa local e perder votos.
E é justamente nessas pequenas e pobres localidades do agreste brasileiro em que a saúde pública vai pior ainda. A Igreja escolheu um bom e útil tema, mas vai ter de enfrentar os próprios dilemas.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 24-01-2012

 

Operação cracolândia é ato simbólico

 * Júlia de Medeiros
 

 

Algumas estatísticas mostram que os atendimentos a usuários de crack correspondem a maior parte das consultas realizadas nos ambulatórios psiquiátricos.

O problema é que faltam profissionais especializados e dispostos a atender esse público.

 


As cenas de demolição dos prédios utilizados de abrigo e esconderijo para usuários de drogas na Cracolândia podem representar para alguns até o golpe de misericórdia contra o pior símbolo dos efeitos nocivos do uso do crack em São Paulo.
Mas não precisa ser especialista para saber que a guerra contra o tráfico e o vício da droga só está começando e que há muito a fazer não só para vencer os traficantes como para evitar que mais e mais pessoas em especial crianças e adolescentes se deixem seduzir pelo crack.
Retirar os usuários da região, oferecer tratamento e em especial ocupar a área com atividades culturais, esportivas e de lazer é uma boa alternativa para tentar arrancar do paulistano a triste lembrança deixada pela Cracolândia.

Se não forem tomadas outras medidas mais complexas e abrangentes, no entanto, a zona do crack só vai mudar de área e o problema de lugar. Aliás, é isso mesmo o que já vem ocorrendo.
Nunca foram tão elevadas as ocorrências envolvendo usuários de crack no interior de São Paulo. Em algumas cidades do interior do país a droga já vem sendo usada até por trabalhadores rurais com objetivo de elevar a produtividade nas colheitas. Cidades pequenas e pacatas já vivem as conseqüências da expansão do consumo do crack.

Além de combater o tráfico, é preciso uma política que, além da polícia, envolva as áreas de saúde, lazer e cultura. Depois de instalado o vício, a saída é ampliar os atendimentos médicos em especial nos laboratórios psiquiátricos.

Algumas estatísticas mostram que os atendimentos a usuários de crack correspondem a maior parte das consultas realizadas nos ambulatórios psiquiátricos. O problema é que faltam profissionais especializados e dispostos a atender esse público.
Antes que o vício se instale, no entanto, é necessário um conjunto de ações que integrem as áreas de saúde, lazer e cultura. Faltam ainda campanhas mais detalhadas e eficientes para prevenção.

É preciso uma linguagem menos convencional e mais direcionada aos jovens. Dizer que o crack é ruim, por exemplo, é bobagem.
Quando o jovem experimentar a droga e achar bom vai pensar que as campanhas estavam enganadas. É preciso dizer que a droga pode trazer prazer, mas que é cada vez mais difícil saciar esse prazer e que as conseqüências disso é a degradação física, psíquica e social.
Essas campanhas têm de estar nas escolas, nos postos de saúde, nas áreas de lazer. Para combater a droga, é preciso falar sobre ela enfrentando os tabus e os medos em especial de pais, mães e educadores.

A operação na cracolândia é só um ato simbólico porque é preciso colocar a mão na massa e trabalhar duro para que a sociedade decida dizer não ao crack e às drogas de forma geral.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 22-11-2011

 

Definições e indefinições para 2012

 * Júlia de Medeiros
 

 

Sem a reforma tributária e impostos mais justos para a produção brasileira vai ser difícil o Brasil se sobressair em especial entre os países emergentes do chamado Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

 


O ano de 2011 está quase no final e muitas indefinições de ordens política e econômica dificultam as previsões para o próximo ano. A economia foi bem, embora comece a dar sinais de que não tão bem quanto em 2010.
A presidente Dilma Rouseff, se não manteve os índices de aprovação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, agradou a boa parte dos brasileiros e não fez feio até agora.
Questões importantes para o tão sonhado desenvolvimento sustentável ainda estão pendentes entre as quais a propagada reforma tributária, até agora só nas discussões e no papel, e principalmente a erradicação efetiva de dois grandes males no país: a corrupção e a violência.
Sem a reforma tributária e impostos mais justos para a produção brasileira vai ser difícil o Brasil se sobressair em especial entre os países emergentes do chamado Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).
Mas antes disso, a presidente tem pela frente uma ameaçadora crise econômica na Europa que pode gerar estragos em todas as partes do planeta.
Amenizar o impacto da fera na economia nacional será um desafio.
Mas quanto à corrupção e a violência, é possível fazer muita coisa ainda. A primeira delas é tomar medidas efetivas para inibir os favores e os favorecimentos na esfera federal.
A segunda é replicar condutas como a do secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, que tem combatido a violência no Rio de Janeiro por meio de uma estratégia eficaz e acima de tudo com muita vontade política e efetiva de vencer a criminalidade.
Para as questões corrupção e violência é só eliminar dos cargos públicos pessoas com perfis semelhantes aos dos políticos até agora afastados do cargo e deixar de escolher para essas funções nomes com base em acordos partidários. Por outro lado, basta se inspirar em profissionais competentes, como Beltrame, e oferecer a eles a oportunidade de fazer alguma coisa pelo país.
Há muitos anos se dizia que o Brasil não tinha jeito, mas os últimos anos mostraram que não só tem jeito como pode se tornar uma Nação ainda melhor. É só ter vontade política e arregaçar as mangas.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 28-10-2011

 

A corrupção na Copa e das Olimpíadas

 * Júlia de Medeiros
 

 

Mais surpreendente ainda é constatar que as denúncias envolvem políticos do PCdoB, partido que, por sua trajetória e origem, esteve sempre à margem do governo e na oposição justamente por levantar a bandeira das injustiças sociais.

 


As denúncias de envolvimento de mais um ministro do governo Dilma Rouseff em desvio de dinheiro público parecem não surpreender a população.
A impressão que se tem é que corrupção é inerente ao setor público e que agora a bola da vez é o ministro Orlando Silva, do Esporte, mas a qualquer momento pode surgir outro sem causar espanto ao cidadão brasileiro.
A atitude da presidente Dilma Roussef de afastar os envolvidos mesmo antes de comprovadas ou julgadas as denúncias parece contar com o apoio da população, mas com a multiplicação dos casos a reação da presidente mesmo que imediata se torna banal e sua autoridade e rigidez no trato dos casos de corrupção se mostram ineficientes no combate do desvio de recursos públicos.
Dessa vez a situação tem o agravante de envolver Organizações Não Governamentais (ONGs) que em princípio são instituições criadas justamente para contribui para reduzir as injustiças sociais, oferecer oportunidades de inserção social para os menos favorecidos e contribuir para nesse caso para a formação de cidadãos.
É impossível admitir que corruptos se utilizem desse artifício para roubar os cofres públicos. E muito menos que autoridades federais compactuem com esse tipo de esquema.
Mais surpreendente ainda é constatar que as denúncias envolvem políticos do PCdoB, partido que por sua trajetória e origem esteve sempre à margem do governo e na oposição justamente por levantar a bandeira das injustiças sociais contra as quais ainda pouco se fez no país, apesar da ascensão econômica das classes mais pobres nos últimos anos.
É bem verdade que a presidente Dilma tentou sustentar o ministro Orlando Silva por mais tempo à frente do ministério, mas ela teve a consciência de que  a população sempre espera alguma atitude do poder Executivo e em especial do Judiciário que indique punições mais sérias para a corrupção.
É uma afronta ao país ver o dinheiro público ir parar na mão de corruptos por meio de bonés, camisetas e até merenda.
Vai ser difícil engolir que no país da Copa e das Olimpíadas o dinheiro, que deveria ser usado para formar futuros esportistas, esteja indo para o bolso de "comunistas".

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

OPINIÃO DE 22-09-2011

 

Mais saúde, menos impostos

 * Júlia de Medeiros
 

 

O Diante dos escândalos de corrupção que revelam ministros usando dinheiro público até para pagar seus funcionários domésticos, a aprovação de um novo imposto chega a ser uma afronta ao país. .

 


A rejeição pela Câmara dos Deputados da criação de um novo imposto para financiar a saúde pública no país deve ter trazido alívio à maior parte da população.

O novo tributo só seria uma forma de tornar ainda mais cara a conta paga pelo contribuinte por um serviço com o qual boa parte nem utiliza e a outra, que não tem alternativa, é obrigada a se submeter mesmo ciente de que a qualidade oferecida quase sempre é muito ruim.
Não há dúvida de que o Brasil precisa de mais saúde, mas a certeza é de que não é necessário um novo imposto para isso.
Diante dos escândalos de corrupção que revelam ministros usando dinheiro público até para pagar seus funcionários domésticos, a aprovação de um novo imposto chega a ser uma afronta ao país.
Isso sem falar em outros desperdícios de verbas públicas, como o aumento do número de vereadores em vários municípios, que poderiam ser eliminados para sobrar mais recursos para a saúde e ainda sobra algum para a educação.
Além de rejeitar a proposta do imposto, a Câmara aprovou projeto que impede que os estados considerem despesas com saúde os gastos com saneamento básico, merenda escolar e aposentadorias.

Prevê ainda punição para quem não cumprir as regras. Os estados já começaram a chiar e a reivindicar mais dinheiro para a saúde.

A reivindicação é justa porque a população quer mais saúde com menos imposto.
Os governadores reclamam que o orçamento está apertado e que faltam recursos para saúde. Então que reduzam o número de secretários, os cargos de comissão e outras gorduras nas secretarias e órgãos públicos que certamente a população não vai sentir a menor falta.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 23-08-2011

 

Da superlotação ao fracasso escolar

 * Júlia de Medeiros
 

 

O problema é mais crítico justamente no ensino fundamental, período essencial para o melhor desempenho do aluno em toda sua vida escolar.
O levantamento mostra que 30% das salas de aulas dessa fase estão superlotadas.

 

A superlotação em 60% das salas de aulas das escolas paulistas estaduais é mais um exemplo do quanto o padrão do sistema de ensino no país está longe do necessário para atender as necessidades de uma nação que configura entre as maiores economias do mundo.

Além do aperto, os estudantes reclamam da falta de carteiras. A Secretaria Estadual da Educação admite haver salas de aulas com mais alunos do que o indicado.
O argumento é que faltam terrenos para construir novas escolas. Problemas como esses, no entanto, já deveriam ter sido solucionados uma vez que os esforços devem se concentrar no combate ao fracasso escolar, um dos maiores desafios da educação brasileira.

Mas o problema é mais crítico justamente no ensino fundamental, período essencial para o melhor desempenho do aluno em toda sua vida escolar.
O levantamento mostra que 30% das salas de aulas dessa fase estão superlotadas. São Paulo é a terceira rede estadual com a maior média de alunos por turma do país no ensino básico.

Apesar da polêmica, entre os especialistas, sobre as vantagens ou não de classes menores, há consenso de que turmas reduzidas podem contribuir para o melhor aprendizado dos alunos carentes.
Problemas de estrutura, como superlotação, parecem em princípio a parte mais simples do problema porque à medida que os recursos são aplicados efetivamente a questão vai estar sanada.

A parte mais difícil é identificar as causas do fracasso escolar e das dificuldades de aprendizagem para utilizar os métodos pedagógicos mais eficientes na solução do problema.
Ainda há muita dúvida e questionamento sobre se o problema está no sistema de progressão continuada, que permite ao aluno avanços sucessivos e sem interrupções nas séries, ciclos ou fases.

Questiona-se ainda a formação do professor, o sistema de remuneração e sua influência no fracasso escolar. Tem ainda questão que envolve a família e de quanto os pais, mães e familiares de forma geral podem e devem contribuir para a redução do fracasso escolar.
Esses problemas são muito mais difíceis de serem solucionados. Precisam do maior empenho das autoridades e da participação de toda a comunidade, pais, professores, diretores e profissionais da educação e da saúde. Enquanto ainda estamos preocupados com salas de aula superlotada questões tão importantes continuam sendo empurradas com a barriga.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 23-07-2011

 

Ainda não é a hora dos parabéns

 * Júlia de Medeiros
 

 

A prefeitura investiu 19,2% do orçamento na saúde, índice superior aos 15% previstos pela lei. Mas a espera para exames continua longa, o agendamento de consultas é falho, além de que há hospitais que funcionam abaixo de sua capacidade e atendem menos pessoas do que poderiam atender.

 

O prefeito Gilberto Kassab merece parabéns por ter aumentado os gastos com saúde, educação e transportes em 2010 ou precisa de um “puxão de orelhas” por não ter oferecido serviço de qualidade nessas áreas essenciais, apesar do orçamento maior?
Essa é a pergunta que deixa no ar o parecer do Tribunal de Contas do Município (TCM) sobre a gestão Kassab, divulgado em meados de julho.
O relatório diz que o gasto médio anual por aluno subiu de R$ 4.200, em 2007, para R$ 6.300, no ano passado, mas avalia que o investimento não se refletiu de forma qualitativa.
O documento aponta falhas sérias nos serviços de educação, como falta de pessoal de apoio e de professores substitutos, além do baixo investimento na capacitação.
A prefeitura investiu 19,2% do orçamento na saúde, índice superior aos 15% previstos pela lei. Mas a espera para exames continua longa, o agendamento de consultas é falho, além de que há hospitais que funcionam abaixo de sua capacidade e atendem menos pessoas do que poderiam atender.
A Prefeitura divulgou nota informando que irá avaliar as ponderações do TCM e que as falhas apontadas serão avaliadas. Destacou, no entanto, a importância da aprovação das contas da administração municipal pelo TCM. Num país em que a corrupção e enriquecimento ilícito já derrubaram dois ministros e assessores em menos de um ano de governo, contas aprovadas são comemoradas como uma grande vantagem.
Contas aprovadas são na verdade obrigação, assim como serviço com qualidade. A carga tributária no País é uma das mais altas do mundo, enquanto o ensino básico ainda é muito precário e o atendimento médico muito abaixo do necessário para atender as necessidades da população.
A resposta, então, para a pergunta inicial é que ainda não é hora de dar os parabéns à gestão Kassab, mesmo porque para a população a parte que interessa desse relatório é a de serviços.
Boa parte sequer sabe o que é TCM e é bem provável que pelo serviço oferecido em hospitais e escolas, a população queira dar mesmo é um bom “puxão de orelhas”.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

 

OPINIÃO DE 21-06-2011

 

Saúde revela sua verdadeira face

 * Júlia de Medeiros
 

 

A dificuldade dos pacientes em marcar exames, pronto-socorros abarrotados de gente, pacientes depositados em macas pelos corredores dos hospitais, são rotinas na medicina brasileira.
Os pacientes culpam os médicos, que responsabilizam o sistema, que alega a falta de recursos.

 



As denúncias sobre médicos da rede estadual acusados de um esquema de fraude em plantão são mais uma faceta do caótico sistema de saúde não só em São Paulo, mas em todo o país.
A medicina púbica e em muitos casos a privada deixa muito a desejar e não atende às necessidades da população.
De um lado temos médicos recebendo salários por plantões não cumpridos. Do outro, temos profissionais, médicos e enfermeiros, maus remunerados e exaustos pelo excesso de carga horária.
Na rede privada, em muitos casos a situação não é diferente. Uma vez que o custo de uma consulta repassada aos médicos fica abaixo do valor de muitos serviços prestados por profissionais em outras áreas.
Há médicos encerrando atividades em consultórios por dificuldade em manter os gastos com aluguel, energia elétrica, telefone e secretária.
Esse problema associado a outros, como dificuldade dos pacientes em marcar exames, pronto-socorros abarrotados de gente, pacientes depositados em macas pelos corredores dos hospitais, são rotinas na medicina brasileira.
Os pacientes culpam os médicos, que responsabilizam o sistema, que alega a falta de recursos, que pode ser resultado da falta de vontade política de mudar essa situação ou simplesmente do desvio de verbas da saúde para áreas eleitoralmente mais interessantes para os governantes.
A verdade, no entanto, é que sem saúde, assim como sem educação, é impossível vislumbrar um país desenvolvido e em ascensão econômica mesmo que os resultados financeiros por hora sejam exuberantes.
A saúde e a educação de um povo estão diretamente ligadas a sua condição social e cultural.
Não há população doente ou sem instrução evoluída.
Quando se trata de saúde, no entanto, há ainda um fator ainda mais preponderante: vida.
É impossível aceitar esquemas como esse de fraude de plantões enquanto milhares de pessoas ainda padecem sem assistência médica e saúde descente.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

 

 

OPINIÃO DE 22-05-2011

 

Sem certo nem errado

 * Júlia de Medeiros
 

 

Aí vem o MEC e distribui uma publicação dizendo que é certo falar errado, certo? Errado.
Nem tanto a terra nem tanto ao céu. A discussão deve passar pela questão de lingüística, ciência que tem como objeto de estudo a linguagem, que tem princípios gramaticais.

 

A polêmica causada pelo livro didático “por uma Vida Melhor”, de Heloísa Ramos, publicado pela ONG Ação Educativa, uma das mais respeitáveis da área, é um reflexo da situação precária em que se encontra a educação no Brasil.
Segundo a obra, distribuída pelo Programa do Livro Didático, do Ministério da Educação (MEC), construções como “os livo ilustrado mais interessante estão emprestado” não são exatamente erros, mas são inadequadas para determinados contextos.
A afirmação provocou chiadeira de todos os lados incluindo da Academia Brasileira de Letras (ABL). A principal crítica, claro, é que a tese da obra pode levar as crianças a falar errado e achar isso certo, além de incentivar uma anarquia linuguística.
Os alunos brasileiros exibem notas sofríveis nos indicadores internacionais da qualidade de ensino. Boa parte dos estudantes chega à terceira ou quarta série do ensino fundamental sem saber muitas vezes sequer completar uma frase escrita.
A preocupação é ainda maior porque há um consenso de que o crescimento econômico sustentável do País e a tão propagada redução da miséria pela presidenta Dilma Rousseff dependem da melhoria da qualidade de ensino e do maior acesso da população à educação de qualidade.
Aí vem o MEC e distribui uma publicação dizendo que é certo falar errado, certo? Errado. Nem tanto a terra nem tanto ao céu. A discussão deve passar pela questão de lingüística, ciência que tem como objeto de estudo a linguagem, que tem princípios gramaticais independentemente do idioma e que diferentemente da escrita pode ser desenvolvida sem que precise ser ensinada.

Qualquer criança em contato com um novo idioma pode adquiri-lo.
É importante que o educador leve em consideração esse fator no processo de aprendizagem. A escrita é diferente da linguagem. O regionalismo e a cultura da criança devem ser respeitados e considerados pela escola, sem preconceito e discriminação. A postura e a ética do educador é que deve se pautar por esse fator lingüístico e não a criança que deve aprender errado. O educador deve saber lidar com o diferente sem deixar que isso atrapalhe de forma negativa o processo de aprendizagem. O educador deve ter o olhar livre de preconceito em relação à cultura da criança para melhor poder transmitir o ensinamento e o conhecimento da escrita culta e aceita pela sociedade.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 22-04-2011

 

Sacolinhas “são a ponta do iceberg”

 * Júlia de Medeiros
 

 

A eliminação das sacolinhas de plásticos trará custos na hora das compras no supermercado para os que optarem por adquirir uma embalagem reciclável, produzida com amido, a um custo médio de R$ 0,19 cada.

 

A expectativa de extinção de sacolas plásticas em todo o estado de São Paulo até o final deste ano, resultado de um acordo, sem força de lei, firmado entre o governo e supermercadistas, tem provocado não só polêmica, mas em especial o receio do consumidor de ter de arcar com a conta mais alta.
Não há dúvida de que as sacolas plásticas são nocivas ao meio ambiente, provocando sérios danos à vida marinha, além de serem uma das causas de entupimentos de bueiros, enchentes e inundações.
É preciso, no entanto, escolher o melhor caminho para que a medida alcance a eficiência desejada.
As “sacolinhas” são em geral reutilizadas pelo
consumidor como sacos de lixo, apontam pesquisas.
A eliminação delas trará custos na hora das compras no supermercado para os que optarem por adquirir uma embalagem reciclável, produzida com amido, a um custo médio de R$ 0,19 cada.
O consumidor terá também de passar a comprar sacos pretos para o depósito do lixo, que, segundo a indústria, começam a ser fabricados com material reciclável.
O consumidor tem a opção ainda de adquirir sacolas retornáveis de pano a um custo médio estimado em R$1,80, embora as mais sofisticadas cheguem a custar até dez vezes mais do que esse valor.
Podem, no entanto, optar por carrinhos de feiras e outras sacolas.
Há ainda outro lado do mercado, o dos empresários e trabalhadores. A estimativa é que o setor movimente entre R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano com a produção de 14 bilhões de sacolas e empregue cerca de 30 mil trabalhadores.
As fábricas precisam de tempo para adaptação ao novo mercado e a substituição de equipamentos próprios para fabricar sacolas retornáveis.
Há especialistas que ponderam ainda a utilização de alimento, o milho, para fazer sacolas, o que poderia inflacionar o mercado de comida.
Todas essas questões precisam estar equacionadas e bem explicadas em especial para o consumidor. Ele precisa perceber o custo benefício da iniciativa.
Se a medida não tem força de lei, só funcionará de fato com o apoio e a adesão de toda a sociedade que precisa estar ainda conscientizada de que as “sacolinhas” representam apenas 1,29% do lixo nacional, o significa que essa é só a ponta do iceberg e que há muito ainda por fazer para equacionar o problema de lixo ambiental.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 22-03-2011

 

As lições do Japão

 * Júlia de Medeiros
 

 

É possível listar uma série de ensinamentos que a dolorosa experiência japonesa tem oferecido ao mundo em especial ao povo brasileiro. O menor deles, no caso do Brasil, é com relação à usina nuclear, mesmo porque, segundo especialistas, apenas 3% da energia consumida no País têm origem atômica.

 

O terremoto, que abalou o Japão provocou o tsunami e por fim causou vazamentos na usina nuclear de Fukushima, desencadeou uma série de questionamentos, que vão dá eficácia e riscos das centenas de usinas nucelares espalhadas pelo mundo à ineficiência e incapacidade do Brasil de construir e reparar obras essenciais, como recapeamento de estradas e saneamento básico, e até de evitar atrasos nas obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
É possível listar uma série de ensinamentos que a dolorosa experiência japonesa tem oferecido ao mundo em especial ao povo brasileiro. O menor deles, no caso do Brasil, é com relação à usina nuclear, mesmo porque, segundo especialistas, apenas 3% da energia consumida no País têm origem atômica. Mas as lições são inúmeras em relação à cidadania, ao respeito, à resiliência, à dignidade e à agilidade na equação dos problemas que afligem a população.
A ausência de saques tão comuns nessas situações, a disciplina das pessoas nas filas de espera por comida ou algum serviço e ainda a tolerância do povo japonês diante das declarações e informações fornecidas por autoridades foram cenas recebidas com surpresa e admiração por populações de todas as partes do planeta. Trata-se de um povo ingenuamente pacífico ou detentor de valores humanos?
Essa é uma das interrogações que ficam. Mas a julgar por histórias como a relatada à Folha de São Paulo pelo chefe de cozinha Jun Sakamoto, a segunda hipótese é a verdadeira. Ele contou que sua amiga, moradora de Tóquio, estava no supermercado e viu uma senhora carregando dois galões de água.
Sua amiga se ofereceu para ajudar essa senhora, assim ela poderia carregar mais galões. Mas a senhora teria recusado a ajuda com a seguinte frase: “Muita gente vai precisar dessa água”. O tratamento oferecido aos idosos nos resgates e nos alojamentos é outra demonstração da valorização humana pelo povo japonês.
O que mais surpreendeu os brasileiros, no entanto, é a rapidez com que o Japão reconstruiu uma estrada destruída pelo terremoto seguido do tsunami. Seis dias foram suficientes para que a estrada estivesse reconstruída sem uma marca sequer do desastre natural. Enquanto isso, o cidadão brasileiro passa semanas, às vezes meses e anos desviando de um buraco perto de casa ou na avenida que conduz ao seu trabalho. E ainda nos perguntamos qual será a explicação do Brasil para o atraso nas obras da Copa de 2014, reclamado pela FIFA.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 22-02-2011

 

Mais educação no combate aos vícios

 * Júlia de Medeiros
 

 

Só campanhas mais incisivas orientadas por autoridades das áreas de saúde educação podem reverter estatísticas que mostram o aumento do consumo de drogas por pessoas cada vez mais jovens.

 

Assim que a prefeitura de Nova York anunciou o veto ao fumo também em espaços abertos, um projeto de autoria do deputado estadual Vinícius Camarinha, do PSB, foi apresentado à Assembléia Legislativa de São Paulo com a mesma proposta de combater o cigarro em parques e praias causando polêmica até entre especialistas da área. A pergunta no ar agora é se é necessária essa intolerância extrema ao cigarro para reduzir o consumo em especial entre a população mais jovem.
O argumento do autor do projeto é que a legislação ainda mais rígida vai proteger as pessoas da fumaça, mas em estados, como São Paulo, em que já existem muitas restrições aos fumantes e em que é proibido fumar em lugares públicos, talvez enfatizar campanhas direcionadas aos jovens seria uma estratégia mais eficiente e adequada ao processo de combate ao fumo iniciado há alguns anos.
A última pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer no final do ano passado revela que os jovens brasileiros são a parcela da população que menos procurou algum tipo de ajuda para deixar de fumar e que começam a fumar muito cedo, com apenas 17 anos.
Em algumas regiões ainda antes, como no Centro-Oeste, onde começam a dar as primeiras tragadas antes dos 15 anos.
Outro dado da pesquisa importante é que os jovens são mais sensíveis à propaganda e são atraídos por ela com mais facilidade.
Esses dados só reforçam a tese de que os esforços no combate às drogas agora devem evoluir no que diz respeito à conscientização e educação da população mais jovem.
O mesmo deve ocorrer em relação a outras drogas, em especial ao crack, que, segundo psiquiatras, pode viciar na primeira vez uso.
Só campanhas mais incisivas orientadas por autoridades das áreas de saúde educação podem reverter estatísticas que mostram o aumento do consumo de drogas por pessoas cada vez mais jovens. Talvez não seja hora de fazer mais restrições, mas de concentrar as ações em campanhas de conscientização e educação da população.

 

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 26-01-2011

 

É hora de começar a agir para mudar

 * Júlia de Medeiros
 

 

Maior rigor na punição para prefeitos que tratam com descaso ou fazem vistas grossas às ocupações de áreas de risco. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e o vice-presidente, Michel Temer, manifestaram a intenção de elaborar um pacote de medidas com punições mais contundentes aos municípios coniventes com ocupações irregulares.

 


Há um consenso entre a população e as autori-dades públicas de que as tragédias provocadas pelas chuvas que castigaram a região Sudeste do Brasil poderiam ter sido evitadas.
Medidas importantes de prevenção foram negligen-ciadas e muita gente pagou com a vida por isso. Dizer que é preciso tomar providências é “chover no molhado”.
Mas a verdade é que se o País quer mesmo contar uma história diferente e melhor no próximo verão precisa começar a agir agora.
Podemos listar algumas ações que precisam ser aceleradas. Uma delas é o maior rigor na punição para prefeitos que tratam com descaso ou fazem vistas grossas às ocupações de áreas de risco.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e o vice-presidente, Michel Temer, manifestaram a in-tenção de elaborar um pacote de medidas com punições mais contundentes aos municípios coni-ventes com ocupações irregulares.
A hora é agora de começar a cobrar essa postura das prefeituras. Não dá para esperar.
As autoridades federais precisam se envolver efetivamente nesse problema.
Outra discussão para o momento é como estender para outras regiões, como Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, o modelo de gestão de crises que está sendo implantado no Rio de Janeiro com o objetivo de controlar operações.
O sistema prevê, entre outras medidas, a adoção de radar meteorológico, o mapeamento das áreas de risco e a adoção de um sistema de sirenes para encaminhar para os abrigos as famílias em risco. Não deve ser uma coisa barata, mas com os primeiros R$ 100 milhões liberados pelo governo federal para a reconstrução da região serrana do Rio de Janeiro provavelmente seria possível cobrir boa parte do investimento.
Outra discussão que volta à tona é a alteração da lei de florestas, o chamado Código Florestal, criado em 1965 e que estabelece normas para a ocupa-ção de solo.
Entre as leis, há uma que proíbe o uso de topo de morros. No ano passado, o deputado federal Aldo Rebelo, do PCdoB/SP, começou a liderar um movi-mento para mudar essa lei, apoiado em especial por ruralistas.
Para os ambientalistas, as mudanças só agravariam mais o problema das enchentes.
É preciso que as autoridades fiquem atentas a exe-cução de todas essas medidas e não deixem que o período de seca e chuvas amenas amenize as preocupações com o problema.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
 

OPINIÃO DE 28-12-2010

 

Sociedade sem noção de valores

 * Júlia de Medeiros
 

 

Os pais querem que seus filhos tenham tudo o que precisam materialmente, mas não parecem preocupados em fazer com que essas “crianças” sejam honestas, generosas e tolerantes.
É aí que o tráfico adota esses jovens, impõe sua autoridade na sociedade.

 


Final de ano e perspectiva de início de outro com novo governo renovam as esperanças e tornam ainda mais intensas as expectativas para o futuro.
Os ataques no Rio de Janeiro ofuscam tudo isso, mas, ainda há um fio de confiança da população em que sejam vitoriosas a polícia e as autoridades nessa luta contra o tráfico que tantos estragos e problemas têm trazido ao país e em especial às famílias.
Aliás, a desestruturação familiar e a perda de valores tão importantes é um dos grandes desafios para os cidadãos brasileiros nessa nova década. Dois importantes exemplos neste fim de ano mostram o quanto foi aban-donada por pais e educadores a ideia de generosidade, tolerância, compaixão, civilidade e honestidade.
Um deles é o envolvimento dos pais - os dois professores, no vazamento da prova do Enen (Exame Nacional do Ensino Médio), indiciados pela Polícia Federal.
Aplicadora da prova, a mãe de um estudante que faria o exame, duas horas antes do permitido, rompeu o lacre de um lote de provas para deficientes visuais e teve acesso ao título de um texto motivador da redação.
Em seguida, passou a informação, por telefone, para o marido. O pai disse que, após o telefonema da mulher, pesquisou sobre o assunto na internet e ligou para o filho com o tema da redação e dados para ajudá-lo a escrever.
A mãe afirmou que está arrependida e que "não imaginou a gravidade do ato que estava fazendo”. Como não imaginou a gravidade do que estava fazendo?
A partir disso, é necessário questionar o que essa mãe está ensinando ao filho em relação aos importantes valores para a boa convivência em sociedade. A mesma pergunta serve para pais dos adolescentes envolvidos nos ataques contra jovens na Avenida Paulista.
Um dos pais declarou que não se tratava de um ato homofóbico, mas uma briga comum. Briga comum, então, pode? Outro pai reclamou a falta dos advogados na hora do depoimento dos jovens agressores e não comentou sobre o que os adolescentes fizeram. Há ainda um pai que alega que o filho tenha “sofrido” uma paquera ostensiva e que reagiu porque tem “pavio curto”. Reagiu?
Outros pais tentaram convencer que não houve maldade no fato porque encontraram “as crianças” chorando. Bom, então, está tudo desculpado e foi só um mal entendido.
É assim que muitos pais têm se comportado quando recebem reclamações dos filhos nas escolas, às quais tem sido transferida boa parte, quando não totalmente, da responsabilidade pela educação.
Envolvidos quase que integralmente com o trabalho, sob o argumento de que precisam oferecer todo o conforto e atender a todas as necessidades dos filhos, os pais se mostram mais comprometidos com o ter do que com o ser.
Querem que seus filhos tenham tudo o que precisam materialmente, mas não parecem preocupados em fazer com que essas “crianças” sejam honestas, generosas e tolerantes.
É aí que o tráfico adota esses jovens, impõe sua autoridade na sociedade, que paga um preço alto, como os ataques no Rio de Janeiro, para acabar com essa praga. Aprender a educar os filhos é um grande desafio para os pais deste País em 2011.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 28-10-2010

 

Não à corrupção

 * Júlia de Medeiros
 

 

NO Brasil e outros 130 países foram reprovados no índice que mede a percepção de corrupção em 178 nações. Eles tiveram nota inferior a cinco, em uma escala de 0 a 10. Segundo a ONG, com sede na Alemanha, os problemas de corrupção são muito sérios nos países reprovados. O Brasil ocupa a 69ª posição, com nota 3,7, junto com Cuba, Montenegro e Romênia.

 


Os casos de corrupção denunciados pela imprensa nas últimas duas décadas parecem indicar que é inerente aos políticos brasileiros o uso ilegal do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objetivo de transferir renda de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos.
E isso ficou bem claro na última campanha à presidência da República. Tanto a candidata do PT, Dilma Rousseff, quanto José Serra, do PSDB, tiveram de dar explicações sobre denúncias de corrupção que teriam ocorrido no Ministério da Casa Civil, do qual Dilma foi titular, e do governo de São Paulo, que esteve sob o comando de Serra.
A suspeita de tráfico de influência cometido no Ministério da Casa Civil por parentes da ex-ministra Erenice Guerra, além da quebra de sigilo fiscal de parentes de Serra, pode ter atrapalhado os planos do PT de eleição de Dilma logo no primeiro turno. Avaliações mais detalhadas das pesquisas de opinião mostraram que a divulgação dessas denúncias, e não a polêmica sobre o aborto, teriam levado Dilma e Serra para o segundo turno.
Eis, no entanto, que no segundo turno, denúncias de corrupção envolvendo integrantes do PSDB e até o Metrô e o governo de São Paulo ganharam repercussão em especial nos últimos dias de campanha. O eleitor que decidiu votar em Serra por causa das denúncias de corrupção no governo petista deve ter ficado sem opção na última hora. Mas um importante levantamento realizado pela ONG Transparência Internacional indica que a questão da corrupção, apesar das denúncias constantes, não abala tanto os brasileiros.
O Brasil e outros 130 países foram reprovados no índice que mede a percepção de corrupção em 178 nações. Eles tiveram nota inferior a cinco, em uma escala de 0 a 10. Segundo a ONG, com sede na Alemanha, os problemas de corrupção são muito sérios nos países reprovados. O Brasil ocupa a 69ª posição, com nota 3,7, junto com Cuba, Montenegro e Romênia. O ranking é liderado por Dinamarca, Nova Zelândia e Cingapura, que tiveram nota 9,3. No continente americano, o Brasil aparece em nono lugar, atrás de Chile, EUA, Uruguai e Costa Rica, entre outros.
Segundo Alejandro Salas, diretor para as Américas da Transparência Internacional. Baseado na Alemanha, os governos precisam ser mais transparentes e ter mais controle nas compras, nos contratos. Também deve haver mudanças para tornar mais transparente o financiamento das campanhas. Dizer não à corrupção será um grande desafio para o governo que terá início em janeiro de 2011. E só assim quem sabe a corrupção deixe de parecer inerente à política e à sociedade brasileira.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 25-09-2010

 

Lição de democracia

 * Júlia de Medeiros
 

 

Não há nem empresa nem jornalistas sem opiniões nem posições diante de fatos e de opções políticas. Relatar um acontecimento por si só já é se posicionar diante do fato.
Um importante desafio que os dirigentes de meios de comunicação, jornalistas e formadores de opinião têm pela frente é exercer a liberdade de imprensa independentemente de seus interesses empresarias e pessoais.

 

As denúncias de quebra de sigilo fiscal na Receita Federal e de tráfico de influência na Casa Civil, órgão ligado diretamente ao presidente da República e que já foi ocupado pela candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, tem importante significado na reta final da campanha eleitoral e podem até influenciar o pleito na última hora.
A importância desses episódios, no entanto, está no exercício da democracia e da liberdade de imprensa tão desejado e a duras penas conquistado pela sociedade e pelos meios de comunicação nos últimos anos.
Seria impossível imaginar uma avalanche de denúncias desse tipo vinte ou trinta anos atrás. A experiência mostrou que a corrupção é inerente ao setor público, aos partidos e ao ser humano.
Ao contrário do que pregou o PT ao longo de sua história não há os que estejam imunes à tentação de se dar bem e de enriquecer a custas do erário público. Mas o que prevaleceu, ainda bem, graças à democracia, é que a corrupção deve ser denunciada e os culpados punidos.
Assim como “o rouba, mas faz “não convence mais o cidadão, a corrupção no setor público não é mais admissível, embora o combate a essa prática seja uma batalha tão árdua quanto à conquista da democracia.
Mesmo nos países mais desenvolvidos há escândalos de corrupção e falcatruas nas esferas públicas. Só a sociedade, com sua insistência incansável, tem capacidade para, se não aniquilar, pelo menos conter essa praga.
É preciso lembrar, no entanto, de que os meios de comunicação e os jornalistas exercem papel importante nesse cenário. É preciso partir do princípio, sem ser hipócrita, de que não há jornalismo isento.
Não há nem empresa nem jornalistas sem opiniões nem posições diante de fatos e de opções políticas. Relatar um acontecimento por si só já é se posicionar diante do fato.

Um importante desafio que os dirigentes de meios de comunicação, jornalistas e formadores de opinião tem pela frente é exercer a liberdade de imprensa independentemente de seus interesses empresarias e pessoais. As experiências têm mostrado que a cada nova eleição, o País tem dado um passo à frente na democracia.
* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

 

OPINIÃO DE 30-08-2010

 

Promessas que seduzem e enganam na disputa eleitoral

 * Júlia de Medeiros
 

 

José Serra propõe colocar dois

professores em cada sala de aula no 1º ano fundamental,
mas esse assunto é de competência dos estados e municípios, e não da União.
 Dilma Rousseff cai no mesmo erro

quando propõe acabar com a progressão continuada e com a falta de repetência nas escolas públicas.

 

 

A inflação praticamente estável e o nível de atividade econômica em ascensão colocam, pela primeira vez em 20 anos, o tema economia em segundo plano nos debates eleitorais.

Com esse fato inédito, segurança, saúde e educação, assuntos tão prioritários para o cidadão brasileiro deixam finalmente de ser coadjuvantes nas eleições de 2010 e ganham destaque nos debates.
 Faltam ainda, no entanto, candidatos que convençam o eleitorado de seu comprometimento com essas questões e que apresentem ideias inovadoras e eficientes capazes de sanar os problemas nessas áreas.
Algumas propostas parecem até interessantes, mas se tornam inexeqüível quando analisadas por especialistas. Outras aparentemente simples dão a impressão de que só não saíram do papel ainda por pura falta de vontade política. O candidato à presidência da República, José Serra, do PSDB, por exemplo, propõe colocar dois professores em cada sala de aula no 1º ano fundamental. A ideia é boa e de baixo custo, avaliam especialistas, mas esse assunto é de competência dos estados e municípios, e não da União. A candidata do PT, Dilma Rousseff, cai no mesmo erro quando propõe acabar com a progressão continuada e com a falta de repetência nas escolas públicas. O cumprimento da promessa não depende só dela. É preciso o apoio do Congresso Nacional para alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Por outro lado, não dá para entender porque propostas exeqüíveis ainda não saíram do papel. Serra propõe construir 154 ambulatórios médicos de especialidades (AMEs). Segundo especialistas, para construir esses ambulatórios destinados ao atendimento rápido para quem precisa de consultas e exames especializados seriam necessários R$ 430 milhões, valor suportável para o orçamento. Então, por que, como governador de São Paulo, o estado mais rico da nação, Serra só fez 32, número insuficiente para levar esse atendimento médico a todos que precisam
O mesmo vale para a proposta de Dilma que prevê a distribuição gratuita de remédios para diabetes e hipertensão. Já existe uma lei que estabelece a distribuição de medicamentos para diabéticos, que beneficia 14 milhões de pessoas. Estender o benefício a quem sofre de hipertensão não exigira investimento vultoso, mas, então, por esses remédios ainda não são distribuídos?
E por aí vão propostas e promessas às quais é preciso ficar de olho. Se decidir votar em algum candidato seduzido por elas, o eleitor deve buscar informações detalhadas para saber se haverá recursos e principalmente vontade política para colocá-las em práticas.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Os candidatos a presidente são favoráveis a baixar impostos e a mais investimento em saúde, em bolsa família, etc. E de onde virá o dinheiro?

Tiro o chapéu

Para Dorina Nowill pelo exemplo de luta contra preconceito a deficientes visuais.

Enterro o chapéu

Para este tipo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV, que é enganosa e pouco informa o eleitor.

Pensamento de outros

"Quem pensa grande também erra grande". Martins Heidegger  (1643-1727), filósofo alemão.

 

OPINIÃO DE 19-06-2010

 

A quem interessa São Paulo fora da Copa 2014


 * Julia de Medeiros
 

Esses defeitos, no entanto, segundo especialistas, também existem em estádios da África do Sul que nem por isso deixaram de abrigar o campeonato mundial de futebol. Então, por que tanto rigor? É aí que só quem conhece as entranhas do mundo do futebol talvez pudesse explicar.


Enquanto os brasileiros amargavam uma vitória contra a Coréia do Norte sem o gostinho doce da ginga peculiar da nossa seleção, os paulistanos ainda tinham de engolir seco o risco de não ver a Copa de 2014 em São Paulo.
O histórico Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, está definitivamente fora da próxima Copa que será no Brasil. As razões da exclusão parecem mais políticas do que técnicas.A FIFA descredenciou o Morumbi porque o Comitê Paulista não daria as garantias financeiras para as obras estimadas em R$ 630 milhões.
O São Paulo Futebol Clube apostou em um plano mais simples, com custo total em torno de R$ 265 milhões. A Prefeitura informou que não dará um tostão para contribuir na reforma do estádio.
Além disso, a FIFA apontou uma série de problemas técnicos no projeto apresentado pelo São Paulo que oficialmente também contribuiu para descredenciar o estádio, como ingressos em pontos cegos que dificultariam a visibilidade do torcedor; localização longe da sede da final do Mundial e colapso de trânsito no dia da partida de abertura da competição, entre outros.
Esses defeitos, no entanto, segundo especialistas, também existem em estádios da África do Sul que nem por isso deixaram de abrigar o campeonato mundial de futebol. Então, por que tanto rigor? É aí que só quem conhece as entranhas do mundo do futebol talvez pudesse explicar.
Mas para os pobres torcedores paulistanos, muitos dos quais nem tomaram ciência ainda da notícia em virtude do envolvimento com a atual Copa do Mundo, o importante é que pelo menos alguns joguinhos sejam realizados num dos mais importantes Estados brasileiros. Que futebol tem dessas coisas que fogem aos olhos e ao controle dos torcedores, todo mundo sabe e aceita, fazendo de conta muitas vezes que não viu nem ouviu. Mas deixar a cidade fora da Copa de 2014 por conta de divergências políticas entre dirigentes é um verdadeiro descaso com o torcedor de São Paulo.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Blindagem contra telefônicas estrangeiras beneficiam ou prejudicam usuários de celulares?

Tiro o chapéu

Para o TSE que excluiu os "fichas sujas" de se candidatarem nesta eleição.

Enterro o chapéu

Para a incompetência governamental em tratar drogados e alcoólatras que querem sair do vício.

Pensamento de outros

"É impossível atravessar uma multidão, levando a chama da verdade, sem queimar a barba de alguém". George Cristoph (1742-1799), físico alemão."

 

 

OPINIÃO DE 11-04-2010

 

Entre o real e o irreal

 * Júlia de Medeiros
 

Grandes projetos podem chamar a atenção dos eleitores, mas a verdade é que, apesar do ritmo mais acelerado do nível de atividade econômica, da maior oferta de emprego e crescimento da renda, o Brasil ainda é um país de gente que precisa de investimentos típicos de terceiro mundo, como educação e saúde.


A divulgação de um projeto de revitalização da cidade de São Paulo que inclui o fim do elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão, se não sair do papel, pode ser um exemplo de novidades mirabolantes que devem aparecer em 2010 por conta das eleições. Segundo alguns especialistas, o projeto do prefeito Gilberto Kassab até pode ser interessante para a cidade, mas deve levar uns 15 anos para ser concluído.
O plano em si não tem relação alguma com as eleições, mas pode indicar como os governos têm se dedicado a estudos e elaboração de projetos a partir de engenharia econômica e financeira que dêem continuidade ao desenvolvimento econômico vivido pelo País nos últimos anos e pouco atingido pela crise financeira global de 2008/2009.
Indicadores econômicos mostram crescimento da atividade industrial, queda do desemprego, além de aumento de faturamento e lucros não só de grandes empresas, como também de pequenas e micro, como as paulistas que faturaram em março mais de 10% do que em igual período do ano passado, entre outros dados positivos.
Em meio a um cenário tão positivo, apesar do maior risco de inflação e da crise financeira na Grécia que já abalou o real e as bolsas de valores brasileiras, os candidatos terão de apresentar propostas econômicas e projetos de desenvolvimento mais exuberantes do que os números da economia.

Recorrer a novas alternativas, como a do projeto do prefeito Kassab, que prevê o uso de títulos imobiliários que permitem as construtoras permitem as construtoras fazerem prédios acima dos limites máximos da região, pode ser uma saída.
Grandes projetos também devem servir de carro chefe para as campanhas eleitorais, como o da usina hidrelétrica de Belo Monte, que prevê a construção da maior do País com potência instalada de 11,233 GW, que podem gerar milhares de empregos e ajudar no crescimento econômico do País, segundo seus idealizadores. Tudo isso pode chamar a atenção dos eleitores, mas a verdade é que, apesar do ritmo mais acelerado do nível de atividade econômica, da maior oferta de emprego e crescimento da renda, o Brasil ainda é um país de gente que precisa de investimentos típicos de terceiro mundo, como educação e saúde.
O ensino oferecido nas escolas ainda está muito aquém do que é necessário para a formação de profissionais aptos para um mercado desenvolvido e o atendimento médico em algumas regiões não dá conta sequer dos serviços básicos necessários.

Colocar fim no Minhocão com um projeto bonito de reurbanização pode até deixar a cidade mais bonita ou movimentar a economia, mas a população de São Paulo ainda precisa muito do básico, incluindo melhores condições de segurança e redução da violência, cujos indicadores só pioraram nos últimos meses.
* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Como esvaziar presídios se a maioria é condenada apenas por tráfico de drogas e não por crimes contra a pessoa ou patrimônio?

Tiro o chapéu

Para iniciativa popular que gerou o projeto ficha limpa.

Enterro o chapéu

Para omissão de Leis que determinem o afastamento imediato dos acusados de corrupção, até o final do processo.

Pensamento de outros

"Uma vida inútil equivale a uma morte prematura". Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832), filósofo alemão.

 

OPINIÃO DE 31-03-2010

 

Deputado denuncia abusos em shows no Palestra Itália

 * Zuel Antônio Costela
 

São inúmeras as queixas de moradores, publicadas na imprensa, de que os shows realizados no Pacaembu e Parque Antártica tiram o sossego dos moradores.
Esses estádios não foram construídos para isso, portanto, não dispõem de acústica e apenas mostram a incapacidade ou falta de vontade política do Poder Público em enfrentar o problema.


O deputado estadual do Partido Verde – PV, Camilo Gava, apresentou denúncia ao Ministério Público estadual e também à Prefeitura de São Paulo de que os shows, que acontecem no Parque Antártica (Palmeiras), não observam as leis de proteção ao menor e do sossego público.
Já era tempo de algum homem público tomar essa atitude corajosa, pois são inúmeras as queixas de moradores, publicadas na imprensa, de que os shows realizados no Pacaembu e Parque Antártica tiram o sossego dos moradores.
Esses estádios não foram construídos para isso, portanto, não dispõem de acústica e apenas mostram a incapacidade ou falta de vontade política do Poder Público em enfrentar o problema. Seja por não se empenhar em construir local adequado, seja pelo descaso com a fiscalização dos abusos.
Infelizmente, o que temos visto é o sucesso dos lobistas, que defendem os “barulhentos”.
Conseguiram recentemente aprovar Lei inconstitucional que não se preocupa com a necessidade, que as pessoas têm, de dormir tranquilamente.
Ao contrário, deveriam os homens públicos, realmente comprometidos com o eleitor, se preocupar mais com a qualidade de vida do que com o enriquecimento ilícito de empresários à custa do desassossego dos moradores, que querem apenas não ser incomodados em suas próprias casas.
Não podemos esquecer que é obrigação da Prefeitura e dos políticos exigir que as casas de shows,  igrejas, etc. tenham acústica bem feita, para proteger moradores e assegurar melhor qualidade de vida a todas as pessoas que vivem em São Paulo.
A denúncia do deputado Camilo Gava é mais ampla: fala de venda ilegal de bebidas alcoólicas a menores de idade, sem nenhuma fiscalização.
Abaixo, o texto enviado à nossa redação pela assessoria de imprensa do deputado estadual Camilo Gava:
O deputado estadual Camilo Gava protocolou, junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo - Promotoria de Defesa dos Direitos do Consumidor, ofício solicitando providências sobre o show da banda musical Gun's Roses realizado no último dia 13 de março no estádio do Parque Antártica. Segundo o deputado Camilo Gava, o show, que estava previsto para começar às 21 horas, só teve início por volta das 00:30 horas (na madrugada) do dia 14 de março. Além disso, a empresa organizadora do evento - T4F Entretecimento S.A. - permitiu o comércio ambulante de bebidas alcoólicas, havendo no recinto venda de bebidas para menores de 18 anos (o que é proibido).
No requerimento apresentado pelo deputado Camilo Gava ao Ministério Público do Estado de São Paulo, há solicitação para verificar se o som produzido pelo evento ultrapassou os limites da Lei Municipal que instituiu o PSIU. Para Camilo Gava houve um total desrespeito com o público que participou do show, pois o evento começou fora do horário estipulado, houve venda de bebidas alcoólicas para menores de idade e o barulho pode ter ultrapassado os limites estabelecidos pela Lei Municipal que instituiu o PSIU.”
* Zuel Antônio Costela é jornalista  (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Descriminar o tráfico sem penalizar o consumidor de drogas não seria um tiro no pé?

Tiro o chapéu

Para a  legislação estadual que impede as cantinas escolares de vender alimentos não-saudáveis.

Enterro o chapéu

Para a incapacidade técnica do Google em impedir ataques de "hackers" chineses a seu site de busca.

Pensamento de outros

"Segredo só guarda quem não sabe". Golbery do Couto e Silva (1911-1987), general , ex-chefe do SNI no Brasil

 

OPINIÃO DE 20-02-2010

 

De olho no ano eleitoral

 * Julia de Medeiros
 

O levantamento, realizado em 50 cidades brasileiras, incluindo as nove regiões metropolitanas, revela que a maioria dos entrevistados não soube informar nome de algum ministro, deputado federal ou senador.
Apenas 34% citaram algum ministro corretamente. Para deputados federais, foram somente 38%.


Cassações, prisões, discursos e pesquisas de opinião com resultados surpreendentes, entre outros acontecimentos, começam a delinear o importante ano político de 2010 que será marcado não só pelas eleições dos principais cargos, entre os quais à presidência da República e aos governos dos Estados, como também pelo encerramento da era Lula com o fim do segundo mandato do presidente Luíz Inácio Lula da Silva.

A prisão e o processo de impeachement do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex DEM e agora sem partido) e a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), colocam e evidência temas como corrupção e distribuição de propinas.
Esses fatos recentes, aliados aos escândalos anteriores, como o do mensalão, esquema de compras de votos de parlamentares que respingou em ex-ministros e políticos  do PT, vão trazer à tona este assunto e fazer dessa discussão um dos principais debates longo da campanha eleitoral.

A internet pode tornar a campanha mais democrática, mas os políticos vão esbarrar numa triste realidade que dependendo da habilidade ou não dos candidatos pode ser revertida de maneira favorável a eles em  detrimento dos interesses dos brasileiros.

Uma pesquisa divulgada  recentemente revela que os eleitores desconhecem os políticos que os representam.

O levantamento, realizado em 50 cidades brasileiras, incluindo  as nove regiões metropolitanas, revela que a maioria dos entrevistados não  soube informar nome de algum ministro, deputado federal ou senador.

Apenas 34% citaram algum ministro corretamente. Para deputados federais, foram  somente 38% e para senadores o percentual cai para 31%. Quanto mais alto o grau de escolaridade e a classe social, maior o conhecimento sobre os políticos.

Isso significa que boa parte dos eleitores continua desconhecendo seus candidatos. Elegem e não acompanham sua trajetória. Isso pode ser ponto para os políticos envolvidos com corrupção. O que esperar de eleitores que sequer sabem o nome dos políticos?
Certamente, para os candidatos, o melhor é que continuem sem saber os nomes, assim são menores as chances de que venham a tomar conhecimento dos políticos que estão envolvidos em corrupção e que pleiteiam um novo cargo.
Conforme a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já deu a entender em seu discurso como candidata do PT à presidência da República, um dos alvos preferidos dos petistas nesta campanha será os jovens.
A mira não é por acaso, eleitores entre 15 e 29 anos correspondem a um quarto do total.
É um grupo expressivo e que pode ser mais facilmente atingido agora
com a disseminação do uso do computador, da internet e em especial das redes sociais, como Orkut, Twitter, entre outras. Tudo isso são sinais aos quais os candidatos já estão alertas e que a população deveria ficar atenta também para que a renovação dos cargos possa beneficiar ao País e ao cidadão brasileiro.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

A falta de legislação específica, para afastamento de políticos acusados de corrupção, interessa somente a partidos que têm companheiros mais atuantes?

Tiro o chapéu

Para Audálio Dantas, por sua luta para democratizar a ABI nacional.

Enterro o chapéu

Para a falta de vontade administrativa e política para inclusão social dos moradores de ruas.

Pensamento de outros

"Meu medo mais profundo é o poder além das medidas". Nélson Mandela (*1917), primeiro presidente negro da África do Sul

 

OPINIÃO DE 19-06-2010

 

A quem interessa São Paulo fora da Copa 2014

 * Julia de Medeiros
 

Esses defeitos, no entanto, segundo especialistas, também existem em estádios da África do Sul que nem por isso deixaram de abrigar o campeonato mundial de futebol. Então, por que tanto rigor? É aí que só quem conhece as entranhas do mundo do futebol talvez pudesse explicar.


Enquanto os brasileiros amargavam uma vitória contra a Coréia do Norte sem o gostinho doce da ginga peculiar da nossa seleção, os paulistanos ainda tinham de engolir seco o risco de não ver a Copa de 2014 em São Paulo.
O histórico Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, está definitivamente fora da próxima Copa que será no Brasil. As razões da exclusão parecem mais políticas do que técnicas.A FIFA descredenciou o Morumbi porque o Comitê Paulista não daria as garantias financeiras para as obras estimadas em R$ 630 milhões.
O São Paulo Futebol Clube apostou em um plano mais simples, com custo total em torno de R$ 265 milhões. A Prefeitura informou que não dará um tostão para contribuir na reforma do estádio.
Além disso, a FIFA apontou uma série de problemas técnicos no projeto apresentado pelo São Paulo que oficialmente também contribuiu para descredenciar o estádio, como ingressos em pontos cegos que dificultariam a visibilidade do torcedor; localização longe da sede da final do Mundial e colapso de trânsito no dia da partida de abertura da competição, entre outros.
Esses defeitos, no entanto, segundo especialistas, também existem em estádios da África do Sul que nem por isso deixaram de abrigar o campeonato mundial de futebol. Então, por que tanto rigor? É aí que só quem conhece as entranhas do mundo do futebol talvez pudesse explicar.
Mas para os pobres torcedores paulistanos, muitos dos quais nem tomaram ciência ainda da notícia em virtude do envolvimento com a atual Copa do Mundo, o importante é que pelo menos alguns joguinhos sejam realizados num dos mais importantes Estados brasileiros. Que futebol tem dessas coisas que fogem aos olhos e ao controle dos torcedores, todo mundo sabe e aceita, fazendo de conta muitas vezes que não viu nem ouviu. Mas deixar a cidade fora da Copa de 2014 por conta de divergências políticas entre dirigentes é um verdadeiro descaso com o torcedor de São Paulo.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

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Blindagem contra telefônicas estrangeiras beneficiam ou prejudicam usuários de celulares?

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Para o TSE que excluiu os "fichas sujas" de se candidatarem nesta eleição.

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Para a incompetência governamental em tratar drogados e alcoólatras que querem sair do vício.

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"É impossível atravessar uma multidão, levando a chama da verdade, sem queimar a barba de alguém". George Cristoph (1742-1799), físico alemão."

 


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*“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

 

* “A imprensa, numa vigorosa prestação de serviço, será a memória da cidadania contra o corporativismo de interesses menores, quer no Executivo, Legislativo e Judiciário” (Carlos Alberto Di Franco).

 

“Que o bem da liberdade segue imediatamente os bens da vida e da integridade física, demonstra-se facilmente, pois, a liberdade foi sempre constantemente um dos mais altos fins dos esforços e das aspirações humanas” (Adriano de Cupis).

 

* “Libertas omnibus rebus favorabilior est” ( “Em todos os casos a liberdade é mais favorável”), Brocardo Romano.

 

* “ A imprensa é um dos meios mais importantes de crítica e controle público permanente” (Konrad Hesse)

 

* “A imprensa livre é o olhar onipotente do povo” (Karl Marx).

 

* “A imprensa livre é o espelho intelectual no qual o povo se vê e a visão a si mesmo é a primeira condição da sabedoria” (Karl Marx).

 

“Nossa Constituição Federal (1988) protege, de maneira veemente, o direito de informar, o direito de se informar e o direito de ser informado” (Oduvaldo Donnini, autor do livro “Imprensa livre, dano moral e dano à imagem...pág.206)

 

* “A medida que a comunicação se torna maior e melhor, fica claro que a intolerância é a verdadeira pequenez do homem”, Spielberg

 

* "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras" (o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos-ONU, 10-12-1.948).


"Creio na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade".

Rui Barbosa

 

"Infringem a  ética:

o juiz que não julga, 

o promotor que  não denuncia, 

o advogado que não defende, 

o jornalista que não noticia o que sabe ou 

não escreve o que pensa".

Medeiros de Abreu

 

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la".  Voltaire

 

Indenização, em dinheiro, por dano moral somente indeniza a moral de quem não tem moral.

Medeiros de Abreu

 

“O interesse coletivo deve prevalecer em relação ao particular”. Ministros Marco Aurélio e Gilmar Mendes em decisão sobre crime de imprensa.

 

* A sociedade deveria entender que quem quer penalizar o direito de opinar, de pensar ou de se informar é que deveria ser penalizado". Medeiros de Abreu

"O segredo é aliado da corrupção". Ministro Waldir Pires

"Julgar idéias é uma das mais infelizes invenções da humanidade." Jornalista Audálio Dantas

"Não há pessoas nem sociedades livres, sem liberdade de expressão e de imprensa". (Declaração de Chapultepec sobre liberdade de expressão)

 

"Limitar a liberdade de expressão, sob qualquer forma que seja, revela incompatibilidade com a democracia". 

Rodrigo Pinho, procurador geral de Justiça do Estado de São Paulo

 

"Falta de ética é não publicar notícia relevante". Thélio Magalhães, jornalista.

 

Os incisos do artigo 5o. da Constituição abaixo só não garantem a liberdade de imprensa, porque foram "esquecidos" pelos que julgam ações contra a liberdade de imprensa:

 

* "IV - É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato";

 

* "V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo...";

 

* "IX - É livre a atividade...de comunicação, independentemente de censura e licença";

 

* "XIV - É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".