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HISTÓRIA DO BAIRRO DO BIXIGA Egydio Coelho da Silva PÁG. Livro em elaboração na internet – última alteração: em 24-04-2004
Bixiga novo
Por
volta de 1.870, fatores externos, econômicos e sociais fizeram com que São
Paulo começasse a evoluir, a crescer e a tomar feições mais urbanas.
Portanto, há urgente procura de novas moradias e os proprietários de terras se apressaram a atender a demanda.
Por
isso, nas três últimas décadas do século XIX e nas duas primeiras do século
XX, todos os donos de chácaras antigas, localizadas perto da área
central ou em alguns de seus arrabaldes, começaram a loteá-las. (9)
Assim
como aconteceu na época com outras chácaras em São Paulo, parte da Chácara
do Bexiga também foi arruada, dando origem a um novo bairro.
Segundo
documentos da época, aproveitando dessa situação, da "febre de
urbanização"
(1)
(2), que dominava São Paulo, Antônio
Braga, cujo nome completo era Antonio José Leite Braga, proprietário da
Chácara do Bexiga, na década de 1.870, resolveu arruar e lotear parte da
chácara.
A
área a ser loteada se localizava, mais ou menos, entre as ruas Abolição
e 13 de Maio, e entre a Av. Brigadeiro Luiz Antônio e Santo Antônio.
Embora a Chácara do
Bexiga fosse pasto e mato, seu início, próximo ao centro, ficava
praticamente junto ao antigo bairro do Bexiga, que era onde é hoje a Praça
das Bandeiras e bastante conhecido de todos, naquela época.
Hoje,
tudo parece perto. Não era, porém, bem assim naquele tempo.
O
antigo bairro do Bexiga era separado do trecho da Chácara do Bexiga, onde
se procedeu ao loteamento, pelo Córrego do Bexiga (hoje canalizado e se
encontra, em parte, sob a Humaitá e Rua Japurá), o qual desembocava no Córrego
Saracura (hoje canalizado e se encontra em parte sob a Av. nove de Julho).
Portanto, nada mais comercial e comunicativo do que
os proprietários dos lotes anunciar que o loteamento ficava no bairro do
Bexiga, que ficava bem mais central e não distante e separado pelo Córrego
do Bexiga, como poderia dar idéia se fosse anunciado com outro nome.
Daí, a divulgação publicitária do loteamento
indicando o bairro do Bexiga. Por isso, em 28 de julho de 1879, o jornal "A Província de São Paulo", atual "O Estado de São Paulo", publicou o seguinte anúncio:
Antonio
Braga (Antonio José Leite Braga) faleceu e a viúva casou, em segundas núpcias,
com o Sr. Fernando de Albuquerque, que prosseguiu nas vendas dos lotes
anunciados e, conseqüentemente, na formação do bairro do Bixiga.
Historicamente,
o Bairro do Bixiga novo, como o conhecemos, já surgiu com entusiasmo e
com festa.
Isto aconteceu em primeiro de outubro de 1.878.
Antônio
Braga (José
Antonio Leite Braga), proprietário do loteamento do Bixiga,
Havia, porém uma condição:
a de edificar aquela irmandade ali um hospital destinado
A
abertura do loteamento aconteceu solenemente, com a presença do Imperador Dom
Pedro II, que visitava a cidade de São Paulo, pela terceira vez.
Dom
Pedro II lançou a pedra fundamental do hospital, que seria construído
na quadra, formada pelas ruas Santo Antônio, rua da Misericórdia (Abolição),
São Domingos e Cons. Ramalho.
No dia 1.° de outubro de 1878, realizou-se a colocação da pedra
fundamental do hospital.
"O
ato foi presidido pelo bispo diocesano, D. Lino
Acompanhavam-
Não
sabemos bem o que alegaram, o pretexto que indicaram. O certo
E
desse modo, o Bexiga não teve o seu hospital".
A
inauguração do hospital, que era uma grande benfeitoria, inserida no
loteamento e que evidentemente seria um bem público a ser utilizado pela comunidade é,
sem dúvida, a data mais certa, para caracterizar o surgimento do bairro
Bixiga.
Portanto,
torna-se evidente que o bairro do Bixiga novo nasceu no dia primeiro de
outubro de 1.878.
Entende-se
assim porque:
Pouco
antes de seu loteamento, a área onde se formaria o bairro do Bexiga,
apresentava-se bastante selvagem. Ainda em 1.870, nessa área caçavam-se
perdizes, veados e até escravos foragidos.
(7)
(8)
(17)
Embora
o hospital jamais viesse a ser construído, o loteamento foi sucesso
comercial. Talvez pela técnica de "marketing" de doar um
terreno para hospital, contando inclusive com o Imperador para inaugurá-lo;
por localizar-se próximo ao centro, ou talvez ainda pelo preço, pois,
eram lotes pequenos e baratos. E os que mais se interessaram foram os
italianos, gente pobre e recém-chegada ao Brasil, a maior parte deles
vindos da Calábria.
Portanto,
o Bixiga, formado a partir de 1.878, desde a sua fundação, foi ocupado, na
sua maioria, por italianos.
Com
certeza o bairro do Bixiga, que mantém muitas das suas características
até hoje, nasceu com a presença preponderante dos italianos. E é essa população italiana, que vai caracterizar profundamente o bairro. (3)
Eles, ao se aculturarem com negros e brancos (brasileiros, portugueses,
espanhóis, árabes, etc.) formaram uma comunidade bem característica.
Esta
região, como comunidade com marcas culturais preponderantes italianas, não
existia antes do loteamento desse trecho dos Campos do Bexiga.
Tratava-se
de um de um fenômeno urbanístico novo, que nada tinha em comum com o
antigo bairro do Bexiga ou Largo do Bexiga
e, menos ainda, com a Chácara do Bexiga ou Campos do Bexiga, que, na sua
maior parte, era mata fechada.
Sabe-se
que o principal marco histórico, que caracteriza o surgimento de uma
comunidade, é quando se constrói um bem, que seja de uso comum de todos,
como: igreja, hospital, praça pública, etc.
Entendemos que a doação de um terreno à Santa Casa de Misericórdia para se construir um hospital no bairro (4), época em que todos se preocupavam com as constantes epidemias, que assolavam S. Paulo, caracterizou o seu nascimento. Algum historiador mais conservador poderia alegar que, como o hospital não foi construído, a data mais correta seria 15 de agosto de 1918, "foi erguida uma capelinha de construção simples, em homenagem à Nossa Senhora". Nesta data, não havia a menor dúvida de que uma comunidade já existia neste local. Havia, pois, um bem público utilizado pela comunidade.
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Referências
bibliográficas – desta página
(1) Expressão muito usada por Pierre Monbeig
(2) Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 16
(3) Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 16
(4) Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 40 (4) Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 15
(5) MENESES, Raimundo de – artigo na Folha da Noite de 07/03/1954 (6) Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- páginas 52/53.
(7) Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 39.
(8)
BRUNO, Ernani Silva - Histórias e Tradições de São Paulo, vol. II.
(9) Marzola, Nádia – História dos Bairros de São Paulo, volume 15- Prefeitura de São Paulo – Secretaria de Cultura – Dezembro de 1.979- página 58
Página
inicial da história do Bixiga e de São Paulo antigo
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