FÓRUM: CELSO  X SHOPPINGN CULTURAL DE SÍLVIO SANTOS  

Coordenador: Egydio Coelho da Silva

JORNAL DA BELA VISTA DE 05-10-2000

Shopping Bela Vista Festival Center

No começo do ano a Prefeitura aprovou a construção do Shopping Bela Vista Festival Center no bairro.

 Pelo projeto apresentado o empreendimento deverá ser um  centro de lazer de oito andares, acrescidos de uma torre comrestaurante panorâmico, quatro teatros, seis cinemas, lojas e umparque temático nos moldes do norte-americano City Walk - dacidade de Orlando.

Esse conjunto foi projetado paraocupar todo o quarteirão entreas ruas Jaceguai, Santo Amaro e Abolição.

 Esta é uma das regiões hoje mais deterioradas do bairro.

 Shopping da Bela Vista terá projeto revisto

 Na semana passada aconteceu uma importante reunião conciliatória entre os responsáveis pelo projeto do “Shopping Bela Vista Festival Center” e o empresário teatral, Sr. José Celso Martinez Correa.

O Grupo Silvio Santos pretende construir um shopping center de nível internacional na Bela Vista, mas o Sr. José Celso, dono do Teatro Oficina, se opõe a isso.

Ele defende a preservação da região destinada a implantação do shopping por que ele acha que se trata de um espaço, que deveria ser preservado, cujo tombamento ele conseguiu aprovar em 1982.

Porém, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) já autorizou a construção do Shopping Center da Bela Vista em dezembro de 1997.

Organizada pelo procurador de Justiça Daniel Fink, participaram da reunião, entre outros, o proprietário do Oficina e Júlio Neves, diretor do Masp e responsável pelo escritório contratado pela empresa de Silvio Santos para projetar o shopping.

Foi decidido entre os participantes, que o projeto final deverá estudar as propostas defendidas pelo Sr. José Celso.

Para o projeto final também serão analisadas outras propostas de uso do espaço, como o projeto Agora, elaborado há mais de dez anos por Paulo Mende da Rocha.

Nele, está prevista a utilização da área, que fica embaixo do Minhoção para atividades culturais, como a construção de espaços abertos para atividades diversas como música, pintura e artes cênicas.

 POPULAÇÃO APREENSIVA

O proprietário do Oficina, Sr. José Celso, quer que Sílvio Santos, além de preservar seu teatro, ainda lhe dê um terreno nos fundos do teatro, sob a alegação de que pretende utilizá-lo para encenação.

O dono do Teatro Oficina argumenta que a inclinação do terreno, que pertence a Silvio Santos, é ideal para a ampliar seu teatro e também ser utilizado como palco de arena.

Os moradores da Bela Vista acompanham com muito interesse e temem que,  por causa das dificuldades jurídicas, Sílvio Santos desista de instalar o shopping center no bairro.

O empreendimento certamente irá abrir novas perspectivas econômicas para a região, atualmente extremamente deteriorada.

A população espera que as partes não sejam intransigentes a ponto de inviabilizar o projeto de instalação do sonhado shopping center da Bela Vista.

JORNAL DA BELA VISTA DE 12-10-2000

Grupo Silvio Santos esclarece dúvidas sobre  empreendimento

Marli Gonçalves e Carlos Brickmann, da Brickmann & Associados, Assessoria de Comunicação do Grupo Silvio Santos, entraram em contato com o Jornal da Bela Vista nesta terça-feira.

Acharam conveniente esclarecer vários detalhes da reportagem publicada na última edição.

Explicam que o Grupo Silvio Santos vem fazendo um extenso trabalho junto com a comunidade do Bixiga, “interagindo para que possamos criar um centro para todos, e integrado ao bairro. 

 

Infelizmente  foram publicadas várias informações incompletas na grande imprensa, as quais, antes que possam criar dúvidas, precisamos esclarecer”.

O jornalista Carlos Brickmann, porta-voz do grupo neste empreendimento, esclarece que estão sempre à disposição para todos os esclarecimentos necessários, e diz que espera “contar sempre com este prestigiado veículo da região”.

Ele solicita a divulgação especialmente para esclarecer as seguintes dúvidas:

 

“1.       Não será um shopping convencional, e sim um extenso centro de lazer e entretenimento, exclusivamente com cinemas, teatros, casas de espetáculo, grandes lojas de discos e CDs, lanchonetes e restaurantes variados. Ainda não estão definidos os números, mas o centro deve conter, no mínimo, 10 cinemas, mais teatros, academia de ginástica, parque temático, casa de shows.

2. Não terá oito andares: serão quatro andares e quatro subsolos, com estacionamento para 1.100 veículos, segurança total, áreas de recreação infantil, etc.

3. Não se chamará Bela Vista Festival Center: com conclusão prevista para 2003, o centro de entretenimento terá seu nome escolhido só no ano que vem, com a participação da comunidade e do movimento Vem Pro Bixiga e de todas as entidades do bairro;

4. Não houve reunião conciliatória, até porque não há qualquer batalha judicial. As reuniões com o pessoal do Teatro Oficina visam apenas a melhoria do espaço dos entornos do nosso empreendimento e do Teatro Oficina. O procurador de Meio Ambiente, Daniel Fink, vem acompanhando o processo, porque o Teatro Oficina é um bem público, do Estado;

5. Como prédio tombado, o Teatro Oficina tem seu entorno (num raio de 300 metros) devidamente protegido. Só se pode construir ou modificar alguma coisa no entorno com autorização dos órgãos de defesa ambiental – o Condephaat, estadual, e o Conpresp, municipal. O centro cultural foi aprovado pelo Condephaat e pelo Conpresp. 

Está inteiramente dentro da lei; foi exaustivamente analisado e não prejudica de qualquer forma o Teatro Oficina.

6. O espaço Entornos, que todos sonhamos, utilizaria os baixos do Minhocão para a construção de uma ampla área livre, criando um teatro popular de grandes dimensões. É sobre isto que estamos conversando, assim como já foram feitas mudanças estéticas nos desenhos originais;

7. A população do bairro aprova integralmente o projeto. Pesquisas quantitativas e qualitativas indicam que 95% dos moradores e freqüentadores da região aprovam a construção do Centro Cultural, e sabem que melhorará e valorizará em muito a região.

Num bairro hoje degradado, um investimento de R$ 75 milhões, como o do centro de entretenimento, é sempre bem-vindo.

E a criação de nove mil empregos certamente tem apoio de todos.

8. A construção do centro cultural está incluída na Operação Urbana Centro e tem o apoio de organizações como a Viva o Centro e a Vem pro Bexiga. Inclui forte contrapartida financeira: algo como R$ 1 milhão que o Grupo Silvio Santos paga à Prefeitura.

Este dinheiro está sendo empregado, a propósito, na revitalização da Praça do Patriarca, projeto de Paulo Mendes da Rocha.

 Hoje, quem vai ao Oficina anda por uma área do bairro degradada, insegura, quase deserta, onde tudo fecha às seis da tarde.

Com o centro cultural haverá movimentação noturna, segurança, mais iluminação; haverá a recuperação urbanística, dentro dos mais atualizados conceitos, de uma região tradicional de São Paulo, onde o Grupo Silvio Santos está instalado e vem crescendo, desde o seu início, há pouco mais de 40 anos...

Com esse projeto, o Grupo e seu proprietário, o empresário Silvio Santos, pensam em devolver à comunidade a alegria ultimamente perdida com a degradação do centro de São Paulo”.

JORNAL DA BELA VISTA DE 17-10-2000

O teatro Oficina também responde para o JBV

Recebemos do sr. José Celso carta, na qual ele expõe as razões pelas quais o Teatro Oficina deve ser preservado. Eis o texto na íntegra:

"Querido Egydio Coelho:

Carta aberta para ser publicada como enriquecimento de informação ao Jornal Bela Vista.

 BELAS VISTAS PARA O BELA VISTA

 O Grupo Silvio Santos quis comprar o Oficina em l980 pra realizar este projeto de um Shopping Quarteirão. 

O Jornal Bela Vista participou de uma bela campanha liderada pelos artistas, músicos, atores para o Teatro Oficina não desaparecer.

Chegou até a publicar os documentos de Dolirio Barnabé, descendente da ex- escrava, liberta que se batizou Libertas e recebeu do Barão de Jaceguay a "Chácara do Bexiga", títulos de propriedade do território que abrangia quase todo Bexiga: os terrenos onde estão o Oficina, o Baú da Felicidade, os altos dos montes do Bela Vista, a Avenida Paulista.

Esse quilombo foi grilado antes do começo do século XX.

O movimento geral que o Jornal Bela Vista apoiou nos 8O, deu no Tombamento do Oficina pelo Estado para realizar o projeto de Lina Bardi de Um Teatro Oficina rua, religando nos seus entorno duas Praças: uma no Minhocão em frente ao Oficina a "ágora" e outra fazendo cair o Beco sem Saída do Teatro, que dá para o estacionamento Grupo Silvio Santos.

A rua Oficina se abriria em Apoteose num Teatro Grego ao Ar Livre, atravessando o quarteirão por dentro, com saídas para a rua Japurá ou e Abolição.

Este território é o sonho do Teatro Oficina de abrir-se como espaço público, para a cidade viva em direção á um "Anhangabaú da Felicidade" (Música de José Miguel Wisnik composta para este embate-sonho)

 Assim se passaram vinte anos. A matéria de capa do Jornal de 8 a 15 de outubro me possibilita ao povo do bairro esclarecimentos de equívocos.

1 - Declaro ao Jornal Bela Vista que eu, José Celso Martinez Corrêa, não sou "proprietário", nem "sr", nem "dono", nem desejo "um terreno" para mim;

2 - Não me oponho que se construa um Shopping Center de Nível Internacional, como dizem no Bairro "uma Broadway Brasileira".

3 - Afirmo como ser humano, diretor há quarenta anos do Teatro Oficina o que este lugar simboliza e transporta: o prazer de lutar pelo sonho de uma cidade diferenciada, arejada, aguada, esverdeada com lugares mais que consagrados, sagrados, de meditação e de ação de um teatro popular fora das vitrines dos palcos italianos.

4 - O Condephaat, segundo declarações de seu diretor à Folha de São Paulo, não deu ainda permissão definitiva ao Shopping mesmo porque como anunciou este jornal,a obra esta sendo toda revista.

Numa primeira aprovação de 1997, apressada, a antiga direção do Condephaat, alegou que o entorno do Oficina não deveria ser levado em conta porque já estaria prejudicado pelo Minhocão e pelos prédios.

Ora, nós fomos tombados por um projeto que desenha o entorno, melhora-o, resigna o Minhocão em ágora, acolhe o último terreno livre do Bexiga, transformando-o sem alterar-lhe a fisionomia atual em na materialização do "Estádio de Teatro" criação sonhada de um outro morador do Bexiga dos anos 5O: o poeta do modernismo e da antropofagia, Oswald de Andrade.

5 - Não é preciso os moradores do Bela Vista temerem a desistência de Silvio Santos em fazer o Bela Vista Center. 

Esta ameaça é um jogo normal onde rolam ainda as últimas jogadas de interesses que poderão mudar de qualidade, deixando de ser exclusivamente privados para serem também generosamente públicos.

Nas reuniões do embate fomos informados pelo próprio Grupo Silvio Santos que seu desejo de instalação no bairro não se limita aquele quarteirão. Visa chegar até a casa de dona Yayá e ao TBC. 

Maravilhoso desde que não se passe de trator em cima do que pode não somente ser preservado, mais enriquecido, ampliado.

6 - O Movimento Pró-Bexiga animado carinhosa e competentemente por Eduardo nos apresentou os muitos projetos de revolução urbanística do bairro. Vão além de embelezar, gerar empregos e não expulsar os moradores. 

Vão revitalizar áreas simbólicas e as danificadas.

O Pró-Bexiga apóia o movimento do Oficina e dos artistas que em manifesto declaram-se felizes pelos teatros que Silvio Santos vai construir, mas tristes se o Teatro Oficina for mantido num Beco sem Saída. 

O Pró-Bexiga apóia também o Bela Vista Center, desde que contribua para revitalizar pra valer este umbigo cultural de São Paulo.

7 - A intransigência das partes de quem detém o "direito de propriedade" e dos que desejam criar "um vasto pomar sem dono" (palavras de Euclides da Cunha quando os "Os Sertões" viram depois da seca um Paraíso) neste momento encontra-se diante do limite em que é necessário mudar a qualidade da pendência.

Na última reunião que tivemos aplaudimos todos o procurador ambientalista Daniel Fink e sentimos a possibilidade de um entendimento transbordantemente humano entre as partes.

8 - Queremos o apoio do seu jornal, do povo do lugar onde vivi e dei a maior e melhor parte da minha vida para que torça pra nós todos que estamos neste embate para conseguirmos criar todos, nós, o Grupo Silvio Santos, O Pró-Bexiga, alem do "dono", com os arquitetos Edson Elito, Paulo Mendes da Rocha e Julio Neves, livres do condicionamento do privaticismo, risquem o que for mais belo, mais audacioso, mais democrático para uma cidade contracenando diferenças e que trouxer mais riqueza econômica e de vida criativa para estes Sertões do Bela Vista. 

Quando se quer ao Deus da criação tudo é possível.

José Celso Martinez Corrêa

São Paulo, Lua Cheia dia 12 de outubro de 2.000

Merda"

 

JORNAL DA BELA VISTA DE 18-02-2001

Impasse

Grupo Silvio Santos e Teatro Oficina devem chegar a um acordo

Grupo Silvio Santos e Teatro Oficina farão nova reunião para discutir impasse sobre Construção do Centro de Cultura e Lazer no Bixiga

Judicialmente o Grupo já conseguiu toda a documentação para concretizar o 
empreendimento. A aprovação da Prefeitura foi publicada no Diário Oficial 
do dia 28 de dezembro como um dos últimos atos da administração Celso Pitta. 

Grupo pretende investir 
75 milhões em projeto 
no Bixiga

O empreendimento do Grupo Silvio Santos será uma das maiores intervenções urbanas do país. Calcula-se um investimento no valor de 
75 milhões de reais. A obra deverá 
estar concluída em 2003. 

Grupo Silvio Santos e

Teatro Oficina tentam nova

rodada de negociações

Mesmo tendo conseguido na Prefeitura o alvará para a construção de um centro de entretenimento e lazer no terreno que cerca o Teatro Oficina, no bairro do Bixiga, o Grupo Silvio Santos pretende continuar as negociações com José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro.

Segundo a assessoria do Grupo, a próxima reunião conciliatória deverá acontecer na primeira quinzena de março.Um dos últimos atos de Celso Pita na prefeitura foi a aprovação do projeto, publicada no Diário Oficial no final de dezembro último.

A obra também já tem aprovação do Condephat e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).Dos encontros conciliatórios realizados entre Zé Celso e os representantes do Grupo já se chegaram a diversos acordos.

"Fizemos todas as transformações no projeto por ele levantadas, apenas a utilização de uma parte do terreno não poderemos abrir mão", explica a assessora de imprensa do Grupo.

Até a última reunião Zé Celso insistia na busca de um antigo sonho: realizar o anteprojeto da arquiteta Lina Bo Bardi, de criação de um teatro de arena a céu aberto no terreno dos fundos do Oficina, área que pertence ao Grupo Silvio Santos e quedeverá ser utilizada na edificação do centro de entretenimento.

A comunidade do Bixiga espera que as últimas pendências sejam solucionadas.Dos vinte moradores entrevistados pelo JBV em dezembro, todos se diziam ansiosos com a realização do empreendimento.O motivo mais apontado por todos seria a revitalização da região, atualmente decadente.

O centro de comércio e entretenimento será uma das maiores intervenções urbanas do país.Calcula-se um investimento no valor de 75 milhões de reais, e deverá ficar pronto em 2003.

 

JORNAL DA BELA VISTA DE 20 -05-2001

Grupo Sílvio Santos amplia projeto do Centro Cultural

À esquerda: Eduardo Velucci e à direita: Egydio Coelho da Silva, diretor da Editora Ipê de Jornais de Bairro

O projeto do Centro de Entretenimento, Lazer e Cultura prevê um jardim, com esculturas, no entorno do Teatro Oficina, de 14 metros de largura. Investimento de 75 milhões, 3.000 empregos diretos e nove mil indiretos.

Em entrevista exclusiva à Editora Ipê de Jornais de Bairro o engenheiro Eduardo Velucci, diretor da Sílvio Santos Empreendimentos Imobiliários, SISAN, empresa do Grupo Silvio Santos, e responsável pela execução do projeto na Bela Vista, fala sobre seu trabalho, que abrange os entornos da Rua Jaceguai, onde o Grupo foi fundado em 1960 e está até hoje.

O projeto de construção do Centro de Entretenimento, Lazer e Cultura faz parte desse grande objetivo e Velucci informa, em primeira mão à Editora Ipê de Jornais de Bairro, que o Grupo Sílvio Santos (sede da empresa e Teatro Imprensa), em parceria com a Hudson Petróleo, proprietária do TBC, e a CIE do Brasil, dona do Teatro Brigadeiro e do Teatro Abril/ Paramount, formou um Grupo de Trabalho e Ação Local (GTAL).

O objetivo do GTAL é melhorar não só o paisagismo e estética da região, como também cuidar da iluminação e da segurança. O GTAL objetiva proporcionar maior tranqüilidade aos moradores e freqüentadores dos teatros, que poderão passear pela região e sua ação abrangerá parte das ruas Brigadeiro Luis Antonio, Jaceguai, Major Diogo, Humaitá e Abolição.

Para agilizar e alcançar rapidamente os objetivos, o GTAL já está ouvindo todas as entidades do bairro e buscando adiantar os processos junto aos poderes públicos, em especial a Prefeitura Municipal e Administração Regional Centro, que vem garantindo colaborar e auxiliar. 

O Grupo Silvio Santos já gastou mais de R$ 100 mil para melhorar a rua Jaceguai e a Praça Pérola Byngton, que está sob sua responsabilidade. O Grupo já pagou também – dentro da Operação Urbana Centro – a contrapartida financeira de um milhão de reais, que está sendo usado para a revitalização da Praça do Patriarca.

Eduardo Velucci lembra que o Grupo Silvio Santos tem, inclusive, razões emocionais, para se preocupar com a recuperação, a qualidade de vida dos moradores e freqüentadores do bairro. "Foi aqui que Silvio Santos começou em São Paulo. Para nós, nada mais justo do que aplicar, sempre e cada vez mais, recursos nesta região, onde crescemos e progredimos."

Umas das maiores preocupações do Projeto é não alterar a aparência dos valores históricos que existem nesta região. Velucci diz que acredita numa convivência saudável entre os vizinhos, o pessoal da Padaria Java, dos dois prédios residenciais e do Teatro Oficina, que serão beneficiados, não só com o jardim, mas também com estacionamentos, segurança, serviços e outras comodidades. 

"Novos investimentos serão atraídos", diz.

"Com o Teatro Oficina e com o bairro como um todo", garante Velucci, "a convivência será mais acentuada, pois um centro de lazer, entretenimento e cultura como o que propomos, moderno, se integrará e se somará ao espírito do Bixiga, um bairro cultural, boêmio, com seus teatros, cantinas, casas noturnas, escolas de samba, bandas e cordões carnavalescos tradicionais, com toda a alegria que emana da região".

SITUAÇÃO JURÍDICA

O projeto do Centro de Entretenimento Lazer e Cultura está totalmente aprovado pelos órgãos competentes, como Prefeitura Municipal, Secretaria de Habitação, Sehab, Condephaat (órgão estadual que cuida do patrimônio histórico) e Com-presp (órgão municipal que cuida do patrimônio histórico), CET e Secretaria Municipal de Transportes, entre outros.

Falta apenas o parecer vindo do Ministério Público, da Promotoria de Estado do Meio Ambiente, que inter-media as negociações que vêm ocorrendo, com sucesso, com o Teatro Oficina. Quanto ao desejo de José Celso: que o Grupo Silvio Santos conceda parte do terreno que lhe pertence, ao Teatro Oficina, Velucci afirma:

"É impossível, porque inviabilizaria totalmente o projeto, cortando-o ao meio, diminuindo as qualidades propostas pelo empreendimento".

Para ele, o jardim idealizado (que ficará ao lado do Teatro Oficina), será muito importante, não só porque garantirá a iluminação e a ventilação do teatro, uma reivindicação justa, como deixará muito mais bonita a rua, garantindo um amplo e agradável espaço de convivência tanto para a comunidade como para os freqüentadores do Teatro.

"O Teatro Oficina é um marco da cultura brasileira", ressalta Velucci. No entanto, ele lembra que o projeto original, elaborado na década de 80 pela já falecida arquiteta Lina Bo Bardi em conjunto com o também arquiteto Edison Elito, ao contrário do que diz Zé Celso, não fazia qualquer referência à extensão do terreno, principalmente porque o terreno é de propriedade privada do Grupo Silvio Santos.

Sílvio pode desistir

Velucci, ao final da entrevista, aproveitou para lamentar a polêmica que vem se arrastando e atrasando as obras de construção do projeto. Ele admite até que isso vem tirando bastante entusiasmo do próprio Silvio Santos, que já chegou a externar desejo de abandonar a idéia da construção.

Como o JORNAL DA BELA VISTA já publicou há um mês atrás, os moradores do bairro aguardam ansiosamente a concretização desse empreendimento, que dará grande alento ao Bixiga e, principalmente, a essa região, que está bastante deteriorada. 

Felizmente, a continuidade do projeto vem sendo defendida pessoalmente pelos executivos do Grupo, que buscam remover todos os obstáculos para garantir o início das obras e a realização do projeto, que deverá estar concluído em 2003.

O QUE TERÁ

O CENTRO CULTURAL

O Centro de Entretenimento, Lazer e Cultura – o nome ainda será definido – será construído em oito pavimentos, quatro andares superiores, quatro andares subterrâneos, com entradas pelas Ruas Santo Amaro e Jaceguai.

Terá estacionamento para 1.200 veículos. Todo o empreendimento será climatizado e com segurança.

Projeto mirabolante de Zé Celso

e projeto do Shopping Cultural de Sílvio Santos

No térreo, convivendo com o jardim de esculturas, haverá uma praça de Multieventos (que poderá ser utilizada em eventos e campanhas da comunidade), além de uma grande academia de ginástica com 2 mil m².

Toda a fachada do empreendimento será de vidro – o que propiciará ampla iluminação natural e visão tanto do exterior, para quem estiver passando na região, como para quem estiver no interior do Centro. No segundo andar, dez cinemas Multiplex, entre os mais modernos do mundo em sistemas de som e imagem.

No intermediário, também com cerca de 2 mil m², o projeto prevê uma grande livraria (megastore), para a venda exclusiva de livros, vídeos, CD’s, equipamentos de imagem e som. A idéia é ter ali, também, uma loja especializada em suprimentos de infor-mática, além de, como nos outros andares, restaurantes e lanchonetes variados

No terceiro andar, uma completa Praça de Alimentação e uma área especial para jogos virtuais. Neste pavimento deverão ser instaladas cantinas de nomes tradicionais do bairro, que terão preferência se desejarem se estabelecer no local.

No quarto e último andar, uma enorme Casa de Espetáculos, de ampla capacidade e condições para abrigar grandes shows e musicais. No mesmo andar, mais dois teatros estarão instalados.

 

JORNAL DA BELA VISTA DE 03-06-2001

Promotor diz que não tem prazo para dar parecer sobre o Shopping Cultural do Bixiga

 

O  promotor público do Meio Ambiente Dr. Antônio Luiz Souza, em entrevista exclusiva à Editora Ipê de Jornais de Bairro, diz que não pode informar quando juntará ao processo o seu parecer sobre o projeto do Shopping Cultural, que Sílvio Santos pretende construir no Bixiga.

Antônio Souza informou que - embora o assunto seja muito importante, porque envolve investimento de valores elevados e o interesse a toda comunidade do bairro da Bela Vista - o parecer , que ele deve apresentar, é relativamente restrito.

"O parecer que devo apresentar se refere apenas se a construção afetará o Teatro Oficina, que é um bem cultural tombado e que deve ser preservado", explica.Antonio Luis disseque não gosta de dar entrevista e muito menos de tirar fotos

Ele entende que a função de promotor não é a de dar entrevista, mas sim de estudar as leis e opinar - com muita responsabilidade, para não cometer injustiça a ninguém.

Embora sua mesa tivesse pilhas de processos, contou que havia levado para casa o processo, no qual o Oficina pleiteia que sejam preservados o teatro tombado e seu entorno.

Segundo ele, o objetivo é o de melhor estudar e agilizar o seu parecer.

"Mas, não posso dar um prazo", diz.

O promotor afirma que não pretende fazer nada às pressas, porque está consciente da importância do assunto e acha que o estudo precisa ser bem feito.

"Se eu lhe disser que o meu parecer sairá dentro de 15 dias, no décimo sexto dia você estará aqui me perguntando se já dei meu parecer", afirma.

 

Sem fotos

Embora solicitasse que não fosse fotografado, ao dar explicação sobre seu trabalho o promotor fez um rascunho (veja ilustração nesta página) onde explica a que se deve cingir seu parecer: teatro ao centro, o entorno e o Shopping Cultural do Bixiga.

No rascunho ele escreveu "entorno" e ao lado: "natural, artificial, cultural e trabalho", com o objetivo de explicar que a sua função de promotor é defender o meio ambiente natural, artificial, cultural e do trabalho.

Neste caso, se trata de preservar um bem cultural tombado - que é o Teatro Oficina.

Quanto à discussão sobre um terreno que Sílvio Santos poderia ou deveria ceder para ampliação do Teatro Oficina, disse que seu parecer não tratará do assunto, pois isto não consta dos autos, como fato juridicamente consumado.

 

JORNAL DA BELA VISTA DE 15 -07-2001

Morador luta pela construção do Centro Cultural do Bixiga

O morador do bairro da Bela Vista, Mario Neves, está fazendo um abaixo assinado para a construção do Centro Cultural do Grupo Silvio Santos na rua Jaceguai. Segundo o morador, o objetivo principal deste trabalho é o grande aumento do número de emprego e também a revitalização da cidade.

"Com a construção do Centro Cultural do Bixiga nós moradores do bairro e região vamos ser beneficiados, pois além do shopping nos proporcionar mais empregos, também vai dar a chance aos pequenos empresários montarem seus negócios como: salão de beleza, clínicas médicas, lanchonetes e outros", disse Neves.

Mario disse que o abaixo já contém centenas de assinaturas. Informou também que o abaixo assinado será entregue ao promotor público do Meio Ambiente, que está estudando o projeto.

"Este abaixo assinado é para o nosso bem e também para o bem do bairro, pois além de ganharmos um visual novo, também estaremos revitalizando a cidade", explica. Mario Neves exibiu à reportagem da Editora Ipê um projeto de Viva São Paulo, que objetiva dar melhor qualidade de vida ao centro de São Paulo.O Centro Cultural do Bixiga se insere nesse contexto.

Quem estiver interessado em assinar o abaixo assinado deve dirigir-se à rua Martiniano de Carvalho, 14, apto. 510, na Bela Vista.

EDITORA IPÊ DE JORNAIS DE BAIRRO – FÓRUM 26-08-01

De: Suzele Regiane

Assunto: máteria rupo SS/ Teatro Oficina

Olá, sou estudante de jornalismo da  Universidade São Judas Tadeu e gostaria de receber todas informações que encontram-se no acervo do jornal, sobre a "luta" entre o tão afamado Grupo Silvio Santos e o histórico Teatro
Oficina, no que diz 'a construção do Shopping Center.Como tudo começou e possívelmente acabará.
Agradeço desde já!
Suzele Regiane

De: Egydio Coelho 

Suzele:

Todas as matérias publicadas sobre o assunto no Jornal da Bela Vista está disponível na internet ( www.ajorb.com.br/ipe/jbv-silvio ). 

Ali você encontra entrevista com a diretoria do Grupo Sílvio Santos, com o Promotor Público que está com o processo há mais de mês para dar parecer e com um morador do bairro que está angariando assinatura num abaixo assinado para encaminhar ao Procurador e à Prefeita Marta Suplicy pedindo o início das obras o mais rápido possível.

Também você encontra manifestação do teatrólogo José Celso.

Acho que as entidades do bairro deveriam promover uma reunião com os que são contra a instalação do "Shopping Cultural do Bixiga do Sílvio Santos" e com a população, para que esclareçam porque são contra. 

Pois, pelo projeto, o Teatro Oficina será preservado, inclusive o seu contorno que será totalmente ajardinado. Acho que a discussão é mais emotiva do que racional.

Grato pela participação.

Egydio

EDITORA IPÊ DE JORNAIS DE BAIRRO – FÓRUM 16-09-01

Caro Sr. Egidio

Moro na Bela Vista, pelo menos a 25 anos. Adoro isso aqui, apesar do grande abandono que hoje vivenciamos.

Isso sem falar na violência e bandidagem que domina o bairro.

Para não me alongar, ouvi dizer do movimento Bela Vista Viva que pretende revitalizar algumas ruas do bairro como Major Diogo, Jaceguai, etc. 

E, por último queria expressar minha indignação com o Sr. José Celso, que considero um grande teatrólogo, mas infelizmente não percebe a decadência que a Bela Vista se encontra e deveria olhar os muitos beneficiados que este projeto do SS trará ao bairro e a comunidade, que é mais importante, inclusive ao próprio Teatro Oficina que seria por demais beneficiado.

Por acaso, o Sr Celso mora no bairro. Desses que são contrários, quantos moram no bairro. Há quanto tempo?

Abraços 

Antonio Silva

Antônio:

O Jornal da Bela Vista desta semana, que se inicia, traz matéria sobre o trabalho, que os três grupos empresariais (Sílvio Santos, Teatro Abril (Paramount) e TBC) pretendem fazer na Rua Major Diogo, Jaceguai e adjacências. Acho que é um começo, mas precisa do apoio de toda população.

Na realidade, até hoje não encontrei ninguém que seja contrário a construção do Shopping Cultural do Bixiga de Sílvio Santos. 

Nem moradores do bairro, nem de pessoas que estão ligadas ao Bixiga  por laços de família, por já terem aqui atividade comercial ou profissional ou vivido no bairro e aqui ter seus amigos e até por se ligarem ao bairro histórica e emocionalmente. 

A divergência entre o Zé Celso e o Grupo Sílvio Santos - me parece - é mais emocional, já que o universo de valores culturais de Zé Celso é o teatro da forma em que ele é e sempre foi e qualquer modificação no seu entorno, ainda que para melhor, não o convença a aceitar as alterações. 

Posso até estar errado. Por isso, gostaria de ver e ler opiniões diferentes da minha.

Egydio Coelho da Silva

 

JORNAL DA BELA VISTA DE 17-09-2001

 

Grupo Silvio Santos, Hudson e CIE Brasil 

se unem para a revitalização do Bixiga

 

Moradores querem a construção do Shopping Cultural do Bixiga.

 

Membros dos grupos Silvio Santos, Hudson e CIE Brasil, se uniram na última quarta feira para o lançamento do projeto Bela Vista Viva! no teatro Sérgio Cardoso.

Segundo organizadores do projeto, esta é uma articulação das comunidades empresariais, sociais e culturais da Bela Vista em prol da revitalização dessa importante região paulistana, onde muitos lutam para sua melhoria.

O projeto idealizado pelo grupo Silvio Santos investirá 70 milhões de reais na Rua Jaceguai.

Conforme o JBV já publicou em edicões anteriores, o Teatro Oficina será preservado, por que se trata de um bem público tombado. O entorno do Oficina será mantido e ajardinado.

Segundo os moradores, a construção trará muita oportunidade de emprego, além de dar uma nova cara ao bairro da Bela Vista.

Alguns também acreditam que, com a construção,o policiamento no local aumentará, o que hoje quase não existe.

Neste projeto está prevista a instalação de livrarias, lojas musicais, cinema, teatro, praça de alimentação e outros atrativos, relacionados com atividade cultural.

Moradores da Bela Vista, entrevistados pela nossa reportagem, se mostraram favoráveis à construção do Shopping Cultural no bairro.

O empreendimento planejado pelo Grupo Silvio Santos, na avaliação dos moradores, trará boas perspectivas de trabalho e de melhorias sociais na região.

Desempregado há cerca de um ano, o morador Álvaro Grande diz que torce para que o projeto seja executado.

Suas chances de arrumar um emprego, argumenta, aumentam com a construção do novo Shopping Cultural. "Infelizmente está muito difícil de arrumar um emprego, com a construção as oportunidades locais de trabalho serão bem maiores", afirma. Para ele, o centro cultural poderá absorver boa parte da mão-de-obra do bairro desempregada e contribuir para reduzir o índice de desemprego na região.

 

Um novo visual

 

A instalação do Shopping Cultural do Bixiga tem uma outra vantagem, aponta a moradora Lia dos Santos: dará uma cara nova para a Bela Vista.

Há 25 anos vivendo no bairro, Lia assistiu a degradação da região nos últimos anos. "Com certeza a construção vai dar uma vida nova para o local, pois podemos notar que a região não é tão boa mais", diz.

Com o novo empreendimento e mais trabalhadores circulando pelas ruas da Bela Vista, avalia, marginais, usuários de drogas e pessoas que passam o dia perambulando pelo bairro tendem a se afastar da região "Além de tudo isso, o Shopping Cultural nos oferecerá serviços culturais como livraria, teatro e outros", acrescenta.

Sara Daniela, outra moradora do bairro, compartilha da mesma opinião.

"Nosso bairro é clássico, temos uma grande página na história da cidade de São Paulo. Temos os melhores bares e os melhores restaurantes, mas também temos uma imagem de periferia devido a vários problemas sociais, por isso acho que o Shopping Cultural daria uma boa ajuda nesta questão".

Os moradores entrevistados, também dizem acreditar que, com a construção, o local ficará mais bonito e mais iluminado o que aumentará a segurança.

"Precisamos de mais policiais porque a criminalidade local é muito grande", observa.

Para Sara Daniela, a segurança na Bela Vista deverá aumentar pelo menos 50% depois que o novo empreendimento estiver em pleno funcionamento.

 

JORNAL DA BELA VISTA DE 17-09-2001

 

Os diretores dos grupos Silvio Santos, Hudson e CIE Brasil se uniram na última quarta feira para o lançamento do projeto "Bela Vista Viva!".

 

Segundo os organizadores esta será uma articulação das comunidades empresariais, sociais e culturais da Bela Vista, em prol dessa importante região paulistana.

O projeto está sendo lançado agora devido a comemoração de mais um aniversário do bairro.

Segundo o engenheiro do Grupo Silvio Santos, Eduardo Velucci, o projeto é uma cidadania empresarial.

"Precisamos unir as empresas com a população, pois só assim conseguiremos alguma coisa", disse.

"Nossa intenção é fazer com que os moradores da Bela Vista voltem a andar tranquilamente pelas ruas", acrescenta.

União

O Secretário da Cultura do Estado, Marcos Mendonça, disse que a solução para os projetos de revitalização darem certo, é preciso que pessoas relacionadas com cultura, gastronomia, moradores e poder público façam uma união.

"Tem de haver colaboração de todas as partes. O nosso ponto positivo é que o bairro do Bixiga inclui todas as áreas, é o bairro correto para fazer isso".

 

JORNAL DA BELA VISTA DE 23-09-2001

 

Shopping Cultural é debate no 

FÓRUM DOS MORADORES

 

A construção do Shopping Cultural que pode ser feito no espaço do Teatro Oficina pelo Grupo Silvio Santos, está causando debate no FORUM DOS MORADORES, criado pelo jornal da Bela Vista em nosso site.

Na verdade não é bem um debate, mas sim um apoio à construção do Shopping por parte dos moradores internautas.

Antonio Silva, morador do bairro há 25 anos, é um internauta que torce muito por essa construção.

O internauta conta que muitas ruas do bairro estão em péssimas condições, cheias de buracos, outras viraram pátios de transportadora por comportar diversos caminhões, lixos são mais que normais, falta de segurança e diversos outros problemas.

"Acho o Sr. José Celso um ótimo teatrólogo, mas acho que ele não percebe a decadência da Bela Vista, e o bem que o Shopping Cultural irá trazer para nossa comunidade", disse o morador.

Outro internauta que deixou sua nota no do fórum foi a cooperativa "Mercedes".

Esta parabeniza a revitalização do Bixiga e também torce pela construção do Shopping em pró do bairro.

Para quem tiver interessado em participar do nosso fórum é só acessar www.ajorb.com.br/ipe.

 

FÓRUM DE MORADORES DO BAIRRO 30-12-01

Cândida Cabral

São Paulo-SP

Egydio,

Estou lhe repassando um texto, que extraí na internet (Trópico - internet de Norte a Sul) e que, me parece, você deveria divulgar no Fórum de Moradores. Acho que seria mais democrático, porque daria direito ao Zé Celso de expor suas idéias contra o Shopping Cultural do Bixiga de Sílvio Santos. Assim, esse fórum ficará mais democrático nessa disputa.

Cândida:

Antes de mais nada é necessário dizer que demos espaço sim para Zé Celso pois a a  carta dele, que foi publicada pelo Jornal da Bela Vista. E não poderia ser diferente pelo respeito que temos pela sua importância cultural no bairro e no Brasil. Além disso, este fórum está aberto não só a ele, mas a todas as pessoas que desejem discutir o assunto.

Da entrevista que você me enviou eu gostaria de comentar o trecho em que Zé Celso diz: "há algo podre no reino de Marta Suplicy", imitando Shakespeare.

Acho que aí ele foi injusto com a Prefeita Marta Suplicy, porque acho que as divergências existem e nem por isso a discussão deve baixar o nível.

Num encontro, que tive com a Prefeita aqui no Bixiga, ela me contou que foi procurada por Zé Celso, logo que tomou posse no cargo de prefeito.

Zé Celso reivindicou dela os baixos do Viaduto Jaceguai, alegando que desejava instalar ali uma escola de teatro, no lugar onde existe um sacolão, que vende produtos horti-fruti-granjeiro para os moradores do bairro. 

Ela lhe pediu tempo para estudar o problema. Após consulta ás respectivas secretarias municipais, achou uma solução favorável e o chamou a seu gabinete para lhe dar a boa notícia de que seria possível atender seu pedido. 

"Aí, fiquei surpresa porque ele havia mudado de idéia e não mais queria aquele espaço", lamentou Marta Suplicy.

Noutro trecho, diz Zé Celso:

"A cruzada que move atualmente não visa mais, porém, apenas a manutenção do Oficina, mas de todo o em torno do teatro - cobiçado para sediar um shopping de grupos econômicos apoiados pela prefeitura e dos quais participa o empresário Sílvio Santos. E, para além dessa área, todo o quarteirão e o próprio bairro do Bexiga, prestes a sofrer mega-intervenção urbanística".

Acho louvável o espírito de luta de Zé Celso, mas me parece que confirma a teoria de Joãozinho Trinta:"O povo gosta de coisas bonitas e intelectual gosta de miséria e pobreza".

É pena que esse espírito de luta para preservar o Bixiga, que tem hoje Zé Celso, ele não o tenha tido na época em que se construiu o viaduto Jaceguai e se alargou a Rui Barbosa, destruindo grande parte do patrimônio histórico do bairro. 

Na Liberdade os orientais tiveram poderes ou sorte e conseguiram que a via expressa passasse sob o bairro, preservando mais do que no Bixiga.

Hoje, decorridos mais de trinta anos, a construção do Shopping Cultural do Bixiga é a única esperança de melhorar a área, de trazer mais segurança e até preservar o pouco que resta do Bixiga. 

 Outra afirmação de Zé Celso e que merece reparo é quando diz: "...inclusive oficializando a mudança do nome do bairro para Bela Vista". 

Não sei porque disse isso, pois, todos sabem que o nome oficial do sub-distrito é Bela Vista. E isso inclusive foi exigência dos moradores. 

Quando, na sua primeira viagem para o bairro, o bonde trouxe como indicação de destino o nome Bexiga, o povo, revoltado, quebrou o bonde. Assim, na sua segunda viagem foi obrigado a trazer o nome Bela Vista. 

Naquele tempo, o nome era considerado pejorativo. Hoje, felizmente, poucos moradores pensam assim.

Sabemos que o Teatro Oficina vale como bem cultural histórico e não pela sua arquitetura, já que quem o construiu não se preocupou com isso, pois, poderia ter aparência externa que combinasse com a arquitetura italiana e calabresa no início do 

bairro. E é pelo bem cultural histórico que o Teatro Oficina será preservado. 

Eu mesmo não gostaria de ver demolido o teatro, que levou a peça de Chico Buarque: Roda Viva e sofreu represália por isso, no tempo em que o teatro brasileiro ainda discutia e era vanguarda de temas políticos e sociais. 

Meus conhecimentos de teatro são poucos, mas fui espectador assíduo na década de 60 e início da de 70. E se resume também a algumas aulas que tive com Eugênio Kusnet na USP. 

Aliás, foi minha mulher, na época, minha namorada, que teve aula com ele de interpretação teatral, pois, era declamadora de poesia e desejava se aperfeiçoar. E e eu apenas a acompanhava em algumas aulas. 

Mas assim mesmo aprendi uma coisa com ele que nunca mais esqueci: que o objetivo do teatro tinha de ser o de, com arte e sutileza, levar mensagem política e social, senão não tinha graça. 

Hoje, esperava-se do teatro brasileiro atitude de vanguarda, como aconteceu na década de 60, com Boal, Gianfrancesco Guarnieri e, depois da revolução, Chico Buarque. 

Com a redemocratização do País, tive esperança de que os donos de teatro dessem espaço aos autores brasileiros contemporâneos e recolocassem o teatro na vanguarda do debate de temas nacionais, iniciados na década de 60 no então teatro de Arena. 

Durante o período ditatorial se viu ainda Roda Viva, Gota d ´Agua,  Liberdade, Liberdade. Depois disso, nada se produziu de vanguarda com conteúdo sério e polêmico no teatro brasileiro. 

E temas não faltam: como a inutilidade do combate clássico ao tráfico de drogas e a despreocupação com a recuperação e prevenção de seu consumo (abordado por filme americano Traffic e não pelo teatro), a "supervalorização da globalização",  a pobreza no Brasil, o socialismo democrático, a limitação da liberdade de imprensa por legislação, que policia pensamento e pelo monopólio de grupos, etc. 

Se isso acontecer, eu mesmo voltarei a freqüentar o teatro, o que não  faço há muito tempo porque nada tem oferecido que se aproxime da década de 60. 

Acho que os artistas do Teatro Oficina deveriam se preocupar mais com a melhoria da qualidade das peças teatrais, que apresentam em vez de atrapalhar a única obra, que nos últimos 40 anos, parece que virá oferecer alguma perspectiva de melhoria ao Bixiga. 

Aliás, segundo o próprio promotor em entrevista, que me concedeu,  disse que o Teatro Oficina será preservado por ser bem cultural histórico e não pelo seu valor arquitetônico. 

Parece-me que 14 metros ao seu redor em área verde, como prevê o projeto do Shopping Cultural do Bixiga, será suficiente para deixá-lo com a aparência muito melhor do que teve ao longo de sua existência. 

Portanto, a única explicação lógica, para a veemente oposição de Zé Celso ao projeto, ainda é a frase do Joãozinho Trinta: "O povo gosta de coisas bonitas e intelectuais de miséria e pobreza", que confundem com valor cultural. 

Egydio Coelho da Silva

 

EIS  A POSIÇÃO DE ZÉ CELSO:

"Oficina, a casa dos artistas por Alvaro

 Machado e 

Buraco no Oficina, por Lenise Pinheiro

Zé Celso Martinez propõe a Silvio Santos um "reality show" das disputas em torno do teatro e diz que há algo podre no reino de Marta Suplicy.

A cruzada que move atualmente não visa mais que apenas a manutenção do Oficina, mas sim todo o entorno do teatro -cobiçado para sediar um shopping de grupos econômicos apoiados pela prefeitura e dos quais participa o empresário Sílvio Santos. E, para além dessa área, todo o quarteirão e o próprio bairro do Bexiga, prestes a sofrer megaintervenção urbanística.
Para ele, o novo Bexiga não deve tornar-se uma Broadway paulistana de construções pós-modernas, erguida e administrada por três grupos econômicos, mas um "amplo oásis", com generosos espaços de circulação e áreas verdes, pontilhado de casas-laboratório teatrais, "verdadeiros templos" que irradiariam espiritualidade em direção à urbe congestionada.
O Condephaat alegou que a área já estava deteriorada pelo Minhocão e prédios em torno e que, portanto, isso não devia ser considerado. O raciocínio deles é: "Já que está ruim, deixa piorar de vez". Mas isso foi anticonstitucional e ganhamos, porque felizmente existe uma geração brilhante de procuradores no Meio Ambiente, com nível cultural altíssimo e uma compreensão muito grande daquilo do que estão tratando.
Esses grupos querem dar ao Bexiga uma configuração de Las Vegas, inclusive oficializando a mudança do nome do bairro para Bela Vista.
Eles estão comprando toda a área do Bexiga, até mesmo a sinagoga aqui ao lado (rua Abolição) e também uma outra sinagoga em frente ao antigo Ferro’s Bar (rua Martinho Prado). Enfim, estão comprando o bairro todo, com um projeto muito grande de transformar o Bexiga numa espécie de Miami ou Orlando.
Zé Celso: Eles querem nos dar uma área em troca da construção do shopping ao lado, mas veja o sol que entra neste momento pela parede lateral de vidros e que seria então escondido. Fizemos "Boca de Ouro" com essa iluminação natural às 14h30, ensaiamos "Os Sertões" às 18h, com esse sol absolutamente maravilhoso entrando aqui. É um tratamento revolucionário que a Lina Bo quis dar a um teatro.
O teatro não pode ser como uma caixa de sapatos, como diz Oswald de Andrade na peça "A Morta" (ele fala: "Habitamos um país sem luz própria"). Não, o teatro tem de se abrir para o Cosmos, para a Natureza. Se não for conveniente para uma montagem, fecha-se a parede com uma cortina. Mas a luz natural tem sido

 um luxo, não só para o teatro como para toda a atividade aqui. Tem-se a tranqüilidade de um terreiro, de um templo, o que é um luxo em São Paulo. Agora, vir uma torre que corresponde a um prédio de 30 metros roubar o sol aqui ao lado, isso realmente não dá para aceitar.
 

FÓRUM DE MORADORES DO BAIRRO 30-12-01

Cândida Cabral

São Paulo-SP

Egydio,

Estou lhe repassando um texto, que extraí na internet (Trópico - internet de Norte a Sul) e que, me parece, você deveria divulgar no Fórum de Moradores. Acho que seria mais democrático, porque daria direito ao Zé Celso de expor suas idéias contra o Shopping Cultural do Bixiga de Sílvio Santos. Assim, esse fórum ficará mais democrático nessa disputa.

Cândida:

Antes de mais nada é necessário dizer que demos espaço sim para Zé Celso se manifestar como se vê em nosso website www.ajorb.com.br/ipe/ipe-forum, onde consta, na íntegra, carta dele, que foi publicada pelo Jornal da Bela Vista. E não poderia ser diferente pelo respeito que temos pela sua importância cultural no bairro e no Brasil. Além disso, este fórum está aberto não só a ele, mas a todas as pessoas que desejem discutir o assunto.

Da entrevista que você me enviou eu gostaria de comentar o trecho em que Zé Celso diz: "há algo podre no reino de Marta Suplicy", imitando Shakespeare.

Acho que aí ele foi injusto com a Prefeita Marta Suplicy, porque acho que as divergências existem e nem por isso a discussão deve baixar o nível.

Num encontro, que tive com a Prefeita aqui no Bixiga, ela me contou que foi procurada por Zé Celso, logo que tomou posse no cargo de prefeito.

Zé Celso reivindicou dela os baixos do Viaduto Jaceguai, alegando que desejava instalar ali uma escola de teatro, no lugar onde existe um sacolão, que vende produtos horti-fruti-granjeiro para os moradores do bairro. 

Ela lhe pediu tempo para estudar o problema. Após consulta ás respectivas secretarias municipais, achou uma solução favorável e o chamou a seu gabinete para lhe dar a boa notícia de que seria possível atender seu pedido. 

"Aí, fiquei surpresa porque ele havia mudado de idéia e não mais queria aquele espaço", lamentou Marta Suplicy.

Noutro trecho, diz Zé Celso:

"A cruzada que move atualmente não visa mais, porém, apenas a manutenção do Oficina, mas de todo o em torno do teatro - cobiçado para sediar um shopping de grupos econômicos apoiados pela prefeitura e dos quais participa o empresário Sílvio Santos. E, para além dessa área, todo o quarteirão e o próprio bairro do Bexiga, prestes a sofrer megaintervenção urbanística".

Acho louvável o espírito de luta de Zé Celso, mas me parece que confirma a teoria de Joãozinho Trinta:"O povo gosta de coisas bonitas e intelectual gosta de miséria e pobreza".

É pena que esse espírito de luta para preservar o Bixiga, que tem hoje Zé Celso, ele não o tenha tido na época em que se construiu o viaduto Jaceguai e se alargou a Rui Barbosa, destruindo grande parte do patrimônio histórico do bairro. 

Na Liberdade os orientais tiveram poderes ou sorte e conseguiram que a via expressa passasse sob o bairro, preservando mais do que no Bixiga.

Hoje, decorridos mais de trinta anos, a construção do Shopping Cultural do Bixiga é a única esperança de melhorar a área, de trazer mais segurança e até preservar o pouco que resta do Bixiga. 

 Outra afirmação de Zé Celso e que merece reparo é quando diz: "...inclusive oficializando a mudança do nome do bairro para Bela Vista". 

Não sei porque disse isso, pois, todos sabem que o nome oficial do sub-distrito é Bela Vista. E isso inclusive foi exigência dos moradores. 

Quando, na sua primeira viagem para o bairro, o bonde trouxe como indicação de destino o nome Bexiga, o povo, revoltado, quebrou o bonde. Assim, na sua segunda viagem foi obrigado a trazer o nome Bela Vista. 

Naquele tempo, o nome era considerado pejorativo. Hoje, felizmente, poucos moradores pensam assim.

Sabemos que o Teatro Oficina vale como bem cultural histórico e não pela sua arquitetura, já que quem o construiu não se preocupou com isso, pois, poderia ter aparência externa que combinasse com a arquitetura italiana e calabresa no início do 

bairro. E é pelo bem cultural histórico que o Teatro Oficina será preservado. 

Eu mesmo não gostaria de ver demolido o teatro, que levou a peça de Chico Buarque: Roda Viva e sofreu represália por isso, no tempo em que o teatro brasileiro ainda discutia e era vanguarda de temas políticos e sociais. 

Meus conhecimentos de teatro são poucos, mas fui espectador assíduo na década de 60 e início da de 70. E se resume também a algumas aulas que tive com Eugênio Kusnet na USP. 

Aliás, foi minha mulher, na época, minha namorada, que teve aula com ele de interpretação teatral, pois, era declamadora de poesia e desejava se aperfeiçoar. E e eu apenas a acompanhava em algumas aulas. 

Mas assim mesmo aprendi uma coisa com ele que nunca mais 

esqueci: que o objetivo do teatro tinha de ser o de, com arte e sutileza, levar mensagem política e social, senão não tinha graça. 

Hoje, esperava-se do teatro brasileiro atitude de vanguarda, como aconteceu na década de 60, com Boal, Gianfrancesco Guarnieri e, depois da revolução, Chico Buarque. 

Com a redemocratização do País, tive esperança de que os donos de teatro dessem espaço aos autores brasileiros contemporâneos e recolocassem o teatro na vanguarda do debate de temas nacionais, iniciados na década de 60 no então teatro de Arena.