EDITORA IPÊ DE JORNAIS DE BAIRRO DE SÃO PAULO e 

VOZ DA TERRA - ASSIS-SP - BRASIL

Diretor: Egydio Coelho da Silva

 

OPINIÃO DE 12-12-2.000

Primeiro o Brasil e depois o resto

 A crise econômica e financeira norte-americana, assim como foram as eleições para presidente dos Estados Unidos, ganha as páginas dos jornais e se transforma numa das maiores preocupações dos especialistas brasileiros. 

Estamos mais uma vez, mais preocupados com o vizinho do que conosco. É preciso considerar o problema ao lado, mas se concentrar na busca de soluções para nossos próprios problemas.

A economia dos Estados Unidos nunca teve um período tão prolongado de crescimento, como o registrado nos últimos anos. Há muito tempo, os norte-americanos não sabem o que é desemprego. Miséria absoluta é coisa rara por lá. 

O Brasil e outros países pobres, especialmente os chamados emergentes, não se beneficiaram dos tempos áureos norte-americano. Toda aquela fartura não respingou por aqui ainda e nem vai.

Ao contrário, os problemas externos têm sido a principal causa das dificuldades financeiras do Brasil. Pode parecer ignorância e falta de conhecimento, mas se o mundo está globalizado e o que acontece num local se reflete no outro, por que ainda não nos beneficiamos do sucesso econômico norte-americano?

Os últimos três anos têm sido os mais difíceis do governo Fernando Henrique Cardoso e os mais gloriosos do presidente Bill Clinton. Então, por que, agora, temos de ficar tão preocupados com a economia norte-americana. Pela prática, o que acontece lá não respinga aqui.

É claro que pode parecer bobagem.  Muita gente vai dizer que, se mesmo com a economia norte-americana as mil maravilhas, o Brasil enfrentou dificuldades, imagina qual não será o reflexo por aqui da decadência econômica dos Estados Unidos.

Pode até ter alguma coerência, mas o melhor é deixar de lado isso e tentar começar o novo milênio arrumando a casa. Vamos pensar primeiro no Brasil, segundo no Brasil, terceiro no Brasil e só depois, então, no resto.    

 PERGUNTAR NÃO OFENDE

Condenar à prisão – seja quem for – sem julgamento não seria submissao da Justiça à febre do moralismo vingativo que assola o País?

TIRO O CHAPÉU

Para a sugestão de diminuir a jornada de trabalho dos bancários para gerar mais emprego.

ENTERRO O CHAPÉU

Para essa quebra de sigilo bancário, que fará a maioria pagar mais do que imposto e não a minoria pagar mais imposto.

OPINIÃO DE 11-12-2.000

 A evolução da ciência e a fome no próximo século

Encerram-se o ano e o milênio. Até bem pouco tempo atrás, uns 20 ou 25 anos, imaginava-se chegar a 2001 num mundo muito mais moderno. Havia até quem arriscasse a hipótese de aliviar o trânsito das grandes cidades com veículos voadores. 

Houve avanços, não resta dúvida, especialmente na área da informática, mas questões essenciais no Brasil e no mundo ainda esperam soluções.

Uma delas, a mais comentada nos últimos anos, é a fome e a pobreza que continua castigando populações de diferentes partes do planeta. É um absurdo em pleno 2.000 registrar números tão elevados de morte de crianças por desnutrição e doenças, como na Angola, onde uma em cada três crianças morre antes de chegar aos cinco anos. 

E não é preciso ir longe. Pesquisa recente em São Paulo mostra que o número de mortes por tuberculose - doença que já foi perigosa, mas sobre a qual já se tem controle no mundo – cresce 55% ao ano. 

É claro que os mais atingidos são moradores da periferia, que não têm acesso a condições de moradia descente nem muito menos a um atendimento médico digno.

A incidência da doença entre portadores de Aids é uma das razões desse crescimento de óbitos por tuberculose. Mas o mais preocupante é que a principal causa do problema é a desnutrição. 

Causa indignação ver de um lado sujeitos acusados de desviar dinheiro público para levar uma vida nababesca, como é o caso do juiz Nicolau dos Santos Neto, e de outro crianças, mulheres e homens desesperados para ter o que comer todos os dias.

 A desigualdade social é provavelmente o mais sério problema que deveremos, o Brasil e o mundo, arrastar para o novo século e o novo milênio. É inadmissível querer usar como justificativa o argumento de que esse é o problema mais antigo do mundo. 

Se a humanidade fez consideráveis evoluções nas letras, nas artes e especialmente nas ciências por que também não o faz no espírito. 

Especialistas dizem que este século será o do avanço da ciência biológica, com resultados como já vimos na área da genética. Mas os anos, os séculos e o milênio já mostraram que sem a evolução do espírito, acabamos vivendo concomitantemente com o moderno e o primitivo.

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Não seria mais útil para as instituições prender os responsáveis pela nomeação do Juiz Nicolau para presidente do TRT do que prender quem o escondeu?

TIRO O CHAPÉU

Para a competência da FIFA que conseguiu fazer um viciado em droga vencer um viciado em esportes.

ENTERRO O CHAPÉU

Para o TCU, que em vez de melhorar sua eficiência e evitar desvio de dinheiro público, quer apenas aumentar o salário de seus membros.

OPINIÃO DE 06-12-2.000

O problema econômico da educação

 Duas notícias recentes, uma ruim e a outra boa, indicam que a situação do País na área da educação é ruim, mas há esperanças de que a tendência mude. 

A ruim e que mostra a triste realidade educacional brasileira é o resultado do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que apresentou uma queda na nota dos alunos no ano passado em relação ao ano anterior.

A boa notícia e, não tão comentada como a anterior, é que o Brasil voltou a consumir mais livros.

Dados do setor mostram que o mercado recuperou as boas vendas de 1998 depois de enfrentar tempos difíceis no ano passado. Para os editores, o salto do faturamento do setor de R$ 958 milhões no ano passado para R$ 1,5 bilhão este ano é resultado da ligeira recuperação econômica.

Isso leva a concluir que medidas isoladas para recuperar o nível de escolaridade dos alunos não levam a nada. Um dos problemas detectados pelo Saeb é a deficiência na formação dos professores. 

Isso pode explicar porque houve queda no rendimento escolar tanto no setor público quanto no privado. É óbvio que os salários - especialmente nas escolas públicas, mas também nas instituições particulares – estão aquém das necessidades dos mestres. 

Com a remuneração paga é impossível morar, comer, beber e vestir toda a família, além de comprar livros, assinar revistas e jornais, freqüentar cinemas, teatros e eventos culturais, necessidades básicas de um bom professor. 

Isso sem falar nos demais problemas inerentes à educação, como reciclagem de professores, escolas melhores equipadas e um currículo adequado à nossa realidade.

É preciso lembrar, no entanto, que essa história é como o cachorro correndo atrás do rabo. Se não houver boa educação não haverá país com economia saudável e se não houver economia saudável é impossível investir em educação. 

Medidas urgentes para melhorar o nível educacional no País são imprescindíveis, mas é preciso admitir que esse é um trabalho de longo prazo que depende, como quase tudo nesse país, do tão esperado desenvolvimento econômico sustentado.

 PERGUNTAR NÃO OFENDE

A culpa pelo falso moralismo vingativo, que assola o País, é da mídia, que busca mais audiência, ou dos políticos, que buscam a reeleição?

TIRO CHAPÉU

Para a prévia eleitoral que o PT pretende fazer para indicar candidato a presidente. Deveria ser imitado por todos os partidos.

ENTERRO O CHAPÉU

Para quebra indiscriminada do sigilo bancário, que, como os pontos negativos na carteira de motorista, só aumenta a corrupção administrativa.

OPINIÃO DE 29-11-2.000

 Sem pobres não há pobreza

 O corte na distribuição de cesta básica a 8,6 milhões de pessoas moradoras em bolsões de pobreza do País é uma demonstração de que o combate à pobreza não é definitivamente prioridade do governo federal.

Não há dúvida de que distribuir comida é uma medida assistencialista. Mas é inaceitável suspender a alimentação de quem não tem o essencial, enquanto outras iniciativas de erradicação da pobreza mais eficazes, como a criação de empregos e renda mínima, sejam adotadas.

O fim do Programa de Distribuição de Alimentos, o chamado Prodea, é o descumprimento de uma das promessas de campanha à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, uma vez que o programa está listado entre as prioridades do “Avança Brasil”.

A decisão, no entanto, não é surpreendente num governo em que as autoridades se esforçam para brecar benefícios aos menos favorecidos e, ao mesmo tempo, suam a camisa para liberar recursos públicos, via BNDES, para financiar investimentos de grandes e fortes grupos econômicos.

Fortalecer os grandes para gerar empregos, estimular o desenvolvimento econômico e distribuir renda faz sentido. O que não faz sentido é matar o pobre de fome enquanto soluções para problemas estruturais, como o desemprego, não venham.

O governo deverá economizar pouco mais de R$ 100 milhões na compra de alimentos. Isso é irrisório se comparado ao R$ 1 bilhão, segundo estimativas do mercado, que deverá ser liberado pelo BNDES ao grupo Ultra para participar do leilão da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene).

Ironia do destino, a maior parte das pessoas beneficiadas pela distribuição de cesta básica está no Nordeste. É inaceitável essa discrepância num país onde a concentração de renda é uma das mais altas do mundo. 

Onde pretende chegar o presidente Fernando Henrique Cardoso é difícil saber. Mas uma coisa é certa: mantida a atual política federal, a pobreza será mesmo erradicada do país da maneira mais simples: eliminando os pobres.

 PERGUNTAR NÃO OFENDE

O Brasil deve 507 bilhões e a venda do BANESPA rendeu 7 bilhões. Quantos bancos precisam ser vendidos para pagar toda dívida?

TIRO CHAPÉU

Para a reclamação do presidente mexicano de que os países ricos, consumidores de drogas, pressionam os países pobres a combater tráfico, mas não investem no combate ao consumo das drogas.

 ENTERRO CHAPÉU

Para a técnica de só se preocupar em prender os corruptos sem obriga-los a devolver o que roubaram do povo.

OPINIÃO DE 22-11-2.000

Tempo dirá se privatização foi ou não bom negócio

 A venda do Banespa por US$ 7 bilhões, valor 281% acima do preço mínimo avaliado pelo mercado, foi motivo de comemoração para o governo federal e para muitos especialistas.

Mas só o tempo dirá se o negócio foi ou não vantajoso para o País. A maior parte das análises indica que sim. Os funcionários dizem que não.

O que há de real por enquanto é que mais uma empresa nacional passou para mãos estrangeiras, que os bancos internacionais detêm agora uma parcela maior do mercado financeiro brasileiro e que (isto é bom!) o governo poderá reduzir sua dívida pública.

 Há quem aponte outros fatores positivos. Um deles é a demonstração de confiança dos investidores estrangeiros no Brasil num momento em que o País passa por mais um período econômico delicado.

Mantida esta tendência, até o fim deste ano, o Brasil terá recebido de fora US$ 32 bilhões de investimentos diretos, um recorde histórico.

Outra vantagem da aquisição do Banespa pelo Santander é que os planos do banco espanhol são de crescimento, enquanto que as instituições nacionais que disputaram o leilão tinham intenção apenas de estagnar a expansão da concorrência no mercado interno.

Nesse caso, os espanhóis deverão expandir a rede e, pelo menos, manter os funcionários.

Esse é o quadro pintado por especialistas e representantes do governo. A realidade pode ser outra. Conforme comentários de um agricultor, pequenos produtores rurais vão perder uma fonte de financiamento e podem trocar o Banespa pelo Banco do Brasil, por exemplo, onde o crédito rural é mais farto.

O Banespa perderia cliente no Interior, onde seu público é maior. Para o correntista, as vantagens também ainda não foram apontadas. Até agora, a abertura do mercado financeiro não reduziu as tarifas bancárias.

Ao contrário, as aquisições ocorreram num período de estabilidade da inflação e as tarifas se transformaram numa fonte de lucros. Portanto, é cedo para tantas comemorações.  

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Não era muito mínimo o preço mínimo para venda do Banespa?

TIRO CHAPÉU

Para a aprovação, pela primeira vez, do nome de uma mulher para o Supremo Tribunal Federal.

ENTERRO CHAPÉU

Para o desrespeito como Zagalo, tetra campeão mundial, foi interrogado na CPI do futebol.

OPINIÃO DE 15-11-2.000

Marta deve evitar os erros de Erundina

O fato de a maioria dos paulistanos acreditar numa ótima ou boa gestão da prefeita eleita Marta Suplicy (PT), conforme mostra recente pesquisa do Datafolha, pode ser motivo de orgulho para a próxima administração, mas é também razão de preocupação, uma vez que a euforia pode facilmente ser revertida em frustração.

Os paulistanos esperam da próxima prefeita especialmente soluções para os sérios problemas de São Paulo. Durante a campanha, Marta alertou: “não esperem milagres”.

Com certeza o povo está amadurecido e sabe que milagre ninguém sabe fazer, mas espera o cumprimento das promessas de campanha, como a moralização da máquina administrativa, mais atenção aos problemas sociais e que a Prefeita colabore e exija do Estado mais segurança para São Paulo.

 Conseguir o apoio da população é importante para o sucesso de uma administração. Com certeza, o povo dará apoio, desde que a Prefeita e seus auxiliares tenham capacidade e sensibilidade suficientes para se comunicar.

Vale aqui, portanto, um alerta para a nova administração. Não se pode esquecer que o PT em São Paulo conta com a experiência adquirida no governo de Erundina, quando foi com muita “sede ao pote”, querendo implantar sua ideologia.

 Algumas coisas saíram erradas, como a política de transporte coletivo, a liberação total dos camelôs, a falta de preocupação com pequenas coisas; até o descuido em tapar buracos nas ruas e, o pior de tudo, a infeliz idéia de criar jornais de regionais, numa ridícula vontade de fazer jornal de bairro oficial.

A filosofia do PT é a da participação popular no governo. Isso quer dizer que, mais do que nunca, a população terá de ser convidada a participar no chamado orçamento participativo.

Portanto, Marta terá de trabalhar duro para que suas propostas se tornem realidade e não fique apenas no papel. A expectativa de um bom governo só faz aumentar a responsabilidade da nova Prefeita.

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE

A prisão de criminosos se faz para afastá-los da sociedade e impedir que cometam outro crime ou por vingança pelo que fizeram?

TIRO CHAPÉU

Para o movimento de âmbito nacional contra o abuso na cobrança de pedágio.

ENTERRO O CHAPÉU

Para privilégio de filhas de altos magistrados e militares, que se “aposentam” sem nunca ter trabalhado.

De olho no próprio umbigo

 OPINIÃO DE 08-11-2.000

É compreensível que as eleições presidenciais nos Estados Unidos tenham ganhado espaço no noticiário brasileiro até a semana passada, afinal se trata da maior potência mundial. 

Mas talvez a imprensa tenha exagerado.

Apesar de vivermos num mundo globalizado, o governo e a sociedade brasileira precisam se preocupar mais com o que acontece no nosso território do que com o que ocorre lá fora.

Temos problemas muito mais sérios para serem resolvidos, como a privatização do Banespa.

O governo não deixou claro porque pretende entregar ao setor privado uma instituição lucrativa.

Nem explicou porque vai transferir os lucros deste ano a quem adquirir o banco.

Será que se a instituição fechasse  com prejuízo, o governo também iria dividir com a iniciativa privada o prejuízo ou iria deixar que os brasileiros assumissem a conta?

Para dar um salário mínimo mais justo ao trabalhador, o governo alega não ter dinheiro. Mas tem cacife para subsidiar a iniciativa privada.

Outros problemas, como o desequilíbrio da balança comercial, podem desestabilizar a economia do País.

Há quem argumentem que do presidente dos Estados Unidos depende a eliminação ou não de barreiras fitosanitárias e ambientais que impedem o ingresso de mercadorias brasileiras no território norte-americano.

Eliminar essas barreiras é fundamental para elevar as exportações. Mas outras iniciativas, como criar uma política agrícola voltada para o mercado externo, são fundamentais.

Não adianta reclamar que os Estados Unidos barram frutas e alimentos por motivos ambientais e fitosanitários e ao mesmo tempo não dar condições para ampliar as vendas de café, soja e outros produtos que já têm mercado lá fora.

A economia dos Estados Unidos nunca prosperou tanto como nos últimos anos e nem por isso houve mudanças positivas na nossa economia.

Temos de acompanhar o que acontece lá fora, mas não perder de vista que o que interessa é o que fazemos aqui. Está na hora de olhar para o próprio umbigo.

PERGUNTAR NÃO OFENDE

A proliferação da jogatina oficial e/ou  “mafiosa” aumenta o custo Brasil ou aumenta a pobreza nacional?

TIRO CHAPÉU

Para a Prefeitura de Sorocaba que obriga os médicos a prescrever suas receitas com letras de forma.

ENTERRO O CHAPÉU

Para as discutíveis vantagens, que a privatização do BANESPA traz a São Paulo e a seus clientes.

OPINIÃO DE 31-10-2.000

Violência desnecessária na TV

         Quem viu as cenas de tortura de uma garota de três anos no programa do Ratinho, há algumas semanas, ficou horrorizado.

Mas indignado deve ter ficado quem ouviu a justificativa do apresentador para a exibição de tais cenas. “O objetivo era chocar, chamar a atenção para a violência”, afirmou em entrevista ao TVFolha, da Folha de São Paulo. 

Não é verdade que o brasileiro e as autoridades precisam disso para saber que a violência no País é uma barbaridade e que a Justiça precisa de maior rigor para inibir os bandidos. 

Ratinho queria mesmo é audiência e garantir seu salário mensal de R$ 2 milhões.

       Os programas sérios de jornalismo têm demonstrado com categoria e ética que a falta de segurança, a loucura humana, os problemas sociais, a dependência dos viciados em drogas, o despreparo e os baixos salários da polícia transformaram a violência num dos problemas mais sérios do País. 

Não é preciso mais cenas do que o próprio dia-a-dia nos oferece. O assassinato da professora pelo seqüestrador do ônibus no Rio de Janeiro, assistido pelo País inteiro via televisão, é uma prova disso. 

Na ocasião, a TV só pecou por exibir de forma exaustiva aquela cena. Mas o fato mostrado ao vivo é uma prova que não precisamos explorar a violência para combatê-la. Sua exploração só favorece quem vive de audiência.

      O apresentador pode convencer os menos esclarecidos de que só exibiu as cenas para alertar as autoridades. Mas ele sabe que com tal atitude só conseguiu de fato uma audiência maior. 

Nem para prender o seqüestrador, que já estava preso, seu programa serviu. Bradar contra o programa e o apresentador, no entanto, é perda de tempo. 

O ideal é brigar por melhor educação, mais escolas, mais creches, mais moradias, mais emprego. Quando tiver tudo isso, a população certamente saberá escolher melhor os canais de informação. 

Programas como este vão certamente deixar de render milhões a apresentadores e empresários que vivem de explorar a miséria humana.

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Os fundos de pensão não deveriam ser taxados, pelos menos, nos lucros, que obtêm – nem sempre éticos – nas especulações em bolsas de valores?

TIRO CHAPÉU

Para a CPI do futebol, que promete trazer a tona enriquecimento ilícito de muita gente acima de qualquer suspeita.

ENTERRO O CHAPÉU

Para as autoridades, que nada fazem para impedir que reivindicações classistas obstruam ruas e estradas e prejudiquem toda a sociedade.

 OPINIÃO DE 22-10-2.000

“Shopping” Sílvio Santos começa a ter unanimidade

O  centro de lazer e entretenimento, que Sílvio Santos pretende construir na Bixiga,  já tem o apoio de todos os segmentos sociais do bairro.

José Celso sempre esteve preocupado com a possibilidade de não ser preservado o Teatro Oficina.  Mas deixa claro que não é contra o empreendimento quando diz:

“Não me oponho que se construa um Shopping Center..., desde que contribua para revitalizar, pra valer, este umbigo cultural de São Paulo”.

Por seu lado, Sílvio Santos demonstra ter interesse em manter o Oficina, pois sua assessoria de imprensa diz textualmente: “Como prédio tombado, o Teatro Oficina tem seu entorno devidamente protegido”.

E acha que o empreendimento será bom para o Teatro, pois afirma: “hoje  quem vai ao Oficina anda por uma área do bairro degradada, insegura, quase deserta.

Com o centro cultural haverá movimentação noturna, segurança, mais iluminação; haverá a recuperação urbanística, dentro dos mais atualizados conceitos, de uma região tradicional de São Paulo, onde o Grupo Silvio Santos está instalado, desde o seu início, há pouco mais de 40 anos”.

Explicam que o empreendimento não  será  um shopping tradicional, mas sim “um centro de lazer exclusivamente com cinemas, teatros, casas de espetáculo, grandes lojas de discos e CDs, lanchonetes e restaurantes variados”,  devendo conter, no mínimo, 10 cinemas, mais teatros, academia de ginástica, parque temático, casa de shows.

“Serão quatro andares e quatro subsolos, com estacionamento para 1.100 veículos, segurança total, áreas de recreação infantil, etc.

Sua conclusão está prevista para 2003; o centro de entretenimento terá seu nome escolhido só no ano que vem, com a participação da comunidade e de todas as entidades do bairro”.

O entendimento entre as partes, para que se execute o empreendimento e preserve o Teatro Oficina, é, sem dúvida, o que mais deseja a população do Bixiga e Bela Vista.

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Já que os bancos estão lucrando muito com a automação e com a internet, por que não oferecem mais conforto aos clientes, não baixam o valor dos serviços e não oferecem mais empregos?

TIRO CHAPÉU

Para os movimentos internacionais contra a globalização e a favor do combate à miséria em todo o mundo.

ENTERRO O CHAPÉU

Para o alto preço e baixa qualidade das TVs pagas por antena e a cabo.

 

OPINIÃO 17-10-2000

 Um desafio para o próximo prefeito

O novo estudo científico que comprova pela primeira vez que a maconha vicia vai aguçar as discussões entre os que defendem e os que são contra a sua liberalização. Hoje se sabe que muita coisa legal também vicia: fumo, bebida, jogo, etc.

 Mas o mais importante é que não se perca de vista que importa é a prevenção do uso do entorpecente nas escolas, uma questão que também vai dar muito trabalho ao próximo prefeito.

O estudo diz que o princípio ativo da erva o THC, cientificamente conhecido como delta-9-tetra hidrocanabinol, tem o que se chama de adictivo, ou seja, ele pode viciar.

Independentemente disso, o que se ouve muito é que, mesmo que não viciasse, a erva pode ser a porta de entrada dos jovens para o mundo das drogas pesadas. Nesse ponto há mais consenso e menos discussões.

Também é consenso na cidade que a violência cresce talvez tão proporcionalmente ao aumento do número de usuários de drogas. Para alimentar o vício, jovens inexperientes tanto na vida como no mundo do crime têm feito barbaridades, como matar a sangue frio quem apenas reage de forma impulsiva a um assalto.

E é também nas escolas, públicas ou privada, onde os alunos têm informações sobre como ter acesso às drogas. Aumentar o policiamento nas portas de escolas ou em suas proximidades tem se mostrado insuficiente até amenizar o problema em São Paulo. O novo administrador da cidade se quiser contribuir de fato para a redução da violência, como têm prometido ambos os candidatos, terá de enfrentar este problema não apenas com rota ou policiais nas ruas.

Terá de dar prioridade à educação e investir em programas e projetos educacionais, culturais e esportivos capazes de atrair os jovens e tirá-los da rua. O encarecimento do custo de vida provavelmente aumentou o número de jovens da chamada, mas não reconhecida oficialmente, classe média baixa. Serão necessários recursos e alternativas criativas para resolver este problema. 

  PERGUNTAR NÃO OFENDE

O melhor combate ao MST não seria existir alguma política agrária, que fixasse o homem no campo?

TIRO O CHAPÉU

Para a proibição de lojas em shopping, em débito com o fisco, fazer sorteios (o melhor seria a proibição total).

ENTERRO O CHAPÉU

Para a proposta unilateral de aumento de 20% para servidores do TCU, órgão omisso e responsável por escândalos.

OPINIÃO DE 11-10-2.000

Mais pobreza deixa todos mais pobres

 A pobreza retorna às manchetes dos jornais com uma triste notícia: o número de pobres voltou a crescer no País no primeiro ano do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. 

Em 1.999, mais 3,1 milhões de brasileiros passaram a não ter renda suficiente para comer, vestir-se e cuidar da saúde e da educação. 

Esse é um problema que afeta a toda a sociedade porque se menos pessoas vão ter recursos para comprar, haverá menos consumidores, as vendas das empresas vão cair e o risco de aumento do desemprego será maior.

Existem 54,1 milhões de brasileiros vivendo na pobreza. 

A drástica redução da inflação, em 1995, ano seguinte ao lançamento do Plano Real, contribuiu para reduzir o porcentual de pobres em mais de dez pontos porcentuais, se comparado a 1993, quando havia 62,4 milhões de brasileiros nessa condição. 

Mas desde então, o conjunto de medidas econômicas e sociais do governo federal não tem sido capaz de derrubar esse porcentual que continua muito elevado.

Isso significa que o governo de Fernando Henrique Cardoso patina no que se refere às políticas sociais. Os números mostram que segurar a inflação é uma das condições para reduzir a pobreza. 

Mas o governo precisa fazer mais na área social e econômica. No social, precisa investir em saúde e educação. Na economia precisa estimular pequenos e micros negócios. 

Uma das medidas seria criar uma política de crédito para pequenos empresários. Não significa dar dinheiro subsidiado, mas obrigar os grandes bancos, incluindo os estatais, a ter uma boa carteira de pequenos, micros e médios. 

Recursos no mercado existem, mas os pequenos nunca têm acesso a eles por falta de garantia. 

Outra medida fundamental é inserir as grandes empresas nesses programas porque, como já foi dito no começo, a recuperação do poder aquisitivo dessas pessoas vai refletir na economia de modo geral e beneficiar a todos. 

PERGUNTAR NÃO OFENDE

No Brasil os impostos são altos por causa da sonegação e/ou por causa de desperdício, como o do aluguel da embaixada na Alemanha?

TIRO CHAPÉU

Para a Argentina que está demorando muito para se tornar a “La pelota de la vez”.

ENTERRO O CHAPÉU

Para o excesso de pedágios nas rodovias paulistas, o que prejudica o crescimento econômico do Estado.

   

OPINIÃO DE 03-10-2.000

A prova de fogo da oposição

  O Partido dos Trabalhadores (PT) era a legenda que mais comemorava já no dia 1o. de outubro o resultado das eleições municipais em todo o País. 

Não sem motivo, é claro. As primeiras prévias já mostravam que o PT foi o partido que mais cresceu aparecendo como primeiro ou segundo colocado em dez das 26 capitais. 

Na análise de políticos e cientistas políticos, esta seria uma clara demonstração de insatisfação da população com o tradicional. 

Outro partido de oposição ao governo federal, o PSB, também parece ter ganhado com essa maré e tinha chances de reeleger seus candidatos em Belo Horizonte (MG), Maceió (AL) e Natal (RN).

Passada a euforia dos resultados, esses partidos vão perceber o tamanho da responsabilidade que têm pela frente. 

A decepção dos eleitores no futuro poderá consolidar a desilusão com a política e instaurar de vez a descrença no setor público como instrumento para o desenvolvimento econômico e social dos brasileiros. 

Eleger a oposição parece nesse momento a taboa de salvação para os que não acreditam mais na classe política, ou ainda, o último voto de confiança em pessoas que, em tese, deveriam trabalhar em prol da diminuição da pobreza e distribuição de renda.

Essa talvez não seja a hora de comemorações. Deixar de atirar pedras para se tornar vidraça é uma árdua tarefa. Esses partidos vão passar por uma prova de fogo. 

O que se espera deles não é pouco. O fim da corrupção, a melhoria dos serviços de saúde e educação, estímulo à construção de casas populares e combate à violência. 

Isso sem falar nas simples atribuições da administração municipal, como ruas limpas e praças bem cuidadás. Em São Paulo, Marta Suplicy ainda tem uma difícil batalha, que é vencer Paulo Maluf (PPB), um típico representante do político tradicional. 

Mas mais difícil ainda será administrar uma cidade com tantos problemas, dívidas e, o que é pior, em meio a tantas cobranças dos eleitores.   

 PERGUNTAR NÃO OFENDE

Anular o voto não seria um ato cívico mais nobre do que votar em candidato sem saber se é honesto e competente?

TIRO CHAPÉU

Para o povo que, desta vez, pelo menos, deixou de votar em vereador suspeito de corrupção.

ENTERRO O CHAPÉU

Para a política de taxação de exportações, que diminui emprego e aumenta nosso déficit na balança comercial.

OPINIÃO DE 24 DE SETEMBRO DE 2.000

A medalha de ouro no social e cultural

* Ana Salete Coelho da Silva

O fracasso da seleção brasileira de futebol nas Olimpíadas foi uma decepção para muita gente. Mas quem reclamou mesmo, nos bastidores, segundo a imprensa, foram os patrocinadores do futebol brasileiro. São empresas multinacionais que temem perder investimentos milionários em marketing.

Assim como tudo neste país e no mundo globalizado, o dinheiro manda em todas as áreas. Agora, mais do que nunca, no esporte. Conquistar medalhas olímpicas deve ser uma preocupação do País. Mas prioridade mesmo é ocupar melhor posição em outros rankings, como o da saúde, o da educação e o do emprego.

O Brasil está longe do pódio dos países com melhores desempenho nas áreas sociais. Se nas Olimpíadas ocupa em média o 30o lugar, em outras áreas é quase que o centésimo da lista, como na área social. O Índice de Desenvolvimento Humano brasileiro é o 70o do mundo.

Muitas empresas, incluindo multinacionais, preocupadas com questões sociais e com a melhoria de condições de vida do brasileiro, investem em programas de educação e saúde. Mas a falta de acesso de boa parte dos brasileiros à educação e saúde ainda não é uma preocupação unânime da nação.

Trazer para o País um número de medalhas, especialmente de ouro, maior do que de Atlanta é um sonho, mas não deve ser uma obsessão nem tão pouco uma ganância de patrocinadores. Habilidades esportivas também é resultado de desenvolvimento econômico e social.

Num país em que muitos chefes de família encontram sérias dificuldades para se manter ou, o que é pior, encontrar emprego, como suas crianças podem ter treinamento esportivo?

Perder da Seleção de Camarões no futebol, deixando de lado a questão puramente esportiva, não deve ser uma grande vergonha porque não levamos grandes vantagens sobre eles também em outras áreas sociais. A situação econômica e social nos países pobres não é tão diferente assim.

* Ana Salete Coelho da Silva é jornalista

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Se o grande problema são os juros altos da dívida externa, um presidente, sem crédito com os agiotas internacionais, não seria melhor para o Brasil?

TIRO O CHAPÉU

Para a construção de mais dez escolas de esporte em São Paulo, o caminho inteligente para tirar as crianças das ruas.

ENTERRO O CHAPÉU

Para índios não-ecológicos que sacrificam aves em extinção para produzir artesanato.

 OPINIÃO DE 20 DE SETEMBRO DE 2.000

Finalmente um shopping center na Bela Vista

*Egydio Coelho da Silva

Os moradores e comerciantes do bairro da Bela Vista ficaram esperançosos de que o shopping center, que o grupo Sílvio Santos pretende construir no Bixiga, realmente venha a se realizar e rapidamente.

O local está bastante deteriorado e um shopping aqui, com certeza, será uma grande conquista e melhoria para o bairro.

Há cerca de 10 anos atrás Sílvio Santos pretendia utilizar a área para instalação de sua sede e seria apenas investimento em escritórios.

Na ocasião o JORNAL DA BELA VISTA se posicionou contra, porque aquele empreendimento não era de interesse do bairro.

Além disso, houve demolição de imóveis antigos, que, nos parece, eram de maior valor histórico - do ponto de vista de arquitetura - do que o é o Teatro Oficina, o que nos pareceu na ocasião injusto.

Hoje a situação é diferente.

A luta para preservar todos os imóveis do bairro está, infelizmente, perdida, em face de uma política que acha que tombamento é solução.

Nós já perdemos o Navio Parado, o Vaticano, a Vila São José, a Vila Zamataro, estamos perdendo o Castelinho da Brigadeiro e a Vila Itororó, porque estão se deteriorando e, com certeza, veremos alterado o entorno do Teatro Oficina.

Os outros imóveis históricos, infelizmente, se transformaram em estacionamento, mas, pelo que consta do projeto, o teatro oficina será preservado e apenas seu entorno será, evidentemente, alterado.

Acreditamos que a presença do shopping, ao lado do Oficina, apenas aumentará o número de pessoas que freqüentam o teatro, bem como o seu conforto e segurança.

Quantas pessoas deixam de ir a teatro, por falta de estacionamento?

Há muito tempo que se espera que os empresários de teatro se interessem em instalar suas casas de espetáculos em shopping pelo conforto e segurança que oferecem.

É, portanto, uma grande esperança de melhoria para o bairro a instalação do shopping center de Sílvio Santos.

Será também uma ajuda para o teatro em geral, pois está prevista a instalação de quatro teatros e seis cinemas dentro do shopping.

*Egydio Coelho da Silva é diretor do Jornal da Bela Vista

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Se os magnatas do rádio estão preocupados com as rádios comunitárias por que não defendem sua legalização em vez de pressionar a polícia a combatê-las?

TIRO CHAPÉU

Para a emenda constitucional que obriga os governos a investir mais em saúde.

ENTERRO O CHAPÉU

Para todos os que ainda acham que cadeia é a única pena para todos os crimes.

 

 

OPINIÃO DE 07 DE SETEMBRO DE 2.000

 Combater o consumo de drogas é mais eficiente

 A preocupação dos dirigentes de países da América Latina em combater o narcotráfico é muito pertinente e pode significar um passo importante na redução dos índices de violência, especialmente no Brasil, onde crescem de maneira acelerada.

O interesse demonstrado pelos presidentes reunidos em Brasília, inclusive pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, há duas semanas em coibir o tráfico de drogas é, sem dúvida, muito importante.

Há consenso na sociedade de que o avanço na criminalidade é inerente ao aumento do número de usuários de drogas. 

Talvez, por isso, Fernando Henrique tenha destacado a importância do combate não só a produção das drogas, mas também e principalmente ao seu consumo. 

E reclamou dos países ricos mais empenho no combate ao consumo de drogas.

 

Os países ricos, principalmente os Estados Unidos, teriam mais moral em criticar a produção de drogas em países pobres se primeiro combatessem o consumo em seu próprio território.

O crescimento do narcotráfico, agora ligado à guerrilha colombiana, não teria aumentado tanto, se já existisse, há mais tempo preocupação dos países ricos em combater o consumo das drogas. Pois, tudo mundo sabe que é o consumo que determina a produção. E não o contrário.

E o combate ao consumo também nos países subdesenvolvidos seria talvez mais barato e daria melhor resultado para diminuir a quantidade de crimes e reduzir a população carcerária.

Sem essas medidas inteligentes e concretas, por mais que o País avance nos setores industrial, comercial e agrícola vai estar sempre ao lado de países atrasados. 

Isso sem contar que profissionais e empresários capacitados tendem a deixar sua pátria para buscar o sucesso e o sossego em locais mais tranqüilos e civilizados. 

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Todo mundo sabe que o comunismo é a utopia do socialismo e a globalização não seria a utopia do capitalismo?

TIRO CHAPÉU

Para a decisão governamental de obrigar as emissoras de TV a  avisar, antes do início, a idade apropriada de cada programa.

ENTERRO O CHAPÉU

Para a prática de “compra” de votos sem risco para o candidato de ser punido.  

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