Editora Ipê de jornais dos bairros 

(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra virtual de  Assis-SP e Voz da Terra virtual de Monte Verde-MG - Brasil

Diretor: Egydio Coelho da Silva

OPINIÃO DE 21-12-2006

 

Selando uma inimizade

 * Julia de Medeiros

O Produto Interno Bruto (PIB) não cresce nem 3% este ano e os deputados pretendiam aumentar seus rendimentos em 91%. O que fizeram para merecer tal reajuste?
Aliás, algumas informações indicam que os salários no Congresso e em todo o setor público deveriam ser encolhidos e não reajustados por conta da corrupção. 


O reajuste dos salários no Congresso já vem sendo o principal assunto de toda a imprensa brasileira, mas devido a sua relevância não é demais abrir mais um espaço para denunciar o absurdo da tentativa de aumento em 91% concedido aos deputados por eles mesmos.
Como denominou sabiamente o deputado Fernando Gabeira esse foi um “ato de inimizade com o povo brasileiro”.
Inimizade, aliás, que só vem crescendo nos últimos tempos. Se o trabalho de um deputado vale R$ 24,5 mil por que o salário mínimo só deve valer R$ 375? Por que o salário médio no Brasil tem de ficar em torno de R$ 1.100.

É bem provável que merecemos remuneração muito além das nossas, mas é preciso ser realista.
Os rendimentos têm de ser compatíveis com a realidade econômica.
O Produto Interno Bruto (PIB) não cresce nem 3% este ano e os deputados têm seus rendimentos aumentados em 91%. O que fizeram para merecer tal reajuste?
Aliás, algumas informações indicam mesmo que os salários no Congresso e em todo o setor público deveriam ser encolhidos e não reajustados por conta da corrupção.
Segundo o professor Marcos Fernandes, coordenador da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a corrupção consome R$ 9,68 bilhões do PIB brasileiro. Esse valor corresponde à metade dos R$ 20 bilhões que representam o total de investimentos previstos no orçamento federal para 2006. Seria suficiente para construir 538 mil casas populares, que poderiam beneficiar 2,1 milhões de brasileiros.
Boa parte da corrupção está ou nasce no próprio Congresso. Os deputados foram eleitos para, por meio de elaborações de leis, contribuir para o crescimento econômico, sem o qual é impossível reajustar o salário de quem quer que seja. Felizmente a iniciativa de um grupo de apenas 13 parlamentares descentes, como Gabeira, e a reação vigorosa da mídia e do povo brasileiro parece ter conseguido barrar essa insanidade.

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Por que a  Polícia Federal prende os exploradores de cassa-níqueis do Rio de Janeiro e deixa soltos os dos outros estados?

Tiro o chapéu

Para a mídia e povo brasileiro, que exigiram de deputados e senadores revogação de Lei de aumento abusivo de subsídios.

Enterro o chapéu

Para o descaso para com o transporte aéreo, no qual prevalecem apenas os interesses político e classista.

Pensamento de outros

"Quem mata o tempo não é um assassino: é um suicida".  Milor Fernandes, humorista brasileiro.

 

OPINIÃO DE 13-12-2006

 

Um bicho em extinção

 * Julia de Medeiros

A classe média não tem acesso  à educação de qualidade, nem a serviços de saúde adequados, além de estar distante, muito distante, dos nossos dirigentes.
Sem acesso à educação, como exercer uma profissão liberal capaz de proporcionar uma situação financeira digna do conceito de classe média? 


O fraco desempenho econômico do Brasil afeta de maneira especial a classe média. É isso o que mostra recente estudo divulgado pela MB Associados. No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o saldo da criação de empregos e da evolução da renda para as pessoas consideradas da classe média são desanimadores.
Houve um recuo na oferta de emprego de dois milhões de pessoas e a renda, estimada em R$ 1.050,00, é 46% inferior a de 2001.
O pior é que a pesquisa considera classe média quem recebe acima de três salários mínimos, ou seja, R$ 1.050,00. Mas o que as pesquisas não mostram e as reportagens não dão tanta ênfase é que esses dados indicam que não há mais classe média.
O conceito de classe média está associado à burguesia e se refere às pessoas que exercem profissões liberais e àqueles cujos interesses ou atividades estão ligados, de uma forma ou de outra, às altas esferas econômicas e às classes dirigentes. Essa, pelo menos, é a definição encontrada no Dicionário da Língua Portuguesa.
Nossa classe média não tem acesso sequer à educação de qualidade nem muito menos a serviços de saúde adequados e necessários, além de estar distante, muito distante, dos nossos dirigentes.
Sem acesso à educação, como exercer uma profissão liberal capaz de proporcionar uma situação financeira digna do conceito de classe média?
Alguns estudos mostram que a classe média gasta 4% de seus rendimentos com educação. Esse é um dado para ser questionado. Num orçamento de R$ 1.050 seria o equivalente a R$ 42. Não dá nem para cobrir gastos com transporte escolar.
É desse segmento populacional, no entanto, que sai boa parte do imposto arrecadado pelo setor público. Não há, porém, contrapartida em investimentos nas áreas de educação e saúde. A classe média é provavelmente a que mais paga imposto e não recebe retorno dos tributos pagos.
É importante um alerta, se a classe média é responsável por metade do mercado consumidor brasileiro, seu enfraquecimento é mais um entrave para o desenvolvimento do País. Sem suas compras, não há vendas, não há produção, não há emprego para classe alguma. É preciso cuidar desse "bicho" em extinção.  

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Estimular o endividamento popular é melhor do que estimular a poupança popular?

Tiro o chapéu

Para o cidadão que enfrentou as águas poluídas do Tietê para salvar criança e disse que "qualquer um faria o mesmo".

Enterro o chapéu

Para a demora em descobrir que o PCC movimenta milhões no sistema financeiro nacional.

Pensamento de outros

"As leis brasileiras são compridas, mas não são cumpridas".  Rui Barbosa

 

OPINIÃO DE 07-12-2006

 

Caos sem explicação

 * Julia de Medeiros

O desenrolar das investigações foi mostrando que mais difícil agora é acreditar na tranqüilidade com que os brasileiros embarcavam até meses atrás numa viagem aérea.
É melhor enfrentar o atraso e embarcar numa viagem mais segura ou brigar pelo cumprimento dos horários de vôos e viajar sob o risco concreto de um espaço aéreo mal vigiado?


Precisou da queda do Boeing da Gol e de 150 mortes para que o brasileiro pudesse saber qual é a verdadeira situação do espaço aéreo do País e tivesse conhecimento dos riscos reais de uma viagem de avião.
O mais sério é que o problema parece fora de controle e a sua solução cada vez mais distante. Tudo indica que o governo vai levar anos para recuperar a credibilidade dos passageiros.
No primeiro momento, era difícil mesmo não acreditar que a responsabilidade do acidente era dos pilotos do Legacy. Mas o desenrolar das investigações foi mostrando que mais difícil agora é acreditar na tranqüilidade com que os brasileiros embarcavam até meses atrás numa viagem aérea. É melhor enfrentar o atraso e embarcar numa viagem mais segura ou brigar pelo cumprimento dos horários de vôos e viajar sob o risco concreto de um espaço aéreo mal vigiado?
Esse é o dilema de quem precisa utilizar um avião hoje no Brasil. Pode ser que controladores de vôo tenham aproveitado a oportunidade para fazer uma manifestação por melhores salários e melhores condições de trabalho. Mas quem, diante dos fatos, acredita que é só uma atitude sindical e embarca num avião com a mesma confiança depositada antes da queda do Boeing da Gol.
Segundo notícias dos principais jornais de São Paulo, até mesmo o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva não sabe se há um boicote dos controladores de voou ou se de fato eles não possuem o equipamento e as condições de trabalho necessários. Se o presidente não sabe, quem é que sabe dar essa informação? E diante dessa dúvida, como viajar de avião tranquilamente?
O mais grave ainda é que o caos nos aeroportos tem colocado em risco também a vida de quem não vai viajar mas necessita desse transporte para a sobrevivência, como os pacientes que aguardavam os órgãos para transplantes. O governo chegou a criar um gabinete para administrar a crise. Mas o mais certo é que muita gente vai deixar de viajar de avião neste fim de ano e que a idéia de que uma viagem de avião é muito mais segura está seriamente comprometida no Brasil. É preciso que tudo seja muito bem esclarecido para a reconquista da credibilidade. 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Se as ONGs são organizações não-governamentais por que recebem verba do Governo?

Tiro o chapéu

Para a campanha "Diga não ao nepotismo" do Ministério Público da Bahia.

Enterro o chapéu

Para a incompetência municipal e estadual em enfrentar as enchentes em São Paulo.

Pensamento de outros

"A gratidão é uma carga dificílima de carregar".  Dino Segres Pitigrilli (1902-1978), jornalista italiano.

 

OPINIÃO DE 30-11-2006

 

Fora da realidade

 * Julia de Medeiros

Os deputados reivindicam reajuste de 30% para que seus atuais vencimentos saltem de R$ 12.847,00 para R$ 16.700,00. No Conselho Nacional de Justiça, a expectativa é elevar os salários de seus integrantes para R$ 28.861, aumento de 24%.


O salário médio dos funcionários do poder Legislativo é R$ 9.722,00. No Ministério Público, a média salarial é R$ 11.938,00 e no Judiciário R$ 10.268,00. Qualquer um desses valores é muito superior à média dos salários pagos ao trabalhador brasileiro, que gira em torno de R$ 1.040,00, segundo Pesquisa Mensal de Emprego, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Funcionários dos três poderes, no entanto, estão em campanha por novos reajustes, tetos e jetons, o que, não por acaso, causa muita indignação na população.
Os deputados reivindicam reajuste de 30% para que seus atuais vencimentos saltem de R$ 12.847,00 para R$ 16.700,00. No Conselho Nacional de Justiça, a expectativa é elevar os salários de seus integrantes para R$ 28.861, aumento de 24%.
Enquanto isso, metalúrgicos, bancários, químicos, enfim trabalhadores de todas as categorias profissionais, com data-base neste fim de ano, estão suando a camisa para conseguir aumentos de no máximo 3% ou 4% acima da inflação.
Ao contrário dos empregadores da iniciativa privada, o setor público é muito generoso com os empregados desses três poderes, uma vez que não existem restrições orçamentárias.
Por outro lado, cortar gastos tem sido a principal estratégia do governo para manter suas contas equilibradas e os cortes acabam, direta ou indiretamente, afetando investimentos nos serviços essenciais para a população, como educação, saúde e habitação.
Se a iniciativa privada ainda não conta com políticas econômicas favoráveis aos investimentos de todos os setores, o que é fundamental para o aumento das vendas, a retomada da produção e a recuperação dos salários médios, devem parecer, aos olhos da população, injusto que a custas dos impostos pagos pelas empresas, pelo trabalhador, pela dona-de-casa, o setor público mantenha salários incompatíveis com a realidade do País.

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

O fato dos bancos cobrarem preços altíssimos pelos seus serviços e terem lucro enorme estaria relacionado com a contribuição à campanha presidencial?

Tiro o chapéu

Para a promessa de investimento de 470 bilhões em habitação residencial no próximo ano.

Enterro o chapéu

Para as mordomias no Legislativo, Executivo e Judiciário o que leva o povo a desacreditar na Democracia.

Pensamento de outros

"A real medida de sua riqueza é quanto você valeria se perdesse todo seu dinheiro". Provérbio norte-americano.

 

 

OPINIÃO DE 22-11-2006

 

Conflito de interesses
 

 * Julia de Medeiros

É necessário reduzir gastos públicos, cortar juros, uma política cambial menos prejudicial às exportações, além de preservar e elevar o poder de compra do salário mínimo e desonerar a carga tributária para que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça, no mínimo, 5%.


De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para formar um governo de coalizão e conquistar o apoio do PMDB, PV, PDT, entre outros partidos.
Do outro, cobra de seus ministros um programa abrangente para fazer a economia crescer e promover o tão esperado espetáculo do desenvolvimento. Fica aí uma interrogação: dá para conciliar os dois objetivos?
O presidente quer de sua equipe um projeto de desenvolvimento para o País. Mas será que os partidos da coalizão vão concordar com esse projeto? Eles têm as mesmas propostas do PT para o Brasil? Esse será um grande desafio.

Segundo especialistas e empresários, é necessário reduzir gastos públicos, cortar juros, encontrar uma política cambial menos prejudicial às exportações, além de preservar e, se possível, elevar o poder de compra do salário mínimo e desonerar a carga tributária, entre outras iniciativas, para que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça, no mínimo, 5% já no próximo ano, como pretende Lula.
Há entre os possíveis partidos da coalizão consenso sobre essas questões? Isso sem falar no descontentamento de petistas com Lula em virtude do restrito espaço no governo destinado pelo presidente aos colegas de partido. Conciliar todos os interesses políticos com os de seu partido e os da Nação, que não suporta mais patinar numa economia praticamente estática há anos, é o maior desafio do presidente Lula.
Há quem diga que esse desafio tem de ser vencido pelo menos no primeiro ano do segundo mandato de Lula. A partir daí, ficará mais difícil conquistar apoio porque os partidos políticos já começarão a pensar nas eleições de 2010 e seus interesses passarão, como sempre, à frente dos da Nação.

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Não ficaria mais barato para o Governo aumentar o salário dos seus funcionários idosos em vez de aposentá-los, já que a média de vida é maior?

Tiro o chapéu

Para a o ensaio de uma política de financiamento de casa própria às pessoas de baixa renda.

Enterro o chapéu

Para a falta de seriedade na política prisional, que privilegia alguns, não recupera ninguém e tortura a maioria dos sentenciados.

Pensamento de outros

"Caminha ao lado da multidão, porém, nunca no centro, nem na sua frente".  Pitágoras (570 a.C. - 496 a.C.)

 

 

OPINIÃO DE 16-11-2006

 

A imprensa e a fragilidade das instituições
 

 * Zuel Antônio Costela

E isto tem sido denunciado no Brasil, mas infelizmente não pode ser com a mesma clareza, veemência e didática como fez o jornalista espanhol, porque a estrutura monopolista da imprensa e as facilidades de pressão sobre os jornalistas impedem o “vazamento” de muitas informações.


As instituições Brasileiras continuam muito frágeis, tanto os executivos, os legislativos como o Judiciário.As denúncias de corrupção e de incompetência em sentido amplo da palavra atestam isso.
E, se as mazelas para a sociedade não são piores, se deve a relativa liberdade de imprensa em vigor no Brasil, o que confirma o pensamento de Thomas Jefferson, (1743 - 1826), estadista e ex-presidente dos EUA: “Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último”.
Podemos afirmar, sem medo errar, que a liberdade de imprensa no Brasil com a qual devemos sonhar está longe de ser alcançada.
Tanto que hoje é notícia que a imprensa espanhola denunciou que os deputados brasileiros têm salário e mordomias, que não encontram parâmetro em nenhum outro parlamento do mundo. Cita o volume de assessores, viagens, salário alto, pagamento de escritório, em suas bases eleitorais, veículos, etc. cujo valor mensal é calculado em 100 mil reais.
E isto tem sido denunciado no Brasil, mas infelizmente não pode ser com a mesma clareza, veemência e didática como fez o jornalista espanhol, porque a estrutura monopolista da imprensa e as facilidades de pressão sobre os jornalistas impedem o “vazamento” de muitas informações.
Recentemente, o jornalista norte-americano que viajava no Legacy, que colidiu com o Gol e levou a morte 150 pessoas, escreveu artigo nos Estados Unidos contando a fragilidade do sistema de controle aéreo no Brasil. Muitos “patriotadas” reclamaram e disseram que o americano tinha preconceito contra brasileiros. Os fatos de hoje confirmam que o jornalista estava certo.
Nem é preciso lembrar o jornalista também norte-americano que reportou no New York Time que Lula tinha dependência alcoólica. O Presidente ficou bravo e os “patriotadas” mais uma vez disseram que a Nação estava ofendida. Mas quem mais tirou proveito da notícia foi o próprio presidente Lula, que passou, junto com sua família, mais conscientemente, a enfrentar seu problema, que é igual ao de milhões de brasileiros, que lutam contra o vício.
No Brasil, o poder público é o principal inimigo da liberdade de imprensa: quer que só notícia favorável às suas instituições seja divulgada e, para isso, usa contra a imprensa todo o seu poder político e econômico. Desde permitindo a poluição visual e sonora para enfraquecer os meios de comunicação sérios, até as chamadas “imorais indenizações por danos morais” contra os jornais e jornalistas. Acrescente-se a isso o falso conceito de direitos humanos que procura esconder do leitor o nome de criminosos a pretexto de serem menores, dependentes químicos, etc. e negam a todos o direito de saber o risco que correm, quando seu vizinho é um criminoso em potencial.
Por isso, a sociedade precisa com urgência ajudar na luta a favor da liberdade de imprensa no Brasil, hoje muito limitada pelos que colocam o direito individual acima do interesse da sociedade de se informar e ser informada e que vêem como virtuosas as “operações-abafa” e como pecaminosa “as operações-vazamento”.

* Zuel Antônio Costela é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Depois da guerra na Coréia, depois da do Vietnam e após o Iraque e Afeganistão os americanos vão descobrir que seu modelo político não serve para todos os povos?

Tiro o chapéu

Para a Prefeitura de São Paulo pela coragem de tentar regulamentar o combate à poluição visual na cidade.

Enterro o chapéu

Para o pedágio no Rodoanel que fará com que caminhões se desviem e aumentem ainda mais os buracos nas ruas.

Pensamento de outros

"Quem não subir nas montanhas não verá as planícies".  Provérbio japonês.

 

OPINIÃO DE 09-11-2006

 

Liberdade de imprensa já

 * Júlia de Medeiros
 

Mais recentemente a Folha de São Paulo denunciou a quebra de sigilo telefônico pela Polícia Federal de duas aparelhos da empresa, um da Sucursal de Brasília e outro celular de uma repórter. Episódios como esses lembram mais o período de repressão política e os anos de Ditadura Militar.


O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva prometeu melhores relações com a imprensa em seu segundo mandato. Desde sua reeleição, no entanto, o que mais se viu foram atritos entre petistas e jornalistas, além de denúncias de pressões e de quebra de sigilo telefônico da Polícia Federal contra repórteres e empresa de comunicação. Atitudes como essas são inaceitáveis em um estado democrático em especial em um governo petista que sempre teve a liberdade de imprensa entre suas bandeiras históricas.
Há algumas semanas, militantes petistas agrediram jornalistas à entrada do Palácio da Alvorada. No dia seguinte, três repórteres da revista semanal Veja denunciaram ter sofrido constrangimento nas dependências da Polícia Federal, em São Paulo, por parte do delegado Moysés Eduardo Ferreira. Os repórteres haviam sido convocados para prestar esclarecimentos na condição de testemunhas, mas o delegado teria utilizado meios ilegais e tentado transforma-los em réus, como se as reportagens haviam sido forjadas.
Mais recentemente a Folha de São Paulo denunciou a quebra de sigilo telefônico pela Polícia Federal de duas aparelhos da empresa, um da Sucursal de Brasília e outro celular de uma repórter. Episódios como esses lembram mais o período de repressão política e os anos de Ditadura Militar. Isso sem falar em e-mails de petistas contra jornalistas que vêm sendo denunciados também nas últimas semanas.
O governo federal, o PT e até leitores e eleitores podem considerar reportagens e comportamentos de repórteres tendenciosos, mas isso não lhes dá o direito de cercear a liberdade de imprensa nem de tomar medidas de repressão contra jornalistas e empresas de comunicação. Está mais do que na hora de o presidente Lula tomar uma atitude coerente com o que prometeu durante a campanha. Está mais do que na hora de o presidente Lula se manifestar pessoalmente contra ações como essas e iniciar já um período de relações mais cordiais com a imprensa e o jornalistas.

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

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Pense e responda

O povo norte-americano não gosta de guerras ou não gosta é de perder as guerras?

Tiro o chapéu

Para os delegados da Polícia Federal que propuseram legislação que dê autonomia ao órgão

Enterro o chapéu

Para o BNDES, que libera facilmente altíssimos créditos a grandes empresas, mas faz mil exigências para pequenos empréstimos a pequenas empresas.

Pensamento de outros

"A verdadeira felicidade custa pouco. Quando é cara não é de boa qualidade".  François René Chateaubriand (1.786-1.870), escritor francês.

 

OPINIÃO DE 31-10-2006

 

Educação de qualidade para todos

 * Júlia de Medeiros
 

O custo das mensalidades escolares, médio de 6%, praticamente dobrou. O leitor pode se perguntar o que tem o reajuste das escolas de ensino privado com as instituições de ensino público? Tem tudo a ver. É que pagar uma mensalidade escolar não é garantia alguma de ensino de qualidade.


O Brasil seria um país diferente se a educação fosse prioridade.
Embora isso seja consenso entre as autoridades públicas, especialistas no assunto e a própria população, em meio à troca de acusações, denúncias de corrupção e divulgação de números e dados econômicos em profusão que mais confundiram do que esclareceram o eleitor, esse tema pouco apareceu nas campanhas eleitorais deste ano seja no âmbito estadual ou no federal.
O Programa Universidade para Todos, o ProUni, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi a proposta mais comentada nessa área durante a campanha, mas até chegar à universidade, o Brasil precisa de educação em casa, redução da evasão escolar e principalmente acesso ao ensino de qualidade.
Poucos dias antes das eleições, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo anunciou um aumento no custo das mensalidades escolares médio de 6%, praticamente o dobro da inflação de 3,2% prevista para 2006. O leitor pode se perguntar o que tem o reajuste das escolas de ensino privado com as instituições de ensino público? Tem tudo a ver. É que pagar uma mensalidade escolar não é garantia alguma de ensino de qualidade.
A briga, portanto, por uma educação descente não deve ser exclusiva das populações de baixa renda, mas de toda a sociedade em especial da população de classe média, aliás, é aquela parcela que está desaparecendo. O cidadão brasileiro pode até arcar com uma carga tributária elevada, mas deve exigir um retorno em serviços de qualidade em especial nas áreas de saúde e educação. Por isso, as escolas públicas deveriam ser freqüentadas pela classe média que tem poder de barganha e que pode contribuir muito para mobilizar professores, alunos e pais em prol de uma escola melhor.
Educação não se restringe ao aprendizado em sala de aula.
Educação é uma mudança de mentalidade que começa dentro da casa do aluno e se estende por toda a estrutura e funcionamento das instituições de ensino. Quem tem educação terá mais saúde, mais empregos, mais oportunidades, melhores governantes e mais respeito de seus dirigentes e autoridades públicas.
Um povo sem educação não tem capacidade de discernimento. Talvez seja por isso que a educação sempre fica para segundo plano. Mas chegou a hora de o Brasil enfrentar de vez o problema da educação porque este é, sim, o grande obstáculo à retomada do desenvolvimento econômico no País.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Os resultados das eleições indicam que o povo aprendeu a votar ou apenas sinalizam que continua a ser manipulado por marqueteiros?

Tiro o chapéu

Para Cláudio Lembo que critica a falta de debate sobre segurança durante a campanha eleitoral.

Enterro o chapéu

Para o STF que se nega a julgar a MP, editada há seis anos, que autoriza bancos e financeiras cobrarem juros sobre juros.

Pensamento de outros

"Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado". Rui Barbosa, político baiano.

 

OPINIÃO DE 25-10-2006

 

A força está no povo

 * Júlia de Medeiros
 

Pelo tom da campanha eleitoral, a oposição não vai dar trégua e, sem compor uma maioria favorável no Congresso, dificilmente o novo governante conseguirá aprovar os projetos importantes, que não são poucos, para promover o tão necessário crescimento econômico sustentável.


O início de um novo governo é como um começo de ano: renova as esperanças e traz expectativas de dias melhores. Essa, pelo menos, deveria ser a sensação do momento brasileiro.
Mas com o mínimo de informação, é possível prever dificuldades nos próximos meses e esperar muita habilidade política dos novos governantes, em especial do presidente da República, para que a estabilidade econômica se mantenha.
Pelo tom da campanha eleitoral, a oposição não vai dar trégua e, sem compor uma maioria favorável no Congresso, dificilmente o novo governante conseguirá aprovar os projetos importantes, que não são poucos, para promover o tão necessário crescimento econômico sustentável.
Por outro lado, o que se espera da Polícia Federal e do Congresso é que as investigações e as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) prossigam com o seu trabalho e apurem todos os casos de denúncia de corrupção.
A verdade sobre dossiês, mensalões e sanguessugas tem de aparecer doa a quem doer e os responsáveis e corruptos envolvidos devem ser punidos.

A resposta das urnas não foi ainda um castigo para todos os envolvidos. É lamentável saber que estão de volta ao Congresso políticos que assumiram a corrupção, se acovardaram e renunciaram para não perder a oportunidade de retornar ao cargo.
Desaquecimento da economia norte-americana, mais cortes nos gastos do governo e redução do investimento público podem ser um banho de água fria nas expectativas de retomada do crescimento econômico.
É necessário muito pé no chão para não se deixar iludir por uma onda de otimismo provocada pela troca de governos.
É necessário, no entanto, acreditar no Brasil e principalmente na força de cada um dos cidadãos brasileiros, seja trabalhador, empresário, dona de casa ou estudante. É essa gente que faz o Brasil independentemente de quem o governa. 
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

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Pense e responda

Se o Governo se preocupa com o ensino por que fica indiferente em face do aumento de mensalidades escolares acima da inflação?

Tiro o chapéu

Para a experiência feita pelas autoridades no clássico entre Palmeiras e Corinthians na tentativa de civilizar as torcidas organizadas.

Enterro o chapéu

Para a o STF por confirmar que é necessário pagar polpudo honorário a advogado para abrir uma microempresa.

Pensamento de outros

"Além do amor, não há nada. Amar é o sumo da vida".  Carlos Drumonnd de Andrade, poeta mineiro.

 

 

 

OPINIÃO DE 19-10-2006

 

Boataria e ataques desagradam eleitor

 * Júlia de Medeiros
 

 Alckmin deveria centrar sua campanha na apresentação de propostas e em projetos para estimular o desenvolvimento econômico sustentado que é o ponto de convergência dos dois candidatos. Lula deveria deixar de querer assustar a população da mesma forma que seus opositores cansaram de fazer em eleições passadas.



A campanha para a presidência da República perdeu de vez toda a ética que, por sua vez, parece ter levado com ela o interesse do eleitor no segundo turno. O bate-boca entre os dois candidatos não sai dos ataques.
O presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva é acusado pelo candidato do PSDB Geraldo Alckmin de esconder informações sobre o dossiê Vedoin, em especial a origem do dinheiro. Lula adota a estratégia de acusar seu adversário de preparar uma privatização generalizada no País caso seja eleito.
Bem que Alckmin poderia ser mais esperto e centrar sua campanha na apresentação de propostas e em projetos para estimular o desenvolvimento econômico sustentado que é o ponto de convergência dos dois candidatos. Lula também bem que poderia deixar de querer assustar a população da mesma forma que seus opositores cansaram de fazer em eleições passadas. O petista chegou a ser acusado em eleições anteriores de ser uma ameaça para os proprietários de dois imóveis, pois, caso eleito, perderia um para os pobres, alardearam seus adversários. Tudo isso é pura perda de tempo.
As pesquisas mostram que nada adiantou Alckmin esbravejar e adotar uma postura agressiva no último debate cobrando de Lula a origem do dinheiro mostrado por todos os veículos de comunicação na véspera do primeiro turno.
A história mostra também que a estratégia do terrorismo adotada pelo PT não dá mais certo. Nas eleições de 2002, uma boataria dizia que se Lula fosse eleito, a economia, até então fraquinha, mas estável, desandaria de vez. Ocorreu justamente ao contrário, a economia cresceu mais do que no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Diante dessas posturas ultrapassadas e estratégias cansativas aos olhos e ouvidos do eleitor, os debates, a campanha eleitoral na televisão e até mesmo os noticiários dos jornais parecem perder importância e se tratarem de um monte de asneiras incapazes de mudar a tendência dos resultados das eleições.
O eleitor parece desinteressado e, se mantiver essa estratégia, nem Lula nem Alckmin conseguirá mudar o resultado, que, até agora, parece mais favorável para Lula.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

O povo confia nos denunciados por corrupção ou desconfia de quem acusa de corruptos seus adversários?

Tiro o chapéu

Para os delegados da Polícia Federal que propuseram legislação que dê autonomia ao órgão.

Enterro o chapéu

Para a Prefeitura de São Paulo que propõe mais aumento de impostos.

Pensamento de outros

"A astúcia é o poder dos fracos". Provérbio do Nordeste brasileiro.

 

OPINIÃO DE 10-10-2006

 

Cuidado com o que ouvir ou ler

 * Júlia de Medeiros
 

 Um que até se autodenominou picolé de chuchu pode ser morno demais para enfrentar as batatas quentes do País.
O outro que não viu as barbaridades cometidas em seu governo pode ser míope demais para enxergar as necessidades nacionais.



O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando indagado sobre o apoio do casal Garotinho ao candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin, perguntou aos repórteres se o Lula não aceitaria o apoio do ex-presidente e senador eleito Fernando Collor de Melo. Mas, dias atrás FHC não disse que era diferente de Lula?
É incrível a capacidade de contradição dos políticos e da despreocupação com o que dizem por aí. O importante é encontrar uma boa resposta para o momento. Aliás, o próprio Fernando Henrique Cardoso já chegou a pedir para esquecerem o que ele escreveu.
Nas próximas semanas, seja no horário eleitoral gratuito, nos debates ou na mídia de forma geral vamos com certeza ouvir e ler frases que não fazem o menor sentido, que contradizem fatos e históricos de cada candidato, mas que são perfeitas para livrá-los da saia justa e empurrar o abacaxi para o adversário.
Não importa o quanto há de verdade no que dizem. Para os sedentos da cadeira presidencial o importante é convencer o eleitor de que podem fazer um Brasil Decente ou que não têm nada a ver com as denúncias de corrupção que inundaram o País nos últimos tempos.
Diante das opções, vai ser difícil encontrar o candidato perfeito. Um que até se autodenominou picolé de chuchu pode ser morno demais para enfrentar as batatas quentes do País. O outro que não viu as barbaridades cometidas em seu governo pode ser míope demais para enxergar as necessidades nacionais. Para piorar, segundo especialistas e jornalistas, não haverá no segundo turno o debate sobre idéias e propostas tão esperado pelo eleitor no primeiro turno. Por isso, cuidado com o que ouvir ou ler nas próximas semanas.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

A legislação em vigor, que ameaça com processos até candidatos a presidente por expressar o que pensam,  colabora para que o povo fique bem informado?

Tiro o chapéu

Para os candidatos a presidente que optaram por debater amplamente, tendo o povo como juiz.

Enterro o chapéu

Para os que querem só fazer caixa dois, achando que eleição só se ganha com dinheiro.

Pensamento de outros

"Nunca julgues o próximo sem antes ter andado sete léguas nas suas sandálias". Provérbio sioux.

 

OPINIÃO DE 05-10-2006

 

Eleitor enterra o rouba, mas faz

 * Júlia de Medeiros
 

As denúncias de envolvimento do PT em escândalos de corrupção afetaram sim a opinião do eleitor ao contrário do que muitos especialistas políticos imaginavam.
A oposição, no entanto, também não conseguiu convencer os eleitores de que é diferente.



Há quem diga que faltou emoção nas ruas no dia de votação. Pouca manifestação de cabos eleitorais, eleitores discretos e até distribuição de narizes de palhaço em locais de votação retrataram bem o estado de espírito do eleitor brasileiro que deixou a emoção mesmo para a apuração e o resultado das urnas.
A realização de segundo turno foi uma surpresa geral, mas em especial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, que até poucos dias antes das eleições previa vitória no primeiro turno.
O recado das urnas é que o País está dividido. As denúncias de envolvimento do PT em escândalos de corrupção afetaram sim a opinião do eleitor ao contrário do que muitos especialistas políticos imaginavam.
A oposição, no entanto, também não conseguiu convencer os eleitores.
Não convenceu de que é diferente, é imune à corrupção e que tem não só uma proposta de um “Brasil Descente”, mas idéias e projetos que sinalizem o verdadeiro desejo de construir um país melhor.
Apesar da aparente vantagem do candidato Lula, o segundo turno abre uma grande oportunidade de vitória para Geraldo Alckmin (PSDB).
A expectativa do eleitor é que aconteça agora o que não ocorreu no primeiro turno: uma verdadeira discussão de propostas e idéias para que as diferenças entre os dois candidatos, se é que existem, apareçam. Provavelmente, Alckmin vai insistir em debater o último escândalo envolvendo petistas e assessores da Presidência. Mas é bom que ele tenha boas explicações para o material apreendido que mostram fotos suas com deputados acusados de participar da máfia das ambulâncias.
Lula se convenceu de que o eleitor está atento e que uma avaliação positiva do governo é insuficiente para reeleição. A idéia do “rouba, mas faz”, que parecia ter ressuscitado com possível eleição de Lula no primeiro turno e a volta ao cenário político de Paulo Maluf e Fernando Collor de Melo parece enterrada pelo eleitor.
Fazer não é mais do que obrigação de um político. Roubar é arte de ladrão. Pelo menos, é isso o que indica a realização de segundo turno.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Se houvesse um plebiscito para saber se o povo apóia a "operação vazamento" ou a "operação abafa", qual delas você acha que ganharia?

Tiro o chapéu

Para a democracia que dá ao  povo o direito de acertar ou de errar pela própria cabeça, perdoando ou condenando políticos denunciados.

Enterro o chapéu

Para os que não aceitam o veredicto das urnas e não respeitam a instituição maior que é a sabedoria popular.

Pensamento de outros

"O sábio vê ação na inação e inação na ação". Provérbio chinês.

 

OPINIÃO DE 28-09-2006

 

Brasil atrás do último chamado

 * Júlia de Medeiros
 

Sem mudanças na atual política econômica com a adoção de iniciativas para estimular os investimentos, a situação de desvantagem do Brasil em relação a países emergentes não só asiáticos, mas também da própria América Latina, deve se agravar.



Investir é o único caminho que o Brasil tem a seguir para conquistar o tão sonhado desenvolvimento econômico sustentável. Se começar a investir nisso já ainda ficará muito atrás de países asiáticos que, ao em vez de deixar o dinheiro parado em títulos do governo americano ou de outros ativos internacionais, vêm montando bancos públicos para oferecer recursos a quem está interessado em investir.
O investimento no Brasil não ultrapassa hoje o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (soma de todas as riquezas produzidas no País). A proporção não sai desse porcentual há anos. Alguns dados divulgados recentemente mostram que a Coréia já destina 10% de suas reservas, o equivalente a US$ 20 bilhões, aos investimentos.
Os países orientais têm ainda outras importantes vantagens sobre os da América Latina, em especial o Brasil: carga tributária e endividamento baixos, grande volume de investimento público e privado e alta produtividade. Por tudo isso, boa parte dos investimentos internacionais será destinada aos asiáticos.
Sem mudanças na atual política econômica com a adoção de iniciativas para estimular os investimentos, a situação de desvantagem do Brasil em relação a países emergentes não só asiáticos, mas também da própria América Latina, deve se agravar. Enquanto o Brasil cresce menos de 4% ao ano, a média de crescimento de países emergentes é de 8,3% em 2006, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Na América Latina, a média será 4,8%.
O Brasil já perdeu o bonde do desenvolvimento internacional, que puxou a economia de países emergentes nos últimos anos. Corre o risco de perder também a última chamada do bonde para os retardatários.
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

Pense e responda

Se o custo do dossiê, Serra e Alckmin entregando ambulâncias, foi de 80 reais, em que bolso(s) iriam parar o que restasse do 1,75 milhão de reais?

Tiro o chapéu

Para Carlos Ayres Brito, ministro do TSE, que entende que o direito de resposta faz parte da liberdade de expressão e de imprensa.

Enterro o chapéu

Para as tarifas bancárias, que, além de muitas, mais uma vez, se posicionaram acima da inflação.

Pensamento de outros

"Grande homem é aquele que não perdeu a candura da infância".  Provérbio chinês.

 

OPINIÃO DE 22-09-2006

 

Abalo na reta final

 * Júlia de Medeiros
 

É possível que o tiro tenha saído pela culatra e que, ao contrário do que planejavam os petistas, a bomba estourou no próprio colo e não no do PSDB. Mas não há como negar que fotos e vídeos apreendidos indicam possível participação dos candidatos do PSDB na máfia da compra das ambulâncias.



Uma nova denúncia de corrupção na reta final da campanha eleitoral pode deixar o eleitor brasileiro ainda mais confuso na hora de escolher seus candidatos.
O envolvimento de petistas que ocupam cargos de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na compra de dossiês e uma possível participação na máfia das ambulâncias dos candidatos do PSDB ao governo paulista e à Presidência da República, José Serra e Geraldo Alckmin, podem aniquilar de vez as esperanças da população na força do voto como instrumento de mudança política e econômica.
Não haverá tempo hábil para apurar os fatos. As pessoas presas em flagrante com a posse de R$ 1,7 milhão estão soltas. Os candidatos têm imensa capacidade de desviar do assunto no horário eleitoral gratuito. A população fica sem saber a origem do dinheiro e mais uma vez qual era o grau de conhecimento de Lula sobre a “operação” Fica sem saber ainda se houve ou não envolvimento do ex-prefeito e do ex-governador de São Paulo no esquema dos sanguessugas.
A impressão que fica é aquela da qual boa parte dos políticos tem tentado fugir ao longo da campanha: a de que são farinhas do mesmo saco. É possível que o tiro tenha saído pela culatra e que ao contrário do que planejavam os petistas a bomba estourou no próprio colo e não no do PSDB. Mas não há como negar que fotos e vídeos apreendidos indicam possível participação dos candidatos do PSDB na máfia da compra das ambulâncias.
Analistas políticos não arriscam palpites sobre mudanças radicais nos resultados das eleições em virtude do episódio. Mas também não há como negar que todos perdem com isso, especialmente o presidente Lula que já estava com eleição ganha no primeiro turno segundo pesquisas. Mesmo sem dados estatísticos, no entanto, é possível afirmar que de uma forma ou de outra essa nova crise política vai pesar na hora do voto. Só não dá para quantificar esse peso.
   
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

 

 

Pense e responda

Não é melhor anular o voto do que votar sem certeza de que o escolhido é competente e honesto?

Tiro o chapéu

Para as liberdades democráticas, que permitem que venham à tona verdades embora assustem os que preferem "não saber de nada".

Enterro o chapéu

Para Leis que permitem que parlamentares acusados sejam julgados por companheiros e por adversários.

Pensamento de outros

"A liberdade de expressão é pedra angular dos valores da União Européia"." KJohannes Leitenberger, porta-voz da UE.

 

OPINIÃO DE 14-09-2006

 

Por um Brasil melhor

 * Júlia de Medeiros
 

Nas últimas semanas, os meios de comunicação, em especial os jornais, discutiram muito se o voto nulo é consciente ou não. Para alguns especialistas, essa opção remete à falta de informação. Para outros, no entanto, essa é uma maneira legítima de protesto e não denota desinformação porque o eleitor sabe da corrupção, dos descasos de boa parte de seus representantes e quer dar o troco.


Às vésperas das eleições, boa parte dos eleitores brasileiros ainda não decidiu seu voto principalmente para cargos do Legislativo. Até a semana passada, uma das pesquisas de opinião indicava que mais de 60% ainda não tinham escolhido um candidato a deputado federal e estadual. Os escândalos do mensalão e depois dos sanguessugas contribuíram para aumentar ainda mais a desconfiança dos brasileiros em relação aos políticos.
As campanhas pelo voto nulo ganharam coro e muitos intelectuais já defendem essa opção como uma forma de voto consciente, ao contrário do que sempre se ouviu falar. O importante, no entanto, é que o eleitor vote com a consciência de que sua atitude pode contribuir para um Brasil melhor.
Nas últimas semanas, os meios de comunicação, em especial os jornais, discutiram muito se o voto nulo é consciente ou não. Para alguns especialistas, essa opção remete à falta de informação. Para outros, no entanto, essa é uma maneira legítima de protesto e não denota desinformação porque o eleitor sabe da corrupção, dos descasos de boa parte de seus representantes e quer dar o troco.
Em meio a tanta discussão, apareceu até quem defendesse o voto “virgem”, ou seja, o voto em candidatos que nunca ocuparam cargos no Congresso ou na Assembléia Legislativa. Essa seria uma forma de fazer uma ampla renovação nas duas casas. Mas é preciso lembrar, que apesar das denúncias de corrupção, da conivência dos próprios deputados com seus colegas corruptos, ao os absolverem nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), existem políticos sérios, corretos e defensores ou autores de projetos importantes para o País.
Depois de passar por 20 anos de ditadura; eleger um presidente que teve de deixar o governo por meio de impeachment; entregar o País a um partido que durante oito anos só fez crescer a concentração de renda e por fim eleger um ex-metalúrgico que prometia um País mais descente, mas cujo próprio partido se envolveu num dos maiores escândalos de corrupção no Congresso, o brasileiro deve ter amadurecido como eleitor e com certeza vai votar de maneira consciente para construir um Brasil melhor, seja qual for sua opção de voto. 
 
 

* Júlia de Medeiros é jornalista (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos

 Bairros" (Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

 

 

Pense e responda

Se o maior problema do financiamento à habitação são os juros altos, por que não os baixar e beneficiar o setor imobiliário e também todos os outros setores?

Tiro o chapéu

Para a Câmara dos Deputados que exonerou de seus quadros 1.010 funcionários fantasmas.

Enterro o chapéu

Para a Câmara dos Deputados por permitir que ali tenham existido mais de 1.000 funcionários fantasmas durante tanto tempo.

Pensamento de outros

Em repúblicas corrompidas fazem-se muitas leis". Tácito (55 a 120), orador e historiador romano.


OPINIÃO DE 05-09-2006

 

Esperança na eficiência contra o crime

 * Zuel Antônio Costela
 

Talvez até se justifique, neste momento, o fato da PF invadir atribuições de outras instituições, hoje combalidas ou contaminadas, e avocar a si a responsabilidade de moralizar o País.
O fato de apenas impedir que se consumasse mais um assalto contra bancos oficiais e haver recuperado menos de 10% do roubo no Banco Central de Fortaleza não é sinal de que a PF não esteja no caminho certo.


A atuação da Polícia Federal prendendo criminosos, quase no momento em que iam colocar a mão no produto do roubo, mereceu entusiasmo e despertou a esperança, que já estava morta no povo de que as instituições policiais são eficientes no combate ao crime.
De há muito que se cobrava da Polícia Fe