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OPINIÃO DE 27-12-2007
Mais rigor contra a corrupção em 2008
*
Julia de Medeiros
No ano de 2007,
mais uma vez, predominou a impunidade e o descaso em relação à
corrupção. A única medida positiva nesse sentido foi o processo
instaurado pela Justiça contra os políticos envolvidos no
esquema do mensalão. Nem todas as evidências contra o
ex-presidente do Senado Renan Calheiros foram suficientes para
aprovar sua cassação.
Dois turistas italianos acusados de molestar uma mulher grávida em um
shopping carioca foram condenados pela Justiça do Rio de Janeiro a nove
anos e seis meses de prisão em regime fechado e a dois anos de reclusão,
no total. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio, os turistas italianos
agarraram a vendedora, por trás, em um quiosque do shopping Rio Sul, um
dos maiores da cidade.
O juiz da 11ª Vara Criminal da Capital, Alcides da Fonseca Neto, que
julgou o caso, declarou que a decisão visa também mostrar "a eles
[italianos] e a todos os outros turistas estrangeiros que aqui chegam com
sexo na cabeça, que a mulher brasileira é sensual, bonita e atraente sim,
mas não é mercadoria para ser abatida em qualquer quiosque de um shopping
center".
Essa decisão da Justiça brasileira é importante para desvincular a imagem
que estrangeiros fazem do Brasil, sempre associada a mulheres, sexo e
samba.
O País precisava de uma decisão judicial
tão enérgica quanto essa aplicada aos turistas italianos na punição de
corruptos. Seria preciso uma legislação que mostrasse a eles (corruptos)
que o brasileiro é um povo pacífico e indulgente, mas intolerante com a
corrupção.
No ano de 2007, mais uma vez, predominou a impunidade e o descaso em
relação à corrupção. A única medida positiva nesse sentido foi o processo
instaurado pela Justiça contra os políticos envolvidos no esquema do
mensalão. Nem todas as evidências contra o ex-presidente do Senado Renan
Calheiros foram suficientes para aprovar sua cassação. Nem as acusações
apresentadas contra o atual presidente do Senado, Garibaldi Alves, foram
investigadas com seriedade antes de sua eleição e posse no cargo.
Segundo denúncias veiculadas pela imprensa, o atual presidente do Senado
seria citado em petição sigilosa que tramita no STF por suposta relação
com empresários e servidores de seu Estado acusados de desvios no Programa
do Leite, que funcionou durante seu governo entre 1995 e 2002.
O País pode até apresentar sinais de crescimento econômico para o próximo
ano, mas bons resultados sociais e financeiros só devem aparecer mesmo se
houver uma gestão comprometida com a sociedade, sem subornos, podridões e
corrupção. Talvez só uma medida drástica quanto à aplicada aos turistas
italianos poderia pelo menos inibir os corruptos brasileiros.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(Site:
http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp
- Email:
saletesilva@dglnet.com.br
)
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros",
Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
OPINIÃO DE 19-12-2007
Jornada de trabalho dos sonhos
*
Julia de Medeiros
Com carga
horária de 12 horas semanais, como sugere Pochmann, o
trabalhador certamente teria mais tempo para especialização
profissional, lazer, cultura, família e, quem sabe até, para
começar aquela atividade física tão importante para a saúde.
Uma declaração do economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) deverá suscitar importante bandeira
sindical em 2008: a redução da jornada de trabalho, hoje estabelecida em,
no máximo, 44 horas semanais.
Para o especialista, no entanto, apenas 4 horas de trabalho na semana
seriam suficientes para garantir o bom desempenho da economia.
Com carga horária de 12 horas semanais, como sugere Pochmann, o
trabalhador certamente teria mais tempo para especialização profissional,
lazer, cultura, família e, quem sabe até, para começar aquela atividade
física tão importante para a saúde. Segundo muitos especialistas em
mercado de trabalho, essa seria a condição ideal para dispor de
trabalhadores mais criativos e também mais produtivos.
Mas essa seria uma realidade brasileira? O argumento do presidente do IPEA
é que os ganhos de produtividade obtidos pelo mundo do trabalho já
permitem que a jornada dos trabalhadores possa ser de quatro horas por
dia. Os empresários, no entanto, com toda a certeza, argumentam o
contrário dizendo que não há espaço para a redução da jornada de trabalho.
Concorrer com produtos chineses, por exemplo, já está quase impossível
para alguns setores, como os de calçados e têxtil, que têm apresentado os
piores resultados nas pesquisas que medem o nível de atividade industrial.
A principal desvantagem do Brasil em relação à China ainda é o custo da
mão-de-obra. Além disso, a oferta de mão-de-obra no Brasil ainda é muito
maior do que a de emprego.
Desempregados acabam se sujeitando às condições mais precárias de trabalho
para conquistar uma vaga. Isso sem falar no baixo nível de escolaridade e
na precariedade do País em Educação.
Pochmann também argumenta que o brasileiro deveria ingressar no mercado de
trabalho somente com 25 anos, uma vez que a média de vida já subiu para 72
anos. Mas quem vai garantir os estudos e a sobrevivência até o jovem
atingir a idade de trabalhar?
A idéia é boa e ideal para inserir mais pessoas no mercado de trabalho.
Mas falta o principal: condições de Educação e maior poder aquisitivo para
que as famílias possam sustentar seus filhos, além de convencer as
empresas a reduzir a carga de trabalho sem mexer nos salários. Por
enquanto, é um sonho!
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(Site:
http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp
- Email:
saletesilva@dglnet.com.br
)
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
OPINIÃO DE 13-12-2007
Energia mais barata ou enganação
*
Julia de Medeiros
A tarifa
oferecida ficou bem abaixo dos R$ 100 por megawatt/hora
estimados pelo governo como preço médio a ser oferecido pelos
consórcios participantes do leilão.
Nem governo nem a empresa vencedora explicaram como foi possível
chegar a esse custo de tarifa tão abaixo do estimado.
Talvez poucos brasileiros tenham prestado atenção no leilão da usina
hidrelétrica de Santo Antônio, a primeira do complexo do Rio Madeira, em
Rondônia. Pode parecer mais uma privatização como tantas outras já
realizadas no País.
Algumas aparentemente com sucesso, como a Companhia Vale do Rio Doce,
outras cujos resultados ainda estão aquém das expectativas do consumidor,
como as das empresas de telefonia fixa.
Se o consórcio vencedor, liderado pela Odebrecht/Furnas, cumprir a
proposta de tarifa de R$ 78,87 por megawatt/hora oferecida no leilão
ficará provado que é possível produzir energia elétrica por um custo muito
inferior ao cobrado hoje no mercado brasileiro.
A tarifa oferecida ficou bem abaixo dos R$ 100 por megawatt/hora estimados
pelo governo como preço médio a ser oferecido pelos consórcios
participantes do leilão.
Nem governo nem a empresa vencedora explicaram como foi possível chegar a
esse custo de tarifa tão abaixo do estimado. O fato é que a usina deverá
ficar pronta até 2012 e que o consórcio liderado pela Odebrecht/Furnas
poderá vender 30% da energia produzida em Santo Antonio no mercado livre.
Ficam aí algumas dúvidas.
A primeira delas é se o custo da energia já poderia ser menor no Brasil
beneficiando não só a população, em especial moradores de áreas pobres
ainda sem iluminação, como também a indústria que poderia reduzir seus
custos de produção e fabricar produtos mais baratos e competitivos se
gastasse menos com energia elétrica.
As ouras dúvidas são relativas à própria construção da usina Santo
Antônio. Se essa tarifa for inviável, provavelmente o prazo do término,
previsto para 2012, não será cumprido e, pior ainda, poderá ser se o
governo tiver de colocar dinheiro público para sua conclusão.
Embora pareça um evento irrelevante, o leilão da usina Santo Antônio pode
mudar alguns conceitos sobre custos de infra-estrutura e energia elétrica
ou reafirmar a pouca seriedade do governo e de empresas quando se trata de
dinheiro público e concessões de serviços.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
Há vida depois da queda da CPMF?
Tiro o chapéu
Para a minoria dos senadores, que votou
contra CPMF, por entender que é um imposto injusto.
Enterro o
chapéu
Para a maioria dos senadores, que votou
contra CPMF, apenas por razões políticas.
Pensamento de
outros
"O perdão é uma dádiva altamente
valiosa. Seu custo, no entanto, é nulo".
Betty Smith, escritora americana.
OPINIÃO DE 06-12-2007
Mais ganhos para os bancos
*
Julia de Medeiros
Está mais do
que na hora de o governo federal regulamentar as tarifas e
restringir a cobrança de serviços bancários.
Uma das iniciativas prometidas é limitar o número de tarifas
diferentes, padronizando nomenclaturas e estabelecendo períodos
fixos para os reajustes.
Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já tenha afirmado que “o
ideal seria que todo o sistema financeiro brasileiro tivesse lucros um
pouco menores”, o faturamento dessas instituições não pára de crescer e os
levantamentos já mostram que a cobrança de tarifas é uma das principais
fontes de renda do setor.
Os bancos faturaram R$ 40,8 bilhões com a
cobrança de tarifas entre janeiro e setembro deste ano, segundo dados do
Banco Central.
Outros setores produtivos da economia brasileira não conseguem, nem de
longe, o mesmo desempenho financeiro.
Só nesse período, a receita dos bancos com a prestação de serviços cresceu
17,2% em relação aos primeiros nove meses de 2006.
Está mais do que na hora de o governo federal colocar em prática a idéia
de regulamentar as tarifas e restringir a cobrança desses serviços.
Uma das iniciativas prometidas é limitar o número de tarifas diferentes
que os bancos podem cobrar, padronizando nomenclaturas e estabelecendo
períodos fixos para os reajustes.
Essas mudanças, segundo especialistas, facilitariam para o consumidor a
comparação entre os preços cobrados pelos bancos, o que facilitaria a
concorrência. Por não conseguir estabelecer essa comparação, o consumidor
acaba não mudando de banco, o que desestimula a concorrência.
Aliás, a falta de concorrência é um dos fatores que tornaram o serviço
bancário brasileiro caro para o consumidor e os lucros elevados para os
bancos. Com a reestruturação do setor financeiro, muitas instituições
pequenas foram incorporadas por grandes bancos, reduzindo o número de
empresas no mercado. Sem tantas opções, o consumidor perde todo o poder de
barganha.
É preciso lembrar também que o aumento na arrecadação de tarifas é
acompanhado por um forte crescimento na quantidade de reclamações contra
os serviços prestados. Em novembro, o BC recebeu 5.402 reclamações de
clientes contra os bancos, mais do que o dobro das 2.277 registradas em
outubro de 2006.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
É correto que o Executivo, o Legislativo
e o Judiciário atribuam apenas ao policial a obrigação de decidir sobre a
segurança da sociedade e o direito individual de criminosos?
Tiro o chapéu
Para a proposta de que cada município
tenha sua cadeia para prender seus naturais criminosos primários.
Enterro o
chapéu
Para o Senado, que não se preocupa em
transmitir imagem de honestidade e seriedade.
Pensamento de
outros
"Para se criar é necessária uma
força dinâmica. Que força é mais potente que o amor?".
Igor Stranvinsky (1882-1971), compositor russo.
OPINIÃO DE 29-11-2007
Escola pública de pior para melhor
*
Julia de Medeiros
O Governo
oferece serviço de educação pior.
É muita incoerência, mas poderia ser corrigido com mais rapidez
se o projeto do senador Cristovan Buarque fosse aprovado.
O projeto obriga os governantes e parlamentares a matricularem
seus filhos só na escola pública.
É consenso mundial de que investir na Educação é condição essencial para o
desenvolvimento econômico e social de uma nação.
No Brasil, no entanto, essa teoria está
muito longe da prática e declarações do ministro Fernando Haddad, da
Educação, indicam que, se depender do governo, essa situação não muda. Mas
o senador Cristovam Buarque (PDT), ex-ministro da Educação, aponta um bom
caminho para a mudança.
Na semana passada, Haddad disse que a escola pública sempre será pior que
a da iniciativa privada. Isso não parece refletir problemas na política de
Educação nem no descaso das autoridades com o ensino público.
Para o ministro, se a rede particular
fosse pior do que a pública, ela acabaria por falta de interessados em
pagar por serviços inferiores.
Então, quer dizer que sempre haverá profissionais mais eficientes no setor
privado que no público, capazes de inovar e estar sempre à frente na
Educação. Então, que tal o setor público contratar esse pessoal ao invés
de acreditar que sempre será pior do que o concorrente?
Aliás, essa teoria da eficiência é um argumento muito usado pelo
presidente Luís Inácio Lula da Silva, por seus ministros e secretários
para justificar tributos, abertura de mercado, juros elevados e outras
medidas necessárias para a economia, mas restritivas para os empresários.
O que se exige dos empresários brasileiros, principalmente dos pequenos e
médios, é eficiência. Mas o que o governo oferece em troca é um serviço de
educação pior. É muita incoerência, mas que poderia ser corrigida com mais
rapidez se o projeto do senador Cristovan Buarque fosse aprovado. O
projeto obriga os governantes e parlamentares a matricularem seus filhos
só na escola pública.
É claro que ninguém na Casa deu importância ao projeto. Mas esse era um
bom caminho para que a escola pública deixasse de ser pior do que a da
iniciativa privada. Bem que Haddad poderia ajudar seu ex-colega de partido
a aprovar esse projeto.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
A política prisional no Brasil se resume
em demolir prédios da Febem, presídios e cadeias, como se o invólucro
fosse o responsável pelo conteúdo?
Tiro o chapéu
Para a boa expectativa apresentada pelo
projeto de trem bala entre Rio e São Paulo, com ramal para Campinas.
Enterro o
chapéu
Para a falta de vontade política para
eliminar, ainda que a longo prazo, a contribuição obrigatória a sindicatos
e ao sistema "S".
Pensamento de
outros
"A coisa mais bela consiste em ser
útil ao próximo".
Sófocles (496-406 a.C.), dramaturgo grego.
OPINIÃO DE 19-11-2007
*
Julia de Medeiros
Aumentar o
atendimento a crianças de zero a três anos, hoje sem vagas nas
creches paulistanas, com a exclusão de outras mais velhas, mas
tão carentes de atendimento quanto as menores, só ameniza um
problema e agrava outro.
A Prefeitura de São Paulo arrumou uma saída muito simples para amenizar o
problema da falta de creches na cidade: retirou as crianças com mais de
três anos da faixa etária preferencial.
Isso significa que quem tiver mais de três anos será excluído da creche e
encaminhado para uma Escola Municipal de Educação Infantil (Emei). Essas
escolas, no entanto, não têm período integral e as mães não têm com quem
deixar seus filhos enquanto trabalham.
A solução encontrada é aquela velha história do cobertor curto: cobre um e
descobre o outro. Aumentar o atendimento a crianças de zero a três anos,
hoje sem vagas nas creches paulistanas, com a exclusão de outras mais
velhas, mas tão carentes de atendimento quanto as menores, só ameniza um
problema e agrava outro. Além disso, segundo depoimento de diretores de
Emeis, essas instituições não estão preparadas para atender a crianças
menores.
Além de que é preciso abrir vagas nas creches para crianças menores, o
secretário de Educação, Alexandre Schneider, admitiu que "aos poucos, a
idéia é aumentar o número de crianças na pré-escola”. É mais do que
comprovada a importância da pré-escola na formação educacional do
indivíduo.
O "Estudo Longitudinal de Chicago", uma pesquisa realizada ao longo dos
anos 80 e 90 e divulgada em agosto passado, investigou os efeitos dos
programas de pré-escola estatais para 1.539 crianças nas escolas públicas
de Chicago. O estudo concluiu que aos 24 anos de idade, crianças que
participaram em programas de pré-escola têm mais probabilidade de
completar o segundo grau, freqüentarem cursos de nível superior e têm
menos chance de serem presas por pequenos delitos ou irem para a cadeia ou
ainda desenvolver sintomas de depressão.
Mas se no período em que estiverem fora da sala de aula, essas crianças
não tiverem sob a proteção de um adulto e forem expostas a todos os tipos
de riscos, como violência e drogas, os esforços para tornar a pré-escola
mais acessível a maior número de crianças serão inócuos. É preciso
investir na ampliação efetiva do número de creches e não excluir crianças
do atendimento.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
O aquecimento de apenas dois segmentos
econômicos (construção civil e indústria automobilística) é vantajoso para
toda a economia ou somente para a estatística governamental?
Tiro o chapéu
Para a importância de um dia para se
pensar na discriminação pela cor da pele.
Enterro o
chapéu
Para o costume de se fazer feriado no
meio da semana, inibindo o crescimento da economia.
Pensamento de
outros
"O inferno são os outros".
Jean Paul Sartre (1.905-1.980), escritor e filósofo francês.
OPINIÃO DE 13-11-2007
O governo vai bem. O povo vai mal
*
Haroldo Lago
O setor
financeiro da economia exibe uma pujança capaz de causar inveja
às mais tradicionais casas bancárias do mundo.
O setor produtivo - carente de crédito, vê o crédito fácil ser
direcionado ao consumo de veículos e eletroeletrônicos.
Nunca antes neste país a expressão do título acima foi tão cheia de
conteúdo e tão atual como agora. Usada originalmente por um General ao
tomar posse da Presidência, trazia uma realidade marcante que parece
imutável, e que se espraiou para os estados e municípios.
A máquina federal arrecada como nunca e a carga tributária já ameaça
superar a marca de quatro meses do ano em que os cidadãos/contribuintes
labutam para pagar tributos.
O governo usa escandalosamente um arremedo de “política tributária” para
“conceder” isenções a quem tem mais poder para arrancar dos políticos tal
beneplácito.
O setor financeiro da economia exibe uma pujança capaz de causar inveja às
mais tradicionais casas bancárias do mundo.
O setor produtivo - carente de crédito, vê o crédito fácil ser direcionado
ao consumo de veículos e eletroeletrônicos.
Entretanto... o outro lado da moeda já se faz sentir.
No campo, agricultores endividados padecem o dilema de ter que plantar
para faturar e ter que faturar para quitar dívidas. Nas cidades, a
ausência de investimentos de longo prazo em infra-estrutura vêm
paulatinamente cobrando seu preço e os serviços básicos - energia
elétrica, telefonia, combustíveis, portos, aeroportos e estradas funcionam
precariamente e ameaçam entrar em colapso, e ainda há ministro que afirme
ser o descompasso um “fruto do crescimento da economia”.
Agora, a oitava maravilha! O Brasil acaba de descobrir que é riquíssimo em
petróleo. Tão rico que poderá até mesmo pleitear sua entrada na poderosa
Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Aleluia!
Duas coisas a considerar. 1-Se a Petrobrás vêm mostrando serviço é porque
- sendo uma empresa estratégica que trabalha a longo prazo, tal descoberta
- se de fato verdadeira, é fruto de décadas de estudos e investimentos, já
que não é todo dia que se encontra petróleo a mais de sete mil metros de
profundidade com lâmina de água com mais de dois mil metros. Sendo assim,
e se salvo engano o atual governo tem cerca de cinco anos, o mérito é da
empresa e do país, e não de um governo de ocasião, seja lá de que partido
for.
Segunda consideração: Nossa vizinha Venezuela desde sempre nada em
petróleo, e não consta que sua população seja das mais ricas do planeta.
Já as populações dos países do Oriente Médio - tão ricos em petróleo que
são os donos da OPEP, tampouco vivem como nababos. Salvo exceções, é
claro!
Pelo sim pelo não, melhor abrir os olhos. Se temos petróleo e ele vale
tanto, que seja em benefício de todos os brasileiros.
*
Haroldo Rodrigues Lago
é
Economista e Jornalista, Diretor de Redação do Jornal dos Bairros (Bela
Vista, Higienópolis, Cerqueira César, Paraíso, Vila Mariana e Centro), e
do Jornal dos Bairros On-Line - (
www.ajorb.com.br/ipe )
Pense e
responda
O aquecimento de apenas dois segmentos
econômicos (construção civil e indústria automobilística) é vantajoso para
toda a economia ou somente para a estatística governamental?
Tiro o chapéu
Para a impensada reação do Rei da
Espanha, que o elevou à condição de homem comum.
Enterro o
chapéu
Para a irresponsabilidade política de se
criar um imposto para resolver o problema da saúde e desviá-lo para outras
aplicações.
Pensamento de
outros
"Se o desonesto soubesse a vantagem
de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade".
Sócrates (469 -399 a.C.), filósofo ateniense.
OPINIÃO DE 08-11-2007
A igualdade deve estar nas condições de vida
*
Julia de Medeiros
As mudanças têm
ocorrido de forma paulatina e a situação do negro ainda é muito
desfavorável, assim como é a de qualquer pessoa das classes
sociais mais baixas, seja negra ou branca.
Na semana em que se comemora o Dia da Consciência Negra em algumas partes
do País, o tema ainda provoca muita polêmica.
O Brasil é uma nação reconhecida internacionalmente pela boa convivência
entre pessoas de etnias diferentes, mas por outro lado seus indicadores
sociais apontam desvantagens para a população negra e seus descendentes,
entre as quais sua maior presença nos bolsões de pobreza e nas regiões
mais carentes do País.
As ações afirmativas, como as quotas nas universidades e no mercado de
trabalho para negros, estão no centro dos debates. O principal argumento é
que essa seria uma forma de resgatar os danos provocados à população negra
durante o período de escravatura. Não resta a menor dúvida de que
sobreviver após a libertação foi e talvez continue sendo uma dura batalha.
Não há como negar que foram péssimas as condições oferecidas de trabalho e
sobrevivência aos negros.
As oportunidades sempre favoreceram aos brancos e o ponto de partida dos
negros, em especial no mercado de trabalho, sempre foi mais desvantajoso
em relação às pessoas da raça branca pela própria condição imposta
pós-libertação. As mudanças têm ocorrido de forma paulatina e a situação
do negro ainda é muito desfavorável, assim como é a de qualquer pessoa das
classes sociais mais baixas, seja negra ou branca.
É por isso que essas ações afirmativas talvez apresentem um risco para as
relações entre pessoas de diferentes etnias. É difícil justificar, num
processo seletivo justo, a vantagem para alguém apenas em função da cor de
pele. Quem se beneficia pode vir a questionar sua própria capacidade e
quem se sente prejudicado também questionará o processo utilizado. Brota
aí uma semente de ressentimento e de afirmação, na verdade, das
diferenças.
Talvez o caminho certo para uma sociedade justa seja o da igualdade, não
entre raças, mas das condições de vida e das oportunidades. Todos os
cidadãos brasileiros independentemente da cor de pele devem ter direito à
saúde, educação, moradia e acesso ao mercado de trabalho. O problema é que
muitos políticos estão trabalhando justamente ao contrário, para garantir
cada vez mais o privilégio de poucos.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
A política educacional não deveria
priorizar o interesse da sociedade em ter profissionais competentes em vez
de querer atender interesses individuais?
Tiro o chapéu
Para o STF que quer julgar os envolvidos
no escândalo "mensalão".
Enterro o
chapéu
Para os parlamentares, que, em vez de
regulamentar, apenas criticam quem leva vantagem em concessões de rádios e
tv.
Pensamento de
outros
"Muitos jovens rejeitam idéias e
conceitos que terão daqui a vinte anos ".
Jean Paul Sartre (1.905-1.980), escritor e filósofo francês.
OPINIÃO DE 31-10-2007
Quem lucra e quem perde com crédito mais
fácil
*
Julia de Medeiros
Para tornar o
financiamento e o microcrédito acessíveis à população de baixa
renda, o programa precisa ser lançado com muito cuidado e
providências para que essa não seja apenas uma medida demagógica
que só contribuirá para aumentar o endividamento das populações
mais carentes.
O governo prepara um programa para abrir contas bancárias simplificadas e
garantir acesso ao microcrédito, financiamento de baixo valor destinado à
população de baixa renda, para as cerca de 11 milhões de famílias que
recebem mensalmente o Bolsa Família.
O acesso ao sistema financeiro é um
direito de todos, mas é preciso oferecer garantias e condições especiais a
essa faixa da população que não só é carente de recursos financeiros, mas
também de educação e informação.
Os próprios técnicos do governo reconhecem as dificuldades para colocar em
prática essa medida. A primeira condição para abrir conta em banco é ter o
Cadastro de Pessoa Física, ou seja, o CPF. No banco de dados do governo,
há 15 milhões de famílias aptas a integrar o Bolsa Família e 4 milhões sem
CPF. Outro problema é a baixa escolaridade ou, pior ainda, o
analfabetismo.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social sobre o perfil dos
beneficiários do Bolsa Família, 1,76 milhão são analfabetos, o que atinge
cerca de 16% das famílias pertencentes ao programa. Apenas 54%, pouco mais
do que a metade, cursaram até a quarta série do ensino fundamental. Além
desses dados, há uma conclusão dos especialistas de que sem orientações
básicas o microcrédito não funciona.
Diante de tantas dificuldades, o programa para tornar o financiamento e o
microcrédito acessíveis à população de baixa renda precisa ser lançado com
muito cuidado e providências para que essa não seja apenas uma medida
demagógica que só contribuirá para aumentar o endividamento das populações
mais carentes.
As pesquisas de inadimplência mostram que os consumidores
de menor renda, quando podem comprar e contraem financiamentos para tanto,
são bons pagadores.
O programa de microcrédito da Índia, um dos mais conhecidos
internacionalmente, também demonstra que a inadimplência é baixa entre a
população mais carente. Mas essa situação pode ser muito inversa se não
forem tomados todos os cuidados necessários.
Sem medidas que visem
especialmente orientar o investidor de baixa renda, o governo vai deixar a
população mais carente à mercê do sistema financeiro contribuindo para
elevar ainda mais os lucros dos bancos que já estão de olho nessa parcela
da população e elevar a inadimplência entre os pobres.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
A CPMF não deveria ser um imposto
excludente? Quem nela fosse enquadrado ou por ela optasse ficaria isento
de outros impostos?
Tiro o chapéu
Para a qualidade do futebol
brasileiro, que conseguiu que a Copa do Mundo volte a acontecer aqui em
2.014.
Enterro o
chapéu
Para o trem da alegria, que já se instala
a pretexto da Copa de 2.014: viagem de 12 governadores, etc à Suíça.
Pensamento de
outros
"O amor pedido é bom, mas o dado,
sem ter sido pedido, é melhor".
William Shakespeare (1.564-1.616), poeta e dramaturgo inglês.
OPINIÃO DE 25-10-2007
As contradições da batalha pela CPMF
*
Julia de Medeiros
A parte mais
interessada, no entanto, o contribuinte, não foi ouvido e nada
lhe foi prometido e garantido, como a melhoria da qualidade da
educação, da saúde e da segurança pública.
Mais uma vez, uma medida importante será aprovada à revelia dos
mais afetados por ela.
A batalha do governo federal pela prorrogação da Contribuição Provisória
Financeira (CPMF) se arrasta e as exigências não só de partidos de
oposição como também de outros segmentos da sociedade, como empresários,
para a manutenção do imposto são cada vez maiores.
A parte mais interessada, no entanto, o contribuinte, não foi ouvido e
nada lhe foi prometido e garantido, como a melhoria da qualidade da
educação, da saúde e da segurança pública.
O mais interessante é observar deputados e senadores do PSDB, sempre
favoráveis à manutenção da CPMF durante o governo de Fernando Henrique
Cardoso, fazerem exigências nunca pleiteadas anteriormente. Os tucanos
impõem mais cinco condições, além da redução da alíquota do imposto e da
criação de um redutor de 0,2 ponto percentual do PIB nos gastos públicos.
O PSDB quer também: cortar impostos cobrados sobre a folha de pagamento;
reduzir impostos de investimentos em saneamento público; aumentar o
repasse de verbas da CPMF para a saúde aos Estados; aumentar a
transferência de recursos da Cide (cobrada sobre consumo de combustíveis)
para os governadores e a possibilidade de prorrogar a CPMF por um período
de apenas um ou dois anos, forçando uma reforma tributária. Tudo muito
justo, mas nunca exigido antes pela bancada tucana.
Por outro lado, o PT que sempre fez tantas exigências e críticas ao
imposto financeiro não desiste de tentar encontrar boas razões para
convencer os deputados e em especial segmentos da sociedade com poder de
lobby, como os empresários. Em recente reunião com empresários mais
influentes da indústria brasileira, ministros e o presidente Luís Inácio
Lula da Silva repetiram argumentos já públicos em defesa da contribuição,
entre eles o de que, sem a contribuição, investimentos poderão ser
comprometidos, inclusive os do PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento). Mas ao contribuinte de forma geral nada de concreto foi
oferecido nem mesmo a certeza de melhoria do atendimento médico e do
ensino público.
Mais uma vez, uma medida importante, embora até desconhecida em especial
pela população das classes mais baixas, será aprovada à revelia dos mais
afetados por ela. Os partidos políticos só mudaram de posição, mas os mais
interessados e afetados pela medida continuam excluídos da discussão.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
Se, ao inventar a CPMF se prometeu
destinar toda sua arrecadação à saúde, por que as oposições não exigem o
cumprimento dessa promessa?
Tiro o chapéu
Para STF, que chamou a si a
responsabilidade de diminuir o empenho do Congresso e políticos de
legislarem em causa própria.
Enterro o
chapéu
Para a legislação que obriga trabalhador
a contribuir para centrais sindicais, sem ser consultado.
Pensamento de
outros
"O ciúme é fatal".
William Shakespeare (1.564-1.616), poeta e dramaturgo inglês.
OPINIÃO DE 17-10-2007
O dever meu, seu e de todos
*
Julia de Medeiros
Maior agilidade
do atendimento, como a redução do tempo de espera por uma
consulta, melhoraria mais os índices.
É por isso que se torna tão importante nesse momento
regulamentar a emenda constitucional 29, que está em discussão
no Congresso e que garante a aplicação de recursos orçamentários
na Saúde.
“Combater a dengue é um dever meu, seu e de todos. A dengue pode matar”. O
slogan da campanha de combate à dengue lançada pelo Ministério da Saúde
embora adequado talvez seja pouco para sensibilizar as pessoas para a real
gravidade do problema.
As reportagens divulgadas pela mídia em geral mostram como o descaso ainda
é um grande vilão na epidemia de dengue que já matou mais de 100
brasileiros e que atingiu este ano pelo menos 50% mais pessoas do que no
ano passado.
É engraçado como aquela sensação de que coisas ruins só acontecem com os
outros está impregnada em boa parte da população. Isso só torna a situação
ainda mais complicada.
Não é raro encontrar em quintais e até estabelecimentos comerciais, como
oficinas mecânicas e floriculturas entre outros, focos perigosos da
doença, como vasos e pneus com águas. Atitudes simples, mas importante
poderiam contribuir, e muito, para amenizar o problema.
Excluída a responsabilidade da população, que não é pouca, o governo
também deixa seu dever no problema muito a desejar. A dengue necessita de
diagnóstico rápido para a maior eficácia do tratamento. A demora no
atendimento e na identificação da doença pode complicar muito a situação
do paciente. Para quem conhece o padrão de qualidade do atendimento
público, no entanto, é difícil ficar sossegado e tranqüilo se depender de
rapidez e agilidade.
Essa dificuldade serve para tantas outras campanhas de saúde, como as de
prevenção de câncer de mama e de útero. Não resta a menor dúvida de que
essas campanhas têm contribuído para reduzir o índice de mortes e até da
incidência da doença, como a de câncer de útero, que pode ser evitada.
Mas não há como ignorar que em muitos casos a maior agilidade do
atendimento, como a redução do tempo de espera por uma consulta, poderia
melhorar ainda mais os índices.
É por isso que se torna tão importante nesse momento regulamentar a emenda
constitucional 29, que está em discussão no Congresso e que garante a
aplicação de recursos orçamentários na Saúde.
Com a aprovação dessa medida, seriam injetados pelo menos mais R$ 15
bilhões na saúde. Se combater a dengue é um dever meu, seu e de todos,
destinar mais recursos à saúde é o dever do governo nesse conjunto de
esforços não só para combater agora uma epidemia como para melhorar as
condições de saúde do brasileiro.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, Oreo Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
As Centrais Sindicais, "sem dinheiro",
conseguem fazer estranhos megaeventos, com shows e premiação. Para que
então querem leis para aumentar sua receita?
Tiro o chapéu
Para a Seleção, que, ontem, pelo
menos deu alegria a todos os brasileiros.
Enterro o
chapéu
Para os que pensam aumento de penalidade
é sinônimo de diminuição da impunidade.
Pensamento de
outros
"Os ladrões exigem-nos a bolsa ou a
vida. Os médicos levam-nos a bolsa e a vida".
William Shakespeare (1.564-1.616), poeta e dramaturgo inglês.
OPINIÃO DE 09-10-2007
O ingrediente certo para a violência
*
Julia de Medeiros
Uma coisa é
certa: não é correto glamourizar a bandidagem nem muito menos
atribuí-la simplesmente à pobreza e aos estragos emocionais, que
eventualmente essa situação pode provocar nas famílias e em
especial nas crianças de periferia, favelas e regiões menos
favorecidas.
Artigos escritos pelo apresentador Luciano Huck e o rapper Ferréz,
publicados na semana passada no jornal Folha de São Paulo, expuseram
importante discussão sobre a violência em que a questão principal é: qual
é o grau de responsabilidade da desigualdade social na violência instalada
em cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro?
De um lado, Luciano Huck, vítima de um assalto no trânsito paulistano por
ladrões de moto munidos de um 38 que levaram seu Rolex, reclama a falta de
segurança na cidade que, segundo ele, já se tornou indefensável. De outro
lado, o rapper Ferréz, conhecedor do dia-a-dia de meninos como os ladrões
de Luciano Huck, lembrou que a vida desses garotos não é tão cor-de-rosa
quanto o mundo de Luciano Huck.
Uma coisa é certa: não é correto glamourizar a bandidagem nem muito menos
atribuí-la simplesmente à pobreza e aos estragos emocionais que
eventualmente essa situação pode provocar nas famílias e em especial nas
crianças de periferia, favelas e regiões menos favorecidas. Mas também é
um grande equívoco da sociedade reagir com mais intensidade apenas quando
a violência bate às portas dos mais afortunados tomando seus relógios.
São Paulo, Rio de Janeiro e tantos outros centros do país precisam de uma
política séria de segurança e combate à violência que passa pelo
treinamento de policiais, maior policiamento, fim da impunidade e também
de inclusão sócio-econômica. Programas sociais, como bolsa-família, não
servem para isso. É preciso programas sociais com vistas para o futuro que
valorizem a auto-estima e que ofereçam boas perspectivas de vida às
crianças e famílias carentes.
Os programas sociais em curso podem até contribuir para melhorar as
condições de vida atuais do cidadão pobre, mas não lhes permitem
vislumbrar o acesso ao mercado de trabalho, a uma moradia descente e a
todo conforto e beleza mostrados nos comerciais de televisão.
Impunidade, aliada à falta de perspectiva de uma vida melhor e ascensão
social, é o ingrediente perfeito para a violência.
Sem eliminar esse ingrediente, a violência vai continuar instalada e as
discussões serão uma perda de tempo.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
Agora que a empresa espanhola ganhou
concorrência, oferecendo pedágios decentes, com que cara fica o Governo do
Estado com seus pedágios altíssimos?
Tiro o chapéu
Para a instalação de juizado
especial em aeroporto para julgar direito de passageiro.
Enterro o
chapéu
Para preocupação eminentemente política
do Senado, paralisando todo trabalho legislativo sério.
Pensamento de
outros
"O melhor amigo do homem é outro
cachorro".
Sofocleto
OPINIÃO DE 27-09-2007
Faltam coragem e ousadia no combate à
miséria
*
Julia de Medeiros
Os programas
sociais têm contribuído para melhorar as condições de vida no
País, mas avanços mais significativos só serão obtidos se o
governo tiver mais coragem e ousadia para enxugar a máquina
administrativa, reduzir os juros e estimular de fato os
investimentos.
O número de brasileiros miseráveis diminuiu e as diferenças sociais
também, mas a quantidade de pessoas vivendo na miséria ainda é grande e as
desigualdades continuam assolando muitos estados.
Isso é o que indicam algumas pesquisas divulgadas recentemente com base
nas quais é possível concluir que os programas sociais têm contribuído
para melhorar as condições de vida no País, mas avanços mais
significativos só serão obtidos se o governo tiver mais coragem e ousadia
para enxugar a máquina administrativa, reduzir os juros e estimular de
fato os investimentos.
No período de um ano, 5,88 milhões de pessoas deixaram a condição de
miséria, o que significou uma redução de 14% no contingente de miseráveis
no país, que até o ano passado correspondiam a 19,3% da população
brasileira, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). É a menor marca desde
1992, quando teve início a pesquisa sobre o tema e o percentual de
miseráveis era 22,8%.
O estudo mostra que no primeiro governo do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, a queda foi de 23% e no segundo mandato de apenas 1,7%. No
governo Lula, o recuo até agora no contingente de miseráveis foi de 27,7%.
Especialistas da FGV avaliam que o país vive desde meados dos anos 90 com
a estabilidade do real, uma tendência histórica de redução da pobreza.
Fernando Henrique, analisam os especialistas, estabilizou a economia,
universalizou a educação, começou a trilhar os programas focalizados de
combate à pobreza, como o Bolsa Escola, e ações na área de saúde. O
governo Lula deu continuidade, levou os programas sociais a níveis
maiores. Apesar dessas melhorias, ainda existem 36 milhões de miseráveis
no País, pessoas que vivem com menos de um salário mínimo. Esse
contingente só terá redução mais significativa com a adoção de iniciativas
na área econômica. Se os Estados Unidos, cuja economia é muito mais
vigorosa, teve a ousadia de baixar seus juros temendo uma desaceleração da
atividade econômica, por que o Brasil que precisa de crescimento muito
mais consistente e principalmente da criação de vagas no mercado de
trabalho não pode seguir o mesmo caminho?
Também há riscos inflacionários nos Estados Unidos. É possível citar pelo
menos dois: o preço do barril de petróleo e os preços de commodities que
continuam subindo. Se os Estados Unidos são citados como exemplo em tantas
outras ocasiões, por que agora, que deram de fato um bom exemplo, o
governo não copia essa idéia de descruzar os braços diante da inércia da
economia e dos investimentos privados.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
Por que a Justiça brasileira condena com
a penhora on line das contas de pessoas honestas, sem direito à defesa,
mas sequer permite julgamento de criminosos e traficantes on line?
Tiro o chapéu
Para a opinião pública que conseguiu
que o Senado acabe com sessões secretas.
Enterro o
chapéu
Para a falta de política presidiária que
tente recuperar criminosos primários e que tire privilégios criminosos
irrecuperáveis.
Pensamento de
outros
"Quando a alegria se apresenta
devemos abrir-lhe todas as portas, pois ela jamais é inoportuna".
Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão.
OPINIÃO DE 20-09-2007
Educação ainda não é prioridade no Brasil
*
Julia de Medeiros
Estudo revela
que, entre 34 nações pesquisadas, o Brasil é a que menos gasta
com Educação.
O mais triste é constatar que, diante tantos escândalos de
corrupção, recursos não faltam. Falta é vontade de mudar essa
situação e em especial vergonha na cara para dizer o mínimo dos
políticos envolvidos em denúncias que chegam a movimentar no
total bilhões de reais.
Um estudo divulgado na semana passada pela Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela uma boa razão para que o
desenvolvimento sócio-econômico do Brasil continue atrás de muitos países.
O pior é que, com base nesse levantamento, é possível concluir também que
não há perspectivas de mudança dessa situação.
O estudo revela que entre 34 nações pesquisadas, o Brasil é a que menos
gasta com Educação.
O mais triste é constatar que, diante tantos escândalos de corrupção,
recursos não faltam. Falta é vontade de mudar essa situação e em especial
vergonha na cara para dizer o mínimo dos políticos envolvidos em denúncias
que chegam a movimentar no total bilhões de reais. O Brasil gasta com um
estudante, do primário à universidade, cerca de R$ 2.488. A média dos
países pesquisados é de R$ 14.376 por estudante. Em Luxemburgo, país que
mais investe em Educação, o valor aplicado em cada estudante chega a R$
25.705.
Um dado importante desse estudo é que os gastos com Educação no Brasil em
relação ao Produto Interno Bruto (PIB - soma das riquezas produzidas no
País) também é muito inferior aos dos demais países, em especial aos mais
desenvolvidos. Isso, segundo especialistas, é um indicativo de que a
Educação não é prioridade no Brasil.
O total do PIB investido em Educação é 3,9% no Brasil, porcentual superior
apenas ao da Rússia (3,6%) e da Grécia (3,4%). Nos Estados Unidos, os
investimentos nessa área correspondem a 7,4% do PIB, o maior porcentual
registrado pelo estudo, que apresenta ainda outras duas conclusões
importantes.
A primeira é que quanto mais difundida a educação universitária em um
país, mais próspera a economia e melhor o mercado de trabalho para os
recém-formados. A outra é que as e perspectivas de emprego para os
profissionais menos qualificados não parecem ser prejudicadas pelo aumento
do número de universitários e podem até melhorar.
Por mais que o atual governo argumente que tem investido em Educação, esse
estudo mostra que ainda estamos muito longe de boa parte dos países. E é
bom lembrar que todas as outras medidas de investimentos para estimular o
desenvolvimento do País serão paliativas ou sem efeitos no longo prazo se
o Brasil não passar a gastar mais com Educação. Vamos continuar muito
atrás das demais nações.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
Por que a Justiça brasileira condena com
a penhora on line das contas de pessoas honestas, sem direito à defesa,
mas sequer permite julgamento de criminosos e traficantes on line?
Tiro o chapéu
Para o espírito desportivo demonstrado
pelo goleiro Marcos em seu relacionamento com Diego Cavalieri.
Enterro o
chapéu
Para a incompetência governamental, que
não dificulta a entrada de criminosos no quadro de policiais civis e
militares.
Pensamento de
outros
"Quando a alegria se apresenta
devemos abrir-lhe todas as portas, pois ela jamais é inoportuna".
Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão.
OPINIÃO DE 13-09-2007
Uma absolvição que nada tem de democrática
*
Julia de Medeiros
Chega a ser
patético quando correligionários de Renan Calheiros evocam a
democracia para justificar a absolvição.
Mas nenhuma pesquisa de opinião foi realizada para saber se a
população queria a cassação ou não. É bem provável que se o
cidadão brasileiro fosse consultado, a democracia iria exigir
que os senadores cassassem Calheiros.
A absolvição do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) coloca em dúvida o
comportamento dos senadores brasileiros. Venceu o corporativismo e fica a
impressão de que Calheiros foi poupado para que outros casos de decoro,
corrupção ou ilegalidade continuem sendo acobertados pela Casa.
Os senadores, que votaram contra a cassação ou que se abstiveram, devem
ter apostado na memória curta do brasileiro e na capacidade de
reconquistar a credibilidade da população com medidas demagógicas ou
populares.
Contaram para isso com o voto secreto e a votação a portas fechadas que
podem dificultar a identificação dos votos.
Chega a ser patético quando correligionários de Renan Calheiros evocam a
democracia para justificar a absolvição. Mas nenhuma pesquisa de opinião
foi realizada para saber se a população queria a cassação ou não. É bem
provável que se o cidadão brasileiro fosse consultado, a democracia iria
exigir que os senadores cassassem Calheiros.
Se a decisão do Supremo Tribunal Federal de processar os deputados
acusados no “mensalão” havia despertado a esperança de punição aos
corruptos no Brasil, a decisão do Senado, ao contrário, reaviva o
sentimento de impunidade e de certeza de que nada mudou.
Aliás, mudou, sim. O PT não é mais mesmo partido criado décadas atrás. Em
outras épocas, o voto pela cassação teria sido unânime e veemente entre os
petistas.
Agora, até mesmo o presidente Luís Inácio Lula da Silva fala na
necessidade de acatar a decisão do Senado em nome da democracia. É
preciso, no entanto, recapitular os fatos para ter a certeza de que não
faltaram razões para cassar Calheiros.
A Polícia Federal concluiu que o senador não conseguiu provar que tinha
recursos para pagar pensão à mãe de sua filha. Calheiros também não
explicou como conseguiu uma renda com a pecuária imensamente superior à
obtida por pecuaristas experientes.
Surgiram ainda outras denúncias contra o senador, como a de que ele teria
favorecido a cervejaria Schincariol, que comprou uma fábrica de Olavo
Calheiros, irmão de Renan.
Além disso, o senador teria adquirido, com a ajuda de testas-de-ferro, uma
rádio e um jornal no valor de R$ 2,5 milhões. Agora, só resta saber como,
em nome da democracia, Calheiros vai conduzir questões importantes a serem
aprovadas pelo Congresso e se usará da mesma desfaçatez para enfrentar uma
nação indignada.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
Devemos nos alegrar ou nos entristecer
com a invenção russa da bomba ecológica?
Tiro o chapéu
Para a imprensa que fez seu papel ao
denunciar maracutaias, que colocam em risco a credibilidade da democracia
no Brasil.
Enterro o
chapéu
Para senadores que se preocupam só com
seus interesses políticos em detrimento do fortalecimento das instituições
públicas.
Pensamento de
outros
"Quando mais conheço os homens mais
amo os animais". Sêneca, orador romano.
OPINIÃO DE 05-09-2007
Os sintomas de um país doente
*
Julia de Medeiros
Alguns
hospitais particulares de saúde oferecem atendimento com padrão
de países desenvolvidos enquanto em hospitais municipais,
estaduais e federais o serviço é de terceiro mundo.
Pacientes em macas, filas intermináveis e os profissionais mal
remunerados demonstram total desinteresse no paciente e na
profissão.
A greve dos médicos nos estados nordestinos não é um problema isolado de
saúde pública.
A greve no Nordeste é uma das conseqüências das precárias condições da
medicina pública.
O Brasil, um país de contradições, oferece em algumas unidades
particulares de saúde atendimento com padrão de países desenvolvidos
enquanto em hospitais municipais, estaduais e federais o serviço é de
terceiro mundo, com pacientes em macas, filas intermináveis e alguns
profissionais mal remunerados que demonstram total desinteresse no
paciente e na profissão.
Até mesmo instituições hospitalares consideradas referência em pesquisa e
atendimento médico, como o Hospital São Paulo, passam por dificuldades por
falta de recursos e investimentos.
Com uma dívida de R$ 170 milhões, o Hospital São Paulo, da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp), tem apresentado, segundo reportagens
publicadas por jornais de São Paulo, atendimento lento e equipamentos,
como tomógrafos, parados por falta de recursos para conserto.
Sem reajustes na verba enviada pelo governo federal há dois anos nem
reposição de funcionários, os 45 hospitais federais do País acumulam
dívidas de R$ 450 milhões e ameaçam paralisar o atendimento à população.
Outro problema é que, por falta de reposição de médicos aposentados, os
hospitais estão contratando profissionais por meio da Consolidação das
Leis Trabalhistas (CLT), o que não é permitido pela legislação. Mas, como
argumentam as direções dessas entidades, não há outra forma de contratação
e o hospital não pode parar.
O problema pelo qual passam os hospitais federais é apenas um exemplo das
precárias condições de saúde pública. Poderíamos citar ainda inúmeros
hospitais na capital e no interior de São Paulo em que o mau atendimento
ou até mesmo a falta dele, ao invés de salvar o paciente, é muitas vezes
um dos fatores de óbito.
Agora, só uma pergunta: e o que foi feito e o que será feito com o
dinheiro da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF)
que em tese, só em tese mesmo, foi criada para alavancar verbas para a
saúde?
O governo briga, faz conchavos e concessões no Congresso para manter esse
imposto, mas, ao mesmo tempo, vacila para liberar meros R$ 2 bilhões para
a saúde pública.
*
Júlia de Medeiros
é jornalista
(artigo exclusivo para Editora "Jornal
dos
Bairros"
(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila
Mariana), Voz da Terra
- Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG
Pense e
responda
A CPMF não deveria ser um imposto
excludente? Quem nela fosse enquadrado ou por ela optasse ficaria isento
de outros impostos?
Tiro o chapéu
Para a esperança de que o trabalho
do Exército no Haiti venha a ser aplicado no Brasil.
Enterro o
chapéu
Para a falta de planejamento e
explicações sobre as nomeações de milhares de servidores públicos
federais.
Pensamento de
outros
"O que somos contribui muito mais
para a nossa felicidade do que o que temos". Arthur
Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão.
OPINIÃO DE 29-08-2007
A força do agronegócio
*
Julia de Medeiros
A retomada do
agronegócio contribui para ativar a economia de todo o País,
cria.
Um outro aspecto importante é que essa recuperação se dá sem
riscos de provocar inflação. Ao contrário, a entrada de dólares
em virtude das exportações, eleva as reservas e contribui para a
estabilidade econômica.
A força econômica da agricultura e mais especificamente do agronegócio
pode passar despercebido por boa parte dos brasileiros, mas é desse setor
de onde vêm as melhores expectativas para o próximo ano.
A recuperação dos preços de vários produtos agrícolas deverá engordar o
Produto Interno Bruto (PIB) do setor em cerca de R$ 33 bilhões, segundo
especialistas. A entrada desses recursos, em especial por meio das
exportações, deve ajudar a aquecer a economia.
A retomada do agronegócio contribui para ativar a economia de |