Editora Ipê de jornais dos bairros 

(Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra virtual de  Assis-SP e Voz da Terra virtual de Monte Verde-MG - Brasil

Diretor: Egydio Coelho da Silva

OPINIÃO DE 20-02-2010

 

De olho no ano eleitoral

 * Julia de Medeiros
 

O levantamento, realizado em 50 cidades brasileiras, incluindo as nove regiões metropolitanas, revela que a maioria dos entrevistados não soube informar nome de algum ministro, deputado federal ou senador.
Apenas 34% citaram algum ministro corretamente. Para deputados federais, foram somente 38%.


Cassações, prisões, discursos e pesquisas de opinião com resultados surpreendentes, entre outros acontecimentos, começam a delinear o importante ano político de 2010 que será marcado não só pelas eleições dos principais cargos, entre os quais à presidência da República e aos governos dos Estados, como também pelo encerramento da era Lula com o fim do segundo mandato do presidente Luíz Inácio Lula da Silva.

A prisão e o processo de impeachement do governador licenciado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex DEM e agora sem partido) e a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), colocam e evidência temas como corrupção e distribuição de propinas.
Esses fatos recentes, aliados aos escândalos anteriores, como o do mensalão, esquema de compras de votos de parlamentares que respingou em ex-ministros e políticos  do PT, vão trazer à tona este assunto e fazer dessa discussão um dos principais debates longo da campanha eleitoral.

A internet pode tornar a campanha mais democrática, mas os políticos vão esbarrar numa triste realidade que dependendo da habilidade ou não dos candidatos pode ser revertida de maneira favorável a eles em  detrimento dos interesses dos brasileiros.

Uma pesquisa divulgada  recentemente revela que os eleitores desconhecem os políticos que os representam.

O levantamento, realizado em 50 cidades brasileiras, incluindo  as nove regiões metropolitanas, revela que a maioria dos entrevistados não  soube informar nome de algum ministro, deputado federal ou senador.

Apenas 34% citaram algum ministro corretamente. Para deputados federais, foram  somente 38% e para senadores o percentual cai para 31%. Quanto mais alto o grau de escolaridade e a classe social, maior o conhecimento sobre os políticos.

Isso significa que boa parte dos eleitores continua desconhecendo seus candidatos. Elegem e não acompanham sua trajetória. Isso pode ser ponto para os políticos envolvidos com corrupção. O que esperar de eleitores que sequer sabem o nome dos políticos?
Certamente, para os candidatos, o melhor é que continuem sem saber os nomes, assim são menores as chances de que venham a tomar conhecimento dos políticos que estão envolvidos em corrupção e que pleiteiam um novo cargo.
Conforme a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já deu a entender em seu discurso como candidata do PT à presidência da República, um dos alvos preferidos dos petistas nesta campanha será os jovens.
A mira não é por acaso, eleitores entre 15 e 29 anos correspondem a um quarto do total.
É um grupo expressivo e que pode ser mais facilmente atingido agora
com a disseminação do uso do computador, da internet e em especial das redes sociais, como Orkut, Twitter, entre outras. Tudo isso são sinais aos quais os candidatos já estão alertas e que a população deveria ficar atenta também para que a renovação dos cargos possa beneficiar ao País e ao cidadão brasileiro.

* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

A falta de legislação específica, para afastamento de políticos acusados de corrupção, interessa somente a partidos que têm companheiros mais atuantes?

Tiro o chapéu

Para Audálio Dantas, por sua luta para democratizar a ABI nacional.

Enterro o chapéu

Para a falta de vontade administrativa e política para inclusão social dos moradores de ruas.

Pensamento de outros

"Meu medo mais profundo é o poder além das medidas". Nélson Mandela (*1917), primeiro presidente negro da África do Sul

 

 

OPINIÃO DE 11-12-2009

 

Desafios para 2010

 * Julia de Medeiros
 

A verdade é que há muito dinheiro para esbanjar em obras faraônicas, que rendem lucros não só para as empreiteiras e construtoras, mas principalmente para os políticos.
Por outro lado, falta verba para investir em obras prioritárias para população.  


O Brasil encerra 2009 com mais um escândalo vergonhoso de corrupção envolvendo políticos de diversas esferas e de mais de um partido, dinheiro escondido na meia e até a invocação divina para a proteção dos corruptos. O escândalo eclode num momento em que cidades, como São Paulo e Rio Grande do Sul, foram invadidas por águas da chuva e mais uma vez crianças, pais e mães de família morrem soterrados por insistirem, segundo as autoridades, em morar nas áreas consideradas de risco.
A população vê todos os dias no noticiário pessoas enriquecendo com o dinheiro público, comprando imóveis, haras e outros bens de luxo, enquanto miseráveis perdem a vida por falta de investimento público em moradias seguras e acessíveis aos mais pobres.
A verdade é que há muito dinheiro para esbanjar em obras faraônicas que rendem lucros não só para as empreiteiras e construtoras, mas principalmente para os políticos. Por outro lado, falta verba para investir em obras prioritárias para população.
O presidente Luís Inácio Lula da Silva aponta um caminho para o combate à corrupção eleitoral. A solução, segundo nele, estaria numa reforma política. Basta o Congresso aprovar um dos projetos que por lá tramitam. Não há, no entanto, disposição para a aprovação de nenhuma legislação e o presidente bem sabe disso. Afinal, quem estaria disposto a votar em prejuízo de si próprio? Haveria um caminho ainda mais simples que seria o fim do fórum privilegiado para os políticos, obrigando-os a responderem processos e serem julgados e punidos como qualquer outro cidadão.
A política abre muitas brechas para a corrupção e só uma punição rígida ou, no mínimo, igual a que é aplicada aos cidadãos comuns, certamente faria diferença. Nos Estados Unidos, políticos corruptos, julgados e condenados, cumprem anos de prisão. Aqui, até agora não é possível lembrar um nome sequer de político punido com prisão pela corrupção.
Se o Brasil conquistou avanços sócio-econômicos nos últimos anos, ainda não deu um passo sequer em direção à transparência, redução das desigualdades e fim da corrupção.
Políticos ainda desfrutam de fóruns privilegiados enquanto a população pobre continua sendo soterrada pelas águas das chuvas, sem opção de moradia segura.
Esses são alguns dos importantes desafios para esse País que tem a pretensão de figurar entre os mais desenvolvidos do mundo.
* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Se as ruas foram feitas para dar direito de ir e vir aos cidadãos, a quem cabe a culpa de serem utilizadas para outras atividades?

Tiro o chapéu

Para os estudantes que protestaram em Brasília contra a corrupção no Governo do Distrito Federal.

Enterro o chapéu

Para os mesmos estudantes que se omitiram na época dos mensalões no Congresso Nacional.

Pensamento de outros

"Os brancos são burros. Fazem ruas e casas nas margens dos rios". Jucuna Diacuí, índio amazonense". 

 

OPINIÃO DE 21-11-2009

Onerando mais uma vez a classe média

 * Julia de Medeiros
 

A medida já está causando muita polêmica e se o prefeito Gilberto Kassab não se lembra, a criação de impostos foi justamente o que atrapalhou os planos de reeleição da ex-prefeita Marta Suplicy. A ex prefeita chegou a ser chamada de “Martaxa”.  


Os proprietários de 1,7 milhão de imóveis em São Paulo, a maior parte localizada em bairros nobres e de classe média no centro expandido, vão pagar Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) até 60% mais caro em 2010.
O reajuste médio geral para toda a capital, que tem 2,8 milhões de imóveis registrados, será de 21%. Já a correção geral da Planta Genérica de Valores (PGV) resultará em um aumento médio de 31%. Ao todo, 60% dos donos de imóveis de São Paulo serão taxados com IPTU maior.
A medida já está causando muita polêmica e se o prefeito Gilberto Kassab não se lembra, a criação de impostos foi justamente o que atrapalhou os planos de reeleição da ex-prefeita Marta Suplicy. A ex prefeita chegou a ser chamada de “Martaxa” em virtude do reajuste e criação de novos impostos.
Para a população, novas taxas e aumentos em si até poderiam não ser um problema tão sério, mas a péssima qualidade dos serviços públicos e a necessidade, em especial da classe média, de buscar alternativas na iniciativa privada, como convênios médios e escolas particulares, para compensar essa deficiência é que torna repugnante qualquer aumento de impostos.
O prefeito Gilberto Kassab alega que os estimados R$ 644 milhões a mais que o aumento do IPTU vai trazer para os cofres da Prefeitura em 2010 devem ser direcionados principalmente para a área da Saúde. Essa verba seria aplicada em construção de três hospitais na periferia (Parelheiros, Brasilândia e Vila Matilde), a R$ 300 milhões cada, por exemplo. As três unidades ainda estão em fase de projeto.
Mas quem é que lembra de serviços públicos que foram aprimorados em virtude de investimentos feitos com verbas de novos impostos? Para os especialistas, há ainda um agravante. Essa medida prejudicará ainda mais a classe média e beneficiará a classe alta. Os imóveis que tiveram maior valorização nesse período, argumentam, foram os de alto padrão, que não terão o imposto reajustado na mesma medida.
Outro fator de crítica, em especial pelos empresários, é que esse aumento vem em forma de punição para quem fez investimentos em seus estabelecimentos comerciais e nas áreas urbanas em que estes imóveis estão instalados, contribuindo para movimentar a economia e criar empregos.
Agora, terão de pagar por isso. Os imóveis foram valorizados e por isso o IPTU ficou mais caro. Mas essa valorização não é resultado de nenhum investimento público, como argumentam as autoridades. Isso pode ser, sim, considerado um desestímulo ao desenvolvimento econômico e social da cidade.
Carga tributária alta já não é mais um problema para o cidadão brasileiro, em especial para classe média e empresários de médio e pequeno porte. O grande problema é que esses impostos acabam servindo em geral para alimentar a máquina administrativa, mantendo altos salários e gastos desnecessários.
* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Se o Bixiga é considerado bairro pobre, por que para aumentar o IPTU o consideram classe média alta?

Enterro o chapéu

Para a falta de preocupação dos eleitores, com a péssima colocação do Brasil no ranking mundial, que mede o nível de corrupção.

Tiro o chapéu

Para as reuniões que se sucedem sobre o clima. Já era tempo de todos se preocuparem com o futuro da humanidade.

Pensamento de outros

""Não devemos ser tolerantes com os intolerantes."Karl Popper, escritor dinamarquês". 


Violência é questão nacional

 * Julia de Medeiros
 

A impressão que se tem é que o País precisa de uma política de segurança, que vai desde a reestruturação dos setores policiais responsáveis por garantir a ordem e aplicar as leis ao combate efetivo ao narcotráfico em todo o território nacional.  


O Brasil ganhou notoriedade no exterior.
A capacidade de superar a crise econômica mundial, o desempenho do presidente Luís Inácio Lula da Silva nas relações internacionais e a escolha do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 explicam um pouco dessa atual popularidade do País lá fora.
A “guerrilha” vivida pelos moradores do Rio de Janeiro, no entanto, serve como balde de água fria nessa imagem positiva que o Brasil vem construindo há anos.
Além disso, a violência que deixou pelo menos 20 mortos é só um pequeno demonstrativo da verdadeira mudança que a cidade maravilhosa precisa realizar em sete anos para receber turistas e atletas com dignidade e principalmente sem violência no maior evento esportivo do planeta. Construir estádios, cidade olímpica e investir em infra-estrutura são nada diante do grande desafio de combater a violência e derrotar o tráfico em sete anos.
O problema de violência não é exclusividade do Rio de Janeiro. A impressão que se tem é que o País precisa de uma política de segurança, que vai desde a reestruturação dos setores policiais responsáveis por garantir a ordem e aplicar as leis ao combate efetivo ao narcotráfico em todo o território nacional.
O governo federal precisa pensar uma política de segurança nacional ampla para que possa em 2007 garantir a segurança no Rio de Janeiro.
São Paulo e outros estados do País não ostentam índices muito menores de homicídios nem de violência de uma forma geral. Cidades do interior do Estado, antes consideradas tranqüilas e mais seguras, já registram casos graves de violência e índices elevados de consumo e tráfico de drogas. Em muitos casos, a polícia é conivente ou não tem estrutura nem preparo para enfrentar o problema.
Quem estava em São Paulo com os olhos voltados para o espetáculo que é o Grande Prêmio de Fórmula 1 do Brasil pode até ter tido a falsa impressão de que não tinha nada a ver com o final de semana violento do Rio de Janeiro.

Essa é uma falsa impressão, sim, e só acreditando nisso e investindo numa nova política de segurança nacional é que o governo federal certamente conseguirá reverter essa situação. Sete anos parece tempo suficiente para fazer essas mudanças, mas pode ser pouco diante dos sérios problemas a serem enfrentados. * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Se o Brasil desse exemplo não seria melhor do que Lula apenas criticar os países ricos, que não penalizam seus os consumidores de drogas?

Enterro o chapéu

Para os senadores que veem falta de ética na sunga, super-herói, de Suplicy e acham normal a farra com o dinheiro público.

Tiro o chapéu

Para o Conselho Nacional de Justiça, que começa a abrir a caixa preta do Judiciário.

Pensamento de outros

"Quem pensa pouco, erra muito". Leonardo da Vincci (1452-1519), pintor e inventor italiano.

 

OPINIÃO DE 20-09-2009


Pecados que as urnas não perdoam

 * Julia de Medeiros
 

Os efeitos na crise econômica brasileira com a conseqüente queda na arrecadação de impostos até podem justificar alguns cortes nas despesas dos governos.
Mas não é motivo, de forma alguma, para prejudicar serviços essenciais como limpeza da cidade e alimentação para as crianças.  


Depois de ameaçar excluir uma refeição do cardápio diário das crianças de creches municipais, a Prefeitura de São Paulo anunciou o lançamento de uma campanha de boicote à carne com o objetivo de estimular a preservação do planeta.
Como se não bastasse, São Paulo ainda enfrenta, no dia a dia, questões sérias, como o acúmulo de lixo em ruas e avenidas provocado pelo precário serviço de limpeza pública realizado no município nas últimas semanas, que poderá agravar o problema de inundações nessa época de chuvas.
Os efeitos na crise econômica brasileira com a conseqüente queda na arrecadação de impostos até podem justificar alguns cortes nas despesas dos governos. Mas não é motivo, de forma alguma, para prejudicar serviços essenciais como limpeza da cidade e alimentação para as crianças.
Ninguém anunciou redução de salários de funcionários municipais comissionados nem muito menos demissão de empregados em cargo de comissão na administração municipal por conta da redução da arrecadação de tributos.
A maneira como o prefeito Gilberto Kassab tenta justificar medidas absurdas anunciadas é motivo de indignação. O prefeito, segundo os jornais, teria afirmado que “faz tão mal à saúde comer demais quanto comer de menos", ao tentar explicar as razões do corte na alimentação das crianças.
Ainda bem que, não por bom senso, mas certamente pela pressão popular, a administração municipal recuou nessa decisão infeliz. Mas será que vai manter os cortes em áreas essenciais e bancar campanhas, no mínimo esquisitas, como essa de boicote à carne?
Substituir carne por vegetais ou legumes uma vez por semana para salvar o planeta, lema da campanha "Segunda Sem Carne", com lançamento previsto para 3 de outubro e que terá o apoio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, provavelmente causará muita polêmica.
Se a intenção do governo é tomar medidas que desgastem sua imagem agora, para deixar para 2010, ano de eleições, iniciativas mais simpáticas, pode estar correndo o risco de não conseguir recuperar a popularidade perdida. O eleitor pode até aturar denúncias de corrupção e esquecer-se delas na hora do voto, mas cidade suja, corte de alimentação de crianças e incompetência em serviços essenciais são pecados que as urnas não costumam perdoar.
 
* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Ao regulamentar o jogo, a preocupação maior não deveria ser com a família das pessoas, que não conseguem sozinhas "regulamentar"  seu próprio vício?

Enterro o chapéu

Para os governos Federal, estaduais e municipais que se recusam a discutir a municipalização das cadeias: que cada cidade cuide de seus criminosos.

Tiro o chapéu

Para o jurista, advogado Ricardo Tadeu da Fonseca, deficiente visual, que chegou ao cargo de  desembargador.

Pensamento de outros

"Vi o nazismo na Áustria e o comunismo na Hungria. Iniciaram-se por censurar os jornais". Helga Szmuk, vítima de radicalismo político.

 

OPINIÃO DE 23-08-2009


Gripe H1N1 revela a verdadeira face do Brasil

 * Julia de Medeiros
 

 Ao invés de arquivar processos de senadores corruptos, é preciso “arquivar” políticos que não têm a coragem de definir políticas mais corretas e eficazes para assuntos tão urgentes como a saúde.  


Alguns dados estatísticos podem mostrar ligeira melhora nas condições de vida dos brasileiros. Outros, no entanto, ainda indicam que o Brasil, pretensioso, sonha em figurar entre os desenvolvidos, mas não perdeu alguns comportamentos típicos de países pobres.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro divulgou estudo mostrando que o crescimento econômico brasileiro em 2006 reduziu a desigualdade do grau de desenvolvimento entre os municípios.
Em índice calculado pelo segundo ano consecutivo, a média nacional de desenvolvimento das cidades subiu 3,47% em 2006 comparado a 2005.
Naquele ano, o País registrou alta de 4% do Produto Interno Bruto – soma de todas as riquezas produzidas.
Além disso, o salário mínimo havia evoluído 13% e 1,2 milhão de empregos formais foi criado. O resultado do novo índice reforça a tese de interiorização do desenvolvimento. Entre os cem melhores municípios, 79 têm menos de 300 mil habitantes.
Outro dado importante do estudo revela que os municípios do Nordeste cresceram acima da média nos índices de saúde. Todos os Estados nordestinos apresentaram alta de, ao menos 2%, porcentual superior ao crescimento médio nacional que foi de 1,6%.
Diante desses dados, é difícil aceitar que o alto índice de mortalidade pelo novo vírus da gripe, o H1N1, no Brasil seja apenas uma fatalidade. O país já ultrapassou a Argentina em número de mortes, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde argentino. E, mantido o ritmo de óbitos, não terá dificuldade para ficar à frente dos Estados Unidos.
A decisão política do Ministério da Saúde de não ministrar o antiviral Oseltamivir.conhecido como Tamiflu logo nas primeiras suspeitas da doença pode ser a responsável por boa parte dos óbitos, segundo alguns especialistas, como a infectologista Nancy Bellei, que já publicou dezenas de artigos em revistas científicas internacionais e é pós-doutorada em vírus Influenza.
Os primeiros casos suspeitos da gripe que apareceram no país foram tratados com Tamiflu e nenhuma morte foi registrada. Quando a epidemia se instalou, a decisão de só dar a medicação para os grupos de riscos e pessoas que apresentam falta de ar, febre e tosse não é a mesma tomada em países, como Estados Unidos e Inglaterra.
A pandemia, segundo especialistas, só começou e a expectativa é maior virulência da doença na próxima onda. Tomara que o Brasil se comporte como país desenvolvido que pretende ser. Aqui não faltam pesquisas, tecnologia nem muito menos profissionais capacitados. É necessário, sim, definição de prioridades, como a liberação de recursos para a saúde, compra de medicamentos e vacinas, além de investimentos em infra-estrutura em hospitais para que não faltem leitos em Unidades de Terapia Intensiva.
Ao invés de arquivar processos de senadores corruptos, é preciso “arquivar” políticos que não têm a coragem de definir políticas mais corretas e eficazes para assuntos tão urgentes como a saúde.
 
* Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG

Pense e responda

Ao desrespeitar as tradições, o Verdão tenciona virar "Azulão"?

Enterro o chapéu

Para o partidarismo nos movimentos sociais.

Tiro o chapéu

Para o ainda tímido movimento para descriminar a droga e penalizar o consumidor, obrigando-o a se tratar e pagar o custo do tratamento.

Pensamento de outros

"O jornalista austero será sempre um ente malsinado e odioso para todos os governantes".  Camilo Castelo Branco,  (1825 - 1890), escritor português.

 

OPINIÃO DE 23-07-2009


Big brother paulistano

 * Julia de Medeiros
 

 Algumas câmeras são bem sofisticadas, como as da CET instaladas
nas marginais que têm alcance de quatro quilômetros em zoom.
Somados radares e câmeras, a companhia de tráfego tem 605 aparelhos para monitorar o trânsito e aplicar multas.  


O medo da violência em São Paulo pode ter se transformado numa
grande neurose e invadido a privacidade dos paulistanos.

As estimativas da Associação das Empresas de Segurança Eletrônica são de que o número de câmeras espalhadas pela cidade saltou de 50 mil, há dez anos, para 600 mil em 2009, o que dá 16 para cada morador da capital paulista.

Os cinco novos vagões do metrô, por exemplo, têm quatro câmeras cada, mais duas externas no primeiro e no último carro do comboio, totalizando 26 equipamentos.
Com os novos investimentos nesse meio de transporte e a ampliação do centro de controle de segurança para monitorar as estações os números não vão parar por aí.
A quantidade de câmeras por plataforma deverá subir de 930 para 1.318 em um ano.

As estatísticas dos aparelhos espalhados pela cidade incluem os equipamentos dos condomínios, as 3.585 câmeras, controladas em sua maioria pela Guarda Civil, pela SPTrans, pela Secretaria da Educação (para vigiar as escolas públicas) e pelo departamento de trânsito, além dos equipamentos da Polícia Militar.
Algumas câmeras são bem sofisticadas, como as da CET instaladas
nas marginais que têm alcance de quatro quilômetros em zoom.

Somados radares e câmeras, a companhia de tráfego tem 605 aparelhos para monitorar o trânsito e aplicar multas.
Diante de tanta vigilância, fica a pergunta: estamos, então, protegidos? A resposta, baseada nos índices de violência, nos noticiários e no dia a dia do paulistano, é negativa.
Não só falta proteção de fato, como a sensação de quem mora, trabalha ou simplesmente passeia por São Paulo é quase sempre de insegurança e medo.
As câmeras podem até ajudar na fiscalização e talvez inibir alguma ação de bandidos e vândalos, mas não resolve de fato o problema da violência na cidade.

Mais do que ser vigiado, não só o paulistano, mas o brasileiro de forma geral precisa de uma legislação efetiva, capaz de aplicar as penalidades previstas e punir com rigor os condenados.
Mas nem essas medidas terão efeitos tão eficazes sem investimentos em educação e em especial sem ações para manter um crescimento progressivo e mais acelerado das diferenças sociais, fator, sem dúvida algum, preponderante no aumento da violência. 

 * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

Pense e responda

Se os criminosos matam honestos e os honestos são proibidos de matar criminosos, brevemente haverá mais criminosos do que honestos?

 

Enterro o chapéu

Para decisões que criminalizam corruptos, mas não exigem a devolução do dinheiro roubado.

Tiro o chapéu

Para a decisão tardia de obrigar viciados a se tratar, pois estes são a causa de todos os malefícios das drogas à sociedade.

Pensamento de outros

"Uma pessoa não é velha enquanto estiver procurando alguma coisa".  Jean Rostand (1894 - 1977), biólogo francês.

 

OPINIÃO DE 23-06-2009


Mais uma vez a crise política

 * Julia de Medeiros
 

 Se o presidente da Casa, que há anos ocupa uma cadeira no Senado, não tem culpa alguma e muito menos sabia de fatos importantes, como a contratação irregular de parentes, entre os quais o seu neto, quem deveria saber?  


Os escândalos envolvendo políticos brasileiros não saem mais das manchetes. Quando parece que um assunto já se esgotou novas denúncias acabam trazendo o tema de volta à tona. Há quem diga que isso são sinais da democracia em que nada mais se varre para debaixo do tapete e que a verdade deve aparecer doa a quem doer.
A realidade, no entanto, não é parece bem assim. O brasileiro ainda é obrigado a ouvir explicações estapafúrdias como a do senador José Sarney, que afastou de si e atribuiu à instituição a culpa pela crise que atingiu o Senado.
Se o presidente da Casa, que há anos ocupa uma cadeira no Senado, não tem culpa alguma e muito menos sabia de fatos importantes, como a contratação irregular de parentes, entre os quais o seu neto, quem deveria saber? Talvez o eleitor, se tivesse buscado mais informações, quando decidiu dar mais um voto ao senador nas últimas eleições.
O pior é ouvir do presidente Luis Inácio Lula da Silva que Sarney deve ser respeitado em virtude de sua história. Se há uma história a ser preservada, mais uma boa razão para que tudo seja apurado. Afinal, quem faz história num país é exemplo de vida e de conduta. Será que é nesse exemplo que queremos que nossos filhos se inspirem?
Fica até repetitivo e mesmo cansativo para os leitores encontrar nos jornais sempre a mesma ladainha, a mesma indignação e principalmente ver a história se repetir a cada semana, mês e ano. Poderíamos gastar nosso tempo e espaço com outros assuntos mais relevantes como educação, saúde e segurança.
Mas nenhum outro tema pode ser debatido sem passar pela política. A sociedade brasileira está bem preparada para enfrentar questões importantes. Há profissionais extremamente capacitados em todas as áreas. Há empresas detentoras de tecnologia de ponta e de tudo o que há de mais moderno em inovação no mundo. Há entidades, como organizações não governamentais, preparadas e cheias de profissionais competentes para enfrentar problemas diversos.
Faltam, no entanto, dirigentes em especial representantes nas casas legislativas capazes de, por meio da legislação, criar políticas públicas que consigam aproveitar todos esses recursos humanos e tecnológicos disponíveis para fazer um Brasil melhor. Nada adiantam expectativas econômicas positivas se o País não for capaz de transformar essa prosperidade em melhores condições de vida para todos. E isso só é possível com mudança radical no cenário político.    

 * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

Pense e responda

Se o povo não concorda com o alto custo dos legislativos federais, estaduais e municipais, por que motivo isso não se altera?

Enterro o chapéu

Para a falta de um líder que se empenhe em levantar a bandeira da moralidade pública no Brasil.

Tiro o chapéu

Para sanitaristas que defendem a tese de radicalização no combate a gripe suína.

Pensamento de outros

"Nunca seja arrogante com os humildes. Nunca seja humilde com os arrogantes".  Lúcio Anneo Sêneca (4 a. C. - 65 d.C.), filósofo latino.

 

OPINIÃO DE 31-05-2009


Corrupção x aprovação

 * Julia de Medeiros
 

 O O PT, que por anos na oposição significava a possibilidade de um governo sem corrupção e de maior respeito ao dinheiro público, recebe a aprovação mesmo diante de tantas denúncias envolvendo políticos, do PT ou não.    


O Brasil das contradições mostra mais uma de suas facetas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça sua popularidade e amplia não só a aprovação de seu governo pelos cidadãos brasileiros como conquista o apoio de maior número de eleitores para a possibilidade de um terceiro mandato.
Última pesquisa divulgada sobre o assunto mostra que Lula teria o apoio de 47% dos eleitores para disputar um terceiro mandato. Em novembro de 2007, a proposta era rejeitada por 65% dos brasileiros e tinha o aval de apenas 31%.

Os resultados, segundo responsáveis pela pesquisa, indicam mais do que isso. Se Lula tivesse o direito de disputar o terceiro mandato, seria eleito em primeiro turno.
Esses dados se tornam mais surpreendentes por serem divulgados num momento em que credibilidade da classe política passa por mais um período de crise.

Denúncias de uso do dinheiro público por deputados para pagar empregados domésticos; abuso no uso de passagens aéreas para favorecer parentes e amigos de parlamentares sem falar nos castelos e, agora, nas investigações sobre corrupção dentro da Petrobras, a maior e mais rentável empresa brasileira, marcam essa nova fase de acusações contra políticos.
O PT, que por anos na oposição significava a possibilidade de um governo sem corrupção e de maior respeito ao dinheiro público, recebe a aprovação mesmo diante de tantas denúncias envolvendo políticos, do PT ou não.
A pesquisa indica, na verdade, que o brasileiro está mais preocupado com emprego, renda e desenvolvimento econômico do que com corrupção que parece ter se tornado até tolerável se a economia estiver prosperando e os brasileiros correndo menos riscos de ficar sem trabalho.
Aliás, a história do rouba, mas faz continua valendo depois de anos e anos. É claro que é válido até o argumento de que a corrupção aparece mais porque a política está mais democrática e o governo petista aberto às investigações.
Mas o que parece mesmo é que faltam lideranças políticas para ocupar o espaço do petista.
Nem o Lula conseguiu encontrar um substituto no partido à altura. Tem tentado emplacar o nome da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, mas o problema de saúde pode dificultar o trabalho.
Com o maior apoio da população à segunda reeleição de Lula é bem provável que congressistas e os petistas invistam cada vez mais na possibilidade de um novo mandato.
   

 * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

Pense e responda

Se pressões internacionais, que só penalizam os povos e não os governantes, nunca deram certo, por que funcionariam agora contra a Coréia do Norte?

Enterro o chapéu

Para a falta de vontade política municipal para fazer cumprir a Lei do Silêncio.

Tiro o chapéu

Para o vice-presidente José de Alencar, que, com serenidade, dá exemplo de luta pela vida.

Pensamento de outros

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto".  Rui Barbosa  (1849-1935), jurisconsulto e político brasileiro.

 

OPINIÃO DE 19-04-2009


Pela saúde pública e social

 * Julia de Medeiros
 

 O álcool provoca sérios estragos sociais e é um dos fatores responsáveis ainda pela desagregação familiar, sem considerar que, em muitos casos, funciona como porta para o mundo das drogas.    


A lei que proíbe fumar em todos os ambientes coletivos fechados, públicos ou privados, no Estado de São Paulo - desconsiderando a polêmica sobre o direito ou não dos fumantes, demonstra a preocupação das autoridades públicas em relação aos efeitos nocivos do cigarro à saúde.
Mas deixa uma interrogação: por que não há o mesmo cuidado nem o mesmo rigor para a bebida alcoólica, responsável também pela deterioração da saúde pública?
A restrição da propaganda e comerciais de cigarros já havia sido um avanço no combate ao fumo em especial entre os jovens. Nem nessa área publicitária houve algum avanço no sentido de alertar a sociedade, em especial os mais jovens, e agora, mais do que nunca, os adolescentes sobre os malefícios da bebida alcoólica.
A indústria da cerveja continua utilizando recursos publicitários eficientes para seduzir o público jovem mais suscetível aos apelos dos comerciais estrelados por mulheres bonitas e focados no universo que mais atrai as pessoas dessa faixa etária, como festas, bares, praias e um clima de muita alegria e descontração.
O beba com moderação é insuficiente para compensar os sonhos vendidos pelos anúncios da bebida. Assim como o cigarro, o álcool é apontado como um dos fatores de risco para o câncer de mama e de garganta, entre outras doenças graves. A bebida alcoólica, ainda pior do que o cigarro, não tem efeito negativo apenas à saúde.
O álcool provoca sérios estragos sociais e é um dos fatores responsáveis ainda pela desagregação familiar, sem considerar que, em muitos casos, funciona como porta para o mundo das drogas.
A Assembléia Legislativa de São Paulo já aprovou até um projeto que proíbe a venda de alimentos com gordura trans nas cantinas das escolas públicas e particulares.
A iniciativa, que depende ainda do aval do governador José Serra, tem como objetivo combater oi rico de obesidade, diabetes e hipertensão entre crianças e adolescentes, um problema cada vez mais comum no Brasil.
A iniciativa também é louvável porque além de contribuir para melhorar a qualidade de vida é uma medida preventiva que pode colaborar para reduzir os gastos com saúde, uma vez que evitar a doença é muito mais barato do que tratá-la.
Se muitas autoridades já estão conscientes para o grave problema da saúde pública, é preciso que o combate ao uso de bebida alcoólica entre nas discussões da sociedade e seja alvo de leis e iniciativas, como a do fumo e a da disseminação da comida saudável entre os estudantes.
O resultado certamente será população mais saudável e principalmente lares mais felizes.   

 * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

Pense e responda

Se o povo cubano já é penalizado com falta de liberdade política, de imprensa, etc. não é injusto penalizá-lo ainda mais com embargos econômicos?

Enterro o chapéu

Para os Legisladores, que só praticam a malversação do dinheiro público, sem se preocupar com as dificuldades do povo.

Tiro o chapéu

Para os presidentes das nações americanas, que agora decidiram dialogar.

Pensamento de outros

"Todo mundo é ignorante, apenas em assuntos diferentes".  Wil Roger (1879-1935), comediante norte-americano).

 

OPINIÃO DE 18-03-2009


As contradições no momento de crise

 * Julia de Medeiros
 

 Desde o terceiro trimestre do ano passado, países do mundo inteiro, em especial os mais atingidos pela crise, já trabalham com taxas de juros bem inferiores às brasileiras. Com juros menores é possível investir e fazer a economia andar nas fábricas e no campo.    


A queda histórica do Produto Interno Bruto de 3,6% no quarto trimestre do ano passado acendeu uma luzinha vermelha na sociedade em especial nos setores econômicos, como indústria, comércio, serviços e agricultura. As previsões eram de um impacto ameno da crise global no País.
Os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tornam as previsões econômicas ainda mais nebulosas e intensificam as especulações de uma desaceleração econômica mais intensa.
O Banco Central correu baixar as taxas de juros. A medida talvez tenha vindo tarde demais.
Desde o terceiro trimestre do ano passado, países do mundo inteiro, em especial os mais atingidos pela crise, já trabalham com taxas de juros bem inferiores às brasileiras. Com juros menores é possível investir e fazer a economia andar nas fábricas e no campo.
O recuo de 9,8% no volume de investimentos no quarto trimestre foi um dos números mais importantes apresentados pela pesquisa do IBGE.
Por um lado, pode demonstrar o efeito psicológico da crise. Empresários, com medo da forte desaceleração econômica global em especial nos países desenvolvidos, refizeram seus planos e suspenderam os investimentos.
Por outro, pode significar previsões efetivas de retração do consumo com o cancelamento de pedidos pelos fornecedores.
Investimento é um termômetro importante para a economia. Empresas só planejam expansão, lançamento de novos produtos e construção de novas unidades fabris quando vislumbram um futuro promissor para seus negócios.
Cabe ao governo, mais uma vez, estimular essa área da economia com investimentos em obras públicas, com uma política monetária mais flexível.
O que não dá para entender é porque em meio a tantas urgências para salvar o Brasil da crise ou pelo menos amenizar seu impacto na economia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anuncia a injeção de R$ 150 milhões na LLX, empresa de logística de Eike Batista.
O empresário brasileiro está no seleto grupo de 44 bilionários que conseguiu ampliar sua fortuna ao longo de 2008, segundo a revista norte-americana Forbes. Ele não precisa certamente desses recursos para continuar tocando seus negócios.
A prioridade neste momento são pequenas e médias empresas que precisam de capital para investir. É nesse segmento que se encontra a maior parte dos trabalhadores formalmente empregados na economia brasileira. Financiar os grandes também faz parte dos governos, mas dar prioridade aos pequenos e médios é a principal obrigação ainda mais num momento econômico tão delicado.   

 * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

Pense e responda

Qual seria o motivo do Brasil, um dos povos mais pobres do mundo, conseguir fazer com que os bancos sejam os mais rendáveis do mundo?

Enterro o chapéu

Para a Petrobrás que investe em pesquisa cara e incerta em vez de investir em baixar o preço da gasolina para combater a crise.

Tiro o chapéu

Para imprensa brasileira, única esperança na moralização do Congresso Nacional.

Pensamento de outros

"A pedra mais firme na estrutura é a mas baixa nas fundações".  Kalil Jubran, poeta e pintor sírio-libanês.

 

OPINIÃO DE 18-02-2009


A reforma que começa pelo professor

 * Julia de Medeiros
 

 A Educação não recebe das autoridades o tratamento que deveria ter um dos setores, se não o setor, mais importantes para a sociedade. Sem educação primorosa o Brasil jamais vai deixar a condição de País em desenvolvimento para finalmente à de desenvolvido.    


Cerca de 5 milhões estudantes da rede pública tiveram de adiar a volta às aulas por quase uma semana em virtude de uma liminar concedida pela Justiça que altera a atribuição de aulas para professores temporários da rede.
Na cidade de São Paulo, outros 10 mil alunos também tiveram atraso no início do ano letivo por conta das obras para a construção de mais da metade das 30 novas escolas prometidas pela Prefeitura que não ficaram prontas.
Só por esses dois contratempos dá para ter uma idéia que mais uma vez a Educação não recebe das autoridades o tratamento que deveria ter um dos setores, se não o setor, mais importantes para a sociedade. Sem educação primorosa o Brasil jamais vai deixar a condição de País em desenvolvimento para finalmente à de desenvolvido.
E casos de sucesso na Educação mostram como é viável reverter essa situação e atingir um ensino de qualidade com boa vontade.
A Finlândia é um bom exemplo disso. Suas escolas têm instalações simples. As salas de aula são convencionais, com quadro-negro e, em alguns casos, um ou dois computadores. Mesmo assim estão sempre no topo do Pisa, a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, enquanto o Brasil quase sempre está entre as últimas posições.
A Finlândia não está à frente por causa dos recursos tecnológicos oferecidos aos estudantes, mas em razão dos investimentos no currículo amplo e em especial na capacitação dos docentes. Os alunos aprendem no ensino público música, arte e pelo menos duas línguas estrangeiras. Os professores, até os do nível básico, são obrigados a obter o título de mestrado. Investir na formação de professores foi a primeira iniciativa da reforma educacional do país, iniciada a partir dos anos 70.
A situação na Finlândia há quarenta anos não era muito diferente do Brasil. A má qualidade das escolas públicas levou a população a transferir seus filhos para as instituições privadas de ensino. Os professores foram para as universidades, cursaram pelo menos cinco anos e hoje formam uma das categorias profissionais mais disputadas pela boa remuneração e o prestígio social.
Os estudantes voltaram para a rede pública. O caso da Finlândia é um exemplo claro de que começar a reforma da Educação pela capacitação dos professores é mais do que meio caminho andado.

  

 * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

Pense e responda

O melhor resultado, obtido pela polícia na prisão de criminosos, ainda é quando os marginais se desentendem ou sofrem acidentes?

Enterro o chapéu

Para a omissão de cartolas e autoridades municipais, estaduais e federais em coibir a violência nos estádios.

Tiro o chapéu

Para o vice-presidente José de Alencar, que mostra a importância de se lutar pela vida, sem temor pela morte.

Pensamento de outros

"Quem tem pressa vai devagar".  Provérbio chinês.

 

OPINIÃO DE 20-01-2009


Sem esperar que Obama seja o “salvador”

 * Julia de Medeiros
 

 Além da descendência africana, que para muitos já significa mudança profunda, Obama é considerado um político interessante e inteligente. Tantas “esperanças” trazem também alto risco porque podem transcender as concretizações reais que o novo presidente dos Estados Unidos pode oferecer à sua nação e ao planeta.    


O mundo espera há algum tempo para despedir-se de George W. Bush e dar adeus definitivo à era de um presidente norte-americano marcada por guerras, violência e por uma das maiores crises econômica e financeira internacionais. Qualquer substituto de Bush seria recebido com otimismo em relação à construção de um mundo melhor.
A eleição de Barac Obama, no entanto, causou muito mais expectativas do que isso não apenas entre os norte-americanos como também na população mundial de forma geral. Além da descendência africana, que para muitos já significa mudança profunda, Obama é considerado um político interessante e inteligente. Tantas “esperanças” trazem também alto risco porque podem transcender as concretizações reais que o novo presidente dos Estados Unidos pode oferecer à sua nação e ao planeta.
O lançamento por Obama de um plano de estímulo à economia com investimentos em infra-estrutura ou qualquer iniciativa do novo presidente para a recuperação da economia norte-americana pode ter efeito positivo dentro e fora dos Estados Unidos. Ações concretas de Obama para estimular a paz no Oriente Médio e sinalizar uma nova ordem mundial com vistas para a paz também podem trazer resultados positivos. Mas o mundo não pode depositar todas as suas fichas em Obama.
O Brasil, por exemplo, pode até esperar um bom relacionamento com os Estados Unidos durante a presidência de Obama e acreditar em melhores perspectivas para seus negócios com a retomada econômica norte-americana. Mas tem de primeiro acreditar em seu potencial, de suas empresas, trabalhadores e empresários, e tomar medidas efetivas de estímulo à economia interna, como transferir recursos dos gastos com a máquina administrativa para os investimentos.
Árabes e judeus podem até contar com o apoio e o bom senso de Obama para chegarem ao entendimento, mas não só o povo do Oriente Médio como toda a população mundial tem de travar uma guerra verdadeira contra a intolerância racial, religiosa e tantas outras.
Obama pode dar um empurrão para melhorar as coisas, mas cada nação tem de fazer sua parte. É preciso acreditar que a verdadeira mudança do planeta depende de cada país, continente e principalmente de cada cidadão do mundo sem esperar que o processo de paz e desenvolvimento mundial, com a redução da fome e da pobreza, seja conduzido por um único “salvador”.  

 * Júlia de Medeiros é jornalista (Site: http://www.agrocircuito.com.br/_index.asp - Email: saletesilva@dglnet.com.br ) (artigo exclusivo para Editora "Jornal dos  Bairros",  Jornal da Bela Vista, O Higienópolis, O Cerqueira César, O Paraíso e Vila Mariana), Voz da Terra  - Assis-SP e Voz da Terra on line -Monte Verde - MG 

Pense e responda

Se o dinheiro arrecadado por algumas igrejas fosse destinado a dar mais conforto e segurança a seus fiéis, muitas tragédias não seriam evitadas?

Enterro o chapéu

Para o povo norte-americano, que, por duas vezes, escolheu George Bush, um presidente guerreiro e prisioneiro de ideologia.

Tiro o chapéu

Para o povo norte-americano, que não teve preconceito em escolher seu candidato a presidente.

Pensamento de outros

"O Brasil não inventou a corrupção. Apenas inventou a sua impunidade". Chico Anísio, humorista brasileiro.


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*“Se tivesse que decidir se devemos ter governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último” (Thomas Jefferson).

 

* “A imprensa, numa vigorosa prestação de serviço, será a memória da cidadania contra o corporativismo de interesses menores, quer no Executivo, Legislativo e Judiciário” (Carlos Alberto Di Franco).

 

“Que o bem da liberdade segue imediatamente os bens da vida e da integridade física, demonstra-se facilmente, pois, a liberdade foi sempre constantemente um dos mais altos fins dos esforços e das aspirações humanas” (Adriano de Cupis).

 

* “Libertas omnibus rebus favorabilior est” ( “Em todos os casos a liberdade é mais favorável”), Brocardo Romano.

 

* “ A imprensa é um dos meios mais importantes de crítica e controle público permanente” (Konrad Hesse)

 

* “A imprensa livre é o olhar onipotente do povo” (Karl Marx).

 

* “A imprensa livre é o espelho intelectual no qual o povo se vê e a visão a si mesmo é a primeira condição da sabedoria” (Karl Marx).

 

“Nossa Constituição Federal (1988) protege, de maneira veemente, o direito de informar, o direito de se informar e o direito de ser informado” (Oduvaldo Donnini, autor do livro “Imprensa livre, dano moral e dano à imagem...pág.206)

 

* “A medida que a comunicação se torna maior e melhor, fica claro que a intolerância é a verdadeira pequenez do homem”, Spielberg

 

* "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras" (o artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos-ONU, 10-12-1.948).


"Creio na imprensa sem restrições, porque creio no poder da razão e da verdade".

Rui Barbosa

 

"Infringem a  ética:

o juiz que não julga, 

o promotor que  não denuncia, 

o advogado que não defende, 

o jornalista que não noticia o que sabe ou 

não escreve o que pensa".

Medeiros de Abreu

 

"Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la".  Voltaire

 

Indenização, em dinheiro, por dano moral somente indeniza a moral de quem não tem moral.

Medeiros de Abreu

 

“O interesse coletivo deve prevalecer em relação ao particular”. Ministros Marco Aurélio e Gilmar Mendes em decisão sobre crime de imprensa.

 

* A sociedade deveria entender que quem quer penalizar o direito de opinar, de pensar ou de se informar é que deveria ser penalizado". Medeiros de Abreu

"O segredo é aliado da corrupção". Ministro Waldir Pires

"Julgar idéias é uma das mais infelizes invenções da humanidade." Jornalista Audálio Dantas

"Não há pessoas nem sociedades livres, sem liberdade de expressão e de imprensa". (Declaração de Chapultepec sobre liberdade de expressão)

 

"Limitar a liberdade de expressão, sob qualquer forma que seja, revela incompatibilidade com a democracia". 

Rodrigo Pinho, procurador geral de Justiça do Estado de São Paulo

 

"Falta de ética é não publicar notícia relevante". Thélio Magalhães, jornalista.

 

Os incisos do artigo 5o. da Constituição abaixo só não garantem a liberdade de imprensa, porque foram "esquecidos" pelos que julgam ações contra a liberdade de imprensa:

 

* "IV - É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato";

 

* "V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo...";

 

* "IX - É livre a atividade...de comunicação, independentemente de censura e licença";

 

* "XIV - É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".