EDITORA IPÊ DE JORNAIS DE BAIRRO DE SÃO PAULO e VOZ DA TERRA - ASSIS-SP - BRASIL

Diretor: Egydio Coelho da Silva

 

Diálogos de Zé Ferrrado com o Presidente

 

 

12 de dezembro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, fiquei impressionado com a força, digo, com a carência dos militares. 

Por isso, dei aumento de 28% sem exigir que o Malan e o Congresso encontrassem fonte de financiamento para o aumento...

ZÉ FERRADO:

O Professor-Presidente também é humano. O Sr. já foi muito exigente com o Dr. Malan e com o Congresso para arrumar fonte de financiamento para o salário mínimo. 

Para variar, tem que ser mais tolerante com quem tem força, digo, carência...

 

11 de dezembro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, preciso acabar com a briga entre o Jáder e o ACM. Os dois estão falando mentiras um do outro. 

Estou até com medo de que o Ministério Público mande prendê-los por calúnia... E não sei como agir para que um tércio, que só fale a verdade, seja escolhido presidente do Senado...

 ZÉ FERRADO:

O Professor-Presidente deveria deixar que os dois fossem presos. 

Assim, ficaria mais fácil escolher um tércio para Presidente. Um pouco mais difícil será encontrar um que só fale a verdade...

 

6 de dezembro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, as crises acontecem porque os países pobres e globalizados como a Argentina, não têm dinheiro em caixa para pagar suas dívidas, digo, honrar seus compromissos com os agiotas, digo, investidores internacionais. 

Aí, como eles são amigos dos países pobres, emprestam mais dinheiro e a dívida é paga e acaba a crise...

 ZÉ FERRADO:

Já estou entendendo um pouco, Professor-Presidente.

Na minha ignorância, eu pensava que crise seria quando a gente não tem emprego, não tem moradia, não tem dinheiro para comprar comida...

29 de novembro de 2.000

PRESIDENTE: Zé Ferrado, duas coisas me preocupam: o aumento da pobreza e do consumo da gasolina.

E também acho que a Professora-Presidenta, minha esposa, está certa quando diz que a atual “ajuda governamental nunca chega aos pobres”.

Por isso, estou pensando em implantar no Brasil inteiro essa tal de renda mínima...

ZÉ FERRADO: Entendi. Assim o Professor-Presidente resolve dois problemas. 

Ajuda os pobres e economiza gasolina, que será consumida pelos ônibus, que vão trazer os pobres para São Paulo para receber a renda mínima da Dona Marta do PT.

 

22 de novembro de 2.000

 

PRESIDENTE: 

Zé Ferrado, fico contente que Portugal e Espanha, países da península Ibérica, lembrando os idos históricos, voltem a se interessar pelo Brasil, como aconteceu com a compra das estatais Telefônica, Telesp e Banespa.

 

Talvez por ser eu de origem portuguesa, acho que dependência, digo, relacionamento econômico com a Península Ibérica é melhor do que a dependência, digo, do que o relacionamento verificado nos últimos tempos...

 

ZÉ FERRADO: 

Minha prima, versada em economia, Lia Vipe Vive Ferrada pensa parecido com o Professor-Presidente.

 

Ela me disse que o Brasil está saudoso do tempo em que a colonização mundial era mais romântica, menos globalizada e, pelo menos, mais sincera...

 

 

 

14 de novembro de 2.000

 

 

07 de novembro de 2.000

 

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, estou reestudando a política de importação de supérfluos. Vou retomar a política de investimento na indústria nacional e naval, para fortalecer as empresas nacionais.

 ZÉ FERRADO:

Acho que a minha prima, versada em economia, Lia Vipe Vive Ferrada, concordaria com o Professor-Presidente.

Ela diz que a reeleição é muito boa porque o reeleito é obrigado a consertar seus erros na economia e não deixa essa obrigação para o sucessor...

31 de outubro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, D.ª Marta do PT disse que vai dar renda mínima a todas as famílias pobres. 

Mas ainda acho mais correto dar transporte barato e até gratuito ao povo como os outros prefeitos eleitos se propõem.

ZÉ FERRADO:

O Professor-Presidente fez, como sempre, observação inteligente. Mas talvez as políticas se complementem. 

D.ª Marta dá renda mínima e os outros prefeitos dão transporte de graça para todos os pobres se mudarem para São Paulo e receber a renda mínima...

24 de outubro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, passei a bola, digo, a obrigação aos governos estaduais para que aumentem o salário mínimo, mas eles não aumentaram e devolveram a bola, digo, a obrigação para que só eu continue a fazer isso...

ZÉ FERRADO:

Parece que o Professor-Presidente está sofrendo com o problema, que existe não só no futebol, mas também na política.

Um passa a bola prô outro e ninguém chuta a gol...

 

18 de outubro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, achei muita demagogia dos candidatos a prefeitos criticar problemas sociais, como fila no INSS, falta de medicamentos e de leitos nos hospitais, remédios caros nas farmácias. Ninguém vê as coisas positivas que temos.

ZÉ FERRADO:

O Professor-Presidente está certo. O correto é ver os dois lados.

Por exemplo, ninguém elogiou a qualidade de hospitais, como o Albert Einstein, onde não tem fila, cuja diária na UTI chega a um milhão de reais, que atende todas as pessoas ricas e os políticos importantes do País...

11 de outubro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, sempre sonhei com a globalização.

A globalização também é a realização do sonho de todos os exportadores, que não haja barreira nenhuma no mundo.

Os consumidores também sonham com a possibilidade de comprar os produtos produzidos no mundo inteiro ao preço do país de origem.

Mas os países ricos não compram nossos produtos para não prejudicar seus agricultores.

E, se nós não vendemos, não temos dinheiro para comprar todos produtos estrangeiros...

ZÉ FERRADO:

O Professor-Presidente é inteligente e explicou direitinho.

É um grande sonho a globalização.

Do jeito que vai indo, logo vamos imitar John Lennon e dizer:

“O sonho acabou”.

03 de outubro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, pago juros altos ao FMI, aos agiotas internacionais e minha competente e honesta equipe econômica nunca faz protesto.

Aqui ao contrário, o MST não quer pagar juros nenhum e ainda faz protesto, acampa em frente à minha fazenda.

Desse jeito fico sem dinheiro...

ZÉ FERRADO:

É uma situação difícil, Professor-Presidente. 

Por que o Sr. não nomeia o Zé Rainha para dirigir sua competente e honesta equipe econômica?

Talvez ele consiga ensinar a todos como acampar em frente à sede do FMI e assim conseguir pagar juros menores.

25 de setembro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, estou orgulhoso da minha decisão de estender o pagamento da correção monetária do FGTS a todos os trabalhadores.

Não é importante o fato de não haver dinheiro para pagar. 

O bonito é a gente assumir a dívida, mesmo que não deseje, digo, não possa pagar...

ZÉ FERRADO:

Este gesto, nobre do Professor-Presidente, se parece muito com o modo de agir de meu primo, João Colote Ferrado. 

Ele é pessoa séria e diz aos seus credores: 

“Devo não nego; pago quando puder...”

20 de setembro de 2.000

PRESIDENTE:

Zé Ferrado, muita gente me critica dizendo que nada faço para criar mais emprego, nada faço para dar casa aos pobres, nada faço para a saúde do povo, mas felizmente ninguém me acusa de roubar. 

Por isso, para melhorar minha imagem vou registrar um email e responder a todas as dúvidas. 

Ainda não sei nome que vou pôr no meu email. 

De uma coisa estou seguro: não vou fazer como um político, que criou o email: maluf@masfaz.com.br ...

ZÉ FERRADO:

Se o Professor-Presidente me permite, eu gostaria de lhe sugerir um nome para seu email. 

Acho que ficaria legal o nome: fernandonão@masnadafaz.com.br ...

 

11 de setembro de 2.000

PRESIDENTE: 

Zé Ferrado, O IPMF foi criado para que eu pudesse investir mais em saúde. Agora, vou aumentá-lo para 0,38% para criar um Fundo de Pobreza.

ZÉ FERRADO: 

É uma idéia genial, Professor-Presidente. O único perigo é que os contribuintes se afundem na pobreza e aí não haverá Fundo de Pobreza suficiente para socorrer a todos...

5 de setembro de 2.000

ZÉ FERRADO: 

Estou animado com essa idéia de plebiscito sobre dívida externa. O Professor-Presidente também está?

PRESIDENTE: 

Zé Ferrado, eu acho que o povo já tem muita preocupação. O melhor mesmo é deixar o governo fazer dívida, aplicar onde achar melhor o dinheiro recebido, administrar a dívida e decidir que juros paga, convencer os banqueiros a emprestar dinheiro, etc. O povo só fica com uma obrigação, que é a de pagar a dívida. O resto é por nossa conta...

30 de agosto de 2.000